domingo, 28 de abril de 2013

Dever cumprido

O Inter ganhou do Veranópolis por 1 x 0, hoje á tarde, no Francisco Stédile, e está classificado para a decisão da Taça Farroupilha, contra o Juventude. Se ganhar do Juventude, no próximo domingo, será tricampeão gaúcho antecipadamente, pois já venceu a Taça Piratini. No jogo de hoje, o Inter apenas cumpriu o seu dever, e ganhou, como era esperado. A vitória magra, por apenas 1 x 0, com um golaço de Williams, foi suficiente para que o clube atingisse seu objetivo. O Veranópolis teve dois jogadores expulsos, mas a arbitragem agiu corretamente em ambas as situações. O Inter deverá ser tricampeão gaúcho no próximo domingo, sem surpresas. Há poucos dias, goleou o Juventude por 4 x 1, demonstrando a distância entre os dois times. Afora isso, o técnico do Juventude, Lisca, não faz questão de esconder sua condição de torcedor do Inter. Ao eliminar o Grêmio, ontem, Lisca declarou: "Ganhei deles de novo". Só os muito ingênuos, diante de uma declaração como essa, poderiam acreditar numa zebra.

sábado, 27 de abril de 2013

Morte anunciada

O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Juventude, hoje à tarde, no Alfredo Jaconi, sendo derrotado nos tiros livres da marca do pênalti por 5 x 4, e foi eliminado da Taça Farroupilha, encerrando sua participação no Campeonato Gaúcho. Nada mais previsível. Um time que vinha de uma única vitória nos últimos sete jogos obtida com um gol contra, que finaliza pouco durante as partidas, que jogando em casa contra um adversário modestíssimo, o São Luiz, não conseguiu balançar as redes, mesmo contando com um homem a mais na maior parte do segundo tempo, que não se indigna com os maus resultados, permanecendo passivo em campo, não poderia ter alcançado melhor sorte. Sim, é verdade que o Grêmio jogou relativamente bem, hoje. Foi superior ao Juventude. Teve um gol legítimo de Vargas, aos 21 minutos do primeiro tempo, absurda e injustificadamente anulado. Porém, no jogo anterior, contra o São Luiz, um pênalti claro em favor do adversário deixou de ser marcado, e, na partida com o Fluminense, também na Arena, um gol de Rhayner foi erradamente anulado. Caso esses erros de arbitragem não tivessem ocorrido, o Grêmio teria sido eliminado do Gauchão com um jogo de antecedência, e já estaria fora da Libertadores. As razões da eliminação do Grêmio não estão fora do clube, e, sim, dentro dele. O trabalho do técnico Vanderlei Luxemburgo é ruim. Luxemburgo indica jogadores ultrapassados, como Dida e Cris, escala mal, substitui ainda pior, não dá padrão de jogo ao time. O Grêmio não tem jogadas ensaiadas, toca demasiada e improdutivamente a bola, abusando de passes laterais e, mesmo dispondo de grandes atacantes, chuta muito pouco ao gol. O time também carece da presença de um motivador no vestiário. Luxemburgo, sabidamente, não tem esse perfil. O preparador físico Paulo Paixão, que poderia cumprir esse papel, foi entregue de bandeja para o Inter, para que Luxemburgo mantivesse junto de si o seu amigo Antônio Melo. Não precisa ser adivinho para prever que o Grêmio também não terá vida longa na Libertadores. A campanha na primeira fase da competição já demonstra isso. O Grêmio tem um bom grupo de jogadores, isso ninguém nega. Para que desse grupo se forme um grande time, contudo, é preciso alterar o comando. Se nada for mudado, o Grêmio continuará indo do nada para lugar nenhum, como vem fazendo há 12 anos, prolongando, ainda mais, o sofrimento do seu torcedor.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A privatização da paixão

O futebol, já faz um bom tempo, transformou-se num negócio, uma indústria altamente rentável. Vai longe a época do "amor à camiseta". Transações de valores astronômicos e jogadores milionários tem sido a tônica desse esporte que mobiliza multidões. O torcedor, contudo, ainda tinha acesso aos jogos por preços relativamente razoáveis. Agora, isso também ficou para trás. As novas arenas, e os antigos estádios que estão sendo reformados no Brasil, estão levando a uma elitização do futebol. O roteiro seguido é o mesmo da privatização de outros setores. Argumenta-se que é preciso dar mais conforto e qualidade aos estádios, que o torcedor necessita ser melhor tratado, que não é aceitável que alguém assista a um jogo em pé ou em condições pouco favoráveis de visibilidade. Parte-se, então, para a construção ou reforma de estádios dentro do chamado "padrão Fifa". Logo a seguir, sob a alegação de que os clubes, ou o Estado, no caso de estádios públicos, não possuem recursos suficientes para tocarem a obra, é constituída uma empresa gestora, de capital privado, para administrar a arena. Finalmente, os novos monumentos em forma de estádio são inaugurados, e o que era sonho vira pesadelo. Em nome do "conforto", estádios tem sua capacidade reduzida a menos da metade da original, casos do Maracanã e do Mineirão. Vias de acesso deficientes, ingressos caríssimos, bilheterias em número insuficiente, serviços e infraestrutura de má qualidade caracterizam as novas arenas. O Mineirão tem sido um eloquente exemplo desse quadro. Tanto na sua reinauguração quanto no jogo de quarta-feira passada, entre Seleção Brasileira e Chile, o torcedor foi maltratado das mais diversas maneiras. Na reinauguração faltou até água no estádio. No jogo da Seleção foi vendida comida azeda para os torcedores. O capitalismo selvagem, que não poupa nada nem ninguém da sua voracidade, conseguiu chegar, agora, na privatização da paixão. Brandindo argumentos ocos como "modernidade", "novos tempos", e outras vacuidades do gênero, que tanto impressionam aos incautos, descaracterizou o esporte das multidões. Onde antes se erguiam estádios capazes de comportar até 150 mil pessoas, dispondo de várias localidades a preço baixo ou razoável, num espetáculo transbordante de emoção, agora foram construídas arenas para menos de 80 mil assistentes, em lugares marcados e caros, matando a alegria e a espontaneidade do ato de torcer. Como sempre acontece quando a iniciativa privada se envolve com alguma coisa, o povo é deixado do lado de fora da festa.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fim da ópera bufa

A Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros aceitaram, hoje, a colocação de barras anti-esmagamento no setor destinado à torcida Geral do Grêmio, na Arena. Por força do vedetismo das duas corporações, alimentado pela tentativa de "mostrar serviço" à sociedade após a tragédia de Santa Maria, o setor permaneceu interditado desde o dia 31 de janeiro, deixando 8.500 lugares do estádio desocupados, retirando do Grêmio o apoio precioso de torcedores e diminuindo a arrecadação da bilheteria. O incidente ocorrido no jogo contra a LDU, em que alguns gradis não resistiram à "avalanche", deixando torcedores feridos, foi maximizado pela imprensa e pelas autoridades, fazendo com que se cogitasse de colocar cadeiras também naquela localidade do estádio. Caso isso se confirmasse, seria uma péssima decisão, por vários aspectos. A colocação de cadeiras na Geral do Grêmio diminuiria a capacidade total do estádio. Afora isso, retiraria da Arena seu único setor com preços mais populares, colaborando para a elitização do estádio. As barras anti-esmagamento, infelizmente, impedirão o belo espetáculo da "avalanche", mas, pelo menos, os torcedores que gostam de assistir aos jogos em pé e pulando poderão fazê-lo. Ganham os jogos em emoção e o estádio se torna mais democrático. Pena que, por força da procrastinação da decisão sobre o assunto, a localidade só deva estar liberada em junho, pois a obra demanda tempo. Ainda bem que, dentro das circunstâncias, tomou-se a melhor decisão, e essa insuportável ópera bufa chegou ao fim.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vaia

A Seleção Brasileira foi vaiada e a torcida saudou o Chile com gritos de "olé", hoje à noite no Mineirão. Não era para menos. A Seleção não passou de um empate em 2 x 2 com o Chile, e Felipão, na sua volta ao cargo de técnico da equipe, até agora, só ganhou da fraquíssima Bolívia. O Chile saiu ganhando, a Seleção virou o jogo, com o segundo gol saindo de uma belíssima jogada tramada entre Ronaldinho, Jádson, Alexandre Pato e Neymar, que concluiu para as redes, mas Vargas fez um golaço decretando o empate que tornou o resultado mais justo. Ainda que se saiba que a Seleção não contava com os jogadores que atuam no exterior, e que o Chile tenha deixado uma boa impressão, a equipe brasileira tinha a obrigação de vencer, pois jogava em casa, para um público de mais de 53 mil pessoas, e conta com maiores valores individuais. Pelo que se viu no jogo, Réver, que inclusive marcou um gol, está merecendo uma convocação para a Seleção "quente", mas Ronaldinho é uma insistência de Felipão que não faz o menor sentido. Alexandre Pato destacou-se mais do que Leandro Damião. Neymar continua sem mostrar todo o seu potencial quando joga pela Seleção. A lateral-direita está carente de valores, mas é preferível escalar Marcos Rocha do que improvisar Jean. A Seleção continua deixando o torcedor muito preocupado. Seja a Seleção completa, ou apenas com jogadores que atuam no Brasil, as vitórias não estão acontecendo, e a Copa do Mundo de 2014 está se aproximando. As vaias, que já se fizeram ouvir quando terminou o primeiro tempo, e os cruéis gritos de "olé" em favor do Chile, demonstram que a paciência do torcedor com uma Seleção que não se afirma, está acabando.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Goleada impiedosa

O fato de Real Madrid e Barcelona terem a vantagem de fazerem os jogos de volta pelas semifinais da Champions League em casa, levou muitas pessoas a projetar uma decisão da competição entre os dois clubes. O raciocínio apressado não levou em conta, no caso do Barcelona, a qualidade do seu adversário, o Bayern de Munique, atual vice-campeão da Champions League. Afora, isso, o time espanhol já vinha dando sinais de queda no seu rendimento, tanto é assim que, na temporada 2011-2012 não conseguiu se classificar para a decisão do título mais cobiçado do futebol europeu, e o técnico Josep Guardiola, multicampeão pelo clube, deixou o cargo. Para o observador mais atento, o favoritismo no confronto deveria ser dado ao clube alemão. O que ninguém poderia imaginar, contudo, era que o Bayern goleasse o Barcelona impiedosamente, no primeiro jogo, por 4 x 0, como ocorreu, hoje, no Alianz Arena, o que faz com que a segunda partida se torne, praticamente, uma mera formalidade. Sim, é verdade que Messi entrou sem condições em campo, o que o transformou num jogador irreconhecível, mas com os valores que possui foi espantoso ver o Barcelona ser totalmente envolvido e não esboçar reação. O time espanhol não criou nenhuma chance de gol e poderia ter perdido o jogo por um placar muito mais elástico. Como já foi referido, o Barcelona já vinha dando sinais de desgaste desde o ano passado. Após ficar sem seu grande comandante de uma fase repleta de títulos, Guardiola, viu seu substituto, Tito Vilanova, ter de se afastar temporariamente para tratar-se de um câncer. A lesão de Messi, que vivia uma fase espetacular, talvez tenha sido a gota d'água para que o time entrasse num período de declínio. Seja como for, a história do futebol nos mostra que os supertimes não conseguem se manter nessa condição por muto tempo. Em geral, entre ascensão, apogeu e queda não transcorrem mais do que três anos. Uma série de fatores colabora para que haja um desgaste na estrutura vitoriosa, impedindo que a hegemonia se prolongue por muto tempo. Claro que o Barcelona ainda é um grande time, e não vai se tornar um coadjuvante nas competições de uma hora para a outra. Seu auge, no entanto, ao que tudo indica, já passou. Como todo o projeto exitoso, terá de se reciclar. No futebol, como na vida, conforme expressa o ditado, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Futebol abaixo da crítica

O Grêmio empatou em 0 x 0 com o São Luiz, e venceu por 5 x 3 nos tiros livres da marca do pênalti, classificando-se para as semifinais da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. No sábado, o Grêmio jogará contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, e quem vencer, irá decidir o segundo turno com o ganhador de Inter e Veranópolis, que se enfrentarão, no domingo, no Francisco Stédile, na mesma cidade. Mesmo que tenha se classificado, o Grêmio jogou um péssimo futebol. Não há como aceitar que, jogando em casa, contra um adversário tão modesto, o Grêmio não consiga ganhar no tempo normal. O resultado só não foi pior porque o árbitro deixou de marcar um pênalti claro para o São Luiz, ainda no primeiro tempo. Para tornar o quadro ainda mais constrangedor, o São Luiz teve um jogador expulso, ficou cerca de 30 minutos com um homem a menos, e nem assim o Grêmio conseguiu marcar um gol. Pela enésima vez, o Grêmio foi um fracasso coletivo e também nas atuações individuais. Nem mesmo os desfalques servem como desculpa, até porque as estrelas que entraram em campo estiveram entre os jogadores de pior atuação, casos de Kléber e Barcos, por exemplo, atacantes que não chutam a gol. O Grêmio tem se mantido vivo nas competições que disputa, mas com um futebol abaixo da crítica. O torcedor, novamente, fez a sua parte. Mais de 16 mil pessoas foram ao jogo, numa segunda-feira à noite, mas o time continua a não retribuir esse carinho. A impressão que se tem é de que o Grêmio apenas se arrasta, rumando para eliminações que, cada vez mais, parecem inevitáveis.

domingo, 21 de abril de 2013

Ilusão fugaz

O Inter ganhou do Lajeadense, por 2 x 1, de virada, no Francisco Stédile, em Caxias do Sul, pelo Campeonato Gaúcho. O Lajeadense, um time bem montado, que só havia perdido um jogo em toda a competição, saiu ganhando por 1 x 0, resultado que se manteve até o final do primeiro tempo. Porém, logo aos 2 minutos do segundo tempo, sofreu o gol de empate e, poucos minutos depois, veio a virada. O que parecia uma confirmação da boa campanha, com a façanha de eliminar o Inter da Taça Farroupilha, o segundo turno do Gauchão, tornou-se, apenas, uma ilusão fugaz. O Inter, favorito natural, classificou-se para as semifinais do segundo turno, e, se vencê-lo, será tricampeão gaúcho automaticamente, sem a necessidade de uma decisão. O Inter está, portanto, a apenas dois jogos de conquistar o título de uma competição que segue enfadonha e sem surpresas.

sábado, 20 de abril de 2013

Ele é o cara

Como classificar um cantor e compositor que, aos 72 anos de idade e 52 de carreira, lança um disco, depois de cinco anos sem gravar, e vende mais de 1,2 milhão de cópias em plena crise da indústria fonográfica? O que dizer de alguém que ostenta a condição de segundo maior vendedor de discos da história da música brasileira, com 120 milhões de cópias? Me refiro, é claro, a Roberto Carlos, que, hoje, à noite, realizou um show para 50 mil pessoas na Arena do Grêmio. Durante duas horas, Roberto Carlos cantou e encantou a plateia. Com muitos sucessos em sua longa carreira, o repertório dos shows do "Rei" é sempre um desfile de músicas conhecidas, que levam o público a cantarolá-las. Roberto Carlos aniversariou ontem e, por isso, foi cantado o "Parabéns a você" e um bolo foi levado ao palco. Ele soprou as velinhas e ofereceu fatias do bolo para familiares, membros de sua equipe e algumas pessoas da plateia. A cada show de Roberto Carlos, a emoção se renova, mesmo diante de tantas músicas que atravessam o tempo. O título de seu mais recente sucesso é "Esse cara sou eu.". Sim, como se viu, mais uma vez, Roberto Carlos é o "cara". Numa idade em que a maioria das pessoas só vislumbra a aposentadoria, Roberto Carlos está em plena atividade profissional. Vindo, praticamente, todos os anos a Porto Alegre, é recebido, a cada show, como se fosse a primeira vez. Seu público é fiel e não se cansa de prestigiá-lo. Por certo, já está ansioso por sua próxima apresentação na cidade. Vida longa ao "Rei"!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O fim da privacidade

Todos nós, em algum momento, sentimos necessidade de nos evadirmos, de escapar ao burburinho próprio da existência para alguns instantes de recolhimento. Atualmente, contudo, isso parece cada vez mais difícil. A disseminação da tecnologia faz com que câmeras de vigilância estejam presentes em quase todos os locais. Em, praticamente, todos os lugares onde vamos, nos deparamos com um cartaz que expressa: "Sorria, você está sendo filmado". Conforme mostrado pelo programa "Globo Repórter", até mesmo zonas rurais com estradas de chão batido já contam com o auxílio das câmeras para fins de segurança. A violência dos dias atuais está por trás, é claro, de tamanha preocupação em vigiar os movimentos de todos, de maneira a prevenir ou punir eventuais transgressões, mas isso representa mais um fator de opressão na sociedade moderna, jã tão sufocada. O critério estabelecido para justificar tamanho aparato parece ser o de que todo mundo é suspeito até que se prove o contrário. O recurso de buscar dispersar-se em meio a multidão já não é mais possível. Os locais de grande aglomeração de público também são intensamente vigiados. Em estádios de futebol lotados por milhares de torcedores, por exemplo, as câmeras já tornam possível localizar qualquer pessoa. O mesmo se dá em parques, estradas, manifestações públicas, shows. Ao sairmos de casa, são raros os locais em que não estamos ao alcance de uma câmera. Se por um lado isso pode parecer positivo em nome do combate a violência e ao crime, em termos civilizatórios é algo assustador. Escravizados pelo medo e pela insegurança, renunciamos à privacidade, e eliminamos a sensação, tão desejável, por vezes, do anonimato. Estamos submetidos a uma superexposição que nos rouba o direito de ficarmos a sós com nossos próprios pensamentos, sem sermos observados. Ainda que em nome de uma maior segurança, pessoal e coletiva, é um preço demasiado alto a se pagar.