terça-feira, 27 de novembro de 2012
Conduta estranha
Alegando riscos à integridade física dos torcedores, a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros decidiram proibir a chamada "avalanche" da torcida Geral do Grêmio no futuro estádio do clube, a Arena. O fato chama a atenção pois o estádio está sendo construído há mais de dois anos, e era de conhecimento público que uma área dele havia sido reservada para a avalanche. Agora, Brigada e Bombeiros exigem que o estádio tenha cadeiras na totalidade de suas acomodações, impedindo a avalanche. Os motivos alegados parecem sempre, aos desavisados, muito ponderáveis e responsáveis, mas não me convencem. Porque as duas instituições só se manifestaram sobre o assunto agora, quando falta pouco mais de uma semana para a inauguração do estádio? Porque as mesmas instituições deram seu aval permitindo que o Beira-Rio, que há muito deveria estar interditado, continue a sediar jogos, mesmo sendo um estádio totalmente inseguro e praticamente reduzido a escombros em função das obras de sua reforma? Entendo que o Grêmio não deva se curvar a tal proibição e faça o possível para manter a avalanche. Não cabe à Brigada e aos Bombeiros tomar esse tipo de decisão, ainda que alegadamente para a defesa do público. No contexto do futebol, Brigada e Bombeiros são auxiliares, não podem assumir uma condição de protagonismo. Seu papel é colaborar com o espetáculo, não o de proibir ou decidir seja lá o que for. São coadjuvantes, jamais, em hipótese alguma, podem se tornar protagonistas. Devem trabalhar a partir do que lhes for solicitado, nunca comandar as decisões. O Grêmio não pode se submeter á ingerência indevida e descabida. Cabe ao clube, e a mais ninguém, estabelecer as regras a serem observadas em seu estádio.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Um novo mito na Fórmula-1
O alemão Sebastian Vettel conquistou ontem, no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula-1, no autódromo de Interlagos, em São Paulo, o seu terceiro título de campeão mundial. Vettel passa a integrar um seleto grupo, onde estão pilotos como Jackie Stewart, Ayrton Senna, Nikki Lauda e Nélson Piquet, que também ganharam três títulos mundiais. Porém, Vettel pertence a um grupo ainda mais distinto, o dos pilotos que ganharam três títulos de forma consecutiva. Nesse item, afora Vettel, só há outros dois pilotos em toda a história da Fórmula-1: Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. Fangio e Schumacher são também, os dois maiores vencedores da categoria. Fangio ganhou cinco títulos, e Schumacher, o recordista absoluto, foi sete vezes campeão. Vettel ao igualar um feito dos dois, demonstra que já pode ser incluído não mais, apenas, na categoria dos grandes pilotos, mas, sim, na dos fora de série da Fórmula-1. Com 25 anos, Vettel é o piloto mais jovem a conquistar três títulos da modalidade. Pela idade que tem, e pelo desempenho que vem alcançando, Vettel tem tudo para se tornar o recordista absoluto da Fórmula-1, superando seu compatriota Schumacher. Para se ter uma ideia de sua performance, se ganhar mais um título, Vettel igualará Alain Prost, o terceiro maior vencedor da Fórmula-1. Se ganhar mais dois, empatará com Fangio. Com mais três títulos, se tornará o segundo maior vencedor da categoria. Para obter tudo isso, sobram tempo e talento para Vettel. Há um novo mito na Fórmula-1.
domingo, 25 de novembro de 2012
Outra derrota
O Inter sofreu, hoje á tarde, sua quarta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro. Nesses quatro jogos, não marcou nenhum gol. Nem mesmo a saída de Fernandão, substituído pelo técnico interino Osmar Loss, surtiu efeito. Dessa vez, a derrota foi para a Portuguesa, por 2 x 0, em pleno Beira-Rio. A ideia de que o time pudesse mostrar mais futebol e disposição após a saída de Fernandão, com quem o grupo de jogadores estaria incompatibilizado, logo caiu por terra. O Inter exibiu a mesma falta de futebol de outras partidas, e foi apático, novamente. Sua única motivação, nos últimos dias, tem sido a hipótese de ganhar o Gre-Nal que será o derradeiro jogo da história do Olímpico, acrescido do fato de que isso poderá fazer com que o Grêmio não se classifique diretamente para a fase de grupos da Libertadores. Convenhamos, é muito pouco para um clube do porte do Inter. Mesmo com o título do Campeonato Gaúcho, conquistado no primeiro semestre, 2012 foi um ano muito ruim para o Inter. Essa é uma realidade que nenhum resultado no Gre-Nal irá mudar. Está na hora do Inter projetar, com muita atenção, o ano de 2013, se não quiser acumular novas frustrações.
Uma tarde quase perfeita
Para o Grêmio, a tarde de hoje, por pouco, não foi perfeita. Por apenas alguns minutos, o clube deixou de conquistar a classificação para a Libertadores diretamente para a fase de grupos. O Grêmio fez a sua parte, ao ganhar do Figueirense, no Orlando Scarpelli, por 4 x 2, mas o Atlético Mineiro, que perdia para o Botafogo, no Engenhão, fez dois gols no final, vencendo por 3 x 2 e, assim, a definição sobre quem será o vice-campeão brasileiro ficou para a última rodada. O Grêmio, com um ponto e uma vitória a mais, está em vantagem, mas tudo pode acontecer, já que os dois clubes jogarão contra os seus maiores rivais. O Grêmio irá jogar contra o Inter, naquela que será a última partida da história do Olímpico. O Atlético Mineiro enfrentará o Cruzeiro, no Independência, num jogo em que só a sua torcida estará presente. Até pelas campanhas que realizam, bem melhores que as dos seus adversários na última rodada do Campeonato Brasileiro, Grêmio e Atlético Mineiro são os favoritos. Se ambos ganharem, o Grêmio será o vice-campeão brasileiro. Por enfrentarem, justamente, os seus rivais históricos, os dois terão enormes dificuldades. Se conseguirem dominar os nervos, contudo, deverão impor sua qualidade superior. Serão dois jogos de estádio lotado, a comprovar, mais uma vez, que o campeonato não acaba quando o campeão é definido antecipadamente, Há outros objetivos a buscar, e a classificação direta para a Libertadores, que permite a realização de uma pré-temporada maior, é um deles.
sábado, 24 de novembro de 2012
Emoção até o fim
O Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão teve, no seu final, a emoção que faltou na Série A. Na 1ª Divisão, faltando ainda duas rodadas para o término da competição, nesse e no próximo final de semana, os quatro primeiros colocados, que se classificam para a Libertadores, já estão definidos. Resta saber, apenas, quem será o vice-campeão, que entrará direto na fase de grupos da Libertadores, Grêmio ou Atlético Mineiro, com vantagem para o primeiro, que, momentaneamente, ocupa o 2º lugar. Na Série B, por sua vez, a emoção persistiu até a última rodada, encerrada hoje. Goiás e Criciúma disputavam o título, e três clubes lutavam por duas vagas para a 1ª Divisão, Atlético Paranaense, Vitória (BA) e São Caetano. A situação mais difícil era a do São Caetano, pois precisava vencer o Guarani, em Campinas, e torcer para que um dos outros dois perdesse. Para agravar a situação do São Caetano, o Guarani jogava em casa tentando evitar o rebaixamento para a 3ª Divisão. Pois quase que o São Caetano consegue a sua façanha. O São Caetano saiu na frente no placar, sofreu o gol de empate, mas ganhou o jogo por 2 x 1. Enquanto isso, Atlético Paranaense e Vitória, que jogavam em casa contra Paraná e Ceará, respectivamente, clubes que nada aspiravam, fizeram 1 x 0, mas cederam o empate, levando suas torcidas a viverem um filme de terror, pois a derrota de um dos dois, combinada com a vitória do São Caetano, faria com que perdessem a classificação para a 1ª Divisão para o clube paulista. Os empates, contudo, foram mantidos, o que fez com que houvesse um empate em pontos entre os três clubes. Porém, por terem obtido uma vitória a mais que o São Caetano, Atlético Paranaense e Vitória subiram para a 1ª Divisão, enquanto o São Caetano permanecerá na Série B. O Goiás, que ganhou, de virada, do Joinville, no Serra Dourada, ficou com o título, e o Criciúma, que empatou em 1 x 1 com o Avaí, na Ressacada, foi o vice-campeão. Uma rodada final cheia de emoção, pondo por terra os argumentos de quem diz que a fórmula de pontos corridos não é empolgante. Havendo equilíbrio entre os disputantes, a emoção se fará presente. Se o Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão foi definido com antecedência, isso não é culpa da fórmula, mas do desequilíbrio técnico entre os participantes. O resultado final da 2ª Divisão contemplou, também, os interesses maiores do futebol. Atlético Paranaense e Vitória são clubes de grandes torcidas, ao contrário do São Caetano, que tem pouco apelo popular. Sejam bem-vindos de volta à elite do futebol brasileiro.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Saída em hora inesperada
A demissão do técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, anunciada hoje à tarde, pegou a todos de surpresa. O fato não vinha sendo cogitado pela imprensa. Mano saiu justamente no momento em que parecia ter achado uma escalação titular para a Seleção, com dúvidas apenas em relação ao goleiro e ao centroavante. O trabalho de Mano, em dois anos e três meses no cargo, nunca chegou a entusiasmar, mas, quando começava a mostrar alguma consistência, foi interrompido. Agora, a dúvida é saber quem será o próximo técnico. Conforme a imprensa, os nomes preferenciais são os de Tite, Muricy Ramalho e Felipão. O nome, contudo, só deverá ser divulgado em janeiro. Até lá, teremos muitas especulações. Seja como for, o tempo passa rápido e faltam, apenas, um ano e sete meses para o início da Copa do Mundo de 2014. O novo técnico não terá tempo a perder.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Ocaso
O sucesso é algo que, em princípio, todo artista busca. Há aqueles que o alcançam e o mantém ao longo de toda uma carreira. Outros, depois de um êxito fulgurante, caem no ostracismo. O cantor e compositor Belchior parece estar no segundo caso. Em apenas cinco anos, entre 1974 e 1979, Belchior saltou do anonimato para a fama, compondo músicas que se tornaram hinos de uma geração. O grande impulso em sua carreira ocorreu quando Elis Regina gravou, num mesmo disco, duas composições de sua autoria, "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida". A primeira delas tornou-se um dos maiores clássicos do repertório da cantora. A partir daí, Belchior emplacou vários sucessos em gravações próprias. "Todo Sujo de Batom", "A Palo Seco", "Galos, Noites e Quintais", "Paralelas", "Divina Comédia Humana", "Apenas um Rapaz Latino-Americano", "Medo de Avião", foram alguns de seus muitos sucessos. "Mucuripe", composição de Belchior em parceria com Fágner foi gravada por Roberto Carlos. Passados esses cinco anos, no entanto, a fonte da inspiração de Belchior pareceu secar. Depois de tantas músicas de sucesso num período tão curto, seus discos já não tinham o mesmo êxito comercial. Os próprios lançamentos começaram a escassear. Porém, com tantas músicas na memória das pessoas, concentrou-se na realização de shows, que o fizeram permanecer em evidência. Nos últimos anos, contudo, Belchior, literalmente, saiu de cena. Em 2009, o programa "Fantástico", da Rede Globo, deu conta de que Belchior estava sumido. O cantor e compositor foi localizado no Uruguai e disse não entender o porquê da preocupação com o seu paradeiro. Agora, três anos depois, o noticiário revela que Belchior abandonou um hotel no Uruguai devendo seis meses de diárias não pagas, e deixando para trás, no quarto que ocupava com sua mulher, alguns pertences pessoais. Dias depois dessa revelação pela imprensa, Belchior e sua mulher foram vistos em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento. Algumas das pessoas que avistaram o casal disseram ter a impressão de que eles caminhavam sem rumo certo. O que está acontecendo com Belchior é um tanto intrigante. Parece claro que ele enfrenta dificuldades financeiras, mas isso não chega a ser de todo compreensível, já que pessoas ligadas ao meio musical garantem que há grande interesse por shows de Belchior, o que lhe garantiria uma boa fonte de renda. Particularmente, sou um grande admirador da obra de Belchior e, por isso, lamento que, sendo ele tão talentoso, viva tamanho ocaso em sua trajetória.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Bicampeã
A Seleção Brasileira perdeu por 2 x 1 para a Argentina, hoje, na Bombonera, pelo Superclássico das Américas. Como havia ganho o primeiro jogo, no Brasil, pelo mesmo placar, a decisão foi para os tiros livres da marca do pênalti. Aí, de forma emocionante, a Seleção venceu por 4 x 3, conquistando o bicampeonato da competição. O Superclássico das Américas é uma reedição da antiga Copa Roca, cuja última disputa aconteceu em 1976. O jogo transcorria morno, num 0 x 0 que garantia o título para a Seleção. Foi aí que, já próximo do final da partida, o árbitro marcou um pênalti, inexistente, para a Argentina, que saiu na frente no placar. A Seleção reagiu, e empatou logo depois. O resultado já parecia definitivo, e o título conquistado, quando a Argentina, num contra-ataque, fez o gol da vitória. A Seleção parecia mais cansada e psicologicamente abatida, mas a perda das duas primeiras cobranças pela Argentina acabou sendo decisiva. Mesmo com Carlinhos errando a sua cobrança, a Seleção venceu por 4 x 3 e obteve o bicampeonato. A competição não chega a ser das mais importantes, e as duas equipes só contaram com jogadores que atuam nos dois países, mas a Seleção mostrou empenho e motivação, e a torcida brasileira presente ao estádio voltou a vibrar e a se identificar com ela. Isso é o que fica de mais importante.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A saída de Fernandão
O que era especulado acabou se confirmando, hoje, e Fernandão não é mais o técnico do Inter. Ainda ontem, o presidente do clube, Giovanni Luigi, garantia a continuidade de Fernandão, mas as pressões em contrário eram muito fortes, e o técnico foi demitido. Fernandão concedeu uma longa entrevista de despedida do cargo, na qual, em determinado momento, chorou, quase não conseguindo prosseguir. O choro de Fernandão foi motivado pela lembrança de que, num momento em que não tinha zagueiros para escalar, o volante Ygor se prontificou a jogar improvisado na função, o que foi recusado por outro jogador. Esse jogador, cujo nome não foi revelado por Fernandão, seria o argentino Bolatti. Some-se a isso a informação de que a demissão de Fernandão teve como um dos motivos o temor de que os jogadores boicotassem o técnico no Gre-Nal da última rodada do Campeonato Brasileiro e se pode ter uma ideia do quadro aterrador que vive o vestiário do Inter. Na verdade, a contratação de Fernandão havia sido um evidente equívoco. Fernandão não tinha experiência anterior na função e pegou o "bonde andando", após a demissão de Dorival Júnior, o que exigiria alguém mais experiente. Mais uma vez, Osmar Loss foi convocado para ser o técnico interino, que treinará o Inter nos dois jogos que lhe restam no Brasileirão. Resta a curiosidade de saber como o time irá se comportar em campo. Se o rendimento aumentar consideravelmente, a ideia de que os jogadores não vinham se empenhando ganhará ainda mais força. Seja como for, o vestiário do Inter, há muito tempo, clama por uma varredura. O que, no entanto, não deverá acontecer. Giovanni Luigi, com seu estilo leniente, por certo não irá realizá-la. Por sinal, é Luigi o maior responsável por tudo que vem acontecendo ao Inter. Não fora ter ganho dois campeonatos gaúchos, sua administração nada teria a mostrar. Ainda assim, é muito pouco em comparação com seus antecessores Fernando Carvalho e Vitório Píffero. Isso não impediu que Luigi fosse reeleito pelo Conselho Deliberativo do Inter para mais dois anos de mandato, sem que os associados pudessem votar. Uma decisão difícil de entender fora dos conchavos políticos do clube.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Limites
A sociedade se solidifica com o compartilhamento de valores em comum entre os indivíduos. Porém, dada a diversidade e heterogeneidade humanas, esses valores são preponderantes, jamais consensuais. Isso é muito bom, pois, em caso contrário, teríamos uma construção social claustrofóbica, incapaz de abrigar a necessária pluralidade de ideias e comportamentos. Com o avançar do tempo, e a mudança cada vez mais acelerada dos costumes, esses pilares conceituais vão se tornando cada vez mais frágeis. Tudo parece caminhar na direção de que nada é definitivo ou inquestionável. Num mundo onde o dinheiro parece ser o único parâmetro, tudo pode ser vendido, sem restrições ou pudores de qualquer espécie. No entanto, será que é assim mesmo? Teríamos atingido um estágio civilizatório onde todas as restrições foram removidas e tudo pode ser transacionado? Uma matéria da edição dessa semana da revista "Veja" coloca esse assunto em discussão. Tendo como mote o caso da catarinense Ingrid Migliorini, de 20 anos, que pôs em leilão a sua virgindade, a revista propõe a reflexão sobre a ideia de que tudo pode ser vendável. A posição de "Veja" é de que valores familiares, ideais e senso cívico são inegociáveis, mas, cada vez mais, há quem defenda o contrário. Tenho uma visão libertária em termos de moral e costumes, mas entendo que a comercialização indiscriminada de qualquer coisa, incluindo venda de órgãos, bebês, cobaias humanas e de sangue para transfusões, degrada a condição humana. O ser humano, numa condição assim, se despe da sua dignidade, e se torna apenas mais um objeto. Por incrível que pareça, contudo, há quem defenda o contrário. O economista Gary Becker, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1992, é a favor do comércio de órgãos! Para Becker, a venda de órgãos acabaria com o mercado negro, reduziria a espera por transplantes, evitaria a morte de muitas pessoas e não teria impacto considerável nos custos médicos globais desse tipo de procedimento clínico. O jurista americano Richard Posner, por sua vez, acha que a venda de bebês eliminaria a burocracia envolvida no processo de adoção e reduziria filas de espera em orfanatos. Posner argumenta, também, que as crianças sairiam ganhando, por serem criadas em lares com melhores condições econômicas. Felizmente, outras figuras intelectualmente tão respeitáveis quanto Becker e Posner, tem uma visão oposta. Uma delas é o filósofo Michael Sandel, da Universidade de Harvard. Sandel reconhece que o mercado produz riquezas materiais, mas afirma que sua lógica não pode dominar todas as relações entre as pessoas. Não se pode, declara Sandel, explicar todo e qualquer comportamento humano em termos puramente econômicos, pois essa visão desconsidera os valores morais, as atitudes e as complexidades das relações entre as pessoas. Não é à toa que Sandel é um filósofo. Tivesse a filosofia um maior peso no mundo atual, e, certamente, essa mercantilização da vida não estaria no patamar em que se encontra. Trata-se de mais uma demonstração de quão aviltante pode ser uma sociedade que valoriza apenas o lucro e as vantagens materiais, e da capacidade quase inesgotável do capitalismo de promover a degradação do ser humano.
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