domingo, 17 de março de 2013

Resultado previsível

O Inter venceu o Canoas por 3 x 1, hoje á tarde, no Complexo Esportivo da Ulbra, pelo Campeonato Gaúcho. Embora o Canoas tenha chegado a empatar o jogo, o domínio do Inter foi amplo, e o resultado absolutamente previsível. O Canoas faz péssima campanha, sendo candidato ao rebaixamento. O Gauchão é um fracasso técnico e de público como há muito tempo não se via. Os times, em sua quase totalidade, são fraquíssimos. Grêmio e Inter, com seus grupos de jogadores recheados de estrelas, não encontram dificuldades para obter vitórias, desde que joguem completos. O Grêmio ganhou do Lajeadense, um dos poucos times do interior com uma boa qualidade, ao natural, sem fazer maior esforço. O Inter, diante de um adversário muito mais fraco, não poderia mesmo enfrentar maior resistência. A única dúvida que ainda persiste é se o Inter ganhará também o segundo turno da competição, o que o faria campeão de forma automática, ou se terá de enfrentar o Grêmio numa decisão. Muito pouco para despertar interesse por um campeonato que tem 16 participantes.

sábado, 16 de março de 2013

Vitória tranquila

O Grêmio venceu o Lajeadense por 2 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Não se podia esperar outro resultado com o Grêmio, em casa, jogando completo. O Lajeadense ainda estava invicto no Gauchão, e jogou relativamente bem, mas não teve poder ofensivo. Dida não foi obrigado a fazer nenhuma defesa mais difícil. A vitória do Grêmio foi tranquila, mas sem uma grande exibição. O maior destaque individual foi Zé Roberto, autor dos dois gols, o segundo, por sinal, belíssimo. O destaque negativo foi Cris, de muito má atuação, evidenciando que o Grêmio precisa, urgentemente, contratar um novo zagueiro titular. A presença de público também deve ser destacada. Mais de 16 mil pessoas estiveram compareceram ao jogo, um número muito bom em se tratando do campeonato estadual, tanto que já é o maior da competição. A vitória era uma obrigação, e foi alcançada. Agora, o Grêmio jogará, na quarta-feira, contra o Pelotas, fora de casa. Espera-se que haja coerência com o discurso de que o clube buscará a conquista do título do segundo turno, e, assim, seja escalado, novamente, o time titular. Não há razão para poupar jogadores, e o Pelotas, tradicionalmente, é um adversário difícil para o Grêmio. Está na hora de o bom time montado pelo Grêmio ganhar sequência de jogos, e buscar a conquista de todos os títulos possíveis, pois qualidade para tanto não lhe falta.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Obscurantismo

As diversas religiões acompanham a humanidade ao longo da história. O temor ao desconhecido, a insegurança ante os desastres naturais, a falta de explicação para determinados acontecimentos e a fragilidade psicológica própria dos seres humanos, entre outros fatores, favoreceram a busca de amparo no sobrenatural. O que não podia ser entendido ou explicado era logo atribuído a forças superiores. Assim, tivemos o surgimento das religiões politeístas, com seus vários deuses, e, mais tarde, chegamos ao monoteísmo, com sua crença num deus único e onipotente, variando, apenas, na denominação. Em nome deste deus supremo, uma série de regras e dogmas são impostas aos fiéis, que devem segui-los, sob pena de incidirem no pecado. Cada um acredita no que quer, e, afora os países que adotam uma teocracia, ou seja, uma religião oficial de Estado, todos os demais asseguram, em suas leis, a liberdade de culto. Não há, portanto, nada de errado em alguém escolher uma religião e se submeter aos seus ditames. O problema ocorre quando uma ou mais correntes religiosas resolvem extrapolar os limites de sua atuação e estender seus preceitos para o restante da sociedade. Com exceção das já referidas teocracias, os governos são laicos. Portanto, as leis de qualquer país não tem de obedecer a imposições de caráter religioso. Os segmentos mais esclarecidos constituem o verdadeiro elemento propulsor da sociedade, garantindo seu inexorável avanço, e não podem ser submetidos ao obscurantismo característico dos crentes de qualquer confissão religiosa. No Brasil, particularmente, a crescente influência política das igrejas evangélicas constitui um caminho para o retrocesso. A recente eleição do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), pastor da Assembleia de Deus, para presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados é o exemplo mais flagrante nesse sentido. Homófobo e racista, Feliciano está na contramão dos avanços obtidos pela sociedade brasileira no campo dos costumes. Tenta, pela via política, fazer com que as leis do país adotem "verdades" que estão longe de ser universais, representam, apenas, um conjunto de ideias afinadas com o pensamento da religião que abraçou. Da mesma forma, é inconcebível que, nos dias de hoje, integrantes da Igreja se batam de frente com os governos, protestando contra a distribuição de preservativos, ou a aprovação do casamento gay. A influência de qualquer religião deve se limitar aos muros de seus templos e aos seus adeptos. Um Estado democrático é, também, laico e pluralista. Nele, não há lugar para verdades universais imutáveis a que todos devam se curvar. As sociedades democráticas são, necessariamente, dinâmicas, não podem ceder ao imobilismo e ao moralismo tacanho que caracteriza as diversas religiões. O esforço dos setores mais atrasados da sociedade em impor suas vontades ao conjunto da população é flagrante, não pode ser mais ignorado. Está na hora de reagir contra os felicianos da vida.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A banalização da crueldade

Vivemos um tempo de paradoxos. Por um lado, os incríveis avanços tecnológicos que nos fazem dispor de recursos impensáveis até pouco tempo atrás, e as conquistas da medicina, que aumentam significativamente a expectativa média de vida. Por outro, uma sociedade em que a violência se disseminou, e onde a crueldade e a indiferença para com o sofrimento alheio atingem níveis alarmantes. O que dizer de um assassinato como o de Eliza Samúdio, pelo qual o goleiro Bruno foi, recentemente condenado? Matar alguém já é algo inaceitável. Como encarar, então, um assassinato em que a vítima tem o seu corpo esquartejado e jogado para os cachorros? Agora, há poucos dias, em São Paulo, um motorista embriagado atropelou um ciclista e arrancou-lhe um dos braços. Afora não ter prestado socorro á vítima, o atropelador ainda jogou o braço decepado num córrego! Como explicar tamanha brutalidade? A violência sempre acompanhou a humanidade, e atitudes bárbaras não são exclusividade dos tempos atuais. Porém, dado o grau de civilização e avanço cultural atingido pelo ser humano, crimes com tais requintes de crueldade são não apenas chocantes, mas incompreensíveis. Tratar fatos assim como casos isolados, justificando que seus autores são psicopatas, seria tapar o sol com a peneira. Na verdade, os autores de tais atrocidades sabiam muito bem o que estavam fazendo, e mostraram total indiferença para com suas vítimas. Avançamos cientificamente, mas involuímos no convívio social. Mergulhamos num individualismo que gera a desconsideração pelo outro, e que só leva em conta a satisfação dos desejos e apetites de cada um. Esquecemos o que quer dizer fraternidade. Ignoramos  o que seja civilidade. Tornamos a violência um fato comum de todos os dias. Chegamos à banalização da crueldade, convivendo com o horror como se ele constituísse uma regra, e não uma exceção, como deveria. Ao se chegar nesse estágio, não serão leis mais severas e punitivas que mudarão este quadro, pois isto seria atacar a consequência, ignorando a causa. Não estamos numa crise de autoridade, mas de valores. Enquanto estivermos mergulhados no individualismo e no consumismo, não haverá saída para tal situação.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Surpresa

A escolha do novo papa foi, verdadeiramente, surpreendente. O escolhido foi o cardeal Jorge Mario Bergoglio, argentino, arcebispo de Buenos Aires. Um papa latino-americano, terceiro-mundista. Se quando Karol Wojtyla, o João Paulo II, foi escolhido papa, já houve a alteração de uma tendência, pois ele era polonês e quebrava uma tradição de 400 anos apenas com pontífices italianos, a surpresa desta vez foi muito maior. Afinal, João Paulo II era europeu, assim como seu sucessor, Joseph Ratzinger, o Bento XVI, nascido na Alemanha. Um papa da América Latina é um fato impactante na história da Igreja e, espera-se, seja o marco de uma nova era. Alguns analistas já especulavam a possibilidade de um papa desta região, tendo em vista que é nela que está, hoje, a grande maioria dos católicos, mas, diante do fato concreto, há um certo espanto. Jorge Mario Bergoglio adotou o nome de Francisco, sendo o primeiro a fazê-lo em toda a história dos papas. Bergoglio é um conservador em matéria doutrinária, o que é um tanto frustrante para muitas pessoas, mas é o primeiro jesuíta a ser papa, o que sinaliza para uma Igreja mais despojada, voltada preferencialmente para os pobres, abandonando o luxo dos palácios e optando pela evangelização nas ruas. A escolha de um papa fora da Europa é, sobretudo, uma consequência do encolhimento da Igreja naquele continente. No início do século XX, 75% dos católicos estavam na Europa. Hoje, apenas, 23 %. A maioria dos fiéis católicos se concentra na América Latina, o que faz com que a escolha de um papa da região seja, de certa forma, uma busca de fortalecimento da Igreja, que vive uma crise de perda de adeptos em todo o mundo. Seja como for, a escolha de Bergoglio, o agora papa Francisco, representa uma novidade, e, sendo assim, deve ser saudada, dada a crônica dificuldade da Igreja em mudar em qualquer aspecto.

terça-feira, 12 de março de 2013

Resultado desastroso

O Grêmio do técnico Vanderlei Luxemburgo, que está há 13 meses no cargo, repete, neste período, uma frustrante trajetória. Sempre que parece que o time vai deslanchar, vem um resultado negativo que ameaça as perspectivas futuras ou põe tudo a perder. Com o comando de Luxemburgo, o Grêmio teve algumas grandes vitórias, mas fracassou em todos os momentos decisivos. A derrota de hoje, fora de casa, para o Caracas, por 2 x 1, de virada, pela Libertadores, se enquadra no mesmo contexto. Caso vencesse, o Grêmio seria líder isolado, dois pontos a frente do segundo colocado, eliminaria o Caracas, e, com uma vitória sobre o Fluminense no próximo jogo, chegaria na última rodada como campeão do grupo por antecipação. Com a derrota, o Grêmio ficou empatado em pontos com o Caracas, levando vantagem, apenas, no saldo de gols. O pior de tudo é que, como Caracas e Huachipato jogarão uma semana antes, qualquer que seja o resultado da partida, o Grêmio entrará em campo contra o Fluminense em terceiro lugar, e obrigado a vencer de qualquer maneira. Portanto, se com uma vitória sobre o Caracas tudo ficaria risonho para o Grêmio, a derrota deixou a sua classificação para a próxima fase da Libertadores seriamente ameaçada. O pior de tudo são as justificativas ouvidas no vestiário do Grêmio após o jogo. O zagueiro Cris, de péssima atuação, por sinal, disse que o time "entrou relaxado" e que, depois de fazer 1 x 0, achou que ganharia o jogo ao natural. O gerente de futebol remunerado, Rui Costa, alegou que o time ainda está em formação, e que o ano ainda está no início. Houve até argumentos de que faltou experiência. Ora, num time que tem Dida, de 39 anos, Zé Roberto, 38, Cris, 35, e Elano, 31, só o que não pode faltar é experiência. Tanto mais porque, afora a idade em si, já disputaram jogos decisivos por competições como a própria Libertadores, a Champions League, e, até, a Copa do Mundo. A verdade, nua e crua, é que o Grêmio, sob o comando de Luxemburgo, não alcança uma estabilidade. Na Libertadores, que o clube afirmava ser sua prioridade absoluta, e em nome da qual praticamente abriu mão do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, a classificação para as oitavas de final começa a ficar complicada. O próximo jogo do Grêmio pela Libertadores será daqui a 28 dias. Caso tivesse ganho hoje, este período seria vivido em total tranquilidade. Agora, será quase um mês de questionamentos e aflições. Luxemburgo já teve tempo suficiente para consolidar um time, e ainda não conseguiu. Seu trabalho já merece ser submetido a uma reavaliação. O futebol vive de resultados, e nenhum técnico está acima do bem e do mal, nem mesmo o multicampeão Luxemburgo.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Wilson Fittipaldi

Rejeitado por alguns que o consideram um esporte elitista, o automobilismo tem ampla aceitação entre os brasileiros. Categorias nacionais como Stock Car e Fórmula Truck levam grandes públicos aos autódromos, e assistir às corridas de Fórmula 1 pela televisão, aos domingos, é um hábito arraigado no país há 40 anos. A saga brasileira no automobilismo, com oito títulos mundiais de Fórmula 1, é motivo de orgulho, pois há países de primeiro mundo que nem se aproximam de uma trajetória como esta. Paixão antiga no país, as corridas já eram realizadas nas primeiras décadas do século passado, em ruas, estradas, e pistas improvisadas. Em seu período "romântico", o automobilismo brasileiro teve em Chico Lândi o seu grande destaque. No Rio Grande do Sul, nomes como Catarino Andreatta e Breno Fornari marcaram época. O esporte foi evoluindo e assumindo, com o transcorrer do tempo, uma feição mais profissional. Um dos fatores decisivos para esta nova condição foi a fundação, em 1950, da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Pois, na madrugada de hoje, faleceu Wilson Fittipaldi, o último dos fundadores da CBA que ainda estava vivo. Apaixonado por automobilismo, viu seus dois filhos, Wilson Fittipaldi Júnior, o Wilsinho, e Émerson Fittipaldi, tornarem-se pilotos. Teve o privilégio de, pela Rádio Jovem Pan, de São Paulo, em 1972, narrar o Grande Prêmio da Itália, que deu a seu filho Émerson, e para o Brasil, o primeiro título mundial de Fórmula 1. Três anos depois, Émerson, que ganhara, também, o título da categoria em 1974, fundou, junto com seu irmão, Wilsinho, a primeira equipe brasileira de Fórmula 1, a Copersucar Fittipaldi. Mais tarde, brilhou, também, na Fórmula Indy, da qual foi campeão em 1989, e ganhou, por duas vezes, as míticas 500 milhas de Indianápolis. Nélson Piquet, piloto brasileiro três vezes campeão mundial, costuma dizer que tudo o que aconteceu com o Brasil na Fórmula 1 começou com Émerson, que ele foi quem abriu caminho para o que veio depois. Émerson, por sua vez, diz que o responsável por sua entrada no automobilismo foi o seu pai. A morte de Wilson Fittipaldi tira de cena uma figura de presença indelével no crescimento do automobilismo no Brasil, merecedora do respeito de todos os admiradores deste esporte no país.

domingo, 10 de março de 2013

Favoritismo confirmado

O Inter era o favorito para a decisão da Taça Piratini, o primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Não poderia ser de outra forma. Afinal, seu adversário, o São Luiz, mesmo jogando em casa, tem um time muito inferior ao do Inter, sem contar a imensa distância de grandeza entre os dois clubes. As fortes chuvas que caíram em Ijuí desde sexta-feira, e que tornaram o campo bastante pesado, alimentaram a ideia de que o jogo poderia ficar mais equilibrado, o que não se confirmou. A goleada de 5 x 0, contudo, surpreendeu. O São Luiz começou pressionando, mantendo o Inter em seu campo. Este quadro perdurou, no entanto, apenas, nos primeiros 15 minutos, e sem que o São Luiz levasse perigo ao gol do Inter. A partir daí, o Inter teve a maior posse de bola e controlou o jogo até o fim. Depois de sofrer o primeiro gol, o São Luiz desanimou e foi presa fácil para o Inter, que goleou, sem fazer força. O Inter já está classificado para a decisão do Gauchão, o que não quer dizer muita coisa. Em 2012, o Inter perdeu o primeiro turno, mas ganhou o segundo e acabou campeão. Como a Libertadores terá um intervalo de quase um mês sem jogos, o Grêmio poderá escalar os seus titulares na maioria das partidas do segundo turno, o que lhe torna favorito para conquistá-lo. Se isto vier a se confirmar, e tivermos uma decisão com Grêmio e Inter se enfrentando em dois jogos com times completos, será uma disputa bastante equilibrada, com uma leve vantagem para o Grêmio, que possui melhores opções no banco de reservas. Resta esperar para ver.

sábado, 9 de março de 2013

Insistência

A revista "Veja" segue, convictamente, defendendo o receituário neoliberal. Em sua última edição, depois de uma semana que foi marcada pela comoção dos venezuelanos com a morte do presidente Hugo Chávez, a revista traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com o economista Rodrigo Constantino, autor do livro "Privatize Já". Na entrevista, Constantino repete as mesmas afirmações de sempre da cartilha liberal, que não convencem ninguém que tenha seus neurônios em bom estado de funcionamento. Para Constantino, como não poderia deixar de ser, tudo o que acontece de ruim é culpa do governo. Em relação às empresas de telefonia celular, que acumulam queixas dos consumidores brasileiros, sustenta que os impostos arrecadados pelo governo encarecem as tarifas e reduzem os investimentos, e que o sinal das chamadas é ruim porque faltam antenas, o que seria causado pela demora da concessão de licenças de instalação. Constantino defende a privatização da Petrobrás. Entende que, desta forma, a empresa seria mais eficiente e rentável, acabariam as ingerências como o controle de preço da gasolina, e o Brasil seria de fato autossuficiente na produção de combustíveis. Perguntado sobre se não haveria o risco de substituir um monopólio estatal por um privado, no caso da Petrobrás, Constantino não titubeou. Respondeu que entre um monopólio estatal e um privado, prefere este último, pois, alega, sempre há formas de regulação para equilibrar uma eventual falta de concorrência. Constantino critica, também, a social-democracia, e declara que ninguém estará disposto a labutar de sol a sol para deixar 60% ou até 70% de sua renda na mão do governo. "Esfolar os ricos em nome de melhorar a vida dos pobres é uma falácia", afirma. Para Constantino, o governo deve concentrar seus gastos na melhoria da qualidade do ensino e, também, na infraestrutura. Menos mal que tal arenga, como tantas outras publicadas pela revista, cai no vazio. O eleitor brasileiro já deixou claro que seu caminho é outro. Para desconsolo de "Veja" e dos constantinos da vida.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O dia da mulher

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. A data serviu de motivo para que as redes sociais fossem inundadas de postagens carregadas de pieguice, exaltando esposas, filhas, mães, irmãs, primas e o quanto elas são importantes. Porém, a motivação deste dia não tem a ver com o universo afetivo, e sim com a luta das mulheres por mais espaço na sociedade. Historicamente subjugadas por séculos de patriarcado e machismo, as mulheres avançaram enormemente nos últimos 50 anos. O marco desta mudança, sem dúvida, foi o surgimento da pílula anticoncepcional. Ela proporcionou à mulher a possibilidade de autonomia sobre a própria sexualidade, abrindo-lhe a condição de buscar o prazer sem o temor de uma gravidez indesejada. A partir daí, a mulher, gradualmente, saiu do confinamento do lar, que a limitava aos papéis de esposa, mãe e dona-de-casa. As universidades, antes um reduto quase exclusivamente masculino, foram tomadas por um número cada vez maior de mulheres. Hoje, em muitos cursos, elas são ampla maioria nas salas de aula. Antes restritas á condição de primeiras-damas, as mulheres alcançaram o poder em muitos países, na condição de presidentes, como Dilma Rousseff, no Brasil, e Cristina Kirchner, na Argentina. Porém, se os progressos tem sido grandes, muito ainda há por fazer. A presença das mulheres nos parlamentos ainda é muito escassa. A violência de que são vítimas, por parte de maridos e companheiros, continua grande. Sua remuneração, em geral, é inferior à dos homens quando desempenham as mesmas funções. Nos cargos executivos, ainda são poucas em relação aos homens. Como se vê, a mulher já avançou muito, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que alcance sua plena emancipação. O Dia Internacional da Mulher, mais do que um motivo de celebração, deve servir para a devida reflexão sobre a atuação feminina na sociedade.