sábado, 4 de janeiro de 2014
Imobilismo
Os dias vão passando, a abertura dos trabalhos do ano será na quarta-feira, mas o Grêmio, que irá estrear na Libertadores daqui a 39 dias, mostra um preocupante imobilismo. Em vez de anunciar contratações, os dirigentes pensam em vender jogadores para aliviar o caixa e colocar salários em dia. As más notícias se sucedem. A mais recente delas é a de que o auxiliar técnico Róger Machado vai deixar o clube. Revelado pelo Grêmio, foi multi-campeão como jogador, e mostrou uma evidente vocação para a função de técnico nas vezes em que atuou como interino. O mesmo clube que faz uma aposta temerária em Enderson Moreira, um técnico de currículo pobre, deixa sair um treinador promissor. Róger vai tentar, finalmente, encetar uma carreira como técnico. Tem tudo para obter êxito. Enquanto isso, o Grêmio não dá nenhuma notícia alentadora para os seus torcedores. Toda a esperança de conquistas parece se resumir na confiança no perfil vencedor do presidente Fábio Koff. Convenhamos, é muito pouco. O Grêmio está prestes a completar 13 anos sem ganhar um grande título. Suas ações para 2014, ou melhor, a falta delas, não permitem nenhum otimismo. O que deveria ser um fator de motivação, a disputa de uma Libertadores, cede lugar ao desalento. Até agora, os gremistas não tiveram nenhum motivo para comemorar a chegada de 2014. O novo ano se inicia com a marca do desânimo, e a perspectiva do prolongamento do jejum de títulos.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Verão tórrido
O Brasil está vivendo um verão tórrido. A estação ainda está no início, mas as temperaturas estão escaldantes. A última semana de 2013 em Porto Alegre foi com sensação térmica sempre próxima dos 40 graus. No Rio de Janeiro, há uma semana as temperaturas não baixam dos 35 graus, com sensação térmica superior. No caso do Rio, cidade turística, isso resulta em praias lotadas. Porém, nas cidades onde não existem praias, e para todos aqueles que precisam trabalhar, por não estarem em férias, as altas temperaturas são um suplício. Sem contar que a seca prolongada afeta a produção agrícola. Enfim, o calor é fonte de diversão para uns e um grande incômodo para outros. A estação sequer completou o primeiro dos seus três meses, o que faz prever um sofrimento prolongado. Nos últimos anos, os invernos, pelo menos no sul do país, também tem sido muito rigorosos. O Brasil é um país de muitos encantos, mas o seu clima está longe de ser ameno. Alguns acham que tudo isso é resultado do desequilíbrio ecológico causado pela ação do homem. Seja qual for a causa dessas estações inclementes, nossa saúde está sendo submetida a testes rigorosos. Resista até março, do jeito que der, e bom verão!
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
A largada de um ano intenso
Estamos no primeiro dia de 2014, um ano que será intenso. Como acontece a cada quatro anos, teremos a coincidência da Copa do Mundo com as eleições presidenciais. Porém, em 2014, há um dado que faz toda a diferença, que é o de que a Copa do Mundo será no Brasil. Afora as ocasiões que reúnem grande número de pessoas, como o revéillon, o carnaval, as festas juninas do Nordeste, teremos a Copa, juntando multidões em 12 cidades de todas as regiões do país. Durante um mês, estaremos celebrando a magia e o encanto do futebol. Se, como desejamos, a Seleção Brasileira for campeã, teremos uma festa sem hora para acabar. Paralelamente ao lado festivo do ano, há a expectativa da repetição dos protestos de rua de junho de 2013. No ano que está começando, como se vê, a rua será o grande cenário. Para comemorar ou protestar, o espaço público dará o tom no novo ano. Será um ano cansativo, pela sequência de acontecimentos. Tomara que, em todas essas manifestações, os objetivos sejam alcançados, e que possamos celebrar conquistas, tanto no esporte quanto nas reivindicações da cidadania.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
A vida não para
Nessa época de final de ano, em que a maioria das pessoas desacelera e curte folgas ou férias, temos a ilusão de que tudo possa transcorrer com mais calma, de que os acontecimentos ruins também fiquem suspensos. Infelizmente, não é assim. Os acontecimentos envolvendo o lutador Anderson Silva e o ex-piloto de Fórmula-1 Michael Schumacher são uma prova disso. Não acompanho as lutas de MMA; que não aprecio, mas não pude deixar de saber da fratura sofrida por Anderson Silva em pleno combate. O gravíssimo acidente com Schumacher, enquanto esquiava, também chocou a todos. De que antecedem pois de uma longa carreira expondo-se aos riscos da velocidade, Schumacher foi ter o seu mais grave acidente praticando um esporte por lazer. A verdade é que o calendário é uma convenção humana. Por isso mesmo, os acontecimentos ruins não dão folga. Ainda assim, nos momentos que antecedem a chegada de mais um ano, fixemos nossos pensamentos no que há de mais positivo, sabendo que, como todos outros anos, o de 2014 terá momentos bons e ruins, e que a maior vitória para todos nós será chegar ao final dele com saúde. Um excelente 2014 para todos!
sábado, 28 de dezembro de 2013
Conservadorismo
Estamos acostumados a ideia de que o Brasil é um país de pessoas liberadas, com tendência à libertinagem, onde a sensualidade é a marca dominante. Trata-se, é claro, de um estereótipo, não confirmado pela realidade. Num país onde o exercício da democracia ainda tem ares de novidade, o conservadorismo persiste nas relações sociais. O psicanalista italiano, radicado no Brasil, Contardo Calligaris, em entrevista ao jornal Zero Hora, em sua edição de amanhã, que, como de hábito, já circula na véspera, diz que o Brasil é um país "careta" num campo em que ele não imagina que seja, isto é, o das fantasias sexuais. Calligaris constata que os brasileiros têm a impressão de que sacudir a bunda durante os quatro dias de Carnaval ou usar um biquíni um pouco mais ousado na praia seja uma grande manifestação de liberalismo. A prática do topless, mesmo no "avançado" Rio de Janeiro não é aceita, e se transforma num evento. O psicanalista dá outra demonstração da "caretice" brasileira, ao citar o fato de que o número de clubes de swing, por casal de habitantes, no Brasil é irrisório, se comparado com a Itália, por exemplo. Outro evidência da falta de naturalidade dos brasileiros para lidar com os assuntos da sexualidade foi a reação, percebida por Calligaris, de pessoas que assistiam ao filme "O Azul é a Cor Mais Quente", quando da exposição na tela da famosa cena em que, durante nove minutos, as duas protagonistas entregam-se a uma ardente relação. Contardo Calligaris percebeu que as pessoas, em vez de observarem a cena em silêncio, se agitavam, se mexiam na cadeira, davam um risinho nervoso, comentavam com quem estava ao lado. Não conseguiam assistir à cena com respeito, como deveria ser. Demonstravam medo, transformado em riso nervoso. As colocações de Calligaris vem na mesma direção do que penso sobre esse Brasil "liberado" de que tanto ouvimos falar. Não passa de uma imagem falsa, insistentemente alardeada por alguns com o intuito de justificar medidas que restituam uma "moralidade perdida". Na verdade, somos um país, ainda, muito reprimido. Entre o mito e a realidade, há um caminho muito longo a percorrer até que o Brasil deixe de ser um país conservador.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Confirmação
O que todos já suspeitavam aconteceu: o julgamento do recurso da Portuguesa no STJD confirmou o rebaixamento do clube para a 2ª divisão. Não se sabe o que é mais lamentável, se o fato em si ou a defesa dessa excrecência feita por profissionais do direito e integrantes da imprensa esportiva. Aferrados ao que estipula a legislação esportiva, tais pessoas sustentam que a decisão não poderia ser outra, e que a Portuguesa cometeu uma terrível desatenção pela qual terá de pagar sendo rebaixada, depois de obter, legitimamente, em campo, sua manutenção na 1ª divisão. Com os quatro pontos que lhe foram tungados pelo tribunal, a Portuguesa cai e o Fluminense, que, dentro de campo, não teve competência para tanto, permanecerá na série A do futebol brasileiro. Por essas e por outras, é que a Justiça será sempre vista com desconfiança pela população. Ela se baseia numa suposta observância rigorosa dos textos legais para sustentar toda sorte de patifarias. A legislação esportiva já é elaborada para ensejar esse tipo de golpe. Se assim não fosse, a punição a um clube não beneficiaria outros. Admitindo-se que a Portuguesa tenha cometido um erro ao escalar um jogador que estava suspenso, ela poderia ser mantida na 1ª divisão e, na próxima edição do Campeonato Brasileiro, iniciar a competição com o passivo dos pontos que lhe fossem retirados. Essa solução é adotada em outros países, por que não se faz o mesmo no Brasil? Ainda que represente o estrito cumprimento do que estabelece a lei, a decisão agora confirmada, em segunda e última instância, estabelece uma punição desproporcional ao erro cometido e, o que é ainda pior, brinda o Fluminense com a manutenção na série A, o que não fez por merecer. A justiça não pode se ater somente a uma interpretação literal de textos legais. A decisão de hoje, novamente por unanimidade, foi iníqua e, fundamentalmente, injusta. Ela representa um terrível retrocesso para o futebol brasileiro que, assim volta aos seus piores dias, quando viradas de mesa e decisões de "tapetão" subvertiam os resultados de campo. Só falta a anunciada volta do Campeonato Brasileiro com formulismo, a partir de 2015, que vem sendo aventada por alguns, vir a ocorrer. Se isso acontecer, se poderá expedir o atestado de óbito do futebol brasileiro.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Pacote indigesto
O dia de hoje foi de apresentações de novos jogadores da dupla Gre-Nal. O Grêmio apresentou o zagueiro Geromel, que estava no Mallorca (ESP). O Inter mostrou ao público o goleiro Dida, recém dispensado pelo Grêmio, e o atacante Wellington Paulista, que estava emprestado ao Criciúma, mas pertencia ao Cruzeiro. Todos vieram, praticamente, sem custos. Geromel veio num estranho empréstimo por dois anos e meio! Dida e Wellington tinham terminado seus contratos e, portanto, o Inter não precisou gastar nada para trazê-los. São contratações que levam em conta a nova tendência do futebol brasileiro, a de contenção de gastos. Porém, do ponto de vista técnico, o pacote apresentado, hoje, pela dupla Gre-Nal , é indigesto. São pouquíssimas as referências que se tem sobre Geromel, e elas não chegam a ser entusiasmantes. O jogador, no entanto, deixou ótima impressão quanto á desenvoltura que demonstrou em sua entrevista de apresentação. Seguro e articulado, respondeu sem hesitação a todas as perguntas, revelou conhecimento sobre o Grêmio e procurou ser assertivo em suas colocações. As contratações de Dida e Wellington Paulista também estão longe de empolgar. Dida já tem 40 anos e, estranhamente, o Inter assinou com ele um contrato de dois anos. Afora a idade do jogador, o fato de que o atual presidente do Inter, Giovanni Luigi, encerrará seu mandato no final de 2014, tornariam muito mais lógica a assinatura de contrato por apenas um ano. A vinda de Wellington Paulista parece estar muito mais relacionada com o fato de que ele sempre marca gols contra o Grêmio. Em termos de biografia, é um jogador rodado, que nunca firmou-se como uma grande estrela. Para um grupo que já dispõe de Scocco e Rafael Moura sua contratação não representa, em princípio, um acréscimo. Não faria melhor o Inter se apostasse em um jovem valor de suas categorias inferiores? Em resumo, os novos jogadores apresentados, até agora, por Grêmio e Inter, trazem mais preocupações do que ânimo para os seus torcedores.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Uma data que vem sendo esvaziada
Mais uma vez, é Natal. Uma data repleta de apelos e significados. Ainda que se saiba que o calendário é uma convenção humana, e que muitos digam que o nascimento de Jesus Cristo não aconteceu exatamente em 25 de dezembro, é uma data de força avassaladora. O Natal, no entanto, não tem a mesma importância para todas as pessoas. Para ateus e adeptos de religiões não cristãs, é um dia como os demais. Porém, ninguém consegue ficar alheio ao enorme volume de referências em relação a chamada "data máxima da cristandade". Num fenômeno típico dos tempos em que vivemos, o Natal foi se tornando, essencialmente, uma data comercial. Basta que o Natal vá se aproximando para que a enxurrada de anúncios do comércio vá invadindo rádios, redes de tv, jornais, revistas e internet. Afinal, o Natal é uma data em que as pessoas trocam presentes. Essa é uma tradição histórica, mas que convivia em paralelo com o aspecto religioso da data. Aos poucos, foi passando para o primeiro plano e, hoje, muitas pessoas desconhecem o que se comemora no Natal. A figura simpática e fictícia do Papai Noel tornou-se o símbolo mais presente do Natal, deixando o aniversariante sendo gradativamente esquecido. Em nossos tempos delirantemente consumistas, o que importa é comprar. Assim, todas as datas, mesmo as revestidas de um caráter religioso e místico vão sendo transformadas num estímulo ao consumo. O Natal passa a ser uma data para se ganhar presentes, a Páscoa um dia para se comer chocolates. Numa época onde consumir é a principal motivação das pessoas, a forma resiste, mesmo com o esvaziamento do conteúdo. Afinal, na "sociedade de mercado", o que importa é que existam datas que sirvam de pretexto para o estímulo ao consumo. O verdadeiro significado dessas celebrações vai se tornando irrelevante.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O anticlímax da dupla Gre-Nal
As contratações de Grêmio e Inter para o ano de 2014, até agora, são de tirar o sono dos seus torcedores. Era sabido que os clubes brasileiros partiriam para uma contenção de gastos, depois de longos anos de gastança. Porém, como conciliar poucas e discutíveis contratações com a necessidade de obter resultados que é própria dos grandes clubes? No caso específico de Grêmio e Inter, ambos deveriam esforçar-se ao máximo para formar times fortes, capazes de grandes conquistas. O Grêmio, por ter obtido a classificação direta para a Libertadores e estar há 12 anos sem conquistar um grande título. O Inter, por que está em dívida com o seu torcedor, depois de dois anos consecutivos péssimos nas competições de maior nível. A movimentação dos dois clubes em termos de reforços, no entanto é desalentadora. O Grêmio trouxe Edinho, um volante extremamente limitado, e o desconhecido zagueiro Geromel. O Inter deverá anunciar até sexta-feira, as contratações do goleiro Dida e do centroavante Wellington Paulista. Em comum, todos esses jogadores tem a idade já um tanto avançada e o fato de nada custarem em termos de aquisição. Edinho, Dida e Wellington Paulista por terem findado seus contratos com os clubes onde estavam, Geromel, por vir por empréstimo. Essa parece ser a nova realidade do futebol gaúcho. Contratações com pouco ou nenhum custo, salários mais baixos. Ótimo para as finanças, mas um anticlímax para os torcedores da dupla Gre-Nal.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Um título para ser muito festejado
A conquista, pela Seleção Brasileira de Handebol Feminino, do título de campeã mundial, é um feito altamente expressivo do esporte brasileiro, e deve ser muito festejado. O handebol está longe de ser um esporte popular no Brasil. Sua prática é mais comum nas escolas que nos clubes. A grosso modo, é um futebol jogado com as mãos. Afora o uso das mãos, sua grande diferença em relação ao futebol são os escores altos. Na decisão de hoje, por exemplo, contra a Sérvia, a equipe brasileira venceu por 22 a 20. Essa conquista é muito significativa porque, antes desse título, a melhor colocação do Brasil num mundial de handebol feminino havia sido um 5º lugar. Portanto, na primeira vez em que obteve uma medalha na história da competição, o Brasil ficou com a de ouro. O título não é fruto do acaso. Conscientes de que, para que o handebol evoluísse no Brasil, era preciso buscar o conhecimento nos centros onde ele é mais desenvolvido, os dirigentes brasileiros da modalidade trouxeram o técnico dinamarquês Morten Soubak para treinar a seleção feminina. O trabalho de Soubak, que já vem sendo desenvolvido há alguns anos, foi apresentando um progresso contínuo, que culminou com a conquista do mundial. O Brasil reafirma, assim sua vocação para os esportes coletivos. Se nos esportes individuais o país vive do aparecimento esporádico de grandes estrelas como Adhemar Ferreira da Silva no atlestismo, Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten no tênis, Éder Jofre no boxe e César Cielo na natação, nos esportes coletivos o Brasil já ostenta cinco títulos de Copas do Mundo com o futebol, dois mundiais de basquete, medalhas de ouro olímpicas com o vôlei, tanto masculino quanto feminino. O handebol feminino soma-se, agora, a uma tradição do Brasil nos esportes praticados por equipes. Uma bela notícia para o país que irá sediar a próxima edição das Olimpíadas, que será realizada no Rio de Janeiro, em 2016.
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