quarta-feira, 2 de abril de 2014

Classificado

O Grêmio está classificado para as oitavas de final da Libertadores. A vitória por 2 x 0 sobre o Nacional, de Medellin, hoje à noite, no Atanázio Girardot, foi melhor do que a encomenda. Um empate era considerado de bom tamanho pelo Grêmio, pois, assim, a classificação já estaria garantida. Com a vitória, o Grêmio também está com o primeiro lugar de seu grupo praticamente assegurado. Afora isso, se ganhar do Nacional, do Uruguai, na Arena, como tudo indica que vá acontecer, o Grêmio poderá, até mesmo, ser o primeiro colocado geral da fase de grupos da Libertadores, auferindo a vantagem de sempre decidir os confrontos eliminatórios na sua casa. No primeiro tempo, o Grêmio não jogou bem. Esteve muito recuado, permitindo que o adversário permanecesse quase todo o tempo com a bola. Ainda assim, não foi ameaçado pelo Nacional, e perdeu, pelo menos, uma grande chance de gol, com Dudu. Nessa fase da partida, só Riveros jogou bem. No segundo tempo, o Grêmio voltou mais insinuante. Luan, de má atuação, até então, cresceu de produção. Dudu também melhorou de desempenho. A pressão do Nacional resultou numa série de escanteios, mas que em nada redundaram. O Nacional criou chances de gol, mas parou nas defesas extraordinárias de Marcelo Grohe, que vive excelente fase. Para completar as boas notícias da noite, depois de Dudu ter aberto o placar, Barcos marcou seu primeiro gol na Libertadores de 2014, o que certamente vai lhe tirar um peso das costas. Após o jogo, com a confiança reconquistada, jogadores e dirigentes do Grêmio faziam questão de frisar que nada está perdido no Campeonato Gaúcho. A partir do que se viu hoje à noite, essa afirmação tem tudo para ser mais do que uma simples colocação retórica.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Campanha aberta

A imprensa conservadora brasileira não se preocupa mais em disfarçar suas preferências, e está em campanha aberta contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A revista "Veja", líder desse segmento editorial, estampa na capa de sua edição dessa semana a seguinte chamada: "Porque quando Dilma cai a Bolsa sobe". A frase faz referência ao fato de que quando Dilma perde em popularidade nas pesquisas, as ações da Petrobrás sobem na Bolsa de Valores. A reportagem sobre o assunto, que traça um panorama trágico da Petrobrás por culpa do governo, assume um tom vergonhosamente parcial em determinados trechos, abandonando as regras do fazer jornalístico e enveredando pelo panfletarismo. Vejam-se alguns excertos: "... em outubro estarão em julgamento pelas urnas os resultados sofríveis da gestão estatizante e intervencionista do governo Dilma e as propostas mais modernas e arejadas do mineiro Aécio Neves e do pernambucano Eduardo Campos"; "Como governadores de seus estados, Aécio e Campos fizeram tudo ao contrário de Dilma, obtendo não apenas aprovação popular, mas um estoque vistoso e irrefutável de políticas públicas da mais alta qualidade"; "O eleitor será apresentado pela oposição na campanha presidencial a resultados obtidos com transparência e meritocracia e que apontam para a revalorização das agências reguladoras, o fim do intervencionismo na economia, a volta do planejamento e das parcerias com o setor privado"; "Enfim, a oposição vai se abastecer dos equívocos e escândalos dos doze anos de governo ideológico e assistencialista, de política externa subalterna aos interesses de Argentina, Venezuela e Cuba". Poucas vezes se viu um exemplo tão gritante de mau jornalismo. Para começar, um dos fundamentos básicos do bom jornalismo é evitar adjetivos em reportagens, eles são cabíveis em textos opinativos, como artigos, crônicas e colunas assinadas. Numa reportagem, ainda que assinada, como é o caso, devem prevalecer a objetividade e a isenção. Os autores da mesma, Róbson Bonin e Malu Gaspar, deixaram de lado essas regras basilares do jornalismo e rechearam seu texto com expressões como "estoque vistoso e irrefutável", e "governo ideológico e assistencialista". Afora ser parcial e panfletário, o texto é de uma estultice alarmante. Como poderia um governo deixar de ser ideológico e assistencialista? A ideia de que as ideologias estão superadas só é passível de ser aceita por um anencéfalo. Somos seres pensantes, logo, ideológicos. Uma vida ou ação política destituída de ideologia é,.simplesmente, impossível. O assistencialismo, sempre criticado pelos defensores da "lei de mercado", é uma tarefa inescapável do Estado, pois cabe a ele auxiliar os desfavorecidos e socialmente marginalizados. Para o bem do país, no entanto, todo esse esforço dos setores conservadores, mais uma vez, vai dar em nada. O governo não irá mudar de mãos.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Os 50 anos de um golpe

O dia de hoje, 31 de março, marca a passagem dos 50 anos de um golpe militar espúrio, uma ação liberticida, em que a ordem constitucional e democrática foi pisoteada, e um presidente legitimamente eleito, João Goulart, foi deposto, sendo substituído por quem tomou o poder pelas armas, sem receber um único voto. Foi um acontecimento trágico na história do Brasil. Os 21 anos de duração da execrável ditadura militar geraram efeitos perversos que ainda não se dissiparam de todo, mesmo após 29 anos da restituição da democracia. Os promotores e apoiadores da quartelada justificam suas ações como tendo sido para defender o país da "ameaça comunista". Conversa fiada. Essa "ameaça" nunca existiu. João Goulart não era comunista. O que ele pretendia era fazer as reformas de base que tornassem o Brasil uma país mais justo, menos desigual. A natureza golpista das Forças Armadas, e seu insuflamento pelas elites temerosas de perder seus privilégios, levaram o país a mergulhar nas trevas de uma ditadura militar assassina. Políticos foram arbitrariamente cassados, professores perderam suas cátedras, militantes de esquerda foram torturados e assassinados, a imprensa e as artes foram censuradas. Ao contrário do que sustentam simpatizantes do golpe, o governo deposto gozava de grande popularidade, e a sociedade, em sua maioria, apoiava as reformas de base. João Goulart caiu por suas virtudes, e não pelos supostos defeitos que seus detratores lhe imputam. Alguns celerados resolveram reeditar, há poucos dias, as famigeradas "Marchas pela família". As tais marchas, realizadas em algumas capitais, foram um absoluto fracasso. Uma prova de que, passados 50 anos, a consciência política dos brasileiros é muito maior, e eles não se deixam mais manipular tão facilmente. A data de hoje deve ser lembrada, sim, mas para que possamos deixar claro que um fato semelhante jamais voltará a ocorrer no país. Nunca mais.

domingo, 30 de março de 2014

Fracasso rotundo

A derrota do Grêmio para o Inter, por 2 x 1, de virada, hoje, na Arena, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Gaúcho, é daquelas que deixam marcas indeléveis. Um fracasso rotundo. Afinal, era um jogo pleno de significados. Foi o Gre-Nal de número 400 na história. O primeiro da Arena a ter um vencedor. Com o resultado, o Inter abriu 25 vitórias de vantagem no cômputo geral dos grenais. Como se vê, um revés terrível para o Grêmio. Porém, o Grêmio não fez por merecer melhor sorte, pois, tendo começado superior e feito 1 x 0 aos 14 minutos do primeiro tempo, recuou inexplicavelmente, dando campo ao adversário, situação que persistiu até o final do jogo. No intervalo, o técnico do Inter, Abel Braga, tomou uma providência que se revelaria decisiva, ao substituir Jorge Henrique, de fraca atuação, por Alan Patrick. O Inter passou a dominar inteiramente o jogo, sem que o técnico do Grêmio, Enderson Moreira, esboçasse qualquer reação. Só quando o Grêmio já havia sofrido o gol de empate é que ele começou a realizar trocas no time, mas já era tarde. O Grêmio já havia se mostrado vacilante contra o Brasil, de Pelotas, quando, após fazer 2 x 0, caiu de rendimento e proporcionou um gol para o adversário, no final, que, por pouco não deu contornos dramáticos a uma vitória que, até então, era tranquila. As grandes decepções do Grêmio, hoje, foram Dudu e Luan. Dudu mais pareceu um peladeiro, correndo para todos os lados sem objetividade. Luan, talvez convencido de ser um craque, abusou do individualismo, tentando driblar todos os que via pela frente, e sendo, quase sempre, desarmado. O título do Gauchão, dessa forma, está, praticamente, perdido para o Grêmio. Se vier a conquistar a competição, como tudo indica, o Inter será tetracampeão gaúcho, e abrirá uma vantagem de sete títulos estaduais sobre o Grêmio. Para piorar o quadro, o Grêmio terá um jogo importante pela Libertadores, quarta-feira, fora de casa, contra o Nacional, de Medellin, e terá a dura tarefa de impedir que a derrota no Gre-Nal abata o seu ânimo. Convenhamos, uma intenção que não será nada fácil de alcançar.

sábado, 29 de março de 2014

Gre-Nal 400

As datas e acontecimentos com números "redondos" sempre foram festejadas e exaltadas. Os cinquenta anos de união de um casal, o centenário de fundação de um município, por exemplo. Dessa forma, o Gre-Nal de amanhã, na Arena, terá um elemento adicional a enobrecer um clássico que já é tão pleno de significados. O Gre-Nal, tido até por pessoas fora do Rio Grande do Sul como o maior clássico brasileiro, dada a singular rivalidade entre os dois clubes rivais, Grêmio e Inter, será jogado pela 400ª vez! Uma história que começou há 105 anos, em 1909, de um confronto que, desde então, só fez crescer em empolgação e grandiosidade. Particularmente, já assisti, no estádio, mais de uma centena de grenais. Um jogo fascinante e emocionante como poucos. Embora no cômputo geral do enfrentamento o Grêmio esteja em desvantagem, o clube ainda está invicto nos grenais "redondos". No Gre-Nal 100, em 1948, no estádio da Timbaúva, houve empate em 0 x 0, e, com o resultado, o Grêmio ganhou, de forma invicta, o título do Torneio Extra. No Gre-Nal 200, em 1971, no Beira-Rio, o Grêmio venceu por 3 x 1. O Gre-Nal 300, em 1989, no Olímpico, na decisão do Campeonato Gaúcho, teve novo empate em 0 x 0, com o Grêmio vencendo por 4 x 3 nos tiros livres da marca do pênalti e tornando-se pentacampeão estadual. Portanto, para os supersticiosos, mais um fator a ser levado em consideração no jogo de amanhã, o primeiro da decisão do Gauchão de 2014. O Grêmio, por jogar em casa e ter um time mais testado, tem um leve favoritismo para a partida, mas num Gre-Nal tudo pode acontecer. Um jogo que já começa histórico, por alcançar uma marca tão expressiva, e que tem tudo para vir a ser lembrado e discutido muito tempo depois da sua realização, como grande parte dos grenais. Afinal, o Gre-Nal não combina com a banalidade, ele é, por natureza, um acontecimento notável. Resta esperar que, mais do que do esses apelos, o Gre-Nal 400 nos brinde com um grande jogo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

A lista

A revista inglesa "World Soccer", em uma edição especial, apresenta uma lista com os 50 maiores jogadores da história das Copas do Mundo. Conforme os editores da revista, os critérios para a elaboração da lista são estatísticas diretas, prêmios por participação em Copas, papel decisivo em partidas, impacto em sua equipe, e legado deixado na história da competição. Listas desse tipo sempre são polêmicas, e com a da "World Soccer" não é diferente. Nos quatro primeiros lugares, a escolha parece bastante criteriosa, apresentando Pelé, Maradona, Beckenbauer e Garrincha, respectivamente. Porém, daí por diante, algumas posições são muito excêntricas. O quinto colocado, por exemplo, é Gerd Müller que, assim, ficou na frente de Ronaldo (6º), Cruyff (7º), e Zidane (8º). Gerd Müller foi um grande centroavante, tendo feito 14 gols nas duas Copas de que participou, mas colocá-lo a frente de Ronaldo e Romário é uma demasia. Romário, por sinal, aparece apenas em 13° lugar, uma posição atrás de Roberto Baggio. Isso soa como um contrassenso, já que, na Copa do Mundo de 1994, Romário foi a mais importante figura da Seleção Brasileira na conquista do título, e Baggio errou a cobrança de tiro livre da marca do pênalti que determinou o resultado da competição. Há jogadores que estão em posições absurdas. Puskas está em 11º lugar, quando, na verdade, teria de ficar abaixo, apenas, dos quatro primeiros. O 10º colocado, Mathaüs, teve o grande mérito de ter jogado cinco Copas do Mundo e disputado 25 jogos, recorde na história da competição, mas não era um grande craque. Didi, que é listado em 31º lugar, deveria estar entre os 10 primeiros. Platini, 18º colocado, também deveria estar entre os dez primeiros. Por outro lado, Cafu, 16º lugar, nem deveria integrar a lista. Buffon em 14º lugar também é uma demasia, ainda mais com Yashin estando apenas em 23º Os absurdos ficam por conta de Donovan, 48º, e Salenko, 49º. Afora os quatro primeiros colocados, indiscutíveis, a lista mais erra do que acerta, omitindo grandes jogadores, e incluindo nomes obscuros. Os mais jovens, não devem tomá-la como referência.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Machismo renitente

Uma pesquisa que acaba de ser divulgada dá conta de que 65% das pessoas consultadas concordam com a afirmação de que mulheres que usam roupas sensuais ou provocantes são responsáveis pela ocorrência de estupros. A ideia dos que pensam assim é a de que se as mulheres se vestirem de maneira mais comportada estarão evitando a hipótese de serem atacadas sexualmente. Afora ser uma visão absurdamente machista, traz nas suas entrelinhas o entendimento de que os homens não são capazes de refrear seus instintos, cabendo à mulher, então, não despertá-los. Num mundo que viveu a chamada revolução sexual há 50 anos, e que vem tendo aceleradas mudanças no campo comportamental, é estarrecedor constatar que ainda existam tantas pessoas com uma postura tão tacanha e conservadora. Isso só demonstra que, ao contrário de uma sociedade libertina e dissoluta como sustentam muitos, o que temos no Brasil é um moralismo anacrônico. Não faz tanto tempo assim, ainda aceitávamos que homens "lavassem sua honra" com sangue, assassinando suas mulheres, caso fossem traídos por elas, sendo absolvidos nos tribunais. O machismo é renitente no país, que insiste em não se livrar de conceitos obscurantistas. O caminho a percorrer para que tenhamos uma sociedade evoluída, como se pode constatar a partir do resultado de pesquisas como esta, é, ainda, muito longo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vitórias esperadas

As vitórias eram esperadas e se confirmaram. Assim, Grêmio e Inter irão decidir o Campeonato Gaúcho. Nos jogos de hoje, pelas semifinais, eliminaram o Brasil, de Pelotas, e o Caxias, respectivamente.. O Grêmio ganhou do Brasil, na Arena. A vitória gremista foi merecida, pelo que se viu em campo, embora o Brasil reclame de que Luan teria dominado a bola com a mão antes de marcar o segundo gol.. Luan, por sinal, foi o melhor jogador em campo, com mais uma atuação de altíssimo nível. O restante do time teve uma atuação um pouco abaixo dos jogos anteriores. Barcos, por exemplo, que fizera três gols no jogo contra o Juventude, teve um desempenho muito discreto. O Brasil, por sua vez, abusou da violência e das reclamações, com a complacência do árbitro Fabrício Neves Corrêa. Porém, ainda que não tenha sido fácil, pois o Brasil marcou um gol no final do jogo, a vitória do Grêmio refletiu o que se observou em campo. No outro jogo das semifinais do Gauchão, o Inter goleou o Caxias por 3 x 0, no Estádio do Vale. O Inter marcou seu primeiro cedo, num lance de oportunismo de Wellington Paulista. Uma jogada, no entanto, acabaria tendo um peso decisivo para o resultado final. Um pênalti claro de Paulão, tocando com a mão na bola, não foi marcado pelo árbitro, quando o jogo ainda estava apenas 1 x 0 para o Inter. Logo depois,  o Inter marcou o seu segundo gol, encaminhando a vitória. Um terceiro gol ainda aconteceria, logo no início do segundo tempo, transformando o restante do jogo no mero cumprimento de uma formalidade. Agora, serão dois grenais paras decidir o campeonato estadual, o que aconteceu pela última vez em 2011. O primeiro jogo será domingo, na Arena. O segundo, que terá o Inter como mandante, será realizado no dia 13 de abril, em local ainda indefinido.

terça-feira, 25 de março de 2014

Os algozes do futebol

Paixão que move multidões, o futebol vem sendo golpeado por pessoas e instituições que o submetem a seus interesses. A decisão da Brigada Militar de não permitir que, no jogo de amanhã, contra o Grêmio, na Arena, o Brasil, de Pelotas, tenha mais de 1.500 torcedores, é absurda, e fere o Estatuto do Torcedor, que estabelece uma cota de ingressos para o clube visitante de 10% da capacidade do estádio. A partida é válida pela semifinais do Campeonato Gaúcho, e a torcida do Brasil, fanática e numerosa, ocuparia um espaço muito maior no estádio, se lhe fosse disponibilizado. Num campeonato de média de público ridícula, estabelecer esse tipo de restrição num dos poucos jogos capazes de receber um grande número de assistentes é um contrassenso. Isso também tem ocorrido nos grenais, tirando parte do brilho de um clássico que, em outros tempos, concedia pouco menos da metade do estádio para a torcida visitante. A alegação é sempre a de falta de "condições de segurança". No caso do jogo de amanhã, isso se daria pela precariedade do entorno da Arena. Ainda no caso do novo estádio do Grêmio, sua administradora, a Arena Porto Alegrense, submeteu os torcedores do clube a um suplício no jogo de domingo, contra o Juventude. Ao liberar apenas duas das quatro rampas de acesso ao estádio, com o intuito de economizar no número de funcionários utilizados, obrigou os torcedores a uma maratona em volta da Arena. Esses fatores, somados ao encolhimento dos estádios, transformados em arenas, e ao alto preço dos ingressos,  estão elitizando o mais popular dos esportes. Os algozes do futebol estão bem identificados. Resta, aos que amam esse esporte, não deixar que eles continuem a agir impunemente.

segunda-feira, 24 de março de 2014

As reedições de uma marcha idiota

Nada poderia ser mais patético e fora de lugar do que as reedições da "Marcha da família coim Deus e pela Liberdade" que estão ocorrendo em algumas capitais do Brasil. Em 1964, essa marcha idiota foi um dos elementos de incitação ao espúrio golpe militar perpetrado contra um governo legitimamente eleito. Trata-se de mais um gesto das forças reacionárias que tentam convencer a opinião pública de que "o país está um caos", e de que necessita de uma "faxina". Na verdade, nada há na situação brasileira atual que justifique uma ruptura institucional. O Brasil tem um governo legítimo, e a presidente Dilma Rousseff, de acordo com várias pesquisas, deverá se reeleger no primeiro turno. Aliás, ao contrário do que apregoam os saudosos do autoritarismo, o presidente João Goulart, deposto pelos militares, dispunha de amplo apoio da população. Goulart caiu porque ousou afrontar os interesses das classes dominantes com as suas reformas de base. Pelo mesmo motivo, a imprensa conservadora tenta plantar as sementes de um novo golpe. Porém, o que se viu nas capitais que promoveram as tais marchas foi um fracasso retumbante. Elas não reuniram, cada uma, mais que meia centena de pessoas. Muitas vezes, os grupos de contestação às marchas eram mais numerosos. Isso prova duas coisas. Primeiro, que não há nenhuma razão para se quebrar a ordem democrática no Brasil. Em segundo lugar, mostra que o povo brasileiro já não se deixa manipular tão facilmente. O desespero da direita, e sua ânsia de defender a ideia de que como está não pode ficar, é porque ela, finalmente, se deu conta do óbvio, isto é, de que enquanto houver eleições limpas e em dois turnos, ela jamais voltará ao poder. Ao perceber algo que sempre foi tão evidente, resolveu partir para o estímulo ao golpismo. As marchas realizadas, no entanto, mostraram que toda essa gritaria contra o governo não obteve eco junto à população. Como expressa o ditado, os cães ladram e a caravana passa. A direita continuará berrando e esperneando, mas fora do poder.