domingo, 11 de agosto de 2013

Resultado inesperado

O Inter empatou em 2 x 2 com o Atlético Paranaense, hoje à tarde, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado foi uma ducha de água fria naqueles que contavam com uma vitória do Inter, pelo fato de ser o mandante do jogo. Aos 36 segundos do primeiro tempo, o Atlético já fazia 1 x 0, mas o Inter não demorou a empatar, aos 14 minutos. O jogo prosseguiu assim até o final do primeiro tempo e boa parte do segundo, quando, então, o Atlético ficou novamente em vantagem no placar. No final da partida, quando tudo parecia indicar que o resultado era definitivo, o Inter, num gol acidental, chegou ao empate. Para os mais atentos, o resultado não foi tão surpreendente assim. O Atlético Paranaense vinha de quatro vitórias consecutivas, enquanto o Inter atingiu, hoje, o seu terceiro jogo seguido sem ganhar. A campanha do Inter no Brasileirão dá indícios de que o time não é tão confiável quanto alguns afirmam. Em seus cinco primeiros jogos, antes da parada para a Copa das Confederações, teve um aproveitamento inferior a 50%. Depois obteve alguns bons resultados, mas sem jamais convencer inteiramente. Tem contra si, também, o fato de ter sido goleado pelo lanterna da competição, o Náutico. O time faz muitos gols, mas também os toma em grande quantidade. Seu próximo jogo é dificílimo, contra o vice-líder Botafogo, no Maracanã. A partir do que acontecer nessa partida, se poderá ter uma ideia mais nítida da perspectiva do Inter na disputa.

Goleada exótica

O Grêmio goleou o Bahia por 3 x 0, hoje à tarde, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. Isso pode dar a ideia, a quem não tenha assistido ao jogo, de que foi uma vitória afirmativa, com uma grande atuação. Nada disso. Pela terceira vez consecutiva, o técnico do Grêmio, Renato, alterou o esquema do time. Dessa vez, entrou em campo adotando o 3-6-1, com apenas Barcos jogando como atacante. Esse povoamento do meio de campo, contudo, não foi tão produtivo assim. Depois de um período breve, no primeiro tempo, em que chegou a ter 62% de posse de bola, o Grêmio foi cedendo terreno e se deixando pressionar pelo Bahia. Para sorte do Grêmio, o Bahia não teve competência para transformar o seu domínio em gols. O segundo tempo começou da mesma forma, com o Grêmio vendo o Bahia comandar as ações. Até que, aos 25 minutos, no rebote de uma bola cabeceada no travessão por Elano, Riveros se jogou ao encontro da bola, espremido entre dois adversários, e fez 1 x 0 para o Grêmio. A ousadia de Riveros lhe custou a saída do jogo, pois foi atingido no rosto pela chuteira de um jogador do Bahia e bateu com a cabeça no chão. A partir daí, o Bahia perturbou-se, e o Grêmio ficou mais à vontade em campo. Minutos mais tarde, Máxi Rodriguez, em sua segunda intervenção no jogo, chutou uma bola sem grande precisão, mas ela desviou em um adversário, enganando o goleiro e determinando 2 x 0 para o Grêmio. Esse gol deixou claro que a vitória estava consolidada. Transtornado, o Bahia, que já tinha sofrido a expulsão de Titi, ainda viu o Grêmio chegar aos 3 x 0, agora sim num gol de bela feitura, em um passe de Mateus Biteco para a conclusão de seu irmão, Guilherme Biteco. Foi uma goleado construída de forma exótica, mas que teve grande significado para o Grêmio. Foi a primeira vitória do Grêmio, fora de casa, no Campeonato Brasileiro. O resultado aproximou o Grêmio do grupo dos primeiros colocados do Brasileirão, e rompe com a sequência de três jogos sem vitória. Tudo isso é muito importante, até porque o Grêmio não terá facilidades nos próximos jogos. Terá, agora, de jogar contra o líder da competição, o Cruzeiro, na Arena, e, logo depois, com o Vasco, em São Januário, e o Flamengo, no Mané Garrincha. Grandes desafios para os quais o Grêmio não dá a confiança de estar devidamente preparado, mas que, a partir da goleada de hoje, deverão ser enfrentados com mais ânimo.

sábado, 10 de agosto de 2013

Lógica capitalista

Para o capitalismo, tudo se reduz a números, a uma relação custo-benefício. Sua palavra-chave é "lucro". O termo que não suporta ouvir é "prejuízo". Essa lógica se estende, até mesmo, às pessoas, vistas, primordialmente, como consumidores. Não há lugar para o humanismo na prática capitalista, e qualquer contestação a esse estado de coisas é tachada, por seus defensores, de "teoria superada", "clichê de esquerda" e outras conceituações do gênero. Discorro sobre isso a propósito da resenha feita pelo jornalista Jerônimo Teixeira, publicada na edição dessa semana da revista "Veja", sobre o livro de seu colega Leandro Narloch, "Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo". Conforme a resenha, em seu livro, Narloch realiza a reabilitação do capitalismo, do imperialismo e, até, dos agrotóxicos! Narloch é ex-repórter de "Veja", e segue à risca o ideário da publicação. São de sua autoria os best-sellers "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" e "Guia Politicamente Incorreto da América Latina", este último escrito em parceria com Duda Teixeira, editor de "Veja". Segundo Jerônimo Teixeira, em todos os seus livros, Narloch apresenta a história sob uma perspectiva que diverge da "sempre previsível ladainha dos livros didáticos, na qual os culpados são sempre os capitalistas, os imperialistas, as elites". Em seu novo livro, Leandro Narloch, ainda que não negue as atrocidades históricas do colonialismo, atribui a responsabilidade pelas mazelas do continente africano, tais como guerras civis, golpes de estado e conflitos étnicos, aos próprios africanos, principalmente os ditadores que seguiram a "desastrosa cartilha do dirigismo estatal e do isolacionismo econômico". Narloch não poupa nem mesmo o pacifista Mahatma Gandhi, pois afirma que sua insistência na autossuficiência econômica e em modelos improdutivos de agricultura de subsistência, levaria a Índia a miséria depois de sua morte. O Dalai-Lama e a Madre Teresa de Calcutá, duas outras personalidades pacifistas, também sofrem o ataque de Narloch. Para o autor do livro, o que, de fato, combateu a miséria, foi o uso intensivo de agrotóxicos e a Revolução Industrial que, considera, diminuiu, a "longo prazo", a exploração do trabalho infantil. Em sua colocação mais ousada, Narloch faz a defesa da bomba atômica. O jornalista sustenta a ideia, com a qual concordo, de que as armas atômicas, pelo seu alto poder destrutivo, coíbem os países que as possuem de efetivamente entrarem em guerra. O problema não está aí, e sim, no fato de que Narloch considera que as bombas jogadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáki, em 1945, salvaram vidas. O argumento de Narloch é que uma invasão militar convencional do Japão custaria a vida de muito mais japoneses do que os 200 mil assassinados pelas bombas de Hiroshima e Nagasáki. Mais uma vez, estamos diante da lógica capitalista que reduz tudo a números, lucros, prejuízos. Nessa visão de mundo, os seres humanos são apenas referências estatísticas, destituídos de qualquer dignidade. Para Narloch, e os que como ele pensam, afirmações em contrário são "clichês politicamente corretos de esquerda".

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os outros

Algumas vezes, nos deparamos com alguns textos cujo conteúdo vai tão ao encontro do que pensamos que temos a impressão de que foram escritos por nós mesmos. Assim se passou comigo ao ler o artigo "Nós, os desordeiros", de João Ubaldo Ribeiro, publicado na edição dessa semana da revista "Veja", o que mostra que, por vezes, essa publicação oferece algo mais do que o lixo ideológico de direita que tenta nos impingir. Em seu artigo, escrito tendo por mote o morticínio brasileiro no trânsito, João Ubaldo destaca a propensão do brasileiro, quando fala mal do Brasil, de fazê-lo referindo-se ao país ou ao seu povo na terceira pessoa. Dizemos que o brasileiro é isso ou aquilo, e que tem esse ou aquele defeito, como se não fôssemos, igualmente, brasileiros. Me identifiquei, particularmente, com a colocação que João Ubaldo faz sobre o tratamento que temos em relação aos políticos. Nos referimos a eles, diz ele, quase como se fossem marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, e não de pessoas nascidas e criadas da mesma forma que nós. Esse trecho mexeu comigo pois penso exatamente o mesmo, e várias vezes usei a mesma exemplificação de João Ubaldo como argumento. João Ubaldo prossegue analisando essa maneira peculiar do brasileiro de encarar a realidade, em que o povo do país é classificado como bom, honesto, pacífico, gentil, entre outras qualidades, sendo apenas observador e vítima de atos de corrupção, desrespeito, má conduta e negligência praticados por outros, genericamente identificados como "eles". Como bem destaca João Ubaldo, não há "nòs" e "eles". Somos todos frutos de uma mesma sociedade, e refletimos seus valores e descaminhos. Não há um povo "honesto", sofrendo nas mãos de políticos corruptos e transgressores de todos os tipos. Na verdade, praticamos, todos nós, deslizes e atos que afrontam a ética mais elementar. Não há inocência em nosso comportamento. Se o país, cada vez mais, nos desconforta por sua leniência com os malfeitos, sua corrupção galopante, sua injustiça social gritante, sua péssima distribuição de renda, isso não é obra de um grupo de malfeitores, mas, sim de todos nós. Nessa construção tão defeituosa em sua estrutura social, e eticamente deformada, não há os "outros" como culpados. Somos todos responsáveis pelo Brasil que aí está. Ele é reflexo de todos nós, não uma obra de alguns. Enquanto não admitirmos isso, qualquer mudança do país para melhor torna-se inviável.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vaias

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Coritiba, hoje à noite, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma atuação desastrosa. O indício de que a noite não seria boa para o Grêmio veio com a esdrúxula escalação do técnico Renato, que voltou ao esquema 4-4-2, mas jogando com três volantes! Para um time que vinha de duas partidas sem vitória, necessitando vencer para não se distanciar dos primeiros colocados, tal escalação soa como um despropósito. O Coritiba faz grande campanha no Brasileirão, é verdade, mas é um clube apenas médio, e, historicamente, um grande freguês do Grêmio. Não se justifica uma postura tão defensiva diante de um adversário desse porte. O resultado prático disso foi uma apresentação ruim, sem nenhuma inspiração. O time do Grêmio não mostrou nenhum brilho. Tomou um gol cedo, e mesmo tendo um tempo enorme para reagir, sequer conseguiu empatar. Em relação aos três volantes escalados, só Riveros se salvou, assim mesmo sem fazer uma grande partida. Adriano foi péssimo, para dizer o mínimo, e Souza parece ter deixado seu bom futebol perdido em 2012, tendo mais uma atuação apagadíssima. O ataque, que andou ensaiando uma melhora no Gre-Nal, voltou à sua ineficiência costumeira. Kléber insiste em passar o jogo inteiro buscando o entrechoque com os adversários, para tentar cavar faltas, mas não conclui para o gol. Barcos parece uma parede, onde a bola bate e se oferece para o time contrário. Nas laterais, Pará foi catastrófico, e Alex Telles não repetiu suas boas atuações anteriores. Na zaga, Bressan foi horroroso, e Rhodolfo, razoável. O único meia escalado, Elano, começou bem, mas foi decaindo de produção, como em todos os jogos anteriores. Decepcionada, a torcida vaiou fortemente o time, ainda na saída para o intervalo, e, com maior intensidade, ainda, após o final do jogo. Vaias que indicam o cansaço de um torcedor que sofre com a ausência de grandes títulos há 12 anos e não vê nenhuma perspectiva de mudança para melhor. Nem mesmo a idolatria dos gremistas por Renato foi capaz de impedi-las. Não houve nenhum progresso do time em relação ao tempo em que Vanderlei Luxemburgo era o técnico. O que era esperança está dando lugar ao desalento. O pior que pode acontecer a um clube está começando a acontecer, ou seja, o torcedor está inclinado a jogar a toalha. Não se pode lhe tirar a razão.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O fim da privacidade

Houve um tempo em que, excetuadas as pessoas muito famosas, era possível a fruição da privacidade. Não é mais assim. A ideia de alguém se "perder na multidão" tornou-se impraticável. Em quase todos os lugares nos quais entramos, há um aviso com os dizeres: "Sorria, você está sendo filmado". Isso ocorre até dentro de elevadores. Nem mesmo o espaço amplo das ruas permite o total anonimato. Há câmeras de segurança espalhadas por diversas áreas, ligadas a centrais de monitoramento em que somos permanentemente observados. Ao ingressar nas chamadas redes sociais, nossos dados se tornam devassáveis. Ao assinar uma publicação, nossas informações pessoais são repassadas para outras empresas, que nos bombardeiam com ofertas de todo o tipo. Agora, numa atitude escandalosa, o Tribunal Superior Eleitoral teria feito um acordo com a Serasa para fornecer-lhe dados dos eleitores. Nossa vida tornou-se totalmente devassável. Perdemos o direito ao recolhimento. Ao longo do dia, recebemos vários telefonemas de empresas de tv a cabo, bancos, instituições assistenciais, operadoras de telefonia, entre outros, procurando nos vender planos os mais diversos, ou solicitar colaborações em dinheiro. Ao sairmos ás ruas estamos sendo observados. Ao frequentar locais de grande concentração de público, como estádios de futebol, também. O cenário projetado por George Orwell, em seu célebre livro "1984", tornou-se realidade. O "grande irmão" está em todos os lugares. A justificativa para tanta bisbilhotagem é a segurança. Cada vez mais, busca-se prevenir a ação de bandidos e malfeitores. Porém, o preço que estamos pagando é muito alto. Somos submetidos a uma exposição constante, sem direito a pequenas escapadas da realidade. Estamos conectados o tempo todo. Somos monitorados constantemente. Enfim, perdemos o direito à paz.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A liberação da maconha

A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, na quarta-feira passada, um projeto, proposto pelo governo, que gerou repercussão internacional. Pelo projeto, todo habitante do país com mais de 18 anos terá direito a comprar, na farmácia mais próxima, até 40 gramas de maconha por mês, quantidade que é suficiente para enrolar entre quarenta e oitenta cigarros. Não será necessário sequer receita médica, apenas informar os dados pessoais do comprador. Para quem desejar, será possível plantar até seis arbustos de maconha na própria casa. Estrangeiros não poderão comprar a droga, mas nada impede que a adquiram com uruguaios. Uma medida como essa, inevitavelmente, divide opiniões. Há quem veja nela um avanço, uma atitude realista. Os usuários de maconha são numerosos, no mundo inteiro e, por certo, encaram a decisão com simpatia. Outros consideram o projeto uruguaio uma temeridade e um perigoso precedente. Particularmente, não concordo com a decisão tomada no Uruguai. A maconha, ao contrário do que dizem seus defensores, não é uma droga leve. Ela gera dependência, e seu consumo tem vários efeitos nocivos sobre o organismo. A intenção do governo uruguaio é afastar os usuários de maconha da influência dos narcotraficantes. Dessa forma, eles se afastariam das bocas de fumo onde são vendidas drogas mais pesadas. Porém, segundo dados da ONU, a maconha é uma porta de entrada para outras drogas. Entre os consumidores de cocaína, heroína e crack, 95% começaram fumando maconha. Apenas 24% da população do Uruguai apoia o projeto. A popularidade do presidente José Mujica sofreu uma grande queda depois da aprovação do projeto. Os uruguaios tem razão em rejeitar a ideia. Somente os usuários contumazes, e alguns teóricos bem intencionados mas ingênuos, podem achar que a liberação da maconha tenha algum efeito positivo na resolução desse drama dos tempos modernos que é a disseminação do consumo de drogas. Se com a política de repressão o quadro já é terrível, o que pode se esperar de melhor com a liberação? As drogas são uma chaga social, e seu consumo deve ser combatido, não estimulado. Falsamente libertária, a medida aprovada no Uruguai nada trará de benéfico para o país. Seria bom que Mujica pensasse melhor e voltasse atrás, não sancionando o projeto.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Eleições

As manifestações de rua que varreram o país em junho evidenciaram os muitos problemas que vivemos no atendimento a questões essenciais como saúde, educação e segurança. Porém, afora alguns gestos para impressionar a opinião pública, num primeiro momento, os políticos seguem com suas velhas práticas. Uma prova disso está no fato de que, faltando mais de um ano para as eleições de 2014, esse tem sido o assunto de que os políticos mais se ocupam. As estranhas e inchadas alianças entre os mais variados partidos continuam a ser compostas. Não faltam ameaças de sair de um lado e saltar para o outro, desde que haja compensação na forma de cargos, apoio em futuras eleições e outras coisas do gênero. Nenhuma preocupação com coerência ideológica ou identidade de propósitos. Enquanto as pessoas vão às ruas reivindicar transporte mais barato, hospitais em melhores condições, segurança para a população, a classe política, em vez de empenhar-se na busca de solução para essas questões, se ocupa, com enorme antecipação, de desenhar o quadro eleitoral para o ano que vem. Em Porto Alegre, por exemplo, o prefeito José Fortunatti (PDT) quer que o partido rompa a aliança com o governo estadual. Fortunatti ameaça até se licenciar do PDT, caso o partido apoie a reeleição do governador Tarso Genro (PT). O presidente do PT do Rio Grande do Sul, deputado estadual Raul Pont, criticou as declarações de Fortunatti. Por sua vez, o presidente do PDT do Rio Grande do Sul, Romildo Bolzan Jr., rebateu as declarações de Pont e disse que não aceita interferências externas em assuntos de seu partido. Bolzan Jr., cujo partido é da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, já cogita que o PDT apoie a candidatura a presidente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Em troca, o PSB apoiaria um possível candidato do PDT a governador do Rio Grande do Sul. A política brasileira segue nesse nível "elevado", enquanto os muitos problemas do país clamam por soluções. O horizonte dos políticos brasileiros, depois de cada eleição, passa a ser, apenas, o próximo encontro com as urnas. Administrar, de maneira dedicada e competente, os municípios, os estados e o país, parece ser, para eles, uma tarefa secundária.

domingo, 4 de agosto de 2013

Arbitragem polêmica

O Gre-Nal de hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, terminou empatado em 1 x 1. A figura mais citada depois do jogo, no entanto, não foi nenhum jogador, mas o árbitro Fabrício Neves Corrêa que se viu envolvido por uma grande polêmica. Fabrício conseguiu desagradar a ambos os clubes. Durante a semana, ele já havia sido alvo de insinuações por parte do diretor de futebol do Inter, Luís César Souto de Moura. O Inter, há bastante tempo, critica Fabrício por entender que ele é gremista. Bem, se isso é verdade ou não é outra história, mas não há nada de extraordinário em um gaúcho como Fabrício torcer por um dos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul. Incomum seria ele torcer por um clube pequeno, da capital ou do interior. No jogo, Fabrício mostrou o mesmo que em outras ocasiões. Tecnicamente, tem muitas limitações. Na parte disciplinar, é frágil, permitindo que os jogadores lhe pressionem. O resultado do jogo de hoje não passa por ele, já que os gols foram legítimos, mas Fabrício cometeu, pelo menos, dois erros graves. O primeiro foi a não expulsão de Williams, do Inter, que já tinha cartão amarelo e cometeu um pênalti. Deveria, portanto, receber o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho. O erro de Fabrício custou caro ao Grêmio, pois, dois minutos depois de fazer 1 x 0, viu o Inter empatar o jogo numa jogada criada por Williams. O segundo erro foi não ter expulsado Adriano, do Grêmio, que fez uma falta passível de cartão amarelo e já havia recebido um. As expulsões feitas pelo árbitro, de Jorge Henrique e Fabrício, do Inter, e Werley, do Grêmio, contudo, foram justas. A gritaria contra Fabrício Neves Corrêa, nos dois vestiários foi grande, deixando o futebol em segundo plano. O jogo, em si, foi fraco, com poucos lances de gol. O técnico do Grêmio, Renato, surpreendeu ao escalar o time no esquema 3-5-2, que ainda não havia utilizado. Conseguiu fazer com que o Grêmio fosse melhor que o Inter ao longo do jogo, mas errou ao não começar a partida com Máxi Rodriguez que, entrando, mais uma vez, por pouco tempo, deixou, novamente, excelente impressão. O resultado foi melhor para o Inter do que para o Grêmio. Afinal, o Inter jogava fora de casa e se manteve a frente do Grêmio na tabela. Para o Grêmio, por ser o primeiro Gre-Nal da história da Arena, e pela necessidade de subir na classificação, o empate foi frustrante. Porém, cabe lembrar que o Grêmio jogou desfalcado de dois de seus principais jogadores, Zé Roberto e Vargas, e com um esquema ao qual não está habituado. O empate não permitiu que nenhum dois clubes, que vinham de derrotas, obtivesse uma recuperação. A possibilidade de que isso aconteça foi postergada para o próximo jogo de cada um deles.

sábado, 3 de agosto de 2013

Liberalismo

A revista "Veja" segue cada vez mais convicta no seu papel de principal representante do direitismo no Brasil. Sua orientação editorial não é pluralista, como seria de se esperar da maior revista semanal de informação do país. A linha seguida por "Veja" é o que se pode se chamar de "samba de uma nota só". Como se não bastassem as presenças, entre seus colunista e blogueiros, de figuras com Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Maílson da Nóbrega, a publicação agregou a esse "seleto" grupo o economista Rodrigo Constantino. Como novo colunista da edição on-line da revista, Constantino apresenta-se da seguinte maneira: "Coloco no topo da minha hierarquia a liberdade individual, contra os diferentes tipos de coletivismo. A "voz do povo" não é a voz de Deus, e toda a tirania deve ser condenada, inclusive a da maioria". O economista se define como "um liberal clássico". Um dos sete livros que escreveu intitula-se "Privatize Já". Num país marcado pela desigualdade e injustiça, por uma enorme concentração de renda nas mãos de poucos privilegiados, "Veja" e seus colunistas apontam como solução o encolhimento do Estado e as privatizações. Defendem a "liberdade individual", em detrimento dos interesses da coletividade. Para uma população que foi às ruas protestar pela más condições da saúde, educação e segurança públicas, oferecem como remédio a exploração privada de atividades essenciais, tendo a busca do lucro como fator prevalente. Para quem ainda tem dúvida do que acontece, na prática, quando as postulações da publicação são adotadas, basta lembrar que Maílson da Nóbrega, como ministro da Fazenda, foi o responsável pelo maior índice inflacionário da história do país. Felizmente, para o Brasil, as multidões que foram para as ruas não partilham das ideias de "Veja". Elas querem um estado mais eficiente e menos corrupto, mas não desejam o liberalismo, seja ele "neo" ou "clássico". Até porque, adotar uma cartilha econômica liberal num país com as chagas sociais do Brasil seria o mesmo que tentar curar uma ressaca bebendo mais álcool.