sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Vexame
Não há como qualificar de outra forma o desempenho da Seleção Brasileira Sub-20 no campeonato sul-americano da categoria, que está sendo realizado na Argentina. Foi um vexame.A exemplo da equipe anfitriã, a Seleção Sub-20 também foi eliminada na primeira fase da disputa. Em quatro jogos, venceu apenas um, por escasso 1 x 0, contra a Venezuela, com um gol de pênalti. A justificativa de que a atual geração é muito inferior a que lhe antecedeu, que tinha Neymar e Oscar, entre outros, não convence. Ainda que, em relação a si própria, a Seleção Sub-20 tivesse um nível consideravelmente inferior, sua qualidade deveria ser suficiente para se impor diante de adversários modestos como Equador e Peru, o que não conseguiu. Uma diferença substancial em comparação com o trabalho anterior, foi que, em 2011, o técnico era Ney Franco, uma das grandes revelações na função nos últimos anos, no futebol brasileiro. A Seleção Sub-20 de agora foi treinada por Émerson Ávila, um nome ainda não afirmado na profissão. Seja como for, a Seleção Sub-20 protagonizou um vexame, que não pode ser ignorado. A grandeza do futebol brasileiro exige que se tomem providências para que isso não se repita no futuro.
Walmor Chagas
O Brasil é um país de grandes atores e atrizes. Não nos faltam notáveis talentos das artes cênicas. Em meio a essa plêiade de grandes nomes, do teatro, cinema e televisão, há os que são ainda maiores, verdadeiros ícones dessa fascinante arte de representar. O Brasil perdeu, hoje, um desses pilares. A morte de Walmor Chagas, aos 82 anos, priva o país de um ator de talento excepcional e marcante presença em cena. Walmor Chagas brilhou em todas as frentes. No cinema, participou de filmes como "São Paulo S.A." e "Xica da Silva". Na televisão, fez várias novelas. Ainda na televisão, teve destaque em minisséries como "Avenida Paulista" e "Os Maias". No teatro, sua grande paíxão, trabalhou em obras clássicas, dos maiores autores do gênero. Foi casado com outro nome do Olimpo teatral brasileiro, a atriz Cacilda Becker. Há vinte anos, mudara-se para um sítio isolado no alto de uma montanha, vivendo em meio ao verde. Os índícios são de que Walmor tenha cometido suicídio. A idade avançada e a saúde, que já se apresentava frágil, talvez estejam por trás de seu gesto. Um fim trágico e sombrio para um ator de talento luminoso.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Uma usina de conflitos
Em apenas 27 dias sob o comando de sua nova diretoria, encabeçada pelo presidente Fábio Koff, o Grêmio tem se mostrado um clube intranquilo, quase convulsionado. O próprio presidente deu início ao processo, quando concedeu uma desastrada e inoportuna entrevista em que declarava que o novo estádio do Grêmio, a Arena, não era do clube. Depois disso, outro dirigente, Remi Acordi, disse que o técnico Vanderlei Luxemburgo recusara três grandes jogadores cujos nomes estavam no "cofre" para serem contratados pela nova administração. Luxemburgo negou o fato e o dirigente foi afastado. Hoje, duas notícias impactaram a torcida. A primeira foi a de que o vice-presidente de futebol. Omar Selaimen, havia pedido demissão. Ora, um ocupante de um cargo de tal relevância que pede demissão menos de um mês após a sua posse, e sem que as competições que o clube tem a disputar sequer tenham se iniciado, é um grave indício de crise. A segunda notícia aumentou ainda mais essa impressão. O zagueiro Vílson, que estava escalado como titular para o primeiro jogo da Pré-Libertadores contra a LDU, em Quito, foi mandado de volta ao Brasil depois de um desentendimento com Luxemburgo. Desde que a atual administração assumiu, praticamente, não há um dia sem que o Grêmio seja sacudido por notícias preocupantes. Até agora, a nova diretoria do Grêmio teve poucos acertos, e muitos erros. Fábio Koff elegeu-se cercado por enorme confiança da torcida, mas não vem correspondendo a tamanha esperança. O clube parece estar vivendo um desgoverno, com o técnico extrapolando suas funções e tornando-se um presidente de fato. Onde deveria haver harmonia e foco para a busca de grandes conquistas, há uma série de desencontros, e uma usina geradora de conflitos.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A ditadura da felicidade
Dois colunistas, ambos do mesmo veículo de comunicação, a revista "Época", debruçaram-se, recentemente, sobre a obrigação de ser feliz que caracteriza os tempos em que vivemos. Com enfoques distintos e complementares sobre o assunto, Eliane Brum e Walcyr Carrasco discorreram sobre o fato de que a felicidade deixou de ser uma conquista, e tornou-se uma imposição. Alguém poderia perguntar o porquê resolvi escrever sobre um tema já abordado tão proximamente por outros. Justamente porque entendo que não é coincidência o fato de Eliane e Walcyr sentirem, quase ao mesmo tempo, a necessidade de abordar o assunto. Trata-se de algo perturbador em nossos dias, com severas consequências para a vida das pessoas. A felicidade é, em princípio, algo muito subjetivo e de definição imprecisa. Pode ser concebida de diferentes formas. Alguns podem entendê-la como sendo serena, outros a imaginam de forma mais intensa. Porém, atualmente, a felicidade é propagandeada como algo esfuziante, trepidante, excitante, com muita "adrenalina". A simplicidade e a singeleza não cabem nessa fórmula, visivelmente atrelada aos propósitos do consumismo. Somos bombardeados, diariamente, pela difusão da ideia de que, para ser feliz, é preciso adquirir roupas caras e aparelhos eletrônicos sofisticados, ter um bom carro, fazer muitas viagens, ter uma vida sexual movimentada. O fato de que os seres humanos não são todos iguais, e que suas expectativas e possibilidades diferem muito de um indivíduo para o outro, é solenemente ignorado pelos arautos da felicidade plena. Assim sendo, ou você corresponde ao perfil da felicidade espetacularizada, ou é visto como um fracassado. Outra consequência desse estado de coisas é que se mostrar triste ou infeliz tornou-se algo "cafona" e que necessita, até mesmo, ser combatido com medicamentos. Ora, a tristeza é tão inerente ao ser humano quanto a alegria. Não constitui, em si, uma patologia. No entanto, na sociedade consumista e infantilizada em que vivemos, somos tomados pela compulsão de buscar uma felicidade irreal, superlativa, carregada de euforia. Obviamente, o resultado dessa busca só pode ser uma enorme frustração, ou até mesmo, a depressão, já que não conseguimos corresponder a tão elevadas exigências. Na verdade, aqueles que tem boa saúde, paz interior, e possuem recursos para uma existência digna, não teriam alcançado a felicidade? Parece razoável entender que sim, mas para nossa sociedade consumista e individualista isto não é suficiente. Estamos submetidos a uma ditadura da felicidade que, paradoxalmente, nos torna mais infelizes. A felicidade é uma conquista, e como tal, pode ser alcançada por diversos caminhos, conforme as inclinações e aspirações de cada um. Não cabe em fórmulas prontas. Ser feliz é um direito, não uma obrigação.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O partido de Marina Silva
Há poucos dias, escrevi sobre a excessiva proliferação de partidos no Brasil, e de que descobrira a existência de mais um, o Partido Ecológico Nacional. Agora, cogita-se de que a ex-candidata a presidente Marina Silva, irá criar o seu próprio partido. Marina teve grande votação na última eleição presidencial, representando uma alternativa à polarização PT-PSDB, mas desentendeu-se com o partido pelo qual concorreu, o PV, e deixou a sigla. Afora ser mais um partido, num país que já os tem em excesso, a nova legenda, caso venha mesmo a ser criada, teria que tipo de proposição? Um partido precisa ter um ideário definido, uma orientação ideológica clara, não pode ser, apenas, um agrupamento de pessoas. O partido de Marina Silva, contudo, parece ser muito mais uma sigla constituída no culto à personalidade da ex-candidata. Marina Silva é uma figura humana e política admirável, mas um partido deve representar um conjunto de ideias e programas, não um séquito de admiradores de uma personalidade carismática. Alguém poderia dizer que Marina Silva criaria um novo partido porque nenhum dos já existentes atende às suas expectativas. Isso pode até ser verdadeiro, mas, caso ela viesse a ganhar uma eleição majoritária para um cargo executivo concorrendo pela nova legenda teria que, obrigatoriamente, realizar alianças com outras siglas, ou não conseguiria governar. Goste-se ou não, a política exige composições. Ninguém governa sozinho. Isso é ruim e bom, ao mesmo tempo. Ruim porque leva, muitas vezes, a coligações espúrias entre partidos sem maior afinidade entre si. Bom porque, com a necessidade de alianças entre partidos, não se corre o risco de uma só legenda empalmar o poder. Marina Silva poderia repensar sua ideia de criar mais um partido. Deveria levar suas bandeiras para um já existente, que se dispusesse a acolhê-las.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Escárnio
O futebol, há muito tempo, tornou-se uma "ilha da fantasia" Transformado num negócio milionário, paga quantias astronômicas para seus profissionais. Técnicos e jogadores embolsam, num único ano, ganhos que um trabalhador comum não consegue durante toda a sua vida profissional. Enquanto, no mundo real, pessoas se esforçam, estudam, se aprimoram, fazem cursos de graduação, especialização e doutorado e, ainda assim, auferem rendimentos modestos, na bolha fantasiosa do futebol um salário de, por exemplo, R$ 50 mil, é considerado baixo. Enquanto a Espanha contorce-se numa crise que faz com que 25% de sua população esteja desempregada, jogadores do Real Madrid e do Barcelona recebem fortunas a cada mês. No Brasil, um país de enorme desigualdade de renda, onde pessoas morrem nas filas dos hospitais, os salários do futebol também já atingiram níveis obscenos. Uma demonstração disso ocorreu com o técnico Mano Menezes, quando de sua recente demissão da Seleção Brasileira. Mano Menezes recebia um salário de R$ 517 mil mensais para treinar a Seleção. Ao ser demitido, recebeu da CBF cerca de R$ 4,3 milhões. Foram R$ 2,8 milhões pela rescisão de contrato,e R$ 1,5 milhão do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Tudo isso por um trabalho pífio, que resultou na mais baixa colocação da Seleção Brasileira no ranking da Fifa, 18º lugar, onde se encontra atualmente. Como explicar para alguém que trabalhe de sol a sol, sacrificando, muitas vezes, sua saúde e sua convivência com a família, e, mesmo assim, recebendo um salário minguado, que o técnico da Seleção, uma equipe que se reúne sazonalmente, ganhe tanto para exercer o seu ofício? Para se ter uma ideia, antes da última Copa do Mundo, em 2010, quando ainda era treinada por Dunga, a Seleção só realizou dois amistosos nos últimos oito meses antes do início da competição. Eis aí o emprego ideal, pois trabalha-se pouco, recebe-se muito e, mesmo que os resultados sejam insatisfatórios, se é recompensado com uma rescisão de contrato milionária. São muitos os interesses que gravitam em torno do futebol, e, por conseguinte, é numeroso o grupo de pessoas que se beneficia desse estado de coisas. Porém, algo precisa ser feito no sentido de moralizar essa atividade. O futebol é o esporte mais popular do mundo, mas nada justifica esses ganhos nababescos em contraste com a dura realidade dos cidadãos comuns. O que se verifica, hoje, no futebol, é um verdadeiro escárnio em relação aos que tem de, pelo esforço nos estudos e pelo trabalho duro, lutar intensamente para alcançar uma vida melhor.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Tendência imutável
A mudança é uma característica inerente ao ser humano. A vida é dinâmica, e o que hoje é de um jeito, amanhã será de outro. Nos tempos atuais, isso é, ainda, mais facilmente constatável, pois as mudanças ocorrem num espaço de tempo cada vez menor. No entanto, no Rio Grande do Sul, existe algo que é imune à ação do tempo, configurando uma tendência absolutamente imutável. Trata-se da preferência da imprensa esportiva pelo Internacional. Invariavelmente, a cada ano, o Inter é visto como em vantagem sobre o Grêmio, seu grupo de jogadores é considerado mais qualificado, suas contratações são tidas como melhores. Nem o fato de que os resultados de campo desmintam tais apreciações é levado em conta. Em 2013, não está sendo diferente. Nem bem o ano começou, e sem que as competições tenham se iniciado, o Inter, mais uma vez, é considerado como estando num estágio superior ao do Grêmio. As alegações são as de sempre, isto é, de que o Inter tem um grupo mais qualificado e que realizou melhores contratações. O fato, concreto, de que o Inter, nos dois últimos anos, teve resultados de campo pífios, é solenemente ignorado. Analisemos, então os dois pilares que sustentam a tese da superioridade do Inter sobre o Grêmio. A primeira é sobre a qualidade do grupo de jogadores, tida como superior. Em 2011 e 2012, o Inter ganhou, apenas, o Campeonato Gaúcho. Nas demais competições, de maior nível, teve um desempenho medíocre. Mesmo os Gauchões que venceu nesse período, foram ganhos sem brilhantismo. Em 2011, contou com a soberba do Grêmio, que, depois de ganhar o primeiro Gre-Nal da decisão, no Beira-Rio, achou que, no segundo jogo, no Olímpico, o título viria com facilidade, e se deixou surpreender. Em 2012, jogando no Beira-Rio contra o modesto Caxias, o Inter levou um "banho de bola" no primeiro tempo, o qual terminou com a vitória parcial do clube caxiense por 1 x 0, obrigando a entrada, no segundo tempo, de D'Alessandro, que estava sem condições clínicas de jogar, para virar a partida e obter o título. A participação do Inter, no ano passado, na Libertadores, foi modestíssima, ficando, na classificação geral, em 16º lugar entre 32 participantes. No Campeonato Brasileiro, competição em que os dois clubes tomaram parte, o Inter foi o 10º colocado entre os 20 disputantes, enquanto o Grêmio foi 3º colocado e lutou pelo vice-campeonato até a última rodada. A segunda alegação é de que o Inter, para 2013, fez melhores contratações do que o Grêmio. As contratações do Inter, feitas aceleradamente nos últimos dias, não incluem nenhum jogador de currículo vistoso. Pelo contrário, alguns tem uma trajetória profissional bem opaca. Nomes como Vítor Júnior, Caio, Bruno Peres e Hélder estão longe de ser entusiasmantes. Enquanto isso, o Grêmio trouxe jogadores como Dida e Cris, com passagens pela Seleção Brasileira principal em Copas do Mundo, William José, campeão sul-americano e mundial pela Seleção Brasileira Sub-20, e Alex Telles, grande revelação do Juventude, de apenas 19 anos. Mesmo assim, a imprensa esportiva do Rio Grande do Sul já vê o Inter saindo na frente do Grêmio. Tudo muda no mundo, o tempo todo. Menos a descarada preferência da imprensa esportiva gaúcha pelo Inter.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Tradicionalismo
Nos últimos dias, em uma rede social, tenho visto a postagem de textos com declarações de personalidades como Arnaldo Jabor e Faustão em que são feitos elogios aos gaúchos por serem diferenciados, autênticos e dotados de um grande amor por sua terra. Essa autenticidade e apego ao seu chão, segundo Jabor, não são vistas em outras unidades da federação. O cineasta e comunicador surpreendeu-se, especialmente, pelo fato dos gaúchos conhecerem o hino do seu Estado e o cantarem com fervor. As postagens com as afirmações simpáticas aos habitantes do Rio Grande do Sul logo ganharam vários compartilhamentos de pessoas orgulhosas de sua terra natal. Por outro lado, na edição de hoje do jornal "Correio do Povo", há uma entrevista com o tradicionalista Lídio César Carvalho Marques. Natural de Cachoeira do Sul, Lídio é patrão do Piquete Grito do Quero-Quero, de Porto Alegre. Na entrevista, Lídio refere-se às tradições do Estado como "sagradas". No entanto, curiosamente, define o tradicionalismo como um "vício" que o acompanha nas 24 horas do dia. Perguntado sobre qual o seu sonho, Lídio respondeu que seria "voltar no tempo", quando os bailes de CTG's reuniam as famílias e eram um local saudável de encontros. Disse, também, que sonha ver o Movimento Tradicionalista receber o mesmo apoio que as escolas de samba. Tenho evitado de tocar no assunto, pois sei tratar-se de um campo minado, já que o tal "tradicionalismo" tem milhares de adeptos que reagem furiosamente a qualquer crítica que se faça ao movimento, mas não vou fugir da raia. A exaltação da "autenticidade" do povo do Rio Grande do Sul, de sua "singularidade", já extrapolou todos os limites do razoável. Em jogos de futebol em Porto Alegre, o Hino Nacional foi ignorado pelo público, que abafou-o cantando o Hino Rio-Grandense, uma atitude incivilizada e absurda. Cada vez mais, o Rio Grande do Sul se fecha em si mesmo, numa campanha de autopromoção delirante e descabida, que em nada contribui para o desenvolvimento do Estado. O "sonho" de Lídio Marques, de ver o tradicionalismo receber o mesmo apoio que as escolas de samba, revela o caráter sectário, preconceituoso e discriminador do movimento. Lídio finge esquecer que, ao contrário dos "tradicionalistas", que desfilam e acampam no centro de Porto Alegre, os adeptos do Carnaval foram "brindados" com a construção de um sambódromo num lugar ermo e distante, certamente para que os mesmos, na sua maioria negros e pobres, não perturbassem o sossego da parcela mais privilegiada da sociedade local. Lídio, como todos os tradicionalistas, despreza outras manifestações culturais. Preocupa-se em "preservar" as tradições. Todo o discurso do movimento é pontilhado de termos como "preservação", "defesa", "respeito", em que os não adeptos são vistos como inimigos, dispostos a corromper suas "sagradas tradições". Sua penetração midiática é impressionante, ocupando espaços, permanentemente, nos meios de comunicação. Porém, o tradicionalismo gaúcho é uma grande mitificação. Afinal, que tanta "tradição" pode ter um Estado cuja povoação se deu muito depois da maioria das demais unidades da federação? Nada tenho contra o fato de que alguém goste de andar "pilchado" ou frequentar fandangos, mas daí a criar um movimento onipresente no dia-a- dia das pessoas, vai uma distância muito grande. A única coisa que tal movimento preserva é o atraso do Rio Grande do Sul. O que, verdadeiramente, fomenta, é um insidioso e estúpido sentimento separatista em relação ao resto do país. Aquele que exalta em demasia suas supostas qualidades é porque nutre um sentimento íntimo de inferioridade em relação aos outros. O culto exagerado às "tradições" nada traz de benéfico para o Rio Grande do Sul, só o mantém em descompasso com a realidade.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Constrangimento
A vida do torcedor do Grêmio não tem sido fácil nos últimos 12 anos. Depois do título da Copa do Brasil de 2001, o Grêmio não obteve mais nenhuma conquista de expressão e só ganhou três campeonatos gaúchos. Nesse período, o clube enfrentou, ainda, o seu segundo rebaixamento para a segunda divisão. Não bastasse isto, volta e meia a diretoria do clube, sejam quais forem os seus integrantes, comete erros patéticos, submetendo o torcedor ao escárnio dos rivais. A anunciada utilização do Olímpico para a realização de dois jogos do Campeonato Gaúcho se insere nesse contexto. O Gre-Nal do dia 2 de dezembro, pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2012, foi anunciado como o derradeiro jogo do estádio. Houve intensa comoção pelo fato, com repercussão, até, no resultado de campo, pois o Grêmio, temeroso de perder o último Gre-Nal da história do Olímpico, jogou com excessivos cuidados defensivos, e empatou em 0 x 0, o que lhe custou a perda do vice-campeonato brasileiro e a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. Agora, sob a alegação de quer preservar o gramado da Arena para o jogo do dia 30 de janeiro, contra a LDU, pela Pré-Libertadores, o Grêmio irá jogar mais duas vezes no Olímpico. O fato é injustificável. Mesmo que o interesse seja preservar a grama da Arena para um jogo decisivo, o clube não poderia expor o seu torcedor dessa maneira. Ele foi feito de bobo e tornou-se alvo das gozações dos adversários. Trata-se de mais uma evidência de que a abertura da Arena foi feita de modo precipitado, mas isto só ocorreu porque o ex-presidente Paulo Odone queria ter a primazia de inaugurar o estádio, o que era mais que compreensível, já que foi o idealizador e construtor do mesmo. O erro esteve na falta de diálogo entre a diretoria que saía e a que foi eleita, que, dada a vaidade extremada e a inimizade entre Odone e Fábio Koff, não permitiu um entendimento entre as partes que evitasse todos estes transtornos. A verdade é que, até agora, a administração de Fábio Koff como presidente é uma rotunda decepção. Nenhum jogador de grande nível foi contratado e o clube tem pagado "micos" por desacertos administrativos. O único sentimento que a nova diretoria do Grêmio tem ensejado ao torcedor é um tremendo constrangimento.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Uma profusão de partidos
Entre os tantos problemas que afetam a atividade política no Brasil está a exagerada proliferação de partidos. Num país em que os eleitores pouco se importam com as siglas, preferindo, equivocadamente, votar "na pessoa", os partidos surgem aos magotes. Hoje, por exemplo, descobri a existência do Partido Ecológico Nacional. Ora, já temos, no país, o Partido Verde. Para que, então, um partido ecológico? Por sinal, ao conhecer alguns dos seus integrantes, no espaço destinado aos partidos, na televisão, nas quintas-feiras, deu para perceber que a nova sigla não prima pela qualidade de seus quadros. O discurso "ecológico" não tinha nenhuma profundidade e se misturava com outros temas como a "segurança da família brasileira". Na verdade, partidos desse tipo não tem futuro. Caracterizam-se pela falta de eleitores, o que resulta numa baixa representação nas casas legislativas. Um partido tem de ter um espectro ideológico claro, de esquerda ou de direita, e, a partir daí, estabelecer seus propósitos. Partidos com uma pauta específica são muito limitados no seu campo de ação. Afora isso, são tantas as demandas sociais que, se para cada uma delas, surgisse uma nova sigla, o número de partidos não pararia de crescer, gerando uma confusão cada vez maior para o eleitorado. O Brasil já tem partidos demais. Muitos poderiam fechar, pois ninguém sentiria falta deles. O que o país precisa é de partidos comprometidos com o interesse público, com um ideário claro e definido. Infelizmente, isso, hoje, não passa de uma utopia.
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