sábado, 16 de junho de 2012
Tropeço
A derrota do Inter para o Botafogo por 2 x 1, hoje, em pleno Beira-Rio, foi o primeiro tropeço do clube no Campeonato Brasileiro, no qual ainda estava invicto. O resultado deixou inconformados torcedores e muitos profissionais de imprensa. Afinal, eles partilham a ideia de que o Inter tem um grande time e um grupo de jogadores muito bom. Sendo assim, tendo apenas o Brasileirão, até o final do ano, para disputar, entendem que essa é a grande chance do Inter de obter o título da competição, que não ganha há 33 anos. Porém, uma análise mais atenta dos fatos, mostrará que o Inter forte das manchetes jamais se apresentou em campo, até aqui, em 2012. A campanha do Inter na Libertadores foi pífia, tendo sido o último colocado entre os classificados para as oitavas de final da competição, com menos de 50% de aproveitamento. Nos cinco jogos que fez fora de casa, somando-se a Pré-Libertadores e a competição propriamente dita, não ganhou nenhum. No Campeonato Gaúcho, foi eliminado do primeiro turno por um Grêmio em crise e com um técnico interino, e na decisão contra o Caxias, depois de estar perdendo por 1 x 0 e sendo envolvido pelo adversário, precisou colocar D'Alessandro, ainda em recuperação de uma lesão, para poder virar o jogo e conquistar o título. No enfrentamento contra grandes clubes o Inter ainda está devendo em 2012. Nos Grenais, teve uma vitória, um empate e uma derrota, marcou e sofreu cinco gols. Equilíbrio absoluto. Contra o Santos, levou um "banho de bola" e perdeu por 3 x 1, na Vila Belmiro, e não saiu de um empate em 2 x 2, no Beira-Rio. Contra o Fluminense, em três jogos, empatou dois e perdeu um. Já contra o Flamengo, perdia por 3 x 1, e só conseguiu o empate por que o adversário cansou. Ganhou de 1 x 0 do São Paulo, no Beira-Rio, mas o adversário estava desfalcado e com o foco voltado para a Copa do Brasil. A amostragem é bastante clara. Existe um Inter, o da teoria, que é fortíssimo e está em condições de ganhar qualquer competição de que venha a participar. Há um outro Inter, contudo, o da realidade. Esse não condiz em nada com a generosidade das manchetes.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Liderança
Desde o início do reinado de Elizabeth II, há 60 anos, até os dias de hoje, os Beatles são os recordistas de singles no topo da parada britânica. Foram 17 singles que atingiram essa condição, e que resultaram numa vendagem de 21,9 milhões de cópias. Em segundo e terceiro lugares aparecem Elvis Presley e Cliff Richard, respectivamente. Madonna, em quarto lugar, e Michael Jackson, em quinto, completam o grupo dos artistas que ultrapassaram a vendagem de 15 milhões de cópias na Grã-Bretanha nesse período. Os Rolling Stones, tidos por muitos como os rivais dos Beatles em popularidade e prestígio, aparecem apenas em 13º lugar na lista e, embora continuem em atividade, não emplacam um single no topo das paradas britânicas desde 1981. Paul McCartney, em mais uma prova de que ele é o maior hitmaker dos Beatles, emplacou 11 singles em 1º lugar em sua carreira solo, somente seis a menos que o mítico grupo ao qual pertenceu. Não há como não considerar extraordinário o fato de que um grupo que esteve junto por apenas oito anos, e que foi desfeito há 42, ostente uma liderança como essa. Isso demonstra a qualidade inigualável da sua obra, que resiste incólume ao tempo, e encanta sucessivas gerações. Seus discos permanecem em catálogo e já passaram por remasterizações que aumentam sua atratividade, garantindo boas vendagens de modo constante. Seus filmes já foram lançados em DVD. O desenho animado "Yellow Submarine", de 1968, cujo DVD original é de 1999, ganhou agora uma edição remasterizada, e também uma versão em Blu-Ray. Por mais que o tempo passe, a paixão pelos Beatles não diminui, e basta ouvi-los para que qualquer pessoa entenda porque isso acontece.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A força de uma camisa
O Boca Juniors viveu um período tecnicamente terrível nos últimos anos, chegando a ficar ausente da Libertadores da América por um período considerável. Retornou à competição em 2012 com um time modesto, mas, mesmo assim, já está com um pé na decisão. Ao vencer a Universidad de Chile por 2 x 0, hoje à noite, na Bombonera, o Boca Juniors construiu uma vantagem consistente, e vai para o segundo jogo com a classificação encaminhada, ainda que se saiba que a Universidad de Chile tenha um time muito bom. Caso se classifique e, posteriormente, venha a ser campeão da Libertadores, o Boca Juniors igualará o Independiente como recordista de títulos da competição, com sete conquistas. Mesmo quando não possuem times muito qualificados, clubes como o Boca Juniors valem-se da força de suas camisas. Foi o caso do jogo de hoje, mais uma vez.
Um gol no final
O São Paulo venceu o Coritiba por 1 x 0, hoje à noite, no Morumbi, completando os jogos de ida das semifinais da Copa do Brasil. Se no jogo de ontem, no Olímpico, o Palmeiras encaminhou sua classificação para a decisão da competição com uma vitória de 2 x 0 sobre o Grêmio, o mesmo não pode ser dito em relação à partida de hoje. O gol da vitória do São Paulo só aconteceu aos 44 minutos do segundo tempo, quando, inclusive, o time já estava com um jogador a menos, devido à expulsão de Paulo Miranda. O técnico do São Paulo, Leão, admitiu que o Coritiba foi superior em campo. O gol nasceu de uma bela jogada individual de Lucas, o melhor jogador do São Paulo, em mais uma prova de que, no futebol, o talento continua a fazer a diferença. Dessa forma, enquanto o Palmeiras, fora de casa, construiu uma vantagem ampla, o São Paulo não tirou proveito do mando de campo, e obteve uma vitória magra. Como o segundo jogo será no Couto Pereira, o Coritiba tem amplas chances de se classificar para a decisão. O São Paulo entra como favorito, pela vitória no primeiro jogo e por sua maior tradição, mas a definição de quem irá adiante na competição ainda está, totalmente, em aberto.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Surpresa
Ainda que se tratasse de um clássico, um enfrentamento de dois grandes clubes, a derrota do Santos para o Corinthians por 1 x 0, hoje à noite, na Vila Belmiro, não deixa de ser surpreendente. Por jogar em casa, num estádio que é um verdadeiro "alçapão", e contar com seus dois grandes craques, Neymar e Paulo Henrique Ganso, esperava-se que o Santos fosse o vencedor do jogo, mas isso não aconteceu. O Corinthians fez seu gol ainda no primeiro tempo, e o Santos não conseguiu alterar o resultado. Agora, contando com a vantagem obtida no primeiro jogo, e fazendo a segunda partida no Pacaembu, que considera a sua casa, o Corinthians reverteu o favoritismo do Santos, e tem tudo para obter a classificação para a decisão da Libertadores. Por se tratar de um clássico, é claro, o Santos pode ganhar do Corinthians e seguir adiante na competição, mas é visível que o time já não mantém o mesmo nível de atuações de outros tempos. Suas duas maiores expressões técnicas enfrentam problemas. Paulo Henrique Ganso sofre com constantes lesões, e Neymar já parece sentir pesar sobre os ombros a responsabilidade de sempre dar um espetáculo em campo. Porém, nada está decidido. O Santos ainda tem a possibilidade de fazer com que o resultado de hoje seja apenas uma surpresa isolada, um tropeço reversível. Resta esperar para ver.
Desastre
O jogo Grêmio x Palmeiras, hoje à noite no Olímpico, ia se encaminhando para um 0 x 0 que já era altamente frustrante para as expectativas do mandante quando, no final da partida, Rondinelly furou em bola na tentativa de um chute a gol e propiciou um contra-ataque que resultou no primeiro gol do clube paulista. Pouco depois, num descuido da defesa, agravado por uma falha de Victor, o Palmeiras fez 2 x 0. Foi uma reversão total de expectativa. Os mais de 45 mil torcedores do Grêmio que foram ao estádio esperavam uma vitória, estavam tentando assimilar um empate decepcionante, e foram castigados por uma derrota que, praticamente, acaba com as chances do clube de prosseguir na Copa do Brasil. Para eliminar o Palmeiras, e se classificar para a decisão da competição, o Grêmio terá que, em Barueri, vencer por 3 gols de diferença, ou, no mínimo, devolver o placar do primeiro jogo e disputar a loteria dos tiros livres da marca do pênalti. A tarefa é muito difícil. A atuação do Grêmio, hoje, foi muito ruim. O time não encontrou, em momento algum, soluções para furar a retranca do Palmeiras. O técnico Vanderlei Luxemburgo se equivocou na escalação e nas substituições. O ataque que deveria ter sido escalado de início era Miralles e Marcelo Moreno, mas Luxemburgo optou por Kléber e deixou o boliviano no banco. No segundo tempo, Luxemburgo errou, novamente, ao retirar os dois atacantes e trocá-los por André Lima e Marcelo Moreno. O correto seria substituir Kléber pelo boliviano, mantendo Miralles. A troca de Marco Antônio por Rondinelly foi feita muito tarde. Deveria ter ocorrido já no intervalo, pois Marco Antônio teve uma péssima atuação. O Grêmio apresentou os mesmos problemas de sempre. Nas laterais, esteve muito mal. Gabriel, além do mau desempenho, mostrou-se displicente. Pará não aproveitou os espaços que o Palmeiras lhe concedia, errando todas as jogadas. Léo Gago também esteve abaixo da crítica. André Lima, quando entrou, foi a mesma nulidade de sempre. Os números de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio, no plano estatístico, são bons, mas nas duas vezes em que o time foi posto à prova, na decisão do segundo turno do Campeonato Gaúcho, contra o Inter, e no jogo de hoje, fracassou. O calvário do torcedor gremista prossegue, e nem mesmo um técnico multicampeão como Luxemburgo parece ser capaz de reverter esse quadro tão amargo.
terça-feira, 12 de junho de 2012
No rumo das decisões
As duas competições mais importantes para os clubes brasileiros no primeiro semestre começarão a ser definidas a partir de amanhã. Serão iniciadas as semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores. Os estádios estarão lotados para assistir Grêmio x Palmeiras, pela Copa do Brasil, e Santos x Corinthians, pela Libertadores. Grêmio e Santos parecem mais fortes que seus adversários, mas terão a desvantagem de fazer o segundo jogo das semifinais fora de casa. Por isso mesmo, deverão se esforçar ao máximo para obter uma vantagem consistente, que facilite o enfrentamento na segunda partida. O Grêmio é o único dos quatro clubes que também ostenta um bom desempenho no Campeonato Brasileiro, no qual é o terceiro colocado. O Santos ainda não venceu no Brasileirão, e Corinthians e Palmeiras estão na zona de rebaixamento. O futebol é sujeito a imprevistos, mas não é verdade que não se possa apontar favoritos para os dois jogos. O Grêmio vive um momento bem melhor que o do Palmeiras, seu ambiente no vestiário é bom, ao contrário do seu adversário, e tem tudo pára se classificar para a decisão da Copa do Brasil. O Santos tem dois jogadores que desequilibram, Neymar e Paulo Henrique Ganso, e, mesmo o Corinthians sendo um bom time, esse fator deve fazer a diferença. Seja como for, emoção e qualidade não deverão faltar nos jogos entre os quatro clubes, amanhã e na próxima semana. Depois de fases anteriores pouco atraentes, Copa do Brasil e Libertadores se encaminham para as suas definições. Para quem gosta de futebol, será um prato cheio.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
O craque ainda faz a diferença
Os apologistas do "futebol de resultados" costumam afirmar que o mesmo é um esporte coletivo, e que essa noção deve pairar acima do culto à individualidade. Por essa visão, a disciplina tática, o senso coletivo, o esforço conjunto, a divisão de tarefas entre os jogadores, são mais importantes que o brilhantismo técnico de um ou outro integrante do time. Conversa fiada! O que sustenta a paixão por qualquer esporte são os ídolos, e eles se caracterizam por serem diferenciados dos demais. Alguns jogos, nos últimos dias, tem reafirmado essa verdade. No sábado, a Seleção Brasileira perdeu para a Argentina por 4 x 3. A equipe brasileira não foi inferior à sua adversária, mas esbarrou na magnífica atuação de Messi, que fez três gols e desequilibrou o jogo. Hoje, na partida Ucrânia x Suécia, estréia das duas seleções na Eurocopa, a importância dos craques foi, novamente, posta em evidência. Ucrânia e Suécia possuem equipes modestas, com poucos destaques individuais, mas cada uma delas apresenta um astro em sua escalação. Na Suécia, o grande nome é Ibrahimovic, de 30 anos, ainda em alto desempenho na carreira. Na Ucrãnia, o maior nome é Shevchenko que, aos 35 anos, adiou sua aposentadoria, a pedidos, apenas para participar da Eurocopa que, em 2012, é sediada conjuntamente por seu país e pela Polônia. O jogo de hoje terminou com a vitória da Ucrânia sobre a Suécia por 2 x 1. A Suécia saiu na frente com um gol de Ibrahimovic. A Ucrânia virou com dois gols de Shevchenko. Como se vê, foram justamente os dois jogadores de maior prestígio entre os presentes em campo que construíram o placar da partida. Por mais bem treinado que seja um time, por mais disciplina tática que possua, ele pouco conseguirá se não tiver entre seus integrantes um ou mais jogadores que façam a diferença. O próprio Barcelona, time que se tornou a sensação dos últimos anos, pratica um futebol coletivamente admirável, mas não teria obtido metade de suas conquistas se não contasse com um jogador extraordinário como Messi, o mesmo que desequilibrou a partida Seleção Brasileira x Argentina, no sábado, conforme referi acima. Os esquemas se modificam, a preparação física torna-se cada vez mais intensa, mas, para sorte dos amantes do bom futebol, o talento continua a ser preponderante.
domingo, 10 de junho de 2012
Boas campanhas
Grêmio e Inter fazem boas campanhas no Campeonato Brasileiro. O Grêmio estreou perdendo para o Vasco, quando, equivocadamente, poupou jogadores, mas ganhou os três jogos seguintes e já está na zona de classificação para a Libertadores. O Inter ainda está invicto na competição, mas, por ter empatado dois de seus jogos, está com um ponto a menos do que o Grêmio. A campanha do Grêmio, afora já ser melhor, é mais meritória que a do Inter, já que o clube disputa, paralelamente, a Copa do Brasil, enquanto seu maior rival só tem o Brasileirão como compromisso até o final de 2012. O Grêmio venceu o time reserva do Corinthians por 2 x 0, hoje à tarde, no Olímpico. As dificuldades apareceram só até acontecer o primeiro gol. A partir daí, o Grêmio dominou inteiramente o jogo, e marcou o segundo gol ainda no primeiro tempo. Com a substituição, no intervalo, de Miralles por Kléber, o time caiu de rendimento, mas isso não foi suficiente para o Corinthians ameaçar a vitória gremista. Foi o Grêmio que perdeu a chance de ampliar o placar, quando o árbitro deixou de marcar um pênalti claríssimo sobre Kléber. Em termos individuais, a melhor atuação foi de Miralles que, incrivelmente, quase foi dispensado pelo clube. No Engenhão, Fluminense e Inter empataram em 0 x 0. O jogo não foi bom, mas, se tivesse um vencedor, esse seria o Fluminense, que desperdiçou várias chances, fazendo do goleiro do Inter, Muriel, a maior figura em campo. Já o Inter deu pouco trabalho para o goleiro do Fluminense, Diego Cavalieri, pois, praticamente, não teve jogadas de conclusão. O que importa, contudo, é que, até aqui, Grêmio e Inter fazem campanhas satisfatórias, que autorizam suas torcidas a sonharem com o título do Brasileirão. Tomara que prossigam assim.
sábado, 9 de junho de 2012
Messi fez a diferença
Não há porque condenar a Seleção Brasileira, nem pedir a demissão do técnico Mano Menezes. A derrota por 4 x 3 para a Argentina, mesmo tendo sido a segunda consecutiva da Seleção, não foi consequência de um mau futebol. A equipe brasileira jogou muito bem, e a partida foi de ótima qualidade, com muitos gols e alternância no placar. Convém lembrar que a Argentina estava com a sua melhor escalação, enquanto a equipe brasileira era a olímpica, com maioria de jovens. Alguns deles, como os zagueiros Bruno Uvini e Juan, por exemplo, ainda estão bem abaixo do nível de uma Seleção Brasileira principal. Mesmo assim, a Seleção teve um atuação muito boa, e só perdeu porque se deparou com o melhor jogador do mundo, Messi, em dia inspiradíssimo. Se alguém ainda duvidava da genialidade de Messi, certamente não o fará mais. Os que diziam que ele só jogava bem no Barcelona, fracassando na Seleção da Argentina, ficaram sem argumento. Messi teve uma atuação de encher os olhos, dessas que explicam porque o fascínio pelo futebol jamais irá morrer. Jogador diferenciado que é, desequilibrou a partida em favor de sua equipe. Não se deve culpar a Seleção Brasileira pela derrota. Ela jogou bem e não foi inferior à Argentina como equipe. Acontece que, do outro lado, havia Messi fazendo uma atuação exuberante. Não se deve julgar esse jogo apenas pelo resultado, pois isso pode levar a decisões equivocadas. A Seleção deve seguir o seu trabalho, sem alterações significativas, pois, à exceção do jogo contra o México, mostrou bom futebol nessa breve excursão. Hoje, ela enfrentou um gênio no auge de sua forma e isso levou-a à derrota, mas esse foi apenas um amistoso. Mais que qualquer outra coisa, devemos saudar Messi pelo espetáculo que ele proporcionou a quem assistiu ao jogo. Isso é que o ficou de mais importante da partida.
Assinar:
Postagens (Atom)