terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Em compasso de espera

O ano de 2014 já começou e, como se sabe, no Brasil, será marcado pela realização de uma Copa do Mundo e de eleições presidenciais. No entanto, faltando cinco meses para o início da Copa e nove para as eleições, o "clima" associado a esses acontecimentos ainda não parece ter despertado. O país segue sua vida num de seus mais quentes verões e não se percebe mobilização para a maior competição do futebol mundial, que retorna ao país depois de 64 anos. No campo político, os humores do eleitorado permanecem inalterados, mesmo com a imprensa "martelando" dia e noite o assunto do mensalão com o claro intuito de desgastar a imagem do governo, que conta com ampla aprovação popular. Os nomes aventados para concorrer a presidente não parecem motivar o eleitor para uma mudança de escolha. A cobertura da imprensa em relação à Copa trata muito mais de atrasos de obras e possibilidades de protestos nas ruas do que sobre o aspecto técnico de uma edição que terá a presença de todos os campeões da história da competição. Se, como sustentam muitos, o ano, no Brasil, só começa, verdadeiramente, após o Carnaval, talvez tenhamos, a partir de março, um entusiasmo maior em relação aos grandes eventos de 2014, principalmente a Copa do Mundo. Até agora, tudo parece seguir no ritmo de sempre. Tomara que essa letargia, em breve, dê lugar ao entusiasmo e à mobilização que a Copa e as eleições, em qualquer circunstância, merecem ter.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O ano do ócio

O ano recém iniciado terá uma característica, no Brasil, que já está preocupando os chamados "setores produtivos". Será um ano marcado por um superferiadão e por férias de inverno prolongadas. Portanto, 2014 terá a marca do ócio. O Brasil, como se sabe, é um país celebrativo. Costuma-se dizer que, no país, o ano só começa, verdadeiramente, após o Carnaval. Pois bem, em 2014 o Carnaval será em março, prolongando as férias de verão. Logo depois, em abril, acontecerá o já referido superferiadão, em que a Semana Santa emendará com o dia de Tiradentes, que cairá numa segunda-feira. As escolas estaduais darão férias de um mês no período de realização da Copa do Mundo, entre e junho e julho. Ainda que alguns feriados tradicionais do segundo semestre caiam em domingos, será um ano de muito tempo livre. Para um país que apresenta índices modestos de crescimento econômico, tantos dias suprimidos de trabalho constituem um fator complicador. Porém, num ano em que o país sediará uma competição da magnitude da Copa do Mundo, somadas às festividades tradicionais do calendário, tudo remete para a festa e a celebração. Mais do que nunca, estaremos entoando o refrão daquela famosa música de fim de ano: "Hoje é a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier...".

domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio

O mundo perdeu, hoje, um dos grandes gênios do futebol: Eusébio. Nascido em Moçambique, Eusébio atingiu a fama jogando pela Seleção de Portugal e pelo Benfica. Com a camisa de Portugal, fez 41 gols em 64 jogos. Foi o melhor jogador e goleador da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, com nove gols, quando a Seleção de Portugal, que participava pela primeira vez da competição, chegou num brilhante terceiro lugar. Eusébio, sem dúvida, é um dos maiores nomes da história do futebol. Alguns o consideravam melhor que Pelé, o que é um exagero, mas foi um jogador notável. Aliás, Eusébio contestava o conceito em relação a Pelé, parecia enciumado com a reverência em torno do brasileiro. Isso só prova que Eusébio era humano, e como tal, sujeito a manifestar sentimentos mesquinhos, mas não o deslustra como um jogador de primeiro nível. Seu nome pertence a galeria dos maiores de todos os tempos no futebol, onde estão o já referido Pelé, o número um dentre todos, Garrincha, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Messi. Faleceu com 71 anos, uma morte que pode ser considerada precoce para os padrões de hoje. Sua saúde já vinha debilitada há algum tempo, desde que sofrera um AVC. Deixa uma trajetória escrita de forma indelével na história do futebol. Moçambique, Portugal e o mundo do futebol estão de luto.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Imobilismo

Os dias vão passando, a abertura dos trabalhos do ano será na quarta-feira, mas o Grêmio, que irá estrear na Libertadores daqui a 39 dias, mostra um preocupante imobilismo. Em vez de anunciar contratações, os dirigentes pensam em vender jogadores para aliviar o caixa e colocar salários em dia. As más notícias se sucedem. A mais recente delas é a de que o auxiliar técnico Róger Machado vai deixar o clube. Revelado pelo Grêmio, foi multi-campeão como jogador, e mostrou uma evidente vocação para a função de técnico nas vezes em que atuou como interino. O mesmo clube que faz uma aposta temerária em Enderson Moreira, um técnico de currículo pobre, deixa sair um treinador promissor. Róger vai tentar, finalmente, encetar uma carreira como técnico. Tem tudo para obter êxito. Enquanto isso, o Grêmio não dá nenhuma notícia alentadora para os seus torcedores. Toda a esperança de conquistas parece se resumir na confiança no perfil vencedor do presidente Fábio Koff. Convenhamos, é muito pouco. O Grêmio está prestes a completar 13 anos sem ganhar um grande título. Suas ações para 2014, ou melhor, a falta delas, não permitem nenhum otimismo. O que deveria ser um fator de motivação, a disputa de uma Libertadores, cede lugar ao desalento. Até agora, os gremistas não tiveram nenhum motivo para comemorar a chegada de 2014. O novo ano se inicia com a marca do desânimo, e a perspectiva do prolongamento do jejum de títulos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Verão tórrido

O Brasil está vivendo um verão tórrido. A estação ainda está no início, mas as temperaturas estão escaldantes. A última semana de 2013 em Porto Alegre foi com sensação térmica sempre próxima dos 40 graus. No Rio de Janeiro, há uma semana as temperaturas não baixam dos 35 graus, com sensação térmica superior. No caso do Rio, cidade turística, isso resulta em praias lotadas. Porém, nas cidades onde não existem praias, e para todos aqueles que precisam trabalhar, por não estarem em férias, as altas temperaturas são um suplício. Sem contar que a seca prolongada afeta a produção agrícola. Enfim, o calor é fonte de diversão para uns e um grande incômodo para outros. A estação sequer completou o primeiro dos seus três meses, o que faz prever um sofrimento prolongado. Nos últimos anos, os invernos, pelo menos no sul do país, também tem sido muito rigorosos. O Brasil é um país de muitos encantos, mas o seu clima está longe de ser ameno. Alguns acham que tudo isso é resultado do desequilíbrio ecológico causado pela ação do homem. Seja qual for a causa dessas estações inclementes, nossa saúde está sendo submetida a testes rigorosos. Resista até março, do jeito que der, e bom verão!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A largada de um ano intenso

Estamos no primeiro dia de 2014, um ano que será intenso. Como acontece a cada quatro anos, teremos a coincidência da Copa do Mundo com as eleições presidenciais. Porém, em 2014, há um dado que faz toda a diferença, que é o de que a Copa do Mundo será no Brasil. Afora as ocasiões que  reúnem grande número de pessoas, como o revéillon, o carnaval, as festas juninas do Nordeste, teremos a Copa, juntando multidões em 12 cidades de todas as regiões do país. Durante um mês, estaremos celebrando a magia e o encanto do futebol. Se, como desejamos, a Seleção Brasileira for campeã, teremos uma festa sem hora para acabar. Paralelamente ao lado festivo do ano, há a expectativa da repetição dos protestos de rua de junho de 2013. No ano que está começando, como se vê, a rua será o grande cenário. Para comemorar ou protestar, o espaço público dará o tom no novo ano. Será um ano cansativo, pela sequência de acontecimentos. Tomara que, em todas essas manifestações, os objetivos sejam alcançados, e que possamos celebrar conquistas, tanto no esporte quanto nas reivindicações da cidadania.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A vida não para

Nessa época de final de ano, em que a maioria das pessoas desacelera  e curte folgas ou férias, temos a ilusão de que tudo possa transcorrer com mais calma, de que os acontecimentos ruins também fiquem suspensos. Infelizmente, não é assim. Os acontecimentos envolvendo o lutador Anderson Silva e o ex-piloto de Fórmula-1 Michael Schumacher são uma prova disso. Não acompanho as lutas de MMA; que não aprecio, mas não pude deixar de saber da fratura sofrida por Anderson Silva em pleno combate. O gravíssimo acidente com Schumacher, enquanto esquiava, também chocou a todos. De que antecedem pois de uma longa carreira expondo-se aos riscos da velocidade, Schumacher foi ter o seu mais grave acidente praticando um esporte por lazer. A verdade é que o calendário é uma convenção humana. Por isso mesmo, os acontecimentos ruins não dão folga. Ainda assim, nos momentos que antecedem a chegada de mais um ano, fixemos nossos pensamentos no que há de mais positivo, sabendo que, como todos outros anos, o de 2014 terá momentos bons e ruins, e que a maior vitória para todos nós será chegar ao final dele com saúde. Um excelente 2014 para todos!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Conservadorismo

Estamos acostumados a ideia de que o Brasil é um país de pessoas liberadas, com tendência à libertinagem, onde a sensualidade é a marca dominante. Trata-se, é claro, de um estereótipo, não confirmado pela realidade. Num país onde o exercício da democracia ainda tem ares de novidade, o conservadorismo persiste nas relações sociais. O psicanalista italiano, radicado no Brasil, Contardo Calligaris, em entrevista ao jornal Zero Hora, em sua edição de amanhã, que, como de hábito, já circula na véspera, diz que o Brasil é um país "careta" num campo em que ele não imagina que seja, isto é, o das fantasias sexuais. Calligaris constata que os brasileiros têm a impressão de que sacudir a bunda durante os quatro dias de Carnaval ou usar um biquíni um pouco mais ousado na praia seja uma grande manifestação de liberalismo. A prática do topless, mesmo no "avançado" Rio de Janeiro não é aceita, e se transforma num evento. O psicanalista dá outra demonstração da "caretice" brasileira, ao citar o fato de que o número de clubes de swing, por casal de habitantes, no Brasil é irrisório, se comparado com a Itália, por exemplo. Outro evidência da falta de naturalidade dos brasileiros para lidar com os assuntos da sexualidade foi a reação, percebida por Calligaris, de pessoas que assistiam ao filme "O Azul é a Cor Mais Quente", quando da exposição na tela da famosa cena em que, durante nove minutos, as duas protagonistas entregam-se a uma ardente relação. Contardo Calligaris percebeu que as pessoas, em vez de observarem a cena em silêncio, se agitavam, se mexiam na cadeira, davam um risinho nervoso, comentavam com quem estava ao lado. Não conseguiam assistir à cena com respeito, como deveria ser. Demonstravam medo, transformado em riso nervoso. As colocações de Calligaris vem na mesma direção do que penso sobre esse Brasil "liberado" de que tanto ouvimos falar. Não passa de uma imagem falsa, insistentemente alardeada por alguns com o intuito de justificar medidas que restituam uma "moralidade perdida". Na verdade, somos um país, ainda, muito reprimido. Entre o mito e a realidade, há um caminho muito longo a percorrer até que o Brasil deixe de ser um país conservador.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Confirmação

O que todos já suspeitavam aconteceu: o julgamento do recurso da Portuguesa no STJD confirmou o rebaixamento do clube para a 2ª divisão. Não se sabe o que é mais lamentável, se o fato em si ou a defesa dessa excrecência feita por profissionais do direito e integrantes da imprensa esportiva. Aferrados ao que estipula a legislação esportiva, tais pessoas sustentam que a decisão não poderia ser outra, e que a Portuguesa cometeu uma terrível desatenção pela qual terá de pagar sendo rebaixada, depois de obter, legitimamente, em campo, sua manutenção na 1ª divisão. Com os quatro pontos que lhe foram tungados pelo tribunal, a Portuguesa cai e o Fluminense, que, dentro de campo, não teve competência para tanto, permanecerá na série A do futebol brasileiro. Por essas e por outras, é que a Justiça será sempre vista com desconfiança pela população. Ela se baseia numa suposta observância rigorosa dos textos legais para sustentar toda sorte de patifarias. A legislação esportiva já é elaborada para ensejar esse tipo de golpe. Se assim não fosse, a punição a um clube não beneficiaria outros. Admitindo-se que a Portuguesa tenha cometido um erro ao escalar um jogador que estava suspenso, ela poderia ser mantida na 1ª divisão e, na próxima edição do Campeonato Brasileiro, iniciar a competição com o passivo dos pontos que lhe fossem retirados. Essa solução é adotada em outros países, por que não se faz o mesmo no Brasil? Ainda que represente o estrito cumprimento do que estabelece a lei, a decisão agora confirmada, em segunda e última instância, estabelece uma punição desproporcional ao erro cometido e, o que é ainda pior, brinda o Fluminense com a manutenção na série A, o que não fez por merecer. A justiça não pode se ater somente a uma interpretação literal de textos legais. A decisão de hoje, novamente por unanimidade, foi iníqua e, fundamentalmente, injusta. Ela representa um terrível retrocesso para o futebol brasileiro que, assim volta aos seus piores dias, quando viradas de mesa e decisões de "tapetão" subvertiam os resultados de campo. Só falta a anunciada volta do Campeonato Brasileiro com formulismo, a partir de 2015, que vem sendo aventada por alguns, vir a ocorrer. Se isso acontecer, se poderá expedir o atestado de óbito do futebol brasileiro.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pacote indigesto

O dia de hoje foi de apresentações de novos jogadores da dupla Gre-Nal. O Grêmio apresentou o zagueiro Geromel, que estava no Mallorca (ESP). O Inter mostrou ao público o goleiro Dida, recém dispensado pelo Grêmio, e o atacante Wellington Paulista, que estava emprestado ao Criciúma, mas pertencia ao Cruzeiro. Todos vieram, praticamente, sem custos. Geromel veio num estranho empréstimo por dois anos e meio! Dida e Wellington tinham terminado seus contratos e, portanto, o Inter não precisou gastar nada para trazê-los. São contratações que levam em conta a nova tendência do futebol brasileiro, a de contenção de gastos. Porém, do ponto de vista técnico, o pacote apresentado, hoje, pela dupla Gre-Nal , é indigesto. São pouquíssimas as referências que se tem sobre Geromel, e elas não chegam a ser entusiasmantes. O jogador, no entanto, deixou ótima impressão quanto á desenvoltura que demonstrou em sua entrevista de apresentação. Seguro e articulado, respondeu sem hesitação a todas as perguntas, revelou conhecimento sobre o Grêmio e procurou ser assertivo em suas colocações. As contratações de Dida e Wellington Paulista também estão longe de empolgar. Dida já tem 40 anos e, estranhamente, o Inter assinou com ele um contrato de dois anos. Afora a idade do jogador, o fato de que o atual presidente do Inter, Giovanni Luigi, encerrará seu mandato no final de 2014, tornariam muito mais lógica a assinatura de contrato por apenas um ano. A vinda de Wellington Paulista parece estar muito mais relacionada com o fato de que ele sempre marca gols contra o Grêmio. Em termos de biografia, é um jogador rodado, que nunca firmou-se como uma grande estrela. Para um grupo que já dispõe de Scocco e Rafael Moura sua contratação não representa, em princípio, um acréscimo. Não faria melhor o Inter se apostasse em um jovem valor de suas categorias inferiores? Em resumo, os novos jogadores apresentados, até agora, por Grêmio e Inter, trazem mais preocupações do que ânimo para os seus torcedores.