quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Uma profusão de partidos

Entre os tantos problemas que afetam a atividade política no Brasil está a exagerada proliferação de partidos. Num país em que os eleitores pouco se importam com as siglas, preferindo, equivocadamente, votar "na pessoa", os partidos surgem aos magotes. Hoje, por exemplo, descobri a existência do Partido Ecológico Nacional. Ora, já temos, no país, o Partido Verde. Para que, então, um partido ecológico? Por sinal, ao conhecer alguns dos seus  integrantes, no espaço destinado aos partidos, na televisão, nas quintas-feiras, deu para perceber que a nova sigla não prima pela qualidade de seus quadros. O discurso "ecológico" não tinha nenhuma profundidade e se misturava com outros temas como a "segurança da família brasileira". Na verdade, partidos desse tipo não tem futuro. Caracterizam-se pela falta de eleitores, o que resulta numa baixa representação nas casas legislativas. Um partido tem de ter um espectro ideológico claro, de esquerda ou de direita, e, a partir daí, estabelecer seus propósitos. Partidos com uma pauta específica são muito limitados no seu campo de ação. Afora isso, são tantas as demandas sociais que, se para cada uma delas, surgisse uma nova sigla, o número de partidos não pararia de crescer, gerando uma confusão cada vez maior para o eleitorado. O Brasil já tem partidos demais. Muitos poderiam fechar, pois ninguém sentiria falta deles. O que o país precisa é de partidos comprometidos com o interesse público, com um ideário claro e definido. Infelizmente, isso, hoje, não passa de uma utopia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Agressão ao bom senso

O estádio Beira-Rio está, novamente, com suas obras de reforma paralisadas. A razão, desta vez, é uma greve dos operários, que reivindicam melhores salários. O Beira-Rio já teve suas obras paradas durante 10 meses por desacertos entre o Inter e a construtora Andrade Gutierrez, situação que só foi resolvida com a intervenção da presidente Dilma Rousseff que, alegando sua condição de torcedora do clube, dispôs de seu precioso tempo para tratar da questão, pressionando a empreiteira. Por força da lentidão do processo de reforma do estádio, Porto Alegre ficou de fora da Copa das Confederações, que será realizada no meio do ano. O Beira-Rio precisa ser entregue pronto em dezembro e, até o momento, suas obras não se aceleravam, pois o estádio, absurdamente, continuou a sediar jogos. Justamente agora, quando o Inter deixará de jogar no estádio para que a reforma se intensifique, surge a greve dos operários. Porém, este era um transtorno evitável. Bastava que as autoridades deixassem de lado qualquer interesse de outra ordem e optassem pela racionalidade, indicando a Arena do Grêmio como o estádio de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014. A Arena é um estádio novo, construído inteiramente dentro das normas da Fifa, e já foi inaugurada. Não fosse a esdrúxula opção pelo Beira-Rio e Porto Alegre poderia, até mesmo, sediar jogos pela Copa das Confederações. Repito o que já escrevi anteriormente, isto é, não aceito o argumento de que, quando a Fifa designou as cidades que sediariam jogos da Copa, a Arena era apenas um projeto. Um estádio inteiramente novo leva pouco mais de dois anos para ser erguido, e o Brasil foi designado como sede da Copa do Mundo em 2007, ou seja, sete anos antes da data de realização da competição. Uma prova de que essa alegação não é válida é o fato de que o Itaquerão, estádio do Corinthians que sediará os jogos de São Paulo na Copa, não existia nem como projeto quando da escolha do Brasil como sede. O escolhido era o Moruimbi, e a recusa do São Paulo em aceitar as exigências da Fifa para a reforma do estádio resultaram na construção do Itaquerão como saída para o impasse. Ainda há tempo de se corrigir a agressão ao bom senso que foi a escolha do Beira-Rio como um dos estádios da Copa. Basta indicar a Arena do Grêmio em  seu lugar.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A volta do Big Brother

Hoje, começará mais uma edição do "Big Brother Brasil", a 13ª. Por que me ocupo desse assunto? Não é para pedir, como fazem muitos nas redes sociais, para que o programa seja retirado do ar, nem incentivar pessoas para que participem de campanhas desse tipo. Considero que ninguém é obrigado a assistir o que não lhe agrada. Basta trocar de canal, ou desligar o televisor. Por sinal, é o que faço, já que não acompanhei nenhuma das 12 edições do programa até aqui. O que me intriga é o porquê de o "Big Brother" despertar tamanho interesse da audiência. Seu conteúdo é oco, nada dele se extrai. Várias pessoas ficam confinadas numa casa durante três meses, sem nada fazer de relevante ou interessante, num "jogo" bizarro em que o vencedor leva um prêmio de R$ 1,5 milhão. Claro, há a busca da celebrização instantânea, que rendeu ganhos para alguns. Grazielle Massafera, por exemplo, mesmo sem vencer a edição de que participou, tornou-se atriz da Rede Globo e casou-se com um dos seus galãs. O ganhador da edição em que ela participou, Jean Wyllis, homossexual assumido, elegeu-se deputado federal e é um defensor da causa gay no Congresso Nacional. Porém, ainda que ocorram exemplos como os citados, a maioria das "celebridades" reveladas pelo programa logo cai no esquecimento. Não consigo entender o que faz alguém querer espiar o que acontece dentro da tal casa. Toda vez que me dispus a ficar por alguns minutos observando o que acontecia na casa, nada constatei. A única sensação que o "Big Brother Brasil" me desperta é um enorme aborrecimento. Há os que espiam para ver o que "rola" sob os edredons, agindo como um voyeur televisivo, afinal sexo é algo que sempre mobiliza as pessoas. No entanto, mesmo esses momentos picantes não salvam o programa da sua vacuidade. Durante os próximos três meses, a casa do "Big Brother" vai magnetizar a atenção de milhões de pessoas em todo o Brasil. Sem que, racionalmente, se possa entender o porquê.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Rotina

Pela quarta vez, e de forma consecutiva, Messi foi escolhido o melhor jogador do mundo. Assim, torna-se o único jogador a obter esse feito por quatro vezes. Até agora, Messi dividia a honraria de ganhar o prêmio de melhor do mundo por três vezes com Platini, Ronaldo, Zidane, Cruyjff e Van Basten. Tudo indica que Messi ainda vá ganhar esse prêmio por muitos anos. Em 2012, seu desempenho foi excepcional. Fez 91 gols em 69 jogos, superando o alemão Gerd Müller, até então recordista de em único ano, que havia marcado 85 vezes em 1972. Não há quem possa, no momento, superá-lo. Cristiano Ronaldo é muito bom, e até já ganhou o prêmio uma vez, mas Messi é superior. Seu repertório de jogadas é mais amplo do que o de Cristiano Ronaldo. Ambos são grandes artilheiros, mas Messi tem marcado mais gols. Neymar é mais jovem que os dois, mas ainda parece distante de obter um grau de rendimento que lhe permita concorrer com eles à condição de melhor do mundo. O prêmio dado a Messi tornou-se uma rotina, que parece longe de acabar. Nas demais premiações da Bola de Ouro da Fifa, a americana Amy Wambach foi escolhida a melhor jogadora feminina, Vicente Del Bosque, da Seleção da Espanha, o melhor técnico, e a sueca Pia Sundhage, da seleção dos Estados Unidos, a melhor técnica de futebol feminino, concorrendo contra dois homens. A brasileira Marta, que já ganhou o prêmio de melhor jogadora do mundo em cinco oportunidades, mais uma vez, ficou entre as três finalistas, mas a exemplo do ano passado, não venceu. Os prêmios, em geral, pareceram bastante justos, com exceção do gol mais bonito do ano. Entre os três finalistas, justamente  o menos bonito foi o vencedor. O gol escolhido, do eslovaco Stoch, do Fenerbahce (TUR), foi belíssimo, mas plasticamente inferior ao de Falcão Garcia e, principalmente, ao de Neymar, que merecia ter ganho pelo segundo ano consecutivo. O prêmio honorífico da Fifa concedido a Franz Beckenbauer fez justiça a uma das mais brilhantes trajetórias do mundo do futebol, já que ele alcançou êxito como jogador, técnico e dirigente. Enfim, foi uma cerimônia ágil e enxuta que, com exceção do gol mais bonito, fez justas premiações.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O país da impunidade

Nos últimos dias, as redes sociais e a imprensa tem demonstrado a inconformidade de algumas pessoas com  o grau de impunidade que impera no país, em função do fato de que José Genoíno, um dos condenados do julgamento do mensalão, tomou posse como deputado federal, e de que Carlinhos Cachoeira e Duda Mendonça, também envolvidos com malfeitos políticos, festejaram o Revéillon em mansões no litoral da Bahia. A chiadeira é até procedente, pena que seja seletiva. Os que atacam Genoíno e Duda o fazem por que um é parlamentar do PT e o outro foi marqueteiro de campanhas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Os mesmos que gritam, agora, contra a impunidade, são os que desejam colocar uma pedra em definitivo sobre os crimes praticados pelo espúrio golpe militar de 1964. Nem mesmo a observância de que Uruguai e Argentina puniram seus militares golpistas os faz mudar de ideia. Dizem que o país tem de andar para a frente e esquecer o passado, de que a anistia foi para os dois lados, e de que punições aos artífices da ditadura seriam revanchismo. Portanto, a indignação que se observa no, momento, com a impunidade no país, é bastante singular. Pede-se a punição drástica de quem está no espectro político oposto dos reclamantes, mas nada se solicita para os responsáveis pelo mensalão tucano, para quem vendeu patrimônio público em troca de moedas podres, ou, ainda, para quem comprou parlamentares a fim de instituir a reeleição para presidente da República. Em relação a tais fatos e ás atrocidades perpetradas pelos golpistas de 1964, total silêncio. No Brasil, até a indignação contra a impunidade é um jogo de cartas marcadas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Guiñazu encerra seu ciclo

Ontem, o volante Guiñazu, do Inter, anunciou sua saída do clube, onde chegou em 2007. Nesse período, Guiñazu ganhou vários títulos, sendo o mais expressivo deles o da Libertadores de 2010. Seria apenas um fato corriqueiro no futebol, não fosse o volante um jogador tão controvertido. Os torcedores do Inter logo o   alçaram à condição de ídolo, enxergando em Guiñazu um símbolo de raça e combatividade, um jogador que "não perde a viagem", não recusa divididas. Os torcedores adversários o viam como alguém que abusava das jogadas mais fortes. Embora reconheça sua entrega ao jogo, sua capacidade quase inesgotável de combate dentro da partida, não me incluo entre os admiradores de Guiñazu. Considero, inclusive, que os árbitros sempre foram demasiado condescendentes com sua forma de jogar, não lhe aplicando as punições devidas. Numa de suas tiradas ferinas, o cronista Paulo Santana chegou a definir Guiñazu como um jogador que deveria ser expulso pelo árbitro antes mesmo da partida começar. De qualquer forma, Guiñazu já é passado. Deixou muitos torcedores chorosos com sua saída, mas seguirá sua carreira longe do Inter.Um dos tantos ícones de uma fase de vitórias do Inter, Guiñazu, ao sair, pode estar sinalizando não só o fim de um ciclo pessoal, mas do início de um período de transição no clube. As fases vitoriosas não duram indefinidamente. Por vezes, é preciso mudar para voltar a vencer. Com as despedidas, na mesma semana, de Bolívar e Guiñazu, dois veteranos, o Inter se encaminha para uma renovação que de há muito era recomendável, e que tornou-se imperativa.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A bola começa a rolar novamente

O futebol transformou-se num grande negócio e, dessa forma, o show não pode parar. Apenas 18 dias depois do Corinthians tornar-se campeão mundial no Japão, tivemos hoje o início da Taça São Paulo de Futebol Júnior, com incríveis 100 participantes divididos em 25 grupos de quatro clubes cada. Trata-se da mais prestigiosa competição de jovens do futebol brasileiro, e serve de aperitivo para o torcedor até que comecem os campeonatos estaduais, no final do mês. Assim, enquanto os profissionais não retornam aos jogos, os garotos abastecem a grade das emissoras de tevê a cabo e exibem seu futebol para os caçadores de talentos. Mesmo sendo um apreciador do futebol, confesso que gostaria de um intervalo maior até que as competições fossem retomadas. Não há como dar conta de tamanho conjunto de jogos transmitidos pelas tevês aberta e fechada. Uma verdadeira overdose de futebol nos é ofertada, geralmente com a qualidade em desproporção com tanta quantidade. Um cronista de um jornal de Porto Alegre chegou a elogiar o fato de que na Inglaterra o futebol não para no período de festas, com jogos sendo realizados até no dia 1º de janeiro. Conforme o cronista, os jogadores não se queixam, pois estão com seus bolsos forrados, e a Inglaterra aproveita que os demais campeonatos estão paralisados, para tomar conta, sozinha, das transmissões de televisão, numa lição de marketing. Afinal, sustenta o jornalista, o futebol é um negócio. Lamento que essa visão sobre o futebol prepondere, hoje em dia. Preferiria ter um número bem menor de jogos para assistir, mas com maior qualidade. A massificação, em qualquer setor de atividade, não me agrada. Ao negócio, prefiro o espetáculo. O mundo pragmático dos tempos atuais, contudo, rechaça esse tipo de pensamento, tido como "romântico". Uma pena! Ainda não me recuperei do exaustivo acompanhamento dos jogos em 2012 e o futebol já está recomeçando. Tudo o que é demasiado, cansa. O futebol, mesmo sendo um esporte magnetizante, não é exceção.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sem motivos para entusiasmo

O tempo voa, e Grêmio e Inter, após um mês de férias, fizeram, hoje, a abertura de suas atividades em 2013. No entanto, os torcedores de ambos os clubes tem pouco ou nenhum motivo para comemorar. No Grêmio, foram poucas as contratações, sem que qualquer delas empolgue o torcedor. Pelo contrário. Veteranos como Dida, de 39 anos, e Cris, de 35, vem se juntar a um grupo que já possui Zé Roberto, de 38 anos, Fábio Aurélio, de 34, Elano, de 31. Os demais contratados, Alex Telles e William José, embora jovens, são apenas apostas. Souza, titularíssimo e um dos melhores jogadores do time, ainda não teve sua permanência confirmada. Júlio César, lateral esquerdo de inegável qualidade, foi absurdamente dispensado. Na lateral direita, o clube segue tentando a manutenção de Pará, um jogador apenas razoável, sem qualidade suficiente para ser titular. As demais opções da posição, Tony e Edílson, são de preocupar o torcedor. O tão sonhado atacante de velocidade ainda não veio, se é que chegará. O Grêmio tentou durante um mês a contratação do chileno Vargas, do Nápoli, mas esbarrou na sua crônica falta de recursos, e o jogador deverá ir para o São Paulo. Aliás, a falta de dinheiro do Grêmio é algo que está comprometendo a vida do clube. Sabe-se que desde a falência da ISL, o Grêmio enfrenta problemas financeiros muito sérios. Desde então, o clube não ganhou mais títulos de relevância e só venceu três Campeonatos Gaúchos. Durante todo esse período, tentou agregar qualidade trazendo veteranos em fim de carreira, que vinham por preço módico, prática que continua a ser adotada pela nova administração e que, como já se viu, jamais trouxe  bons resultados. No Inter, o panorama é ainda mais desolador. O clube, durante o período de férias dos jogadores, não fez uma única contratação. Nem mesmo para a lateral direita, posição para a qual não há ninguém no grupo, foi trazido algum jogador. O Inter só terá competições mais importantes bem depois do Grêmio, por estar fora da Libertadores, o que, talvez, explique a sua lentidão em contratar. Porém, é uma postura equivocada, pois quando resolver ir ao mercado, os bons jogadores já terão sido adquiridos por outros clubes. Outro fator que pesará contra o Inter é que, pelo menos até setembro e, possivelmente, no restante do ano, terá de realizar seus jogos no Estádio Francisco Stédile, do Caxias, em Caxias do Sul, a 116 quilômetros de Porto Alegre. Jogando num estádio menor, e longe dos frequentadores habituais do Beira-Rio, o Inter, certamente, perderá muito de sua força. Como se vê, o ano não começa promissor para os torcedores de Grêmio e Inter. As frustrações dos dois clubes em 2012, infelizmente, tem tudo para se repetir em 2013.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A vida é buliçosa

Os feriadões de final de ano e as férias de verão fazem com que uma multidão invada as estradas e praias pelo país afora, em busca de lazer e diversão. O verão é, sem dúvida, a mais alegre das estações, conclama ao convívio. O calor próprio da estação estimula as pessoas a saírem da "toca" e buscarem a celebração da vida nos espaços coletivos. Claro, todo esse movimento gera transtornos, como estradas lotadas e, consequentemente, "engarrafadas", preços altos no comércio, e uma série de outras situações estressantes. No Rio Grande do Sul, particularmente, as queixas são ainda maiores, pois seu litoral tem poucas belezas naturais, muito vento, e a água, quase sempre, é escura e fria. Isso faz com que algumas pessoas sustentem a ideia de que o melhor, no verão, seria ficar em Porto Alegre, que, devido ao esvaziamento parcial pela migração para as praias, se tornaria uma cidade muito agradável. Conversa fiada. A capital do Rio Grande do Sul é insuportavelmente quente no verão. O calor de Porto Alegre é abafado e úmido, causando enorme mal-estar. Os defensores da esdrúxula tese dizem que, no verão, os restaurantes da cidade ficam vazios, o trânsito flui com facilidade, os cinemas também tem mais lugares disponíveis. Ora, e daí? Viver numa cidade grande implica entender que ela tem uma considerável população, o que leva a uma expressiva presença de público nos seus diversos espaços. Porto Alegre esvazia no verão por ser uma cidade que combina o já citado calor sufocante com a falta de praias, a ausência de belezas naturais e a  total inexistência de atrativos turísticos. Portanto, é natural que, chegado o verão, milhões de pessoas queiram fugir de tal quadro. Aos que fazem a ode ao silêncio e à tranquilidade da capital transformada, temporariamente, em cidade semi-abandonada, cabe lembrar que a vida é, necessariamente, frenética e buliçosa. Viver é expandir-se, não se recolher. Tanto é assim que o lugar mais calmo que existe é o cemitério, pois, lá, todos estão mortos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Arcaísmo político

A cada novo ano que chega, nossas expectativas se renovam, e imaginamos que a troca de calendário seja capaz, por si só, de nos remeter a novos tempos. Há quem diga que o calendário é apenas uma convenção humana e, que por isso, não há sentido em dar a ele tamanho significado. Porém, seja como for, é algo mais ou menos inevitável associar um novo ano com a ideia de mudanças. Num setor da vida brasileira, contudo, isso não é levado em consideração. Na política do país, o passado insiste em voltar, impedindo uma desejável alteração de usos e costumes. Uma prova disso é o fato de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é o mais cotado para ser o próximo presidente do Senado. Trata-se de algo incompreensível, pois Calheiros ocupava o mesmo cargo em 2007 e renunciou após denúncias de corrupção que quase resultaram na sua cassação. Como pode alguém com esse histórico voltar a exercer o cargo? Convém lembrar que o atual presidente do Senado é José Sarney (PMDB-AP), outra figura nefasta da política brasileira. A política, no Brasil, resiste a qualquer tentativa de moralização. Não há protesto da opinião pública nem cobrança da imprensa que mudem esse quadro. Velhas e execráveis figuras se agarram ao poder e dele não desgrudam, transformando a política num balcão de negócios, visando cargos e vantagens. O Brasil vem evoluindo, e muito, em vários setores. Porém, no campo político, continua no mais absoluto arcaísmo. A provável volta de Renan Calheiros ao cargo de presidente do Senado é uma demonstração disso.