domingo, 12 de janeiro de 2014
O sexo na ordem do dia
O ser humano age paradoxalmente em relação ao sexo e à morte, tratando-os como tabus, ainda que sejam indissociáveis da nossa existência. Só estamos no mundo porque somos resultado de uma relação sexual, e a morte acontece para todos, indistintamente. No entanto, mostramos embaraço e desconforto ao tratar de tais assuntos. O sexo deixa muitos envergonhados, a morte causa temor em todos. Dessa forma, as obras literárias, musicais, cinematográficas ou dramatúrgicas que tratem, prioritariamente, destes dois elementos, geram, quase sempre, impacto e polêmica. No momento, o que está na ordem do dia é o sexo. No cinema, os filmes "Azul é a cor mais quente" e "Ninfomaníaca" e, na televisão, a minissérie "Amores Roubados", brindam os espectadores com tórridas cenas de sexo, o que se reflete em bilheteria e audiência, mas também em análises sob os mais diversos ângulos. Nem mesmo toda a evolução dos costumes e a liberalidade da sociedade ocidental foram capazes de retirar do sexo a condição de assunto tabu, e de evitar que sua abordagem gere o choque de alguns e a indignação de outros tantos. A cada vez que alguém se lança a tratar de sexo de uma maneira mais aberta, logo surge quem o acuse de buscar o sensacionalismo, o apelo fácil de audiência, ou de querer escandalizar a plateia. Não é o caso das três obras citadas, por certo, todas dotadas de inegáveis méritos artísticos. O que chama atenção, no entanto, é que, mesmo em pleno terceiro milênio, ainda encaremos o sexo como algo cercado de restrições e não com a naturalidade de um fator inseparável da nossa própria existência.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Merchandising cultural
A televisão exerce enorme influência sobre os brasileiros. Para muitos é a única opção de lazer acessível, já que o preço dos ingressos de cinema e teatro afastam os bolsos menos privilegiados. Com uma audiência diária de milhões de espectadores, é um ótimo meio para se vender qualquer tipo de produto, não só com os comerciais propriamente ditos, mas, também, pelo merchandising. Dessa forma, um produto é anunciado, por exemplo, dentro do contexto do enredo de uma novela. Assim, personagens dirigem determinados carros, entram na agência deste ou daquele banco. Isso já vem sendo praticado há um bom tempo. O autor da novela "Amor à Vida", Walcyr Carrasco, no entanto, inovou. Em meio ao merchandising tradicional, Carrasco coloca em várias cenas, personagens lendo livros e fazendo referências às obras e seus autores. O resultado é que estas obras já estão tendo um aumento de vendas significativo, o que só confirma o poder avassalador de influência da televisão. Nesse caso, em particular, o veículo é utilizado não para vender um produto qualquer, mas para difundir o saudável hábito da leitura. Uma ação meritória do autor da novela, que já apresenta resultados práticos, e que comprova que a televisão não é um divertimento alienante e escapista. Tomara que ações semelhantes se tornem comuns daqui para a frente, esvaziando o discurso ranzinza dos detratores da televisão.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Postura equivocada
O futebol tem ideias que desafiam a lógica e a paciência, mas, ainda assim, vão se perpetuando ao longo do tempo. Uma delas é a de que, nas categorias abaixo dos profissionais, o importante é formar jogadores, não ganhar competições. Resta explicar como formar jogadores vencedores sem comprometê-los, desde cedo com a busca incessante da vitória. O Grêmio é um dos clubes onde essa postura equivocada é mais alardeada. O desempenho do clube na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2014 reflete essa orientação. O clube foi eliminado na primeira fase, com dois empates e uma derrota, ou seja, sem vencer nenhum jogo. Como agravante, o fato de que seus adversários, São Caetano, Luverdense e Taboão da Serra, são clubes de pouca ou nenhuma tradição. A Copa São Paulo, mesmo descaracterizada, nos últimos anos, pelo excesso de participantes, é a mais prestigiosa competição do seu gênero no Brasil, e representa, na prática, a largada do ano futebolístico no país. Para citar outros grandes clubes brasileiros, o Corinthians já a ganhou oito vezes. O maior rival do Grêmio, o Inter, já ganhou a Copa São Paulo por quatro vezes. Por sua vez, o máximo que o Grêmio obteve foi um vice-campeonato, em 1991. A campanha desse ano foi vexatória, sob todos os aspectos, indigna da grandeza do clube. Não é assim que se conduz a formação de jovens jogadores. Cada vez mais, a chamada "prata da casa" representa uma fonte de arrecadação futura para os clubes. Para revelar grandes jogadores, no entanto, é preciso incutir-lhes o comprometimento com a vitória, a noção do peso de uma camisa gloriosa. O torcedor do Grêmio não poderia ter tido uma abertura de ano pior. Só lhe cabe desejar que ela não seja o prenúncio da trajetória do clube durante o ano.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
A resistência do Brasil arcaico
Um dos estados mais pobres do país, o Maranhão tem sido destaque nas notícias dos últimos dias. Primeiramente por uma onda de violência que inclui ônibus incendiados e atrocidades cometidas no seu sistema prisional, como a degola de detentos. Depois, por um edital para a compra de artigos para a despensa da cozinha da governadora Roseana Sarney. No edital constam, entre outros itens, 200 quilos de bacalhau do Porto de primeira qualidade, 2,5 mil quilos de camarões de diversos tipos, 180 quilos de salmão fresco e defumado, 80 quilos de lagosta fresca, 1,5 mil vidros de azeite de oliva português e espanhol, 750 quilos de patinhas de caranguejo frescas, castanhas portuguesas, e geleias francesas de morango, pêssego e cassis. Cobrada sobre a onda de violência que assola o estado, a governadora garante estar tomando as medidas necessárias para combatê-la, e que ela é consequência de o Maranhão estar "mais rico". O Maranhão é um dos exemplos de um Brasil arcaico que teima em não desaparecer. O país já atingiu um alto grau de desenvolvimento em vários níveis, mas algumas de sua unidades federativas ainda seguem imersas no atraso, entregues ao domínio de clãs políticos poderosos. No caso específico do Maranhão, há décadas o estado é dominado pela família Sarney. Enquanto o Maranhão e seus cidadãos chafurdam na pobreza, os membros da família Sarney perpetuam seu poder, que exercem de forma praticamente absoluta. Casos mais ou menos semelhantes ocorrem em Alagoas, Bahia e Ceará, com as famílias Collor, Magalhães e Gomes, respectivamente. O Brasil é um país de dimensões continentais e, por consequência, com grandes discrepâncias entre suas diversas regiões. O economista Edmar Bacha chegou a cunhar uma expressão, que ficou consagrada, definindo o país como uma "Belíndia", uma mistura de Bélgica com Índia, ou seja, uma pequena parte com alto padrão de vida e outra, bem maior, com imensos bolsões de pobreza. O fato é que existe um Brasil renitente, que parou no tempo, que resiste a se modernizar, em que o poder ainda é exercido de maneira absolutista, onde a democracia e a transparência são conceitos inaplicados. Com um senso de sobrevivência política extremamente desenvolvido, os artífices desse quadro estabelecem acordos com toda e qualquer corrente que lhes garanta a perpetuação nas esferas do poder. Enquanto não forem, definitivamente, varridos da cena política brasileira, o país segurá dividido entre o alto grau de desenvolvimento do Sul e do Sudeste, e o atraso das demais regiões, que, no caso do Nordeste, é quase medieval.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Tendência irreversível
A revelação por parte do ex-jogador de futebol alemão Hitzlsperger, que jogou 52 partidas pela seleção de seu país, de que é homossexual, é mais um indicativo de uma tendência irreversível de nossos dias, a de que os gays, continuadamente, "saiam do armário". Ainda há, é claro, muito preconceito e intolerância para com os homossexuais, mas os tempos em que eles estavam condenados a viver nas sombras está ficando, cada vez mais, para trás. A declaração de Hitzlsperger recebeu apoio do governo da Alemanha, da Federação Alemã de Futebol e de jogadores, comprovando a mentalidade mais arejada em relação ao assunto. A homossexualidade não é uma doença, nem uma falha de caráter, é uma condição existencial. Não tem porque ser alvo de intolerância ou perseguição. Ao longo da história da humanidade, grupos sempre procuraram estabelecer critérios hegemônicos, ditando o que é certo e errado, gerando odiosas discriminações e sectarismos. Essas inclinações talvez nunca sejam eliminadas de todo, mas já não possuem a força de antes. A sociedade caminha para a inclusão. Por natureza, ela é plural e multifacetada. Não há porque ser reduzida a critérios de "normalidade" impostos por visões tacanhas de fundo religioso. Todos merecem respeito, independentemente de sua orientação sexual, opção política, por ser crente ou ateu. Os que apostam em um discurso conservador, cheio de invectivas moralistas, vão acabar falando para poucos. Num mundo de avanços científicos e tecnológicos espantosos, a boçalidade vai se tornando anacrônica.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Em compasso de espera
O ano de 2014 já começou e, como se sabe, no Brasil, será marcado pela realização de uma Copa do Mundo e de eleições presidenciais. No entanto, faltando cinco meses para o início da Copa e nove para as eleições, o "clima" associado a esses acontecimentos ainda não parece ter despertado. O país segue sua vida num de seus mais quentes verões e não se percebe mobilização para a maior competição do futebol mundial, que retorna ao país depois de 64 anos. No campo político, os humores do eleitorado permanecem inalterados, mesmo com a imprensa "martelando" dia e noite o assunto do mensalão com o claro intuito de desgastar a imagem do governo, que conta com ampla aprovação popular. Os nomes aventados para concorrer a presidente não parecem motivar o eleitor para uma mudança de escolha. A cobertura da imprensa em relação à Copa trata muito mais de atrasos de obras e possibilidades de protestos nas ruas do que sobre o aspecto técnico de uma edição que terá a presença de todos os campeões da história da competição. Se, como sustentam muitos, o ano, no Brasil, só começa, verdadeiramente, após o Carnaval, talvez tenhamos, a partir de março, um entusiasmo maior em relação aos grandes eventos de 2014, principalmente a Copa do Mundo. Até agora, tudo parece seguir no ritmo de sempre. Tomara que essa letargia, em breve, dê lugar ao entusiasmo e à mobilização que a Copa e as eleições, em qualquer circunstância, merecem ter.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
O ano do ócio
O ano recém iniciado terá uma característica, no Brasil, que já está preocupando os chamados "setores produtivos". Será um ano marcado por um superferiadão e por férias de inverno prolongadas. Portanto, 2014 terá a marca do ócio. O Brasil, como se sabe, é um país celebrativo. Costuma-se dizer que, no país, o ano só começa, verdadeiramente, após o Carnaval. Pois bem, em 2014 o Carnaval será em março, prolongando as férias de verão. Logo depois, em abril, acontecerá o já referido superferiadão, em que a Semana Santa emendará com o dia de Tiradentes, que cairá numa segunda-feira. As escolas estaduais darão férias de um mês no período de realização da Copa do Mundo, entre e junho e julho. Ainda que alguns feriados tradicionais do segundo semestre caiam em domingos, será um ano de muito tempo livre. Para um país que apresenta índices modestos de crescimento econômico, tantos dias suprimidos de trabalho constituem um fator complicador. Porém, num ano em que o país sediará uma competição da magnitude da Copa do Mundo, somadas às festividades tradicionais do calendário, tudo remete para a festa e a celebração. Mais do que nunca, estaremos entoando o refrão daquela famosa música de fim de ano: "Hoje é a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier...".
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio
O mundo perdeu, hoje, um dos grandes gênios do futebol: Eusébio. Nascido em Moçambique, Eusébio atingiu a fama jogando pela Seleção de Portugal e pelo Benfica. Com a camisa de Portugal, fez 41 gols em 64 jogos. Foi o melhor jogador e goleador da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, com nove gols, quando a Seleção de Portugal, que participava pela primeira vez da competição, chegou num brilhante terceiro lugar. Eusébio, sem dúvida, é um dos maiores nomes da história do futebol. Alguns o consideravam melhor que Pelé, o que é um exagero, mas foi um jogador notável. Aliás, Eusébio contestava o conceito em relação a Pelé, parecia enciumado com a reverência em torno do brasileiro. Isso só prova que Eusébio era humano, e como tal, sujeito a manifestar sentimentos mesquinhos, mas não o deslustra como um jogador de primeiro nível. Seu nome pertence a galeria dos maiores de todos os tempos no futebol, onde estão o já referido Pelé, o número um dentre todos, Garrincha, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Messi. Faleceu com 71 anos, uma morte que pode ser considerada precoce para os padrões de hoje. Sua saúde já vinha debilitada há algum tempo, desde que sofrera um AVC. Deixa uma trajetória escrita de forma indelével na história do futebol. Moçambique, Portugal e o mundo do futebol estão de luto.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Imobilismo
Os dias vão passando, a abertura dos trabalhos do ano será na quarta-feira, mas o Grêmio, que irá estrear na Libertadores daqui a 39 dias, mostra um preocupante imobilismo. Em vez de anunciar contratações, os dirigentes pensam em vender jogadores para aliviar o caixa e colocar salários em dia. As más notícias se sucedem. A mais recente delas é a de que o auxiliar técnico Róger Machado vai deixar o clube. Revelado pelo Grêmio, foi multi-campeão como jogador, e mostrou uma evidente vocação para a função de técnico nas vezes em que atuou como interino. O mesmo clube que faz uma aposta temerária em Enderson Moreira, um técnico de currículo pobre, deixa sair um treinador promissor. Róger vai tentar, finalmente, encetar uma carreira como técnico. Tem tudo para obter êxito. Enquanto isso, o Grêmio não dá nenhuma notícia alentadora para os seus torcedores. Toda a esperança de conquistas parece se resumir na confiança no perfil vencedor do presidente Fábio Koff. Convenhamos, é muito pouco. O Grêmio está prestes a completar 13 anos sem ganhar um grande título. Suas ações para 2014, ou melhor, a falta delas, não permitem nenhum otimismo. O que deveria ser um fator de motivação, a disputa de uma Libertadores, cede lugar ao desalento. Até agora, os gremistas não tiveram nenhum motivo para comemorar a chegada de 2014. O novo ano se inicia com a marca do desânimo, e a perspectiva do prolongamento do jejum de títulos.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Verão tórrido
O Brasil está vivendo um verão tórrido. A estação ainda está no início, mas as temperaturas estão escaldantes. A última semana de 2013 em Porto Alegre foi com sensação térmica sempre próxima dos 40 graus. No Rio de Janeiro, há uma semana as temperaturas não baixam dos 35 graus, com sensação térmica superior. No caso do Rio, cidade turística, isso resulta em praias lotadas. Porém, nas cidades onde não existem praias, e para todos aqueles que precisam trabalhar, por não estarem em férias, as altas temperaturas são um suplício. Sem contar que a seca prolongada afeta a produção agrícola. Enfim, o calor é fonte de diversão para uns e um grande incômodo para outros. A estação sequer completou o primeiro dos seus três meses, o que faz prever um sofrimento prolongado. Nos últimos anos, os invernos, pelo menos no sul do país, também tem sido muito rigorosos. O Brasil é um país de muitos encantos, mas o seu clima está longe de ser ameno. Alguns acham que tudo isso é resultado do desequilíbrio ecológico causado pela ação do homem. Seja qual for a causa dessas estações inclementes, nossa saúde está sendo submetida a testes rigorosos. Resista até março, do jeito que der, e bom verão!
Assinar:
Postagens (Atom)