quinta-feira, 14 de junho de 2012

A força de uma camisa

O Boca Juniors viveu um período tecnicamente terrível nos últimos anos, chegando a ficar ausente da Libertadores da América por um período considerável. Retornou à competição em 2012 com um time modesto, mas, mesmo assim, já está com um pé na decisão. Ao vencer a Universidad de Chile por 2 x 0, hoje à noite, na Bombonera, o Boca Juniors construiu uma vantagem consistente, e vai para o segundo jogo com a classificação encaminhada, ainda que se saiba que a Universidad de Chile tenha um time muito bom. Caso se classifique e, posteriormente, venha a ser campeão da Libertadores, o Boca Juniors igualará o Independiente como recordista de títulos da competição, com sete conquistas. Mesmo quando não possuem times muito qualificados, clubes como o Boca Juniors valem-se da força de suas camisas. Foi o caso do jogo de hoje, mais uma vez.

Um gol no final

O São Paulo venceu o Coritiba por 1 x 0, hoje à noite, no Morumbi, completando os jogos de ida das semifinais da Copa do Brasil. Se no jogo de ontem, no Olímpico, o Palmeiras encaminhou sua classificação para a decisão da competição com uma vitória de 2 x 0 sobre o Grêmio, o mesmo não pode ser dito em relação à partida de hoje. O gol da vitória do São Paulo só aconteceu aos 44 minutos do segundo tempo, quando, inclusive, o time já estava com um jogador a menos, devido à expulsão de Paulo Miranda. O técnico do São Paulo, Leão, admitiu que o Coritiba foi superior em campo. O gol nasceu de uma bela jogada individual de Lucas, o melhor jogador do São Paulo, em mais uma prova de que, no futebol, o talento continua a fazer a diferença. Dessa forma, enquanto o Palmeiras, fora de casa, construiu uma vantagem ampla, o São Paulo não tirou proveito do mando de campo, e obteve uma vitória magra. Como o segundo jogo será no Couto Pereira, o Coritiba tem amplas chances de se classificar para a decisão. O São Paulo entra como favorito, pela vitória no primeiro jogo e por sua maior tradição, mas a definição de quem irá adiante na competição ainda está, totalmente, em aberto.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Surpresa

Ainda que se tratasse de um clássico, um enfrentamento de dois grandes clubes, a derrota do Santos para o Corinthians por 1 x 0, hoje à noite, na Vila Belmiro, não deixa de ser surpreendente. Por jogar em casa, num estádio que é um verdadeiro "alçapão", e contar com seus dois grandes craques, Neymar e Paulo Henrique Ganso, esperava-se que o Santos fosse o vencedor do jogo, mas isso não aconteceu. O Corinthians fez seu gol ainda no primeiro tempo, e o Santos não conseguiu alterar o resultado. Agora, contando com a vantagem obtida no primeiro jogo, e fazendo a segunda partida no Pacaembu, que considera a sua casa, o Corinthians reverteu o favoritismo do Santos, e tem tudo para obter a classificação para a decisão da Libertadores. Por se tratar de um clássico, é claro, o Santos pode ganhar do Corinthians e seguir adiante na competição, mas é visível que o time já não mantém o mesmo nível de atuações de outros tempos. Suas duas maiores expressões técnicas enfrentam problemas. Paulo Henrique Ganso sofre com constantes lesões, e Neymar já parece sentir pesar sobre os ombros a responsabilidade de sempre dar um espetáculo em campo. Porém, nada está decidido. O Santos ainda tem a possibilidade de fazer com que o resultado de hoje seja apenas uma surpresa isolada, um tropeço reversível. Resta esperar para ver.

Desastre

O jogo Grêmio x Palmeiras, hoje à noite no Olímpico, ia se encaminhando para um 0 x 0 que já era altamente frustrante para as expectativas do mandante quando, no final da partida, Rondinelly furou em bola na tentativa de um chute a gol e propiciou um contra-ataque que resultou no primeiro gol do clube paulista. Pouco depois, num descuido da defesa, agravado por uma falha de Victor, o Palmeiras fez 2 x 0. Foi uma reversão total de expectativa. Os mais de 45 mil torcedores do Grêmio que foram ao estádio esperavam uma vitória, estavam tentando assimilar um empate decepcionante, e foram castigados por uma derrota que, praticamente, acaba com as chances do clube de prosseguir na Copa do Brasil. Para eliminar o Palmeiras, e se classificar para a decisão da competição, o Grêmio terá que, em Barueri, vencer por 3 gols de diferença, ou, no mínimo, devolver o placar do primeiro jogo e disputar a loteria dos tiros livres da marca do pênalti. A tarefa é muito difícil. A atuação do Grêmio, hoje, foi muito ruim. O time não encontrou, em momento algum, soluções para furar a retranca do Palmeiras. O técnico Vanderlei Luxemburgo se equivocou na escalação e nas substituições. O ataque que deveria ter sido escalado de início era Miralles e Marcelo Moreno, mas Luxemburgo optou por Kléber e deixou o boliviano no banco. No segundo tempo, Luxemburgo errou, novamente, ao retirar os dois atacantes e trocá-los por André Lima e Marcelo Moreno. O correto seria substituir Kléber pelo boliviano, mantendo Miralles. A troca de Marco Antônio por Rondinelly foi feita muito tarde. Deveria ter ocorrido já no intervalo, pois Marco Antônio teve uma péssima atuação. O Grêmio apresentou os mesmos problemas de sempre. Nas laterais, esteve muito mal. Gabriel, além do mau desempenho, mostrou-se displicente. Pará não aproveitou os espaços que o Palmeiras lhe concedia, errando todas as jogadas. Léo Gago também esteve abaixo da crítica. André Lima, quando entrou, foi a mesma nulidade de sempre. Os números de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio, no plano estatístico, são bons, mas nas duas vezes em que o time foi posto à prova, na decisão do segundo turno do Campeonato Gaúcho, contra o Inter, e no jogo de hoje, fracassou. O calvário do torcedor gremista prossegue, e nem mesmo um técnico multicampeão como Luxemburgo parece ser capaz de reverter esse quadro tão amargo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

No rumo das decisões

As duas competições mais importantes para os clubes brasileiros no primeiro semestre começarão a ser definidas a partir de amanhã. Serão iniciadas as semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores. Os estádios estarão lotados para assistir Grêmio x Palmeiras, pela Copa do Brasil, e Santos x Corinthians, pela Libertadores. Grêmio e Santos parecem mais fortes que seus adversários, mas terão a desvantagem de fazer o segundo jogo das semifinais fora de casa. Por isso mesmo, deverão se esforçar ao máximo para obter uma vantagem consistente, que facilite o enfrentamento na segunda partida. O Grêmio é o único dos quatro clubes que também ostenta um bom desempenho no Campeonato Brasileiro, no qual é o terceiro colocado. O Santos ainda não venceu no Brasileirão, e Corinthians e Palmeiras estão na zona de rebaixamento. O futebol é sujeito a imprevistos, mas não é verdade que não se possa apontar favoritos para os dois jogos. O Grêmio vive um momento bem melhor que o do Palmeiras, seu ambiente no vestiário é bom, ao contrário do seu adversário, e tem tudo pára se classificar para a decisão da Copa do Brasil. O Santos tem dois jogadores que desequilibram, Neymar e Paulo Henrique Ganso, e, mesmo o Corinthians sendo um bom time, esse fator deve fazer a diferença. Seja como for, emoção e qualidade não deverão faltar nos jogos entre os quatro clubes, amanhã e na próxima semana. Depois de fases anteriores pouco atraentes, Copa do Brasil e Libertadores se encaminham para as suas definições. Para quem gosta de futebol, será um prato cheio.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O craque ainda faz a diferença

Os apologistas do "futebol de resultados" costumam afirmar que o mesmo é um esporte coletivo, e que essa noção deve pairar acima do culto à individualidade. Por essa visão, a disciplina tática, o senso coletivo, o esforço conjunto, a divisão de tarefas entre os jogadores, são mais importantes que o brilhantismo técnico de um ou outro integrante do time. Conversa fiada! O que sustenta a paixão por qualquer esporte são os ídolos, e eles se caracterizam por serem diferenciados dos demais. Alguns jogos, nos últimos dias, tem reafirmado essa verdade. No sábado, a Seleção Brasileira perdeu para a Argentina por 4 x 3. A equipe brasileira não foi inferior à sua adversária, mas esbarrou na magnífica atuação de Messi, que fez três gols e desequilibrou o jogo. Hoje, na partida Ucrânia x Suécia, estréia das duas seleções na Eurocopa, a importância dos craques foi, novamente, posta em evidência. Ucrânia e Suécia possuem equipes modestas, com poucos destaques individuais, mas cada uma delas apresenta um astro em sua escalação. Na Suécia, o grande nome é Ibrahimovic, de 30 anos, ainda em alto desempenho na carreira. Na Ucrãnia, o maior nome é Shevchenko que, aos 35 anos, adiou sua aposentadoria, a pedidos, apenas para participar da Eurocopa que, em 2012, é sediada conjuntamente por seu país e pela Polônia. O jogo de hoje terminou com a vitória da Ucrânia sobre a Suécia por 2 x 1. A Suécia saiu na frente com um gol de Ibrahimovic. A Ucrânia virou com dois gols de Shevchenko. Como se vê, foram justamente os dois jogadores de maior prestígio entre os presentes em campo que construíram o placar da partida. Por mais bem treinado que seja um time, por mais disciplina tática que possua, ele pouco conseguirá se não tiver entre seus integrantes um ou mais jogadores que façam a diferença. O próprio Barcelona, time que se tornou a sensação dos últimos anos, pratica um futebol coletivamente admirável, mas não teria obtido metade de suas conquistas se não contasse com um jogador extraordinário como Messi, o mesmo que desequilibrou a partida Seleção Brasileira x Argentina, no sábado, conforme referi acima. Os esquemas se modificam, a preparação física torna-se cada vez mais intensa, mas, para sorte dos amantes do bom futebol, o talento continua a ser preponderante.

domingo, 10 de junho de 2012

Boas campanhas

Grêmio e Inter fazem boas campanhas no Campeonato Brasileiro. O Grêmio estreou perdendo para o Vasco, quando, equivocadamente, poupou jogadores, mas ganhou os três jogos seguintes e já está na zona de classificação para a Libertadores. O Inter ainda está invicto na competição, mas, por ter empatado dois de seus jogos, está com um ponto a menos do que o Grêmio. A campanha do Grêmio, afora já ser melhor, é mais meritória que a do Inter, já que o clube disputa, paralelamente, a Copa do Brasil, enquanto seu maior rival só tem o Brasileirão como compromisso até o final de 2012. O Grêmio venceu o time reserva do Corinthians por 2 x 0, hoje à tarde, no Olímpico. As dificuldades apareceram só até acontecer o primeiro gol. A partir daí, o Grêmio dominou inteiramente o jogo, e marcou o segundo gol ainda no primeiro tempo. Com a substituição, no intervalo, de Miralles por Kléber, o time caiu de rendimento, mas isso não foi suficiente para o Corinthians ameaçar a vitória gremista. Foi o Grêmio que perdeu a chance de ampliar o placar, quando o árbitro deixou de marcar um pênalti claríssimo sobre Kléber. Em termos individuais, a melhor atuação foi de Miralles que, incrivelmente, quase foi dispensado pelo clube. No Engenhão, Fluminense e Inter empataram em 0 x 0. O jogo não foi bom, mas, se tivesse um vencedor, esse seria o Fluminense, que desperdiçou várias chances, fazendo do goleiro do Inter, Muriel, a maior figura em campo. Já o Inter deu pouco trabalho para o goleiro do Fluminense, Diego Cavalieri, pois, praticamente, não teve jogadas de conclusão. O que importa, contudo, é que, até aqui, Grêmio e Inter fazem campanhas satisfatórias, que autorizam suas torcidas a sonharem com o título do Brasileirão. Tomara que prossigam assim.

sábado, 9 de junho de 2012

Messi fez a diferença

Não há porque condenar a Seleção Brasileira, nem pedir a demissão do técnico Mano Menezes. A derrota por 4 x 3 para a Argentina, mesmo tendo sido a segunda consecutiva da Seleção, não foi consequência de um mau futebol. A equipe brasileira jogou muito bem, e a partida foi de ótima qualidade, com muitos gols e alternância no placar. Convém lembrar que a Argentina estava com a sua melhor escalação, enquanto a equipe brasileira era a olímpica, com maioria de jovens. Alguns deles, como os zagueiros Bruno Uvini e Juan, por exemplo, ainda estão bem abaixo do nível de uma Seleção Brasileira principal. Mesmo assim, a Seleção teve um atuação muito boa, e só perdeu porque se deparou com o melhor jogador do mundo, Messi, em dia inspiradíssimo. Se alguém ainda duvidava da genialidade de Messi, certamente não o fará mais. Os que diziam que ele só jogava bem no Barcelona, fracassando na Seleção da Argentina, ficaram sem argumento. Messi teve uma atuação de encher os olhos, dessas que explicam porque o fascínio pelo futebol jamais irá morrer. Jogador diferenciado que é, desequilibrou a partida em favor de sua equipe. Não se deve culpar a Seleção Brasileira pela derrota. Ela jogou bem e não foi inferior à Argentina como equipe. Acontece que, do outro lado, havia Messi fazendo uma atuação exuberante. Não se deve julgar esse jogo apenas pelo resultado, pois isso pode levar a decisões equivocadas. A Seleção deve seguir o seu trabalho, sem alterações significativas, pois, à exceção do jogo contra o México, mostrou bom futebol nessa breve excursão. Hoje, ela enfrentou um gênio no auge de sua forma e isso levou-a à derrota, mas esse foi apenas um amistoso. Mais que qualquer outra coisa, devemos saudar Messi pelo espetáculo que ele proporcionou a quem assistiu ao jogo. Isso é que o ficou de mais importante da partida.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Homenagem nauseante

No próximo domingo, num teatro no centro de Santiago, será prestada uma homenagem à memória do ditador chileno Augusto Pinochet. O ato é promovido por um grupo denominado 11 de Setembro, exatamente a data em que o presidente do Chile, legitimamente eleito, Salvador Allende, foi derrubado por um golpe comandado por Pinochet. Apesar dos recursos judiciais de familiares das vítimas da ditadura, a Justiça do Chile autorizou a  realização da homenagem, alegando o fato de que ela será feita em local privado. Trata-se de um acinte, um desrespeito total aos que defendem a democracia e os direitos humanos. Pinochet foi um ditador execrável e sanguinário. Seu regime arbitrário, que durou 17 anos, redundou em 3 mil vítimas. Pinochet, contudo, jamais pagou por seus crimes. Num momento em que a América do Sul abraça, cada vez mais, o ideário de esquerda, como comprovam os governos de Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Venezuela e Equador, e em que, na França, os socialistas retomaram o poder, o Chile insiste em andar na contramão da história. Seu atual presidente é um magnata direitista, e os trabalhadores tem de prover inteiramente a sua aposentadoria pelo sistema de previdência privada, pois as empresas são liberadas de qualquer ônus nesse sentido. Não por acaso, o Chile recebe fartos elogios da imprensa conservadora brasileira, grande admiradora de governos onde o Estado se ausenta das suas tarefas mais básicas, aderindo à sociedade de mercado e dando as costas aos cidadãos. A homenagem a Pinochet não é só uma agressão a todos os chilenos que foram vítimas da ditadura e aos seus familiares. Trata-se de um insulto a todo o cidadão, de qualquer parte do mundo, já que mostra desprezo por valores básicos da humanidade, como a liberdade e a democracia. Com a homenagem a um genocida e ao seu infecto regime, o domingo será um dia de luto, não só no Chile, mas em todo o lugar em que ainda se preze a dignidade humana.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O julgamento do mensalão

O Supremo Tribunal Federal aprovou ontem, em sessão administrativa, um cronograma de julgamento do processo do mensalão. Pelo cronograma, o julgamento começaria no dia 1º de agosto e se estenderia, pelo menos, até o início de setembro. O calendário, contudo, depende de o ministro Ricardo Lewandowski concluir a revisão do processo até o final de junho. Lewandowski garantiu que entregará a revisão do processo até o final do mês. Será muito bom que tudo isso se confirme. O país já convive com o assunto mensalão há sete anos. Afora o estardalhaço e o sensacionalismo em torno do tema praticado pela revista "Veja", o mensalão não teve maior repercussão junto à opinião pública. A prova disso é que, tendo ocorrido em 2005, o que "Veja" qualifica como "o maior escândalo político brasileiro de todos os tempos" não impediu que, no ano seguinte, o presidente Luís Inácio Lula da Silva conseguisse a sua reeleição, nem que, passados mais quatro anos, a candidata por ele apoiada se tornasse sua sucessora no cargo. Não estou aqui a minimizar a gravidade dos fatos acontecidos, nem a defender a impunidade das pessoas envolvidas. Saúdo a realização do julgamento ainda em 2012 para que não se corra o risco da prescrição de crimes, e para que tenhamos, finalmente um desfecho para o caso. Espero que, provada a culpa de quem quer seja, haja a devida punição. Seria bom que, em caso de condenação, a pessoa fosse banida da atividade política. O mensalão não pode se perpetuar como um assunto em pauta, tem de ser esclarecido de uma vez por todas. No entanto, no meu entender, seja  qual for o resultado do julgamento, não terá repercussão nas urnas. O mensalão é um assunto que empolga a oposição e frequenta rodas de conversa de pessoas mais bem situadas na escala social, mas é, praticamente, ignorado pela grande massa do eleitorado. O eleitor, como se sabe, não vota com o coração nem com o cérebro, mas com o estômago e o bolso. Como nesses dois aspectos, ao menos por ora, a maioria dos brasileiros parece satisfeita, o atual governo não tem o que temer. A tendência é que, em 2014, o PT e seus aliados ganhem mais uma eleição para presidente. Essa perspectiva é mais do que evidente. O resultado do julgamento do mensalão, para frustração de alguns, não terá o poder de alterá-la.