quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A demora nas contratações

Os torcedores de Grêmio e Inter não estão tendo motivos para sorrir nesse período de férias do futebol. Nessa época do ano, sem a realização de competições, os clubes dedicam-se a reforçar seus grupos de jogadores. Os torcedores ficam ávidos por novidades, grandes nomes que possam qualificar seus times. Grêmio e Inter, por motivos diferentes, necessitam de um acréscimo significativo de qualidade. O Grêmio por ter uma Libertadores para disputar, caso passe pela fase preliminar da competição. O Inter, por ter ficado num modestíssimo 10° lugar no Campeonato Brasileiro. No entanto, a movimentação dos dois clubes, até agora, em termos de contratações, é decepcionante. O Grêmio trouxe apenas três jogadores. São eles o veteraníssimo goleiro Dida, da Portuguesa, uma contratação absolutamente equivocada e desnecessária, o lateral-esquerdo Alex Telles, do Juventude, que não passa de uma promessa, e o centroavante William José, do São Paulo, outro jogador em busca de uma afirmação definitiva e cujo futebol, particularmente, não me agrada. Para piorar, sem que se possa entender o porquê, dispensou o melhor lateral-esquerdo de que dispunha no grupo, Júlio César. O zagueiro Naldo, de muito boas atuações nos últimos jogos de 2012, foi para a Udinese , pois o Grêmio não exerceu a cláusula de preferência que detinha para a aquisição do jogador. O clube negocia, há cerca de um mês, a vinda do atacante chileno Vargas, do Nápoli, mas outros interessados apareceram, o que complicou a transação. Os reforços, antes prometidos para o final de ano, só deverão ser anunciados em 2013, o que é muito ruim para quem, no dia 23 de janeiro, já terá um jogo altamente decisivo contra a LDU , em Quito, pela Pré-Libertadores. O Inter, escudado no fato de que, ao contrário do Grêmio, só enfrentará competições de maior exigência a partir do mês de maio, não fez, ainda, nenhuma contratação. Nem mesmo para a lateral direita, posição para a qual não há hoje, no grupo, nenhum jogador, foi feita qualquer contratação. Em se tratando de um clube que fez campanhas muito pálidas em 2012, conquistando, assim mesmo sem nenhum brilho, apenas o Campeonato Gáucho, tal inação torna-se incompreensível. Por enquanto, para os torcedores de Grêmio e Inter, as perspectivas para 2013 não parecem nem um pouco promissoras..

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ineficiência

No último sábado, nesse espaço, manifestei minha posição contrária ao chamado "endurecimento" da Lei Seca, por entender que ele visa muito mais aumentar a arrecadação de multas do que salvar vidas no trânsito. Bastaram poucos dias para que isso se comprovasse. No feriadão de Natal, já com as mudanças da referida lei em vigor, as mortes no trânsito aumentaram em todo o país. Isso confirma o que tenho sustentado, isto é, de que as leis não são capazes de modificar o comportamento humano. Ninguém deixa de agir dessa ou daquela forma por causa da edição de leis mais rigorosas. Comportamentos só se alteram através da educação, e isso leva muito tempo. Como não temos paciência para esperar os frutos de ações de longo prazo, apelamos para o imediatismo de leis mais duras. Sem resultados práticos, como já se viu no feriadão de Natal. A ideia de que multas mais altas diminuiriam os casos de embriaguez ao volante é um equívoco. Seria como acreditar que as pessoas deixariam de fumar caso os cigarros tivessem seu preço sensivelmente aumentado. A queda do consumo de cigarros, verificada nos últimos anos, é efeito das campanhas de conscientização, que conseguiram demonstrar para as pessoas, os inúmeros e graves malefícios causados pelo fumo. Com o trânsito, não há de ser diferente. Enquanto as pessoas não se aperceberem dos riscos a que submetem a si próprias e aos outros quando dirigem sob o efeito de álcool, não haverá lei, por mais drástica que seja, que reduza os alarmantes números de mortes no trânsito. A Lei Seca desperta a simpatia de grande parte da opinião pública, mas seu efeito prático é quase nulo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Presentão

Depois de realizarem, ontem, um show, em local fechado, com entradas ao preço de R$800, cuja renda reverteu para a Sociedade Viva Cazuza, Stevie Wonder e Gilberto Gil estão se apresentando, hoje, no dia de Natal, nas areais da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O show, é claro, não tem cobrança de ingressos. Cerca de 500 mil pessoas, não só do Rio, mas dos mais diversos lugares, deverão assistir a apresentação. Um "presentão" de Natal para todos quantos tenham o privilégio de estar na Cidade Maravilhosa. Estive entre o 1,5 milhão de pessoas que, em fevereiro de 2006, estavam, na mesma praia de Copacabana, assistindo ao show dos Rolling Stones. Lamento não poder estar, hoje, nas areias da célebre praia para assistir o magnífico Stevie Wonder e o brilhante Gilberto Gil. Momentos como esse deveriam ser mais frequentes, não só no Rio, mas em várias outras cidades. Grandes artistas se apresentando, de graça, para enormes públicos. Afinal, nem só de pão vive o homem. Shows assim não devem ser privilégio dos que podem pagar por ingressos caros. Como diz a letra de uma famosa música, "todo artista tem de ir aonde o povo está". O Rio de Janeiro é um lugar único, por suas incomparáveis belezas. Afora isso, é uma cidade voltada para a alegria e a celebração. O show da noite de hoje é mais uma demonstração dessa característica. Um fecho de ouro para o Natal da Cidade Maravilhosa, que deixa uma ponta de inveja em quem não pode estar lá.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mais uma tentativa fracassada

As coisas não andam fáceis, mesmo, para a oposição e a imprensa de direita, no Brasil. Desesperada com a popularidade dos governos petistas, que já comandam o país pelo terceiro mandato consecutivo, a imprensa conservadora brasileira vive tentando encontrar candidatos a presidente capazes de retirar do poder os atuais ocupantes. Nos últimos tempos, dois nomes surgiram como possibilidade, o do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, e o do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Barbosa foi alçado a condição de herói nacional por ter, como relator do processo, imputado severas penas aos réus do mensalão. Campos, por ter rompido alianças com o PT em alguns municípios e obtido vitórias que o teriam qualificado para "voar com as próprias asas", se candidatando a presidente em 2014. A realidade, contudo, teima em desafiar tais conjecturas. Pesquisas de intenção de voto recentemente realizadas mostraram que tanto a presidente Dilma Rousseff como o seu antecessor no cargo, Luís Inácio Lula da Silva, ganhariam  a eleição, caso ela se realizasse hoje. O "herói", Barbosa, por sua vez, tem apenas 9% da preferência do eleitorado. Em relação a Eduardo Campos, o tombo é ainda pior. Em entrevista à revista "Época", Campos revelou que não será candidato a presidente em 2014, e que seguirá na base de sustentação a Dilma, apoiando a sua reeleição. Campos acrescentou que esteve junto com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), outro potencial candidato da oposição, no mesmo palanque, pela última vez, em apoio a Tancredo Neves, e que não irá se juntar a ele nas eleições de 2014. Em pouquíssimo tempo, as duas candidaturas suscitadas pelos antipetistas já fizeram água. Barbosa ainda teria tempo para tentar inflar seus índices nas pesquisas, mas é pouco provável que conseguisse, depois de apresentar números tão modestos justamente quando está tremendamente exposto pela mídia. Campos simplesmente mostrou de que lado está e desestimulou os que pretendiam postular sua candidatura a presidente. A cada dia que passa, para a inconformidade de muitos e satisfação da maioria, confirma-se a constatação de que, mesmo com denúncias e escândalos surgindo a cada dia, e sofrendo uma campanha contrária incessante de veículos de comunicação, os atuais mandatários seguem desfrutando de altíssimos índices de popularidade e com a perspectiva de uma longa permanência no poder. Afinal, numa democracia, quem decide isso é o eleitor, e ele continua deixando clara qual é a sua opção.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Redes sociais

As chamadas "redes sociais" são o fenômeno mundial dos tempos atuais. Milhões de pessoas, no mundo inteiro, estão conectadas a elas. A de maior sucesso, no momento, é o Facebook. Numa sociedade cada vez mais informatizada, fomos tomados por uma "internetmania". O problema é que isso já está trazendo reflexos nocivos à vida das pessoas. Uma pesquisa indica que a ânsia em estar conectado e interagindo nas redes sociais está levando muitas pessoas a perderem preciosas horas de sono e a praticarem menos sexo. A constatação, embora preocupante, não é surpreendente. Os espantosos avanços da tecnologia nos trouxeram possibilidades de comunicação inimagináveis para nossos bisavós. O preço a se pagar por isso, contudo, foi caro, pois, quanto mais nos conectamos, mais solitários ficamos. Estamos tornando os relacionamentos cada vez mais virtuais e menos físicos. As redes sociais nos proporcionam a possibilidade de entrar em contato com parentes e amigos que andavam afastados, o que é ótimo, mas, em geral, a relação não passa do plano cibernético. Até mesmo o gesto de ligar para alguém que está de aniversário, tendo a oportunidade de conversar com ele, vai caindo em desuso, já que é mais cômodo postar uma mensagem de felicitações pelas redes sociais. Estamos, cada vez mais, interligados. Há quem possua até mil amigos cadastrados em uma ou mais redes sociais. No entanto, na vida concreta, fora dos computadores, smartphones e outros recursos semelhantes, estamos, também, mais embotados, solitários em meio à multidão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

O endurecimento da Lei Seca

Andar na contramão de posições que ganham a simpatia de grande parte da opinião pública não é uma atitude das mais atraentes para quem se propõe a escrever textos como os postados nesse espaço. Muito mais cômodo seria remar a favor da maré. Porém, esse nunca foi o meu comportamento. Gostem as pessoas, ou não, exponho o meu pensamento, ainda que o mesmo não reflita o posicionamento aparentemente preponderante sobre o assunto em foco. Assim sendo, discordo dos que saúdam o "endurecimento" da Lei Seca. Por mais que tentem, não me deixo convencer de que a tal lei foi feita para salvar vidas, acabando com a carnificina dos acidentes de trânsito. O que, espertamente, ocorre é a utilização de um tema que causa comoção junto ao público, para fornecer mais uma fonte de arrecadação para os governos. Tanto é verdade, que a multa por dirigir alcoolizado, que já era alta, aumentou substancialmente, indo, em números redondos, de R$ 900 para R$ 1.900. Uma autêntica demonstração do que é a indústria da multa. Em outras oportunidades, já expus minha convicção de que não se muda o comportamento humano editando leis. Mesmo quando do surgimento da Lei Seca, as mortes no trânsito não diminuíram. Os radares e pardais também não fizeram decrescer as tragédias no trânsito. O "endurecimento" não terá, também, nenhum efeito prático nesse sentido. Vai, apenas, engordar os cofres do governo que, nesse caso, como em tantos outros do gênero, age como lobo em pele de cordeiro.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo não acabou

Finalmente, o dia 21 de dezembro de 2012 chegou. Uma interpretação do calendário maia apontou essa data como sendo "o dia do fim do mundo". Não é a primeira vez que isso acontece, nem, por certo, será a última. As Profecias de Nostradamus também já foram usadas para marcar a data do fim dos tempos. Portanto, o que varia é a fonte da previsão, mas a ideia de anunciar uma data precisa para o mundo acabar persiste entre as pessoas. Como se pode perceber, do mesmo modo que nas vezes anteriores, o mundo não acabou hoje. Mesmo diante de tantas previsões fracassadas, sempre há quem acredite na próxima predição sobre o fim do mundo. Excetuados os excessivamente crédulos, ou os absolutamente idiotas, a maioria das pessoas, é claro, não leva o tema a sério. Trata o assunto como mais um motivo para "jogar uma conversa fora". Os meios de comunicação, contudo, não perderam a oportunidade, e, enquanto a data "fatídica" não chegava, tratavam exaustivamente do "fim do mundo". Até um seriado de televisão foi criado tendo o tema como foco. Numa época marcada pela superficialidade e frivolidade, o "fim do mundo" foi mais um dos tantos assuntos ocos com que a sociedade se ocupa, enquanto outros, bem mais relevantes, são deixados de lado. Antes que outra data seja apontada como a da destruição da Terra, outras vacuidades e futilidades ganharão espaço nas rodas de conversa. O ser humano é assim, adora um "papo furado". Entre encarar os temas mais sérios e dispersar-se da realidade debatendo sobre asneiras, prefere a segunda opção.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O futebol contra a pobreza

Pela primeira vez, o "Jogo Contra a Pobreza" foi realizado na América do Sul, mais especificamente no novo estádio do Grêmio, a Arena. Reuniu, como de costume os times "Amigos de Ronaldo" e "Amigos de Zidane". Foi a 10ª edição do jogo, cuja renda beneficia instituições e programas assistenciais de vários países. A partida em si, é claro, não prima pela competitividade. Afinal, trata-se, essencialmente, de uma festa, e os jogadores participantes, em grande parte, já encerraram suas carreiras. Porém, se faltam ritmo e intensidade, sobra qualidade técnica, proporcionada por grandes craques do presente e do passado. No jogo de hoje à noite, a vitória ficou com os amigos de Ronaldo, por 3 x 2. Nomes como Zico, Zidane, Neymar, Lucas, e Falcão, do futebol de salão, realizaram belas jogadas. O estádio recebeu um grande público que mostrou-se satisfeito com o que viu. Um espetáculo de alto nível, com várias estrelas, e com um propósito dos mais meritórios. Recebê-lo, sem dúvida, foi motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul e o Brasil.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O fim do livro impresso

Vivemos numa época de aceleradas inovações tecnológicas. Somos surpreendidos, constantemente, pelo aparecimento de aparelhos cada vez mais sofisticados e com uma gama enorme de recursos. Tão veloz é esse processo que aquilo que é moderno hoje, poderá ser totalmente obsoleto meses depois. Mesmo para quem disponha de recursos financeiros, é difícil se manter atualizado tecnologicamente, tamanha a variedade de novos produtos que são colocados no mercado. Alguns deles são potencialmente revolucionários, como é o caso do e-book, o "livro eletrônico". Com sua disseminação, o livro impresso pode estar com os dias contados. Em vez de folhear as páginas de um livro impresso, passaríamos a ler o que estivesse gravado em uma tela. Não resta dúvida de que as pessoas, em sua maioria, adoram uma novidade. Sendo assim, o sucesso do e-book deverá ser crescente. Até porque, afora o charme da inovação, o livro eletrônico é ecologicamente mais correto, por dispensar o uso de papel, cuja fabricação implica na derrubada de árvores. Porém, mesmo sabendo de tudo isso, não acredito na extinção do livro impresso. A portabilidade e manuseabilidade de um livro de papel ainda não pode ser superada. Ele não depende de uma bateria que o faça funcionar. Não corre o risco de quebrar-se. Adapta-se às mais diversas situações de uso. O contato tátil com um livro impresso é uma sensação muito mais gratificante do que a de segurar uma tela entre as mãos. Não sou refratário às mudanças, pois sei que elas são inevitáveis. O e-book veio para ficar, e seu uso se tornará cada vez mais crescente. No entanto, irá conviver com o livro impresso. A história tem nos mostrado que os novos inventos não tiram de cena os mais antigos. Representam um acréscimo, não uma substituição. Com o e-book não será diferente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os efeitos de uma entrevista

A entrevista concedida por Fábio Koff, que tomará posse amanhã como presidente do Grêmio para os próximos dois anos, ao jornal Zero Hora, ontem, foi uma das mais infelizes e desastradas de que se tem notícia. Koff, em vez de estimular a torcida, jogou sobre ela um balde de água fria. Praticamente ninguém, sejam os profissionais de imprensa ou os cidadãos comuns, deixou de condenar a entrevista de Koff, pelo conteúdo lastimável e pela total inoportunidade. Em sua declaração mais impactante, Koff disse que o novo estádio do clube, a Arena, não é do Grêmio, pois terá de ser pago por 20 anos. O futuro presidente acrescentou que o Grêmio só obterá retorno financeiro com o estádio num prazo de seis a oito anos. Revelou, também, que o Grêmio tem um déficit mensal significativo. Para qualquer pessoa medianamente inteligente, tudo isso soa como desculpa antecipada para uma futura frustração dos torcedores. Koff foi um grande presidente do Grêmio, nas duas vezes em que passou pelo cargo. Foi duas vezes campeão da Libertadores. Foi campeão do mundo. Conquistou, também, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, afora títulos gaúchos. Tudo isso fez dele um ídolo do torcedor. Por isso mesmo, ao concorrer pela terceira vez ao cargo de presidente, foi vitorioso novamente, dessa vez contando, além dos votos dos conselheiros, com os dos associados, o que não ocorrera nas outras duas eleições. A condição de dirigente vencedor, somada às promessas de que tinha uma grande contratação cujo nome estava guardado num cofre e de que o clube contaria com o aporte de recursos de um fundo de investidores, lhe garantiram a vitória. O tal nome guardado no cofre, conforme admitido pelo próprio Fábio Koff, foi apenas uma estratégia eleitoral. O fundo de investidores também não apareceu até agora. O torcedor que apostou suas fichas em Koff para que o Grêmio retomasse a sua rotina de grandes conquistas deve estar extremamente frustrado. Koff nem tomou posse e já adotou o discurso da situação difícil, da herança desfavorável. O que era para ser um novo período de otimismo e confiança na vida do clube, começará tomado pela insegurança e decepção do torcedor. Koff, com sua entrevista, só conseguiu satisfazer aos torcedores do maior rival do Grêmio, o Inter, que "deitaram e rolaram" com o seu conteúdo. Antes mesmo da posse do futuro presidente, o torcedor do Grêmio se vê diante de indícios de que pode ter sido vítima de um estelionato eleitoral.