sábado, 7 de julho de 2012

Torcida insatisfeita

O Inter ganhou do Cruzeiro por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, subiu posições na tabela do Campeonato Brasileiro, mas o que mais chamou a atenção foi que, apesar da vitória, ouviram-se vaias da torcida. Na verdade, o torcedor do Inter não se deixa mais iludir por resultados como o de hoje. Mais uma vez, o Inter ganhou sem jogar bem, valendo-se, novamente, de seus valores individuais. O Cruzeiro dominou o jogo praticamente inteiro, tendo muito mais posse de bola. Os gols do Inter surgiram em função da qualidade de jogadores como Oscar e D'Alessandro, e do faro de gol de Leandro Damião, mas coletivamente o time, novamente não foi bem. Nas laterais, por exemplo, a produção de Nei e Fabrício foi pífia. O Cruzeiro mostrou-se um conjunto mais afinado, mas ressentiu-se de uma melhor qualidade individual de seus jogadores. Montillo é um oásis de técnica em meio a companheiros limitados. Ainda assim, o Cruzeiro fez um gol, belíssimo por sinal, e já havia colocado, anteriormente, uma bola no travessão, o que demonstra que poderia ter obtido melhor sorte na partida. A torcida do Inter, ou pelo menos parte dela, sabe disso, e por isso vaiou o time. O torcedor também fez um desagravo à Bolatti, que só entrou no time após os 40 minutos do segundo tempo, evidenciando que não concorda com a sua pouca utilização pelo técnico Dorival Júnior. O técnico, aliás, parece ser o "x" da questão para a torcida. Para quem acompanha as manifestações de torcedores nas redes sociais, está mais do que claro que a torcida do Inter não quer mais Dorival Júnior. Nem mesmo uma contratação de impacto como a do uruguaio Diego Forlán conseguiu abafar a insatisfação dos colorados com Dorival. O Inter faz boa campanha no Brasileirão, mas seu torcedor quer que as vitórias sejam acompanhadas de exibições convincentes, o que não vem acontecendo. Com as ausências de Oscar e Leandro Damião nos próximos oito jogos, devido à convocação para a Seleção Olímpica Brasileira, essa aspiração fica, ainda, mais difícil de ser concretizada.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os inimigos das leis

As classes patronais não costumam  gostar de leis e regulamentos na área trabalhista. Na sua visão muito particular, tais instrumentos retiram competitividade das empresas, aumentam custos, prejudicam o "sistema produtivo". Isso fica evidente, mais uma vez, pela reação das empresas transportadoras de cargas em relação à denominada "Lei do Motorista". A referida lei estabelece que, a exemplo de grande parte das categorias profissionais, também os motoristas transportadores de cargas devam cumprir uma jornada diária de trabalho de oito horas de duração. Assim, esse é o tempo máximo que um motorista poderia permanecer ao volante, a cada dia. A medida já deveria ter sido tomada há muito tempo, pois sabe-se que esses profissionais são submetidos a jornadas de trabalho desumanas, apelando para drogas que os mantenham acordados, tornando-se mais propensos a acidentes que colocam em risco as suas próprias vidas e as de outras pessoas. Tudo para que possam cumprir um exíguo prazo de entrega de cargas vencendo enormes distâncias. Nada disso sensibiliza os proprietários de empresas transportadoras. Para eles, só interessa o lucro. Por isso, a federação e os sindicatos das transportadoras de cargas estão veiculando anúncios nos jornais em que afirmam que a "Lei do Motorista" diminui a competitividade da economia, já que torna necessário que mais caminhões sejam utilizados para o mesmo transporte e mais motoristas façam a mesma viagem, e eleva o custo operacional na transferência de mercadorias. Conforme os transportadores, isso ocasiona menor eficiência na "cadeia logística" e menos resultados para o sistema produtivo. A preocupação   com a preservação da saúde dos motoristas, da diminuição do número de acidentes causados pelo stress desses profissionais, pelo visto, não existe para as transportadoras. Como toda a manifestação de organismos patronais, o único fator levado em conta é a maximização dos lucros. Os anúncios das transportadoras são apenas um esperneio que não deverá ter maiores consequências. A nova lei é muito oportuna e é mais uma sinalização de que o Brasil, ainda que menos velozmente do que seria desejável, avança em suas relações sociais. O tempo dos abusos contra as classes trabalhadoras vai ficando cada vez mais distante, felizmente. Mesmo com a contrariedade de grupos acostumados a fazer prevalecer seus interesses..

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Palmeiras sai na frente

O Palmeiras ganhou do Coritiba por 2 x 0, hoje á noite, na Arena Barueri, e largou em vantagem na decisão da Copa do Brasil. O segundo jogo será na próxima semana, no Couto Pereira. O Coritiba foi bem melhor durante todo o primeiro tempo, mas desperdiçou chances claras de gol. O Palmeiras marcou seu gol nos acréscimos, quando tudo indicava que o jogo iria empatado em 0 x 0 para o intervalo, depois de um pênalti infantil, cometido por Jonas, do Coritiba. No segundo tempo, motivado pelo gol que marcara, o Palmeiras subiu de produção, e o Coritiba não repetiu a excelente atuação do primeiro. O Palmeiras marcou mais um gol e, assim, construiu um placar confortável para o segundo jogo. Maikon Leite, aliás, perdeu um gol feito que, praticamente, selaria a conquista do título pelo Palmeiras. Uma nota destoante, como sempre, foi Valdívia. Apesar de ter cobrado o pênalti que originou o primeiro gol, Valdívia repetiu o seu comportamento de outros tantos jogos. Abusou das simulações, discutiu com a arbitragem, praticou faltas desleais. Numa dessas faltas violentas, inclusive, foi expulso, merecidamente, e, assim, desfalcará o Palmeiras no segundo jogo. Outro destaque negativo foi a arbitragem, que não marcou um pênalti claro sobre Tcheco, do Coritiba, que poderia alterar os rumos do jogo. Apesar da boa vantagem do Palmeiras, no entanto, o Coritiba permanece com boas chances de obter o título. Até agora, em todos os jogos que fez em casa, na Copa do Brasil, o Coritiba ganhou por dois ou mais gols de diferença. Se o Coritiba devolver o placar de hoje, por exemplo, a decisão da competição irá para os tiros livres da marca do pênalti. O Palmeiras saiu na frente, mas, por enquanto, nada está decidido.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Campeão invicto

Não pode haver contestação a um titulo obtido de forma invicta, com 22 gols marcados e apenas 4 sofridos, em 14 jogos disputados. Com a vitória de 2 x 0 sobre o Boca Juniors, hoje à noite, no Pacaembu, o Corinthians ganhou a Taça Libertadores da América com todos os méritos. Em 53 edições da competição, é apenas a 7ª vez que um clube a vence sem perder nenhum jogo. O Corinthians não tem grandes individualidades, mas é um time muito entrosado e de excelente senso coletivo, o que ressalta o bom trabalho de seu técnico, Tite. Depois de um período em que ficou em baixa na carreira, Tite reafirma, no Corinthians, onde, também, foi campeão brasileiro em 2011, as qualidades que demonstrara ao ser campeão gaúcho pelo Caxias e da Copa do Brasil pelo Grêmio. O título alcançado hoje o insere, definitivamente, no rol dos grandes técnicos brasileiros. Foi um título ganho por um time solidário, aplicado, obstinado na busca pelo resultado, fatores que compensam a ausência de grandes craques. Muitos, pelas mais variadas razões, "secaram" o Corinthians, mas hão de reconhecer que o título foi justo. O Boca Juniors pouco mostrou, afora sua tradicional pegada. Trata-se de um time tecnicamente modesto. Isso, contudo, não diminui o feito do Corinthians, pois mesmo adversários mais qualificados não conseguiram derrotá-lo ao longo da competição. O Corinthians torna-se, assim, o 9º clube brasileiro a ganhar a Libertadores, todos eles entre os maiores do país. Agora, dos 12 grandes clubes brasileiros, apenas Fluminense, Botafogo e Atlético Mineiro não a venceram. Parabéns, Corinthians, pela merecida conquista!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Transparência incômoda

No Brasil, meritórias iniciativas governamentais tendem a não ultrapassar o estágio das boas intenções. Isso ocorre porque tais medidas, muitas vezes, contrariam interesses de pessoas ou grupos influentes. Esse é o caso, por exemplo, da Lei de Acesso à Informação, que pretende tornar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário transparentes para os cidadãos, inclusive com a revelação dos salários de seus servidores. Obviamente, a ideia enfrenta muitas resistências, principalmente de quem tem ganhos muito acima do teto do funcionalismo público. Até agora, a Lei de Acesso á Informação tem andado a passos muito lentos em todo  o Brasil. No Rio Grande do Sul, a resistência parece ser ainda maior. O governador Tarso Genro disse que tem receio de revelar os salários de servidores do Poder Executivo. Tarso entende que o ideal seria uma decisão conjunta com os demais poderes quanto à forma dessa divulgação. Por enquanto, apenas está definido que o governo do Rio Grande do Sul não seguirá o modelo adotado pela União, e fará a divulgação dos dados de forma individualizada, mas não necessariamente nominal. O diretor executivo da organização Transparência Brasil, Cláudio Abramo, afirmou que o argumento de Tarso Genro para retardar a divulgação das informações dos salários dos servidores é falacioso. Abramo entende que o governador não pode deixar de divulgar os salários nominalmente porque tem receio, precisa apresentar justificativas plausíveis. Ele afirma, também, que os agentes públicos não tem o mesmo direito ao sigilo sobre seus ganhos do que quem trabalha no meio privado, pois são os cidadãos que pagam os seus salários e, portanto, tem o direito de saber quanto eles ganham. A verdade é que a Lei de Acesso à Informação está sendo interpretada de diferentes modos pelas esferas de poder. Alguns organismos agem com mais transparência, outros com menos. Os interesses de grupos e corporações fazem com que a lei, em todo o país, avance bem mais timidamente do que seria desejável. A lei, no entanto, existe. Cabe aos brasileiros pressionar pela sua total aplicação, sem permitir que interesses localizados a tornem sem efeito.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Um clube acima da lei

As leis, em princípio, devem ser cumpridas por todos, sem distinção ou privilégio de qualquer espécie. Na prática, sabemos, não é assim. Isso se confirma, mais uma vez, com a absurda liberação do estádio Beira-Rio para a realização de jogos. O estádio se encontra em obras e, por questões óbvias de segurança, já devia ter sido interditado há muito tempo. Três procuradores do Ministério Público, agindo de acordo com o que se espera de quem ocupa tão importante função, encaminharam o pedido de interdição, que foi, inicialmente, deferido. A partir daí, num episódio deprimente, o Inter e a imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, historicamente simpática ao clube, passaram a tecer comentários desabonadores em relação aos procuradores, tachando-os de gremistas. A CBF, instituição que rege o futebol brasileiro e que deveria ser a primeira a zelar pelo cumprimento do Estatuto do Torcedor, passou por cima do mesmo e concedeu ao Inter 72 horas a mais de prazo para a definição do local do jogo contra o Cruzeiro, no dia 07/07. Como consequência, o Inter dispôs de mais tempo para agir e conseguiu, hoje, a liberação do estádio Beira-Rio. Ainda que essa decisão possa vir a ser reformada, trata-se de um escândalo, de uma afronta aos mais elementares princípios de defesa do interesse público. Todos os estádios relacionados para a Copa do Mundo de 2014 tiveram suas atividades suspensas para a realização de obras. Só o Beira-Rio, até agora, é exceção. Porquê? O poder do Inter nos bastidores é algo que sempre me chamou a atenção. Com uma imprensa esportiva local dócil e fiel aos seus interesses, o Inter opera, também, com enorme desenvoltura, nos tribunais esportivos e em todos os estamentos de poder. O que para os outros é lei, para o Inter é letra morta. O clube tornou-se um ente sobre-estatal, que paira acima das leis e das autoridades. A decisão de hoje, ainda que libere para o público apenas o anel superior do estádio, é injustificável. Concede ao Inter, em detrimento a todos os demais clubes que tiveram os estádios em que costumeiramente jogam interditados, um privilégio descabido e nauseante. Mais uma vez, fica provado que, no Brasil, alguns podem bem mais do que outros e, nesses casos, a lei, a ética, o bom senso e o interesse público são pisoteados. Triste realidade de um país que avança economicamente, mas que, no plano das questões sociais, ainda adota conceitos arcaicos, típicos da época dos coronéis, em que prevalece o "sabe com quem você está falando?". A vitória obtida pelo Inter, hoje, no campo jurídico, é uma derrota da sociedade e do estado de direito.

domingo, 1 de julho de 2012

Espanha bicampeã

A Espanha comprovou, hoje, que ainda é a melhor seleção do mundo. Goleou a Itália por 4 x 0 e conquistou o bicampeonato da Eurocopa, pois já havia ganho o título da competição em 2008. Entre uma Eurocopa e outra, ganhou a Copa do Mundo de 2010. A Espanha, agora, possui três títulos da Eurocopa, pois foi campeã, também, em 1964. A Itália vinha credenciada pela vitória sobre a Alemanha, mas não conseguiu fazer frente ao adversário. Foi um resultado inapelável, o que fica bem evidenciado pelo placar dilatado. A Espanha comprova, assim, que não era um fenômeno passageiro. A taça da Eurocopa ficou em muito boas mãos, e a Espanha surge, ao menos no momento, como a principal candidata ao título da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Decepção

O Grêmio, em 2012, tem sido uma tediosa repetição dos últimos anos. Enche os torcedores de esperança, mas, sempre que se espera uma afirmação do time, ele fraqueja. Foi assim, novamente, hoje, contra o Atlético Mineiro, no Olímpico. Vários fatores motivavam os torcedores a irem ao estádio. Havia a estréia de  Zé Roberto, o primeiro jogo de Marcelo Grohe como titular após a venda de Victor, a volta de Ronaldinho ao Olímpico, a possibilidade de alcançar a vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Com isso, mais de 34 mil pessoas foram ao jogo. Elas estavam entusiasmadas e apoiaram animadamente o time. Porém, não adiantou. O Grêmio levou um gol ainda no primeiro tempo, e não conseguiu reverter o resultado, mesmo tendo a posse de bola na maior parte do jogo. O árbitro Paulo César de Oliveira teve uma má atuação, sendo conivente com a "cera" feita pelo Atlético Mineiro e expulsando Ânderson Pico de forma injusta, mas não foi o responsável pelo resultado. Souza e Léo Gago jogaram muito mal. Kléber e Marcelo Moreno lutaram muito e se movimentaram intensamente, mas não tiveram a efetividade que se espera de atacantes do seu nível. Zé Roberto teve uma estréia apenas razoável. A defesa, como um todo, esteve bem. O grande destaque do time, contudo, foi Marcelo Grohe, que correspondeu inteiramente a expectativa positiva que cerca sua condição de novo goleiro titular do Grêmio. Foi a terceira derrota do Grêmio em apenas sete rodadas do Brasileirão. Se continuar assim, o Grêmio não chegará ao título nem obterá classificação para a Libertadores.

Objetivo alcançado

O Inter,antes de sair para jogar duas partidas fora de casa, contra Sport e Bahia, colocou como meta obter 4 pontos. Nesse sentido, o objetivo foi alcançado, pois, após vencer o Sport por 2 x 0, no domingo anterior, empatou, hoje, em 1 x 1 com o Bahia. No entanto, é óbvio que um clube com as pretensões do Inter, cujo time é apontado como um dos principais candidatos ao título do Campeonato Brasileiro, não pode se contentar com tão pouco. Os dois times que o Inter enfrentou em sequência são fracos, e lutam, apenas, para evitar o rebaixamento. A obrigação do Inter, portanto, era ganhar os dois jogos. O Inter segue fora da zona de classificação para a Libertadores. Isso acontece porque, em sete rodadas, embora só tenha perdido um jogo, já empatou três. Como se sabe, em competições de pontos corridos os empates não são um bom resultado. O Inter segue sem entusiasmar. Tem jogadores de grande qualidade, como D'Alessandro e Oscar, mas eles não tem feito a diferença. A julgar pelo que se viu até aqui, as perspectivas do Inter de ganhar o Brasileirão, única competição que lhe restou em 2012, não são das melhores.

sábado, 30 de junho de 2012

Legislação trabalhista

A direita brasileira e os seus porta-vozes na imprensa não se cansam de pregar a necessidade de uma reforma na legislação trabalhista para torná-la mais "moderna" e adequada aos tempos atuais. Por trás desse discurso está, na verdade, a intenção de suprimir conquistas históricas da classe trabalhadora. Antes presente apenas em artigos e matérias de jornais e revistas, a cantilena reformista, agora, chegou à publicidade. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica um anúncio em veículos impressos que expressa a urgência de se modificar a legislação trabalhista brasileira. Conforme o texto do anúncio, o Brasil tem uma legislação trabalhista que já deveria ter se aposentado. Mais adiante, surge a colocação de que só há duas alternativas: "ou fazemos alguma coisa agora, ou fazemos alguma coisa já". Os argumentos utilizados  para a "modernização" das leis trabalhistas são os mesmos velhos e surrados de sempre, ou seja, de que isso favorece o trabalhador e as empresas, que os empregadores que tem menos dificuldades para contratar podem fazê-lo bem mais, e o de que obrigações legais menos onerosas estimulam o pagamento de maiores salários. Conto da carochinha! Não é nada disso. O que desejam os industriais e demais membros do empresariado brasileiro é uma legislação que facilite o processo demissional, o que favorece o rodízio de mão-de-obra, que, por sua vez, leva ao aviltamento dos salários. Assim, fica aberto o caminho para que as empresas obtenham lucros cada vez maiores, enquanto os trabalhadores são depauperados. A legislação trabalhista brasileira não pode ser desfigurada. Pelo contrário, é preciso que se ampliem as garantias e conquistas dos trabalhadores. O falso viés modernizante das propostas reformistas encobre a intenção dos empresários e de seus apoiadores de fazer o mundo do trabalho retroceder a um estágio medieval. Não vão conseguir o que pretendem. Os tempos são outros. A história não anda para trás.