sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tim Maia

Se vivo fosse, Tim Maia teria completado, hoje, 70 anos. Tim fez sua incursão no meio musical junto com Roberto Carlos e Erasmo Carlos, mas, por ter morado por um tempo nos Estados Unidos, sua carreira deslanchou bem depois das dos amigos famosos. Foi uma figura singular na música brasileira. Incursionava bem pelo romantismo, mas, influenciado por sua experiência americana, tornou-se a voz da "black music" no Brasil, com seu ritmo dançante e contagiante. O interesse em torno de Tim Maia não se extinguiu com sua morte, ocorrida em 1998. Tanto é verdade que um musical sobre sua vida alçou ao estrelato o ator Tiago Abravanel, neto do empresário e apresentador de televisão Sílvio Santos, de grande semelhança física com Tim Maia, que viveu o papel do cantor no espetáculo. Tim Maia alcançou o sucesso cantando, basicamente, dois tipos de música, as românticas e as dançantes. Irreverente, Tim definia suas canções românticas como "mela cueca", e as dançantes como "esquenta sovaco". Possuía uma voz privilegiada e um talento tão grande que sua carreira sobreviveu a toda sorte de excessos que cometia. Tim era obeso, abusava de álcool e drogas, não cuidava da saúde. Costumava, também, deixar de comparecer aos shows marcados na sua agenda, desesperando o público e os promotores dos espetáculos. Nada disso foi capaz de lhe afastar do sucesso. Tim Maia só não conseguiu evitar a morte precoce. No dia em que gravava o que seria o seu disco acústico, sentiu-se mal e foi internado, não conseguindo se recuperar e vindo a falecer. Era a saúde cobrando os abusos praticados pelo cantor. Tim Maia tinha, então, apenas, 55 anos. Deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida na música brasileira e um grande número de fãs que continuam a admirar a sua obra.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um exemplo a ser seguido

A atitude do atacante polonês, naturalizado alemão, Klose, do Lazio (ITA), que confessou ao árbitro do jogo do seu clube contra o Nápoli, pelo Campeonato Italiano, que havia feito um gol com a mão, repercutiu no mundo inteiro. O árbitro havia consignado o gol e, depois do que lhe disse Klose, voltou atrás. O jogador foi cumprimentado pelos adversários e aplaudido pelos torcedores. Não é a primeira vez que algo assim acontece no futebol europeu. Há alguns anos, na Inglaterra, um jogador pediu ao árbitro que voltasse atrás na marcação de um pênalti, pois o adversário não havia cometido falta sobre ele. Ao me deparar com exemplos assim, fico envergonhado, como brasileiro, de constatar como as coisas são diferentes por aqui. No Brasil, os jogadores tentam ludibriar os árbitros, simulando faltas e contusões, para obter proveito para si e para seu time, atitude que é altamente reprovada pelo público europeu. Na nossa peculiar maneira de encarar o futebol e a vida, é preciso "ser esperto", levar vantagem. Para os padrões brasileiros, a atitude de Klose é coisa de "trouxa". Não seria de se espantar se, caso um jogador brasileiro agisse como o atacante do Lazio, sua própria família ficasse contra ele. São fatos como esse que mostram o fosso civilizatório que nos separa do chamado "Primeiro Mundo". O Brasil já tem, em muitos setores, um padrão de excelência próximo dos países desenvolvidos, e sua economia já é a sexta do mundo. Porém, quando se trata das relações humanas, da vida em sociedade, da educação e da urbanidade, parecemos, por vezes, ainda estarmos na Idade da Pedra. Klose provou, com seu gesto, que mesmo num esporte milionário como o futebol, e cheio de interesses nem sempre muito elevados em torno de si, há espaço para a honestidade. Na Europa a chamada "Lei de Gérson", aquela que diz que o importante é levar vantagem em tudo, tão apreciada no Brasil, não prospera. Os europeus não são anjos, longe disso, mas ainda cultivam valores essenciais para a convivência em sociedade. Klose deu um exemplo a ser seguido, mostrando que há limites a serem respeitados, que não se pode buscar a vitória a qualquer preço. Seria bom se os jovens brasileiros que estão iniciando carreira no futebol não encarassem a atitude de Klose como uma excentricidade, mas como um modelo de comportamento.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A noite em que tudo deu certo

Para o Grêmio, a noite de hoje não poderia ter sido melhor. Em Guayaquil, venceu o Barcelona, por 1 x 0, pela Copa Sul-Americana. Como se não bastasse, foi beneficiado pelo resultado do jogo atrasado do Campeonato Brasileiro em que o Flamengo ganhou do Atlético Mineiro, por 2 x 1, no Engenhão. A derrota do Atlético Mineiro torna menos distante a possibilidade do Grêmio de lutar pelo título da competição. Com a vitória sobre o Barcelona, o Grêmio praticamente garantiu sua classificação para a próxima fase da Copa Sul-Americana. Afinal, na segunda partida, no Olímpico, no dia 24/10,  jogará pelo empate. O Grêmio foi dominado em quase todo o jogo pelo adversário, e seu goleiro, Marcelo Grohe, teve uma atuação excelente, sendo a maior figura em campo. O primeiro tempo já se encaminhava para o final quando, aos 43 minutos, Werley, de cabeça, marcou o único gol do jogo. No segundo tempo, o Grêmio quase só se defendeu, o que agravou-se ainda mais após a expulsão de Tony. Portanto, não foi uma grande atuação, mas a vitória foi alcançada. Isso tem sido uma tendência do Grêmio, isto é, suas atuações não enchem os olhos, mas os resultados são bons. Agora, o Grêmio se voltará novamente para o Brasileirão para fazer dois jogos seguidos em casa, contra Santos e Cruzeiro. Uma ótima oportunidade para prosseguir obtendo vitórias e, se os resultados paralelos ajudarem, diminuir a diferença para os dois primeiros colocados. A fase do Grêmio é das mais positivas, e a tendência é que ela continue assim nas próximas semanas.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A decisão será dos sócios

Como já era esperado, a decisão sobre quem será o presidente do Grêmio para o biênio 2013-2014 caberá aos associados do clube, devendo a eleição ocorrer no dia 20/10. Hoje à noite, em pleito restrito ao Conselho Deliberativo, três chapas ultrapassaram a cláusula de barreira de 20% e, assim irão disputar o voto dos sócios. Num total de 313 votos, o atual presidente, Paulo Odone recebeu 151, Fábio Koff teve 93, e Homero Bellini Jr.alcançou 67. O quarto candidato, Eldir Antonini, fez, apenas, dois votos. Será uma disputa entre dois pesos pesados, Odone e Koff, e um candidato ainda jovem, mas já com experiência administrativa no clube,  Bellini Jr. Odone, como era previsto, obteve a maioria de votos no Conselho, mas Koff atingiu uma contagem bem acima do que estava sendo projetado. Bellini Jr.também  mostrou força, conquistando o direito de submeter seu nome à apreciação dos associados. Não se pode garantir nada quanto ao resultado da eleição. Koff tem muita força junto ao torcedor, mas Odone se beneficia dos bons resultados de campo e, se eles prosseguirem até o dia do pleito, sua candidatura ganha muita força. Pelo nível dos postulantes, trata-se de uma eleição histórica no Grêmio. Ao contrário do que dizem muitos, não acho que o consenso seja o melhor para os interesses de um clube. Candidaturas únicas, mesmo que consensuais, são antidemocráticas. Minha única objeção é quanto ao fato da eleição acontecer em meio às disputas de campo. Por mais que se diga que os jogadores são indiferentes ao que acontece na política do clube, isso não é verdade. Eleições enquanto a bola está rolando tiram o foco do futebol num momento em que todas as atenções do clube devem estar voltadas, unicamente, para a busca de títulos. Uma mudança estatutária extremamente infeliz, realizada há poucos anos, criou essa inconveniência. Antes, durante toda sua história, o Grêmio só realizava eleições para presidente após o último compromisso oficial do ano. Espero que o bom senso faça com que se retorne ao modelo anterior, muito bem sucedido, e que jamais deveria ter sido modificado. Em relação ao pleito do dia 20/10 só resta desejar que os sócios façam a melhor escolha possível.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Falsa nobreza

Os leitores desse espaço já devem ter percebido, é claro, que tenho me eximido de tecer considerações sobre o julgamento do "mensalão". Entre outras razões, procedo assim por entender ser mais adequado dar minha visão a respeito quando tudo estiver definido do que comentar o acontecimento durante suas fases. Hoje, porém, abro uma exceção, até para não me omitir de ponderar sobre um assunto que tem impactado o país nos últimos meses. O "mensalão" aconteceu, claro que sim. Não se trata de uma conspiração das forças conservadoras e da oposição, como dizem alguns defensores mais apaixonados do governo federal. Também é óbvio que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sabia de tudo, não foi pego de surpresa. Sendo assim, que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel, e dê aos reús a penalização que entender adequada. Não é disso que quero me ocupar. O que me incomoda nesse episódio é a cruzada pseudomoralista comandada pela revista "Veja", cuja linha editorial é sobejamente conhecida por seu viés ideológico de extrema direita. Sua campanha aberta contra os réus do mensalão nada tem de caráter patriótico. Fosse assim, e a revista deveria ter a mesma postura indignada em relação à compra de votos de congressistas para a aprovação da emenda da reeleição para cargos executivos, liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em benefício próprio. "Veja", contudo, silencia sobre esse acontecimento, pois simpatiza com FHC. O ex-presidente Lula, ao contrário, é alvo do ódio permanente da publicação. Esse ódio, todavia, não impediu Lula de ganhar duas eleições para presidente, nem de eleger sua substituta no cargo. A revista busca, de todas as formas, desacreditar Lula e o PT, na tentativa de encurtar a permanência do partido no poder. "Veja" entende, inclusive, que os baixos índices de intenção de votos de candidatos do PT para prefeitos nas grandes cidades já é um reflexo do mensalão. Ingênua pretensão. Os candidatos não estão bem nas pesquisas porque são fracos, apenas isso. No plano federal, que é o que, verdadeiramente, interessa à revista, o PT deverá continuar no poder por muitos anos, independentemente do resultado do julgamento do "mensalão". Por trás da aparente nobreza de intenções da postura inflamada contra o que "Veja" qualifica como "o maior escândalo da história do país", o que há é mero oportunismo político. Trata-se de um tentativa de derrubar o governo operada insistentemente desde que o PT chegou ao poder, e que tem fracassado sempre. Dessa vez, não será diferente.

domingo, 23 de setembro de 2012

Obrigação cumprida

Depois de uma semana de turbulências, causadas pela explosiva entrevista do técnico Fernandão após o jogo contra o Sport, não se poderia esperar outra coisa do Inter que não fosse uma vitória convincente contra o Bahia. Foi exatamente o que aconteceu. Nem mesmo a boa campanha no segundo turno, no qual ainda estava invicto, permitiu ao Bahia qualquer chance, hoje, no Beira-Rio. O Inter venceu por 3 x 1 e, ao menos até sábado, quando voltará a jogar, terá um ambiente sem conturbações. Fred, mais uma vez, teve uma grande atuação, fazendo, inclusive, o primeiro gol, e os criticados medalhões também se destacaram. D'Alessandro cruzou a bola que resultou no segundo gol, marcado por Diego Forlán, e Leandro Damião fez um golaço, o terceiro do Inter. O Inter terá, agora, uma sequência de jogos difíceis, contra Cruzeiro e Santos fora de casa e Atlético Mineiro no Beira-Rio. O sonho de entrar na zona de classificação para a Libertadores segue distante, mas, ainda que não se saiba por quanto tempo, a paz voltou a reinar no Inter.

Empate injusto

O Grêmio empatou com o Atlético Mineiro em 1 x 1, hoje, no Independência, e se manteve em 3° lugar no Campeonato Brasileiro. Houvesse ganho e teria igualado em pontos o Atlético Mineiro, ultrapassando-o no número de vitórias. Porém, embora não tenha ganho, o Grêmio teve uma grande atuação, principalmente no segundo tempo, e merecia vencer o jogo. Marcelo Moreno perdeu uma oportunidade incrível, com o gol aberto, sem goleiro, a chamada "bola do jogo". Antes disso, Elano já havia cobrado uma falta no travessão e, no rebote, Souza desperdiçou a chance, chutando desviado. Ainda que o resultado não tenha mudado a situação do Grêmio na tabela, o que deve ser saudado é o alto nível da atuação, o que não se via nem mesmo nas vitórias. Nenhum jogador esteve mal, embora Kléber, mais uma vez, tenha ficado abaixo da expectativa. A defesa teve uma atuação soberba, quase nada permitindo ao ataque do Atlético Mineiro. Gilberto Silva, particularmente, foi um grande destaque. Embora a distância do Grêmio para o Atlético Mineiro tenha permanecido em três pontos e, em relação ao Fluminense, se ampliado para sete, nada está decidido. O título do Brasileirão permanece em aberto, e a atuação de hoje do Grêmio somada a visível queda de rendimento dos dois primeiros colocados torna isso bastante evidente. O empate foi injusto para o Grêmio, mas mostrou que ele pode almejar o título.

sábado, 22 de setembro de 2012

Somos nós que fazemos o país

Em sua coluna no jornal Zero Hora, na edição de ontem, o jornalista David Coimbra escreveu uma crônica que causou grande impacto, ao afirmar que o Brasil é uma porcaria porque o povo brasileiro é uma porcaria. Não vou me deter em fazer uma análise do texto do competente jornalista. Prefiro destacar um aspecto por ele enfocado, quando diz que muitos culpam "as elites" pelos males que acometem o país, como se elas tivessem a capacidade de, se o desejassem, colocá-lo nos eixos. Coimbra entende que todos os brasileiros são responsáveis pelo descalabro em que o país se encontra, e nisso ele está absolutamente certo. Uma das coisas que mais me irrita é a postura, bastante comum entre os brasileiros médios, de fazer uma separação sobre o que seria a sua conduta e a dos "poderosos". Eles propagam a ideia de que são pessoas honestas, trabalhadoras, dignas e esforçadas, e referem-se às mazelas do país como se fosse algo que não lhes diz respeito, por ser da inteira responsabilidade de políticos inescrupulosos. Agem como se tais políticos fossem seres alienígenas, e não pessoas que foram criadas na mesma sociedade em que estão presentes esses "respeitáveis" cidadãos. Enchem a boca para maldizer o país em que vivem, lamentar a escalada de corrupção e a "derrocada dos costumes", sempre falando como se fossem meros observadores, e não agentes dessa mesma realidade. Na verdade, trata-se de uma visão autoindulgente e carregada de omissão. Não há um Brasil "nosso" e outro "deles", significando uma separação entre os honestos e trabalhadores e os corruptos e aproveitadores. Ao contrário do que sustentam alguns, o mundo político brasileiro reflete fielmente o que somos como povo. A diferença é que o faz de forma superlativizada. O cidadão comum brasileiro não é mais honesto do que aqueles que o governam. No seu dia a dia, também ele pratica transgressões à ética, mostra-se egoísta e individualista. Se não comete malfeitos de maior monta, é por falta de oportunidade, não por virtude. O Brasil apresenta várias facetas que nos constrangem, mas elas não são responsabilidade de um pequeno grupo. Somos nós todos, cidadãos brasileiros, que fazemos o  Brasil. Assumamos a nossa culpa, sem transferi-la para ninguém. O caminho da correção de rumos no país começa por aí.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O fim da novela

Agora, está definido: Paulo Henrique Ganso é jogador do São Paulo. O assunto se arrastava há tanto tempo que ninguém mais aguentava acompanhar a cobertura da negociação. Ganso assinou um contrato de cinco anos com o São Paulo, e revelou estar muito feliz com o desfecho, pois, embora tenha recebido propostas de Grêmio e Flamengo, era no clube paulista que desejava jogar. Então, que Ganso e o São Paulo sejam muito exitosos em sua parceria, mas é preciso fazer algumas ponderações sobre esse caso. Fala-se muito, no futebol atual, em "profissionalismo". Coloco a palavra entre aspas porque profissionalismo é o que menos se encontra no futebol. O que há, quando muito, é mercantilismo e mercenarismo. Ao contrário do que muitos pensam, profissionalismo não significa que o dinheiro está acima de tudo e de que "eu vou para onde me pagarem mais". Profissionalismo implica, também, em postura, aplicação, comprometimento com a carreira, firmeza de propósitos, coisas que nitidamente, tem faltado no comportamento de Ganso. Emburrado por estar insatisfeito com sua condição salarial no Santos, Ganso forçou sua saída do clube e dentro de campo mostrou-se desligado, ao ponto de, na Seleção Olímpica Brasileira, jogar de maneira absolutamente displicente e desinteressada toda vez que entrava no gramado. Convenhamos, essa é uma atitude que nada tem de profissional. A falta de profissionalismo se estende a outro personagem dessa negociação, o investidor Delcir Sonda, controlador do Grupo DIS, que detém 55% dos direitos econômicos do jogador. O Santos pretendia negociar Ganso com o Grêmio, para não reforçar um de seus maiores rivais, o São Paulo. Porém, Sonda é torcedor do Inter, e não admitia a ideia de o jogador ir para o Grêmio. Em função disso, abriu mão dos 55% a que seu grupo teria direito, para facilitar a ida do jogador para o São Paulo, ou seja, em nome de seu sentimento clubístico, o empresário perdeu dinheiro. Isso pode ser chamado de profissionalismo? Finda a novela sobre o futuro de Ganso, coloca-se, diante dele, o maior desafio, que é o de provar que é mesmo o craque que encantou o país em 2010, e não apenas mais uma promessa que ficou pelo caminho. Há mais de um ano, Ganso tem ficado mais tempo lesionado do que jogando, e quando entra em campo, não mostra nem sombra do grande futebol que já exibiu. Para o bem do jogador, e do futebol brasileiro, que conta com Ganso para a Copa do Mundo de 2014, tomara que ele supere esse quadro e volte a ter, no São Paulo, o mesmo admirável desempenho de quando surgiu no Santos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vibração

Se algo de positivo pode ser retirado do primeiro jogo do Superclássico das Américas, Seleção Brasileira 2 x 1 Argentina, hoje à noite, no Serra Dourada, foi a vibração da equipe e da comissão técnica com o gol da vitória, marcado nos acréscimos da partida. Afora o mau futebol, uma das coisas que mais aborrecem o torcedor em relação à atual Seleção Brasileira é a maneira apática como se apresenta na maioria dos jogos, o que inclui, até mesmo, o seu técnico, Mano Menezes. Dessa vez, não foi assim. O futebol da Seleção, novamente, não foi grande coisa e o jogo, em si, esteve longe de empolgar. Porém, talvez pelas vaias dos torcedores e pelos gritos de "Felipão, Felipão", o técnico e os jogadores da Seleção Brasileira parecem ter tido o seu brio despertado. Mano Menezes foi para a beira do gramado, com um rosto crispado que lembrava o técnico participativo dos tempos de Grêmio e Corinthians. Os jogadores, vendo que a partida se encaminhava para um empate frustrante, partiram para uma pressão sobre o adversário, nos últimos minutos, que resultou no pênalti que levaria a equipe à vitória. Era uma partida em que a Seleção e a Argentina não estavam com suas melhores escalações, pois só foram convocados jogadores que atuam nos dois países, mas, ainda assim foi uma vitória num clássico de grande rivalidade, e com os brasileiros demonstrando uma motivação, pelo menos no final, que há muito tempo não se via. Pode ser pouco, mas já é alguma coisa.