segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Título inquestionável
O título de campeão brasileiro de 2012 conquistado ontem pelo Fluminense não deixa margem para contestações. Afinal, foi ganho três rodadas antes do final da competição. O Fluminense foi superior em todos os itens. Teve o ataque, mais positivo, a defesa menos vazada e, até o momento, o goleador do campeonato. Metade de suas vitórias ocorreram fora de casa. Seu rendimento percentual até agora, de 72,38%, é o mais alto da era dos pontos corridos. Por sinal, o técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, destacou o fato de que, com o rendimento que seu time possui até aqui, de 62,86%, teria conquistado o título nas três últimas edições do Campeonato Brasileiro, ou seja, o desempenho do Fluminense é que superou todas as expectativas. Mesmo que, em alguns jogos, tenha sido beneficiado pelas arbitragens, o Fluminense, pela expressividade dos números de sua campanha, é um campeão mais do que legítimo. A trajetória do Fluminense, nos últimos anos, tem sido amplamente exitosa. Nos três últimos campeonatos brasileiros, foi campeão em 2010 e 2012 e 3º colocado em 2011. Foi vice-campeão da Libertadores em 2008, mesma posição que alcançou na Copa Sul-Americana de 2009, ainda que, naquele ano, tenha evitado de forma heróica o rebaixamento no Brasileirão. A lamentar, somente, que, pelo fato do título ter sido decidido de forma antecipada, alguns cronistas esportivos estejam, novamente, criticando a disputa de pontos corridos e propondo a volta do formulismo. Seria um retrocesso inaceitável. O campeonato de pontos corridos premia o melhor e, por isso, é o mais justo. O resto é choro de mau perdedor.
domingo, 11 de novembro de 2012
Ladeira abaixo
A derrota por 1 x 0 para a Ponte Preta, hoje, no Moisés Lucarelli, expôs ainda mais o contraste da situação do Inter comparada com a do seu maior rival, o Grêmio. Enquanto o Grêmio sobe na tabela do Campeonato Brasileiro, ocupando, agora, o 2º lugar, o Inter segue descendo a ladeira. Com a derrota de hoje, caiu para o 8º lugar. O Inter está 15 pontos atrás do Grêmio e tem seis vitórias a menos do que o seu tradicional adversário. Sua única motivação até o encerramento da competição é ganhar o Gre-Nal da rodada final, que será o último jogo da história do Olímpico. Muito pouco para um clube da expressão do Inter. Independentemente do resultado do Gre-Nal, 2012 não deixará saudades nos torcedores do Inter.
Vitória com a marca da imortalidade
A vitória do Grêmio por 2 x 1, de virada, sobre o São Paulo, hoje à tarde, no Olímpico, pelo Campeonato Brasileiro, foi digna da exitosa história do clube. O Grêmio jogou melhor a partida inteira, mas saiu perdendo, com um gol sofrido no final do primeiro tempo, e foi obrigado a empenhar-se muito para obter a virada. O descanso de oito dias sem jogos fez bem ao time, que mostrou fôlego durante toda a partida. Vários jogadores se destacaram individualmente, principalmente Marcelo Grohe, Naldo, Souza e Zé Roberto. Por sinal, Zé Roberto parecia um garoto, não um jogador de 38 anos, dada a exuberante condição física que demonstrou. Deve-se destacar, também, que, enquanto o São Paulo jogou completo, o Grêmio esteve desfalcado de Werley, Gilberto Silva, Elano e Kléber, todos eles titulares absolutos. Mesmo assim, em momento algum o Grêmio foi inferior ao seu adversário. A vitória de hoje teve significados bem mais amplos do que os do jogo em si. O Grêmio alcançou o segundo lugar na tabela, ultrapassando o Atlético Mineiro, posição que, se mantida, lhe dará a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. Foi uma tarde gloriosa no penúltimo jogo da história do Olímpico. Não faltou nada. Tempo bom, estádio lotado, torcida vibrante e em sintonia com o time. Uma tarde com a marca da imortalidade gremista, exaltada na letra do hino do clube, composto pelo genial Lupicínio Rodrigues.
sábado, 10 de novembro de 2012
O curioso universo das redes socias
Um dos grandes fenômenos dos tempos atuais são as redes sociais, cujo maior expoente é o Facebook. Representam um interessante recurso, permitem a reaproximação de pessoas que há muito estavam sem contato, entre outras possibilidades. Porém, há um aspecto especialmente interessante. As postagens nas redes sociais revelam a existência de posições ideológicas carregadas de um furor xiita. Se o autor do comentário tiver posições de direita, veremos postagens contra a "corrupção que tomou conta do Brasil" e aplausos às punições do Supremo Tribunal Federal contra os "mensaleiros". Se o autor da mensagem tiver posições de esquerda, nos depararemos com campanhas contra a Rede Globo, a disseminação dos shopping centers, o consumismo desenfreado, a repressão policial. Nota-se um tom de fanatismo em ambos os lados. A defesa dessas posições se faz com um claro sentimento de ódio em relação ao pensamento contrário. Lamentavelmente, tais pessoas são incapazes de prezar a pluralidade. Sonham com um mundo em que prevaleçam apenas as suas vontades, numa visão totalitária de sociedade. Não consigo pensar assim. Claramente, minhas posições ideológicas são de esquerda, mas não desejo cassar a concessão da Rede Globo, nem proibir a construção de shopping centers. Cultivo uma visão humanista de sociedade e, sendo assim quero um mundo que permita a convivência respeitosa entre os diferentes, e não uma sufocante homogeneidade, onde não haja espaço para o contraditório.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Reeleição
O presidente do Inter, Giovanni Luigi, foi reeleito para mais dois anos de mandato. A recondução de Luigi se deu no Conselho Deliberativo, sem a necessidade de um segundo turno com o voto dos associados. Isso aconteceu porque as outras duas chapas concorrentes não conseguiram superar a cláusula de barreira de 25% dos votos no Conselho para levar a eleição a um segundo turno. O fato, certamente, desagradou os associados, que tinham a expectativa de poder votar. Há quem diga que, caso a eleição fosse para o segundo turno, Luigi tinha grande possibilidade de ser derrotado, devido aos maus resultados de campo do Inter em 2012. Porém, Luigi possui ampla maioria no Conselho Deliberativo, e foi isso que decidiu a eleição em seu favor já no primeiro turno. Agora, na data que estava reservada para um possível segundo turno, 15 de dezembro, haverá eleição para renovação de parte do Conselho. Será o momento de os associados descontentes com o resultado de hoje votarem para modificar a composição do Conselho, mudando sua relação de forças. No entanto, pelos próximos dois anos, Luigi continuará a presidir o Inter. Nota-se, pelas manifestações nas redes sociais e canais de interatividade, que a permanência de Luigi no cargo desagrada a um grande número de torcedores do Inter, e é vista com agrado pelos do Grêmio. O primeiro desafio de Luigi no seu novo mandato será desmanchar o conceito negativo da opinião pública em relação à sua competência administrativa.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Os 25 anos de um disco notável
Em 2012 completam-se 25 anos do lançamento de "Cloud Nine", o último disco solo de George Harrison. Nos cinco anos anteriores, desde 1982 com "Gonne Troppo", George ficara sem gravar. Nos 14 anos que se seguiram, de "Cloud Nine" até sua morte, em 2001, George colocou no mercado uma coletânea, um álbum duplo gravado ao vivo no Japão, seu primeiro show desde 1974, e dois discos com o "Travelling Wilburys", grupo de astros da música que contava, também, com Bob Dylan, Roy Orbison, Jeff Lyne e Tom Petty. Orbison, por sinal, faleceu antes da gravação do segundo disco do grupo. Afora isso, Harrison, nesse longo período, fez participações em gravações de amigos e dedicou-se à sua produtora de filmes, a Handmade. O jubileu de prata de "Cloud Nine", no entanto, não vale ser destacado apenas por esses aspectos históricos. Sua qualidade é excelente, pouco abaixo, se é que está, do álbum triplo "All Things Must Pass", de 1970, a obra-prima da carreira solo de George. Ainda me recordo da sensação de quando adquiri "Cloud Nine", em vinil. A cada música que ouvia, mais encantado eu ficava. George, depois de um período de baixa na carreira, com trabalhos de qualidade irregular, voltava ao melhor da sua forma. A imprensa cobria o lançamento de elogios. Era o ressurgimento exuberante de um astro que permanecera sem gravar por cinco anos. "Cloud Nine" é para se ouvir sem pular faixas. Somado à excelência das composições, contou com a participação de músicos de primeiro nível. Nas guitarras, junto com George, Eric Clapton e Jeff Lyne. Na bateria, Ringo Starr e Jim Keltner. No piano, Elton John e Gary Wright. Na percussão, Ray Cooper. Um disco primoroso. Curiosamente, o grande sucesso do disco foi um cover, "Got My Mind Send On You", música composta por Rudy Clark. Com o disco, George voltou aos primeiros lugares das paradas de singles e de álbuns, depois de muitos anos. Tinha tudo para ser um retorno triunfal para uma série de lançamentos de grande êxito comercial, mas George não parecia pensar assim e praticamente encerrou sua carreira discográfica com "Cloud Nine". Talvez, por que tivesse provado, para quem duvidasse, de que podia fazer, novamente, um disco tão bom quanto os primeiros de sua carreira solo. Seja como for, quem não conhece "Cloud Nine" deveria ouvi-lo. Por certo, não irá se arrepender.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
A reeleição de Obama
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi reeleito. O mundo pode respirar aliviado. Não poderia haver nada pior do que uma vitória do candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, na eleição presidencial americana. Seria um retorno aos oito anos desastrosos em que George Walker Bush presidiu o país. Romney é um republicano típico. Riquíssimo, moralmente conservador, e um Robin Hood às avessas, que propõe impostos maiores para os mais pobres e diminuição da taxação dos mais bem situados economicamente. As proposições republicanas são extremamente retrógradas e, sob esse aspecto, seria melhor que em todas as eleições presidenciais americanas o vencedor fosse o candidato do Partido Democrata, mas, infelizmente, não é assim que as coisas ocorrem. A cada vez que os republicanos assumem o poder crescem os gastos militares, surgem novas guerras, aumenta o intervencionismo americano em outros países. Na eleição atual, particularmente, uma derrota dos democratas seria um retrocesso absurdo. A eleição de Obama, em 2008, deu aos Estados Unidos o seu primeiro presidente negro, um fato de enorme simbolismo. Negar a Obama a possibilidade de governar por mais um mandato, trocando-o por Romney, seria um desatino eleitoral americano que, ainda bem, não aconteceu. Obama foi reeleito presidente do mais poderoso dos países. Pelo menos pelos próximos quatro anos, o mundo permanecerá menos tenso.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A gafe do senador
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é uma das figuras mais íntegras e simpáticas da política brasileira, cujos integrantes, em geral, não costumam se destacar por tais qualidades. Porém, com alguma frequência, dá margem a brincadeiras e comentários depreciativos sobre sua pessoa. Isso porque Suplicy, como costuma se dizer nos dias de hoje, tem algumas atitudes "sem noção". O senador, por exemplo, já arriscou-se, algumas vezes, a cantar enquanto ocupava a tribuna. O problema é que Suplicy canta muito mal. A lentidão com que muitas vezes se expressa, principalmente em entrevistas, também já se tornou notória. Hoje, no Senado, Suplicy cometeu mais uma de suas gafes. Suplicy levou até o plenário o músico Chambinho do Acordeon, que fez o papel de Luiz Gonzaga, dos 27 até os 50 anos, no filme "Gonzaga de Pai para Filho". Suplicy solicitou que Chambinho tocasse em homenagem à Luiz Gonzaga. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que presidia a sessão, negou o pedido de Suplicy, argumentando que isso feria o regimento da casa, que só prevê apresentações desse tipo em ocasiões especiais, não em sessões ordinárias. Suplicy continuou insistindo e Mozarildo negando, até que o senador paulista desistiu de sua intenção. A atitude de Suplicy expôs Chambinho do Acordeon desnecessariamente e ajudou a engrossar o rol de gafes das casas legislativas brasileiras, contribuindo ainda mais para o descrédito da classe política. Suplicy é um político coerente e humanista. O eleitor paulista reconhece nele esses valores, tanto que Suplicy já está no terceiro mandato consecutivo de senador. No entanto, com suas frequentes "escorregadas", ameaça obscurecer o grande político que sempre foi, deixando em primeiro plano um lado folclórico a ser fartamente explorado pela imprensa. Sua respeitável biografia política não merece esse fecho.
domingo, 4 de novembro de 2012
O fim das ilusões
A goleada sofrida pelo Inter para o Náutico, por 3 x 0, hoje, nos Aflitos, terminou de vez com as ilusões que alguns torcedores ainda pudessem ter em relação à classificação para a Libertadores. Se é verdade que, matematicamente, essa chance ainda existe, ela é tão remota que ninguém, em sã consciência, cogitaria de sua concretização. O resultado é vexatório. Ainda que o Náutico tenha uma excelente campanha nos jogos em casa, levar uma goleada, como aconteceu com o Inter, é algo demasiado. O Inter está tendo um final de ano melancólico, e isso poderá ter reflexos na eleição para presidente do clube, caso Giovanni Luigi, candidato á reeleição, não obtenha a vitória apenas com os votos do Conselho Deliberativo, onde tem ampla maioria. Caso a eleição vá para o segundo turno, no "pátio", isto é, com o voto dos associados, os maus resultados de campo, somados à presença do ex-presidente Vitorio Piffero na chapa de um dos candidatos de oposição, poderá mudar o rumo do pleito. O Inter tem um grupo de jogadores considerado muito qualificado e gasta uma quantia altíssima com a folha de pagamentos para a sua manutenção. Os resultados de campo tem ficado muito abaixo da expectativa. A última esperança em que se agarra o torcedor do Inter, em 2012, é a de vencer o Grêmio no Gre-Nal pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Assim, o Inter que goleou o Grêmio por 6 x 2 no primeiro Gre-Nal realizado no Olímpico, ganharia, também, o último clássico no estádio que está para ser fechado. Um consolo, convenhamos, insuficiente para quem sonhava com a conquista de grandes títulos.
sábado, 3 de novembro de 2012
Mais sorte do que juízo
A vitória do Grêmio, por 1 x 0, sobre a Ponte Preta, hoje, no Olímpico, pelo Campeonato Brasileiro, foi uma repetição do panorama dos últimos jogos do time. O Grêmio, mais uma vez, mostrou-se lento, dispersivo, e sem destaques individuais. O próprio técnico Vanderlei Luxemburgo, sempre muito reticente em fazer críticas mais contundentes, disse que foi a pior atuação do Grêmio sob o seu comando. O gol da vitória só saiu aos 45 minutos do segundo tempo, numa cabeçada de André Lima. A queda de rendimento técnico e físico do Grêmio é assustadora. A grande diferença do jogo de hoje para os anteriores, contudo, é que, dessa vez, a vitória foi obtida, e ela traz excelentes perspectivas para o Grêmio, desde que ele faça a sua parte, é claro. Com a vitória de hoje, o Grêmio não poderá ser alcançado pelo São Paulo nessa rodada. Afora isso, caso o Atlético Mineiro perca para o Coritiba, sua vantagem sobre o Grêmio cairá para apenas um ponto. O próximo jogo do Grêmio será, novamente, no Olímpico, contra o São Paulo. O estádio deverá estar lotado. O Grêmio estará com vários desfalques, mas terá uma semana inteira para se preparar para a partida. Mesmo com um mau futebol, a vitória de hoje deu um grande impulso ao Grêmio na busca de seu objetivo de garantir logo a classificação para a Libertadores para poder se dedicar à busca do título da Copa Sul-Americana. A atuação foi, de novo, ruim, mas, dessa vez, a sorte colaborou com o Grêmio.
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