sábado, 20 de julho de 2013
Tropeço desastroso
O Grêmio perdeu para o Criciúma, hoje, no Heriberto Hülse, pelo Campeonato Brasileiro. Uma derrota imprevista e inaceitável. O Criciúma estava apenas um ponto acima da zona de rebaixamento e, no meio de semana, havia sido eliminado da Copa do Brasil, em casa, pelo modesto Salgueiro, do interior de Pernambuco. Mesmo diante de um adversário de tão escassas credenciais, o Grêmio foi derrotado, e isso poderá lhe custar muito caro no Brasileirão. Os erros já começaram antes do jogo. O responsável pela logística da delegação, Renato Schmidt, alojou-a num hotel em Orleans, demasiadamente distante do local da partida, o que contrariou os jogadores. Em campo, Mateus Biteco, depois de sofrer uma falta forte que foi ignorada pelo árbitro, revidou e foi expulso. Logo depois, o Grêmio sofreu o primeiro gol, mas ainda teve forças para empatar, com um belo gol de Zé Roberto. No segundo tempo, contudo, veio o lance decisivo. Vargas cometeu uma falta que não foi percebida pelo árbitro, mas esse foi alertado por um dos bandeirinhas e expulsou o jogador. Com dois jogadores a menos, a derrota do Grêmio era, praticamente, inevitável, e se confirmou. A partir da segunda expulsão, o Grêmio limitou-se a se defender, chamando o Criciúma para o seu campo e submetendo-se à pressão do adversário. Após o segundo gol do Criciúma, o Grêmio fez o que deveria ter realizado antes, e foi para cima do adversário, que, acuado, conseguiu manter o placar. Após o jogo, o técnico do Grêmio, Renato, elogiou a garra do time e criticou as expulsões. Faltou ao técnico assumir a sua parcela de culpa na derrota. Renato errou na escalação e nas substituições. Colocou dois volantes inexperientes no time, Ramiro e Mateus Biteco, deixando Riveros em Porto Alegre. Durante o jogo, quando já estava com dois jogadores a menos, trocou Elano por Gabriel, ou seja, tirou um meia para colocar um zagueiro, chamando o Criciúma para cima do Grêmio, o que acabou redundando na derrota. O correto seria colocar Máxi Rodriguez. A entrada de Kléber foi, mais uma vez improdutiva. Com Renato, o Grêmio tem, até agora, pela ordem, um empate, uma vitória e uma derrota. Em nenhuma das três partidas chegou a jogar bem e, na maior parte do tempo, foi dominado pelos adversários. Como acontece há 12 anos, o Grêmio continua distante do caminho que leva aos títulos e às glórias.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
O preço dos ingressos
Foram divulgados, hoje, os preços dos ingressos para os jogos da Copa do Mundo de 2014. Eles variam de R$ 60, o mais barato, até R$ 1.980, o mais caro. Claro, os preços variam conforme a importância do jogo e a fase da competição. O preço de R$ 1.980 refere-se ao ingresso mais caro para a grande decisão, cuja entrada de menor custo será vendida a R$ 330. Haverá ingressos mais baratos para idosos, beneficiários do programa Bolsa Família e um lote destinado a operários que construíram e reformaram os estádios que serão utilizados na Copa. Os ingressos não são, propriamente, baratos, mas, não me parecem de um custo extorsivo. Temos de levar em conta que se trata de uma Copa do Mundo, o maior espetáculo que o futebol pode proporcionar. Assim sendo, mesmo o ingresso mais caro para a decisão, de quase dois mil reais, não chega a ser um absurdo. Afinal, é o preço para se assistir, no lugar mais privilegiado, ao jogo que decidirá a mais importante competição do futebol, que só ocorre a cada quatro anos e que, no caso do Brasil, ocorrerá pela segunda vez, 64 anos depois da primeira. Afora isso, o preço dos ingressos nas competições rotineiras do futebol já tiveram seus preços sensivelmente majorados. Se em jogos de enfadonhos campeonatos estaduais há ingressos que custam mais de R$ 100, os preços praticados para as partidas da Copa estão longe de ser abusivos. A Copa do Mundo é um espetáculo singular, o que exige um preço compatível para os seus ingressos.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
A fala de Blatter
Antes de mais nada, preciso deixar claro que sempre fui a favor da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e não revi meu pensamento. Porém, as declarações do presidente da Fifa, Joseph Blatter, dizendo-se incomodado com os protestos ocorridos no Brasil durante a realização da Copa das Confederações, não podem ser aceitas passivamente. Blatter declarou que se os protestos acontecerem de novo será o caso da Fifa questionar se tomou a decisão errada ao indicar o Brasil como sede da Copa de 2014. O presidente da Fifa tem mantido contatos constantes com o governo brasileiro manifestando sua preocupação com o assunto. O dirigente argumentou que a Fifa não pode ser responsabilizada pelas discrepâncias sociais que existem no Brasil e que não é ela que tem que aprender com os protestos, mas, sim, os políticos brasileiros. Joseph Blatter afirmou que o governo brasileiro terá de trabalhar para evitar os protestos durante a Copa, pois já comunicou à presidente Dilma Rousseff que não irá tolerá-los. Convenhamos, é muita arrogância de Blatter. Sua biografia está longe de ser brilhante. Alcançou o cargo que ocupa depois de ser, durante anos, o secretário-geral da Fifa, quando esta era presidida pelo brasileiro João Havelange, que, sabe-se hoje, teve uma longa gestão marcada pela corrupção. Blatter, no entanto, porta-se como se fosse dotado de um poder incontrastável, acima dos governos. Como pode se achar no direito de dizer à presidente de um país soberano que não admite isso ou aquilo? Os países, quando se candidatam a sediar uma Copa do Mundo, submetem-se, voluntariamente, ao rigoroso caderno de encargos da Fifa. Isso, contudo, não significa que, durante a Copa, o país abra mão de sua soberania em favor da Fifa, nem que a mesma possa se imiscuir em assuntos da sua ordem interna. A manifestação de Blatter foi totalmente imprópria, e está a merecer uma enérgica reprovação por parte do governo brasileiro.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Derrota reversível
O Atlético Mineiro perdeu por 2 x 0 para o Olímpia, hoje à noite, no Defensores del Chaco, no primeiro jogo da decisão da Libertadores. O dado cruel do resultado foi que o segundo gol do Olímpia aconteceu numa cobrança de falta próxima da grande área aos 48 minutos do segundo tempo. Com mais esse gol sofrido, a tarefa do Atlético Mineiro ficou mais difícil no segundo jogo. Para ser campeão, o Atlético terá de vencer por dois gols de diferença para levar a decisão para a prorrogação e, caso persista a igualdade, para os tiros livres da marca do pênalti, ou por três ou mais no tempo normal. Não é fácil, mas está longe de ser impossível. O Atlético tem muito mais time que o Olímpia, e empurrado por um Mineirão com 60 mil pessoas pode obter o placar de que precisa. Agora, o importante é não se abater e manter a mobilização. Nada está perdido.
Classificação esperada
O Inter empatou com o América Mineiro em 1 x 1, hoje à noite, no Independência, pela Copa do Brasil. Assim, conseguiu, como era esperado, a sua classificação para as oitavas de final da competição. Porém, mais uma vez, o Inter não jogou bem. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0, e, logo no início do segundo, o América Mineiro abriu o placar, num espetacular gol contra de Ronaldo Alves, escalado em lugar de Juan, que foi poupado. Com mais um gol, o América teria eliminado o Inter, mas isso não aconteceu porque, novamente, D'Alessandro fez a diferença. Ele marcou um belo gol, esfriando o ímpeto do América e garantindo a classificação do Inter. Um dado, contudo, deve preocupar o Inter. O time tem levado gols em todos os jogos. A partir das oitavas de final, os adversários deverão ser de uma qualidade superior, e aí o Inter precisará de mais futebol e de uma defesa mais sólida para poder postular o título.
terça-feira, 16 de julho de 2013
A ocupação
Amanhã, a ocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre por ativistas do movimento "Bloco de Luta pelo Transporte Público" estará completando uma semana. Trata-se de mais um episódio dentro da onda de protestos e manifestações que tomou conta do país desde o mês de junho. O grupo de ocupantes da Câmara deseja auditoria imediata das contas do transporte público, com participação popular; passe livre para estudantes, desempregados e idosos; e transporte 100% público. A ocupação proporciona mais um embate entre progressistas e conservadores. Não são poucas as vozes, inclusive na imprensa, que se levantam contra o que consideram uma afronta à ordem institucional, e clamam por uma ação enérgica da Brigada Militar para desocupar o prédio. Independentemente de como vá terminar essa situação, o que ela demonstra é que, definitivamente, a passividade da população diante dos desmandos da classe política chegou ao fim. Os políticos já evidenciaram, também, de que não vão abrir mão tão facilmente de seus privilégios, nem agir contra os seus interesses e os de seus apoiadores. Como sempre, eles apostam que, com o tempo, os movimentos arrefecerão, o que permitirá que tudo continue como dantes. Vão perder a aposta. Os tempos, no Brasil, são outros. As reivindicações não irão parar. No caso específico da ocupação do legislativo municipal de Porto Alegre, há um item, pelo menos, em que os ativistas tem toda a razão. A auditoria nas contas do transporte público é algo indispensável. No estabelecimento da tarifa é sempre usado o argumento de que é preciso levar em conta a planilha de contas das empresas. Ocorre que não hã transparência nessas contas, que permanecem desconhecidas da maioria da população. A prefeitura e a Câmara, por certo, não tem interesse nessa transparência, pois as empresas são financiadoras de campanhas de candidatos. Não será de uma hora para outra que os políticos vão abrir mão da defesa de seus interesses e vantagens. Porém, a população também não irá esmorecer na sua luta por mudanças. Eis um confronto que vai se intensificar cada vez mais, e cujo desfecho ainda está distante.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
O dia do homem
O ser humano parece ser dotado de uma compulsão celebrativa. Não bastassem as várias datas reverenciadas ao longo de cada ano, vão surgindo, constantemente, novas homenagens. São criados, então, os dias disso e daquilo. Algumas dessas comemorações emplacam, outras não. O Dia Internacional da Mulher vem ganhando prestígio a cada ano. O Dia da Criança e o dos Namorados já estão consagrados no calendário. Porém, o Dia dos Avós não conseguiu sensibilizar as pessoas. Faço essas referências porque descobri que hoje, 15 de julho, é o Dia do Homem. Confesso que só soube disso hoje mesmo, ao ler um jornal. Não tinha a menor ideia da existência dessa data comemorativa. Fui, então, pesquisar. Descobri que o 15 de julho é o Dia do Homem no Brasil, e que a homenagem foi instituída em 1992, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores. O Dia Internacional do Homem é comemorado em 19 de novembro, e foi instituído em 1999. Portanto, a iniciativa brasileira é anterior. Ao que parece, essa é uma das datas que não emplacaram. Afinal, existe há 21 anos, mas poucos sabem da sua existência. Talvez porque, por trás dela, esteja, no caso brasileiro, apenas uma tentativa bem-humorada de fazer um contraponto ao Dia da Mulher. Não são poucas as pessoas que torcem o nariz para essas datas, por entenderem que são um mero artifício para estimular o consumismo. Afora as acima citadas, isso inclui o Dia das Mães e o dos Pais, por exemplo. Algumas datas fogem a essa caracterização, e tem um cunho ideológico, ou de exaltação de minorias oprimidas, como o já referido Dia Internacional da Mulher e o da Consciência Negra. No caso da data de hoje, nada disso está presente. Por isso mesmo, é difícil que o Dia de Homem deixe de ser, apenas, uma curiosidade. Afinal, de que, efetivamente, se trataria nesse dia? Alguns dizem que seriam temas relacionados à saúde masculina, ao papel do homem na família e na sociedade, entre outros temas de igual relevância. Seria até produtivo um dia específico para tratar de tais assuntos, mas não vejo muitas perspectivas de que o Dia do Homem se torne uma data amplamente reconhecida.
domingo, 14 de julho de 2013
A garra que faltava
O Grêmio ganhou do Botafogo por 2 x 1, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Não foi uma atuação brilhante do Grêmio. Na verdade, o Botafogo teve mais posse de bola e maior volume de jogo. Porém, para o Grêmio, era indispensável vencer, por várias razões, e isso foi alcançado. A vitória era essencial porque era a estreia do técnico Renato na Arena, para avançar na tabela e não se distanciar dos primeiros colocados, por ser um jogo em casa, para mostrar que um novo tempo está por se iniciar para o time, com resultados mais positivos. Ganhar do Botafogo foi ainda mais significativo para o Grêmio porque o adversário entrou em campo com as credenciais de líder do Brasileirão e de ter sido campeão estadual ganhando os dois turnos da competição. Dessa forma, diante de um oponente mais estruturado e entrosado, é compreensível que o Grêmio não obtivesse uma imposição técnica. Porém, teve forças suficientes para vencer. Se o futebol ainda não foi brilhante, qual foi, então a diferença desse Grêmio para o da era Vanderlei Luxemburgo? A garra, sempre tão cobrada pelo torcedor, tão ausente com o técnico anterior, dessa vez se fez presente. Mesmo pressionado durante quase todo o segundo tempo, o Grêmio soube preservar a vitória, estabelecida ainda no primeiro, mostrando uma combatividade que não se via há muito tempo. Falta muito até o Grêmio se tornar um time confiável e consolidado, mas, por certo, todos no clube tem consciência disso. Ainda assim, o jogo de hoje trouxe boas novidades, afora a vitória em si. A atuação de Vargas foi uma delas. Vargas foi um atacante na acepção da palavra, como ainda não tinha sido desde que chegou ao clube. Explorou sua grande virtude, a velocidade, e apareceu dentro da área para marcar os dois gols que estabeleceram a vitória. Na estreia de Renato, contra o Atlético Paranaense, no Durival de Brito, Barcos, que estava há mais de dois meses sem fazer gols, deixou o seu. Assim, com jogadores recuperando o melhor do seu potencial, o Grêmio tende a ir crescendo de produção. No entanto, o que de mais importante se extrai da partida contra o Botafogo é que a velha garra do Grêmio está de volta. Sozinha, não ganha jogos, mas, sem ela, vencer se torna muito mais difícil.
sábado, 13 de julho de 2013
Melhor do que o esperado
O Inter ganhou do Fluminense por 3 x 2, hoje, no Moacyrzão, em Macaé (RJ), pelo Campeonato Brasileiro. O resultado foi melhor do que o esperado. Os gols do Inter foram marcados ainda no primeiro tempo, devido a falhas gritantes da defesa do Fluminense. Até mesmo um gol olímpico aconteceu, marcado por Diego Forlán, num erro constrangedor de Diego Cavalieri, poucos minutos depois do Fluminense ter conseguido diminuir o placar para 2 x 1. No segundo tempo, o Fluminense tomou conta do jogo, e conseguiu descontar, mais uma vez, ainda cedo, mas, mesmo com muito tempo para obter o empate, não superou mais a retranca do Inter. A vitória fez o Inter subir para o segundo lugar, com apenas um a ponto a menos do que o Botafogo, que joga amanhã contra o Grêmio. Dessa forma, uma vitória do Grêmio, ironicamente, beneficiaria o Inter. Porém, ainda há muito campeonato pela frente, e o equilíbrio entre os disputantes é grande. Não dá para arriscar previsões. Mesmo com o bom resultado de hoje, o Inter continua precisando se reforçar, mas, é claro, a vitória, fora de casa, contra o atual campeão brasileiro, vai elevar muito o moral do grupo.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Paralisação
O dia de paralisação convocado, ontem, pelas centrais sindicais, gerou controvérsia. Alguns o consideraram um sucesso, outros, um fracasso. Foram várias as diferenças entre as manifestações do mês passado e a de ontem. As passeatas que encheram as ruas surgiram espontaneamente, atraindo multidões. A paralisação de ontem se caracterizou por pequenos grupos de manifestantes em meio a ruas desertas. Em Porto Alegre, por exemplo, com a ausência de transporte coletivo, dada a adesão integral dos rodoviários ao dia de greve, muitas empresas nem abriram as portas. O resultado mais visível foram ruas desertas, e num dia útil, uma aparência de fim de semana, com pessoas frequentando os parques e um trânsito tranquilo. Seja como for, foi uma demonstração de força das centrais sindicais, que conseguiram alterar a rotina das cidades. O efeito prático das manifestações é algo ainda a ser avaliado, mas parece claro que o país vive um novo momento. Protestar não é mais uma atitude episódica dos brasileiros. Está se tornando um hábito. Ao contrário do que sustentam os conservadores mais empedernidos, isso não é ruim. Não se trata de quebra da ordem, baderna ou qualquer definição semelhante. Trata-se da cidadania, exercida, finalmente, por um povo que se acostumara à letargia. Não é mais assim. Os brasileiros pegaram gosto pelas reivindicações públicas. Perceberam que, para que seus anseios sejam realizados, é necessário pressionar a classe política. As coisas não vão mudar da noite para o dia, no Brasil, mas o povo não mais assistirá passivamente aos desmandos dos políticos. Estamos diante de um quadro novo, que está só nos seus primeiros passos. Por enquanto, ainda há dificuldade de todos de analisar essa nova realidade. Porém, não se deve apostar que seja um fenômeno passageiro. Seja lotando as ruas ou esvaziando-as, sem um comando central ou convocadas por instituições, as manifestações e protestos estão mudando a face do país, e, tudo indica, para que alcancemos tempos muito melhores.
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