quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um cheiro de pizza no ar

Não sou formado em direito, por isso não me atreverei a analisar tecnicamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que absolveu os principais réus do mensalão do crime de formação de quadrilha. Porém, não há como negar que uma revisão desse tipo deixa um cheiro de "pizza" no ar e serve para robustecer a ideia de que, no Brasil, a Justiça só pune os pobres e desvalidos. O chamado "escândalo do mensalão" levou sete anos para ser julgado, a partir da sua eclosão. Feitas as condenações e fixadas as penas, eis que, um ano e meio depois, a principal imputação aos réus é tornada sem efeito. Com isso, eles seguirão cumprindo as penas pelos demais delitos pelos quais foram condenados, mas não mais terão de ficar em regime fechado. Com o quadro estabelecido a partir da nova decisão, o ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu, por exemplo, poderá ser solto daqui a um ano! A polêmica e grave revisão, ainda por cima, foi tomada por apenas um voto de diferença, 6 x 5. Outro fato que chama a atenção é que dois dos ministros que votaram pela absolvição, Teori Zavaschi e Luís Alberto Barroso, não participaram do julgamento inicial, pois ainda não integravam o Supremo Tribunal Federal. Não seria o caso de se declararem impedidos de votar agora? O mensalão foi um episódio que dividiu o país, com a direita destilando seu ódio contra o governo e superdimensionando o fato, e as forças situacionistas tentando transformar praticantes de delitos em injustiçados. O mensalão não foi o "maior escândalo da história do Brasil" como a imprensa conservadora insistiu em classificá-lo, mas também não é uma ficção como sustentam os apoiadores do governo. O que resulta de tudo isso é que a credibilidade do Poder Judiciário, por parte da população, que já não era grande, ficará ainda menor. Um país cujas instituições não gozem da confiança da opinião pública, não pode esperar por dias melhores.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Êxodo

A venda, hoje anunciada, do lateral esquerdo Wendell, do Grêmio, para o Bayer Leverkusen, escancara, mais uma vez, o maior problema do futebol brasileiro, ou seja, o êxodo das suas jovens revelações. A malfadada "Lei Pelé" tirou dos clubes a prerrogativa de manter o vínculo de seus jogadores. Visando atender, prioritariamente, o interesse dos jogadores, beneficiou, também, os atravessadores, que se apresentam sob a denominação de "empresários". Os clubes não tem tempo de desfrutar de suas grandes descobertas e revelações, pois elas logo tomam o caminho do exterior. Para piorar, sequer um grande volume de recursos vai para os cofres dos clubes, pois os jogadores tem seus direitos econômicos divididos entre várias partes, cabendo-lhes, apenas, uma fração do montante pago. Wendell, vindo do Londrina, onde foi escolhido o melhor lateral esquerdo do Campeonato Paranaense de 2013, chegou no Grêmio no final do primeiro semestre do ano passado. Ficou na reserva de Alex Telles, que havia assumido a titularidade da posição com a saída de André Santos. Na única oportunidade que teve de sair jogando, contra o Náutico, na Arena Pernambuco, pelo Campeonato Brasileiro, teve excelente atuação. No início desse ano, com a venda de Alex Telles para o Galatasaray, assumiu a condição de titular, sempre com ótimo desempenho. Com menos de uma dezena de jogos no time principal já se tornara um ídolo do torcedor e um dos principais jogadores do time. Ele ficará no Grêmio até o término da participação do clube na Libertadores, mas isso não serve de consolo. O Grêmio se desfaz de um jogador de apenas 19 anos, que tem tudo para, em breve, estar na Seleção Brasileira. O futebol brasileiro construiu seu êxito com grandes ídolos que desfilavam por seus gramados e levavam o público a lotar os seus estádios. Eles faziam suas carreiras dentro do país, criando identificação com o torcedor. Hoje, a Seleção Brasileira conta, até mesmo, com jogadores que jamais atuaram profissionalmente por um clube do país. A consequência desse quadro é que ela já não desperta o mesmo encanto de antes sobre os brasileiros, e a saída precoce dos grandes jogadores esvazia os estádios. Um triste quadro que, infelizmente, não apresenta probabilidade de alteração.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Confiança

Mais do que a vitória, a goleada do Grêmio por 3 x 0 sobre o Nacional, de Medellin, hoje à noite, na Arena, pela Libertadores, infunde uma grande confiança no torcedor. Afinal, dessa vez, o adversário não era um modesto time do Campeonato Gaúcho, mas um clube que dividia com o Grêmio a liderança do grupo 6, o mais forte da competição. O Nacional de Medellin teve maior posse de bola, mas o Grêmio soube conduzir o jogo de acordo com seus interesses e chegou à goleada. O Grêmio teve uma boa atuação coletiva, e vários destaques individuais. Luan e Wendell foram os dois melhores jogadores em campo, mas o Grêmio, como um todo, jogou bem. O único senão fica para Barcos, que desperdiçou uma chance de gol imperdível. Até mesmo Zé Roberto, geralmente improdutivo, teve uma atuação de bom nível. Antes visto como um azarão, o Grêmio já é o clube de melhor campanha na Libertadores. Ainda é muito cedo para qualquer previsão, mas o Grêmio já consegue ter crédito junto ao seu torcedor, e isso não é pouca coisa. O título da Libertadores, para o Grêmio, ainda está muito distante, mas já não parece uma quimera, e sim, uma possibilidade concreta.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Projeto fracassado

Não é segredo para ninguém o fato de que a grande imprensa brasileira sonha em ver o PT fora do poder no governo federal. Até hoje, seus esforços tem sido infrutíferos, pois Luís Inácio Lula da Silva cumpriu dois mandatos como presidente, e fez de Dilma Rousseff a sua substituta no cargo. No entanto, a imprensa conservadora brasileira não desiste. Em 2014, veio com uma sanha redobrada na busca de um meio para derrotar o atual governo e instalar em seu lugar os neoliberais de que tanto gosta. Os leitores, ouvintes, telespectadores e usuários da internet recebem, todos os dias, uma quantidade enorme de notícias, reportagens, artigos e colunas de tom apocalíptico em relação ao país. Tudo parece estar em ruínas. A educação, com seus índices vergonhosos nas avaliações internacionais. A saúde, com as filas para marcação de consultas e os corredores dos hospitais lotados de pacientes esperando por atendimento. A segurança, com as manifestações de rua que se espalham pelo país e ameaçam se intensificar durante a Copa do Mundo. A economia, com a possibilidade de uma volta da inflação aos níveis calamitosos de outros tempos. Tudo isso "temperado" por uma corrupção que teria atingido o mais alto estágio da história do Brasil. No entanto, mesmo com  toda essa apologia do caos, os eleitores brasileiros não parecem ter se impressionado. Uma pesquisa de intenção de votos, realizada há poucos dias, aponta que a presidente Dilma Rousseff, se o pleito fosse realizado agora, seria reeleita no primeiro turno. Não se trata de desconhecer que o atual governo tem problemas, pois eles existem, mas sim de saber, também, avaliar os seus méritos, que não são poucos. Porém, principalmente, o que pesa na decisão do eleitor é que ele já testou a alternativa que lhe apresentam como solução para as mazelas do país, e não gostou. Mais uma vez, a ação dos meios de comunicação contra o governo está se mostrando um projeto fracassado. O eleitor sabe pensar com a própria cabeça, não se deixa manipular.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Invencibilidade perdida

Sem que houvesse nenhuma razão objetiva para isso, o Inter jogou com um time reserva, hoje à tarde, contra o Veranópolis, no Antônio David Farina, pelo Campeonato Gaúcho, e perdeu por 1 x 0. O resultado não é nada surpreendente, afinal o Veranópolis tem excelente retrospecto em jogos em casa contra o Inter e, afora isso, cumpre boa campanha no Gauchão, tendo perdido apenas uma partida, para o Grêmio, na Arena, e por somente 1 x 0. O Inter reclama, com razão, de um pênalti não marcado sobre Alan Ruschel, no primeiro tempo. O Veranópolis fez um bom primeiro tempo, quando conseguiu o seu gol, e, no segundo, apenas se defendeu. Seu técnico, Julinho Camargo, reconheceu que o empate teria sido mais justo, pelo amplo domínio do Inter no segundo tempo. Em relação às atuações individuais no Inter, Dida, o único titular em campo, fez sua estreia e não se destacou, parecendo, inclusive, sem reação no lance do gol. Otavinho está irreconhecível, em nada lembrando a grande revelação do Inter em 2013. Wellington Paulista teve uma atuação muito modesta, e não se mostra uma alternativa consistente para o time titular nesse momento. Alan Patrick, por sua vez, teve mais uma atuação de bom nível. O fato é que, com a derrota, o Inter perdeu sua invencibilidade na competição, algo que poderia, provavelmente, ter sido evitado, se escalasse seu time titular, cuja preservação no jogo de hoje, reitero, não apresenta nenhum motivo aceitável.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Goleada

Com um time misto, o Grêmio goleou o Novo Hamburgo por 3 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Foi o terceiro jogo consecutivo em que o Grêmio marcou três gols na mesma partida. A diferença foi que, contra Esportivo e Caxias o Grêmio sofreu um e dois gols, respectivamente, e, hoje, não foi vazado. Aos 10 minutos do primeiro tempo, o jogo já estava 2 x 0 para o Grêmio. Dudu, Barcos, Luan e Alan Ruiz tiveram grandes atuações. Geromel fez uma boa estreia, Breno confirmou suas qualidades, Bressan, dessa vez, não comprometeu. Os destaques negativos foram Pará, Edinho e Léo Gago, tecnicamente muito abaixo de seus companheiros. Marcelo Grohe, um bom goleiro, falhou em várias saídas de gol, felizmente, para ele, sem maiores consequências. O mais positivo que se extrai do jogo foram os belos desempenhos individuais de Dudu, que infernizou os adversários com seus dribles e velocidade, Barcos, que voltou aos seus tempos de goleador, Luan, aplaudido de pé quando foi substituído, e Alan Ruiz, que mostrou grande qualidade técnica. O Grêmio dá mostras de ter um grupo qualificado, capaz de lhe permitir formar um time forte e dispor de boas opções no banco de reservas. Foi uma vitória tranquila e afirmativa, que motivou, ainda mais, o time e a torcida para o jogo de terça-feira, novamente na Arena, contra o Nacional, de Medellin, pela Libertadores.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Declaração infeliz

O ator Caio Castro, um jovem galã da televisão, arranca suspiros do público feminino. Porém, sua trajetória de sucesso sofreu um forte abalo depois que foi ao ar uma entrevista por ele concedida à jornalista Marília Gabriela, em que, numa declaração infeliz, confessa não gostar de teatro, nem de ler. A princípio, isso não tem nada demais, pois ninguém é obrigado a gostar seja lá do que for. O problema é que Caio Castro é ator. Convenhamos, é no mínimo estranho um ator declarar que não gosta de teatro. Soa algo tão improvável quanto um piloto de automobilismo que não goste de dirigir carros. Pior ainda, é não gostar de ler. Nem é preciso dizer que as possibilidades de crescimento de Caio Castro na sua profissão ficam muito limitadas a partir desse seu desapreço pelo teatro e pela leitura. Como não poderia deixar de ser, Caio Castro recebeu críticas candentes de muitos colegas de profissão. Ele é muito jovem, tem apenas 25 anos, e, lamentavelmente, é um espelho de grande parte da sua geração. Os jovens de hoje dão pouco valor à leitura e a tudo que exija um maior esforço intelectual. Vivem voltados para os estímulos áudio-visuais e cibernéticos. Com isso, não desenvolvem o seu senso crítico. Suas vidas seguem um ritmo trepidante, mas calcado na superficialidade, sem espaço para a reflexão. Caio Castro faz sucesso porque é jovem e bonito, mas esses atributos, como sabemos, são efêmeros. Sem eles, e com o desprezo que revelou pelo teatro e pela leitura, ele tende a ir para o limbo profissional, onde ficam aqueles que alicerçam sua carreira apenas na imagem, ou seja, na forma, e deixam de cultivar o mais importante, o conteúdo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma cavalgada sem sentido

Há instituições e movimentos que tem uma força tão avassaladora junto a "mídia" que poucos são os que ousam questioná-los. Esse é o caso do chamado "tradicionalismo", um movimento que, no Rio Grande do Sul, transformou-se, com o passar do tempo, num poder paralelo. A ninguém é dado o direito de não gostar das manifestações "tradicionalistas", de seu culto às "raízes" da "cultura gaúcha". Em nome de tais "valores", os tradicionalistas promovem, em setembro, o Acampamento Farroupilha, em um parque localizado no centro de Porto Alegre, para celebrar o mês em que se comemora uma "revolução" que, após dez anos de embates com o poder central, na época do Império, terminou derrotada. Em 2014, os tradicionalistas foram ainda mais longe. Conseguiram que, durante a realização da Copa do Mundo, entre os meses de junho e julho, seja realizado um Acampamento Farroupilha extra, para divulgar a "cultura gaúcha" para os turistas que vierem a Porto Alegre assistir jogos pela competição. Assim sendo, foi uma surpresa positiva, para mim, encontrar, na seção do leitor de um jornal de Porto Alegre, na edição de hoje, uma carta questionando o porquê de ainda ser realizada a Cavalgada do Mar. A referida cavalgada ocorre, há vários anos, no litoral do Rio Grande do Sul, como mais um meio de valorizar as "tradições gauchescas". Como muito bem destaca o leitor, a presença de animais na beira da praia é proibida porque eles contaminam a areia com fezes, o que constitui um problema de saúde pública, pois as pessoas andam descalças no local. Afora isso, os cavalos sofrem com o calor, a exposição ao sol e o cansaço. Não faz o menor sentido essa exaltação do "tradicionalismo" à beira-mar. Na verdade, é uma aberração. Como, no entanto, os tradicionalistas possuem um poder que rivaliza com as instituições oficiais, nenhuma autoridade constituída se opõe publicamente a esse descalabro. Os responsáveis pela saúde pública, há muito tempo, já deveriam ter determinado o fim da Cavalgada do Mar. Porém, quem vive no Rio Grande do Sul sabe que é praticamente impossível bater de frente com o movimento tradicionalista. Dessa forma, essa patética e esdrúxula exaltação do "gauchismo", continuará, por muito tempo ainda, a espalhar fezes de cavalos ao longo da orla e a sacrificar os pobres animais ao longo do seu trajeto. Tudo sob o olhar complacente das autoridades, que não estão dispostas a comprar briga com o poder paralelo dos tradicionalistas. Pobre Rio Grande do Sul!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Vitória em grande jogo

Depois de vários jogos ruins, e de um Gre-Nal apenas bom, o Campeonato Gaúcho teve a sua primeira grande partida. A vitória do Grêmio por 3 x 2 sobre o Caxias, no Francisco Stédile, teve emoção, duas viradas no placar, boas atuações individuais e dois times buscando incessantemente a vitória. O Grêmio saiu na frente com um gol de Zé Roberto, num lançamento magnífico de Luan. O Caxias virou com dois gols em sequência, ambos de cabeça, marcados por Júlio Madureira e Baiano, respectivamente. Em apensa 25 minutos de jogo, ocorreram três gols. Ainda no primeiro tempo, numa jogada em que Barcos tentou cruzar, a bola pegou efeito e encobriu o goleiro. Era o empate em 2 x 2. Logo no início do segundo tempo, numa cobrança de tiro de meta por Busatto, a bola atravessou o campo e quicou na frente de Barcos que dominou e tocou por cobertura, fazendo 3 x 2 para o Grêmio. A partir daí, o Grêmio passou a dominar amplamente o jogo, e poderia ter aumentado o placar. Entre os destaques da vitória do Grêmio, Luan teve outra grande atuação, Barcos parece ter recuperado sua condição de goleador, Wendell manteve sua regularidade e Dudu fez uma boa estreia, mesmo jogando poucos minutos. Os aspectos negativos foram Busatto, um goleiro inseguro, Pará, em mais uma atuação inexpressiva, e a dupla de zaga, Werley e Rhodolfo que, surpreendentemente, não esteve bem. Foi a segunda vitória do Grêmio, fora de casa, no Gauchão. No próximo jogo, contra o Novo Hamburgo, sábado, na Arena, é provável que o Grêmio escale um time reserva. Afinal, o jogo será realizado apenas três dias antes da partida contra o Nacional, de Medellin, também na Arena, pela Libertadores. Mesmo que não tenha os seus titulares, o Grêmio, jogando em casa, tem condições de obter mais uma vitória e ir ainda mais motivado para a partida da Libertadores.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Empilhando vitórias

Com exceção do Gre-Nal, no qual empatou em 1 x 1, o Inter ganhou todos os jogos, até agora, no Campeonato Gaúcho. Hoje, dando sequência a essa série de vitórias, ganhou do Juventuide, no Estádio do Vale, por 2 x 1. O centroavante Rafael Moura, desacreditado pela torcida, mas contando com a confiança do técnico Abel Braga, com quem viveu boa fase no Fluminense, marcou mais um gol. O outro gol foi do volante chileno Aranguiz, numa bela cobrança de falta. Aranguiz, que está emprestado até agosto, vem comprovando o acerto de sua contratação a cada jogo, e deverá ser adquirido em definitivo pelo Inter. O gol do Juventude foi marcado por Zulu, comprovando sua condição de artilheiro. Foi, portanto, um jogo de resultado lógico, sem surpresas. Beneficiado pela fragilidade dos adversários no Gauchão, e sem competições paralelas para disputar, o Inter segue empilhando vitórias e disparando na classificação geral. Convém, apenas, não esquecer que o campeonato estadual não é parâmetro para nada. Em 2013, o Inter também encontrou grandes facilidades na competição doméstica, e fracassou rotundamente nas demais disputas do ano.