quarta-feira, 23 de maio de 2012
Definições
A Taça Libertadores da América e a Copa do Brasil estão definindo, nessa semana, os seus semifinalistas. São competições que começaram com um grande número de participantes, e que, agora, revelam os seus postulantes aos títulos. Na Libertadores, hoje à noite, o Fluminense, clube de melhor campanha na primeira fase, foi eliminado pelo Boca Juniors em pleno Engenhão. O Fluminense havia perdido o primeiro jogo na Bombonera por 1 x 0, quando foi muito prejudicado pela arbitragem. Na partida de hoje, vencia pelo mesmo placar, o que levaria a decisão para os tiros livres da marca do pênalti, mas cedeu o empate aos 45 minutos do segundo tempo, e foi desclassificado. No confronto entre brasileiros, Corinthians e Vasco fizeram um jogo dramático. Depois de um 0 x 0 na primeira partida, em São Januário, tudo se encaminhava para um novo empate sem gols, o que resultaria em cobranças de tiros livres da marca do pênalti, quando, aos 41 minutos do segundo tempo, Paulinho, de cabeça, fez o gol da vitória do Corinthians. Nem mesmo aí, contudo, o Corinthians se sentiu tranquilo, pois bastaria ao Vasco fazer um gol que se classificaria pelo saldo qualificado. O Vasco, aliás, teve a chance de garantir sua classificação quando, aos 24 minutos do segundo tempo, Diego Souza perdeu um gol feito, sozinho com o goleiro. Era a chamada "bola do jogo", e desperdiçá-la acabou sendo fatal para o Vasco. O consolo para os dois clubes cariocas que foram eliminados hoje é que ambos estrearam com vitória no Campeonato Brasileiro, competição em que concentrarão suas atenções daqui por diante. Na Copa do Brasil, três semifinalistas já são conhecidos, e outro está muito bem encaminhado. Hoje à noite, Palmeiras, São Paulo e Coritiba obtiveram suas classificações para as semifinais. O Palmeiras, depois de um empate em 2 x 2 no primeiro jogo, em Curitiba, venceu o Atlético-PR com naturalidade, por 2 x 0, em Barueri (SP). O São Paulo, que havia ganho a primeira partida por 2 x 0, no Morumbi, empatou em 2 x 2 com o Goiás, no Serra Dourada, e também avançou na competição. O Coritiba, após um empate de 0 x 0 no primeiro jogo, no Barradão, goleou, de virada, o Vitória da Bahia por 4 x 1. Resta apenas a definição do confronto entre Grêmio e Bahia para que se conheçam todos os semifinalistas da Copa do Brasil. Como ganhou a primeira partida por 2 x 1, no estádio de Pituaçu, o Grêmio, jogando no Olímpico, é o virtual classificado. Depois de fases iniciais de escassas emoções, Libertadores e Copa do Brasil encaminham-se para o seu desfecho, em disputas que envolverão clubes de grande tradição. Haja coração!
terça-feira, 22 de maio de 2012
O casamento gay chega aos quadrinhos
Conforme noticiam todos os sites de jornais, o casamento gay chegou às histórias em quadrinhos. Um dos super-heróis da Marvel, cuja condição homossexual já era conhecida, pedirá seu namorado em casamento, numa das próximas edições de sua revista. O fato, que ocorre pouco depois de uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, favorável à união de pessoas do mesmo sexo, mostra que, mesmo a contragosto dos conservadores, esse é um caminho sem volta. As pressões de organizações sectárias de todos os tipos continuarão a se fazer sentir, mas é para frente que se anda, e a história caminha permanentemente para superar o obscurantismo, pois é isso que garante o avanço contínuo da humanidade. As diversas correntes religiosas fazem muito barulho, principalmente os evangélicos, extremamente retrógrados e com um número crescente de seguidores, mas não terão força para conter uma tendência que não reflete um modismo, mas sim o resultado de uma longa e dolorosa luta dos homossexuais por seus direitos. Assim como aconteceu com as mulheres, oprimidas durante séculos e hoje exercendo um papel proeminente na sociedade, os homossexuais saem das sombras a que foram confinados ao longo do tempo para apresentarem-se diante de todos. Claro que ainda há muito a ser feito no rumo da aceitação dos gays, e que eles continuarão a enfrentar atitudes hostis e discriminatórias. Porém, o tempo em que eram figuras condenadas à exclusão social não retornará mais. Os homossexuais ocuparam o espaço que é de seu direito na sociedade, e isso é irreversível. A história em quadrinhos da Marvel apenas confirma essa realidade.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O interesse pelas celebridades
Vivemos numa época de culto às celebridades. Há um grande interesse por tudo o que envolva a vida de gente famosa. Mais do que isso, um número enorme de pessoas também sonha em alcançar a fama, a qualquer custo. Não é mais preciso fazer algo de relevante que, como consequência, leve alguém a obter reconhecimento público. Basta aparecer, "acontecer", e nenhum veículo é mais propício para isso do que a televisão. A mesma televisão que conta com profissionais e artistas do mais alto nível, merecedores, portanto, de se tornarem famosos, gera celebridades instantâneas, sem brilho, nem conteúdo, como, por exemplo, os participantes do reality show "Big Brother Brasil". Enfim, são muitos os casos de pessoas cuja fama se deve a exposição de sua imagem pela televisão. Uma delas é Xuxa, ex-modelo que, há mais de vinte anos, foi denominada a "Rainha dos Baixinhos". Após um começo profissional em que fazia fotos em poses ousadas como modelo, e participava de filmes eróticos como atriz, Xuxa tornou-se apresentadora de programas infantis, obtendo um sucesso estrondoso, que se estendia aos discos, dos quais vendia milhões de cópias. O tempo passou, e Xuxa, quase cinquentona, não pode mais ser a "Rainha dos Baixinhos". Desde que Xuxa teve de buscar um público mais adulto, seus programas patinam na audiência, já tendo mudado, diversas vezes, de dia e horário. Mesmo assim, Xuxa continua a despertar muito interesse. Tanto é assim que o depoimento que deu ontem ao "Fantástico", levou o programa a ter sua mais alta audiência em 2012. No seu relato, Xuxa falou de vários assuntos, sendo que o que causou mais impacto foi sua revelação de que sofreu abuso sexual na infância e adolescência. No dia de hoje, o depoimento de Xuxa ocasionou comentários em todas as rodas de conversa e nas redes sociais, e foi objeto de matérias em jornais e sites. Particularmente, sempre tive dificuldade de entender o fascínio exercido por Xuxa junto ao público. Afora a beleza e sensualidade que ostentava na juventude, nunca demonstrou outros atributos mais evidentes, quer como apresentadora, atriz ou cantora. Seu desempenho nessas funções, na verdade, sempre esteve próximo do sofrível. Ainda assim, em que pese ser hoje uma estrela em evidente declínio, seu depoimento num programa de televisão gerou toda essa repercussão. O brasileiro, decididamente, adora saber da vida das celebridades, quer estejam em ascensão ou não.
domingo, 20 de maio de 2012
O dever de casa
Um pouco antes do jogo do Grêmio, o Inter ganhou do Coritiba, no Beira-Rio, por 2 x 0. Foi o que se costuma chamar de fazer o dever de casa. O Inter, que até o final do ano só tem o Campeonato Brasileiro para disputar, enfrentou, em casa, um adversário que já lhe é naturalmente inferior e que poupou jogadores para a partida que fará no meio de semana pela Copa do Brasil. Ao Inter não cabia outra coisa que não fosse vencer. A vitória veio com facilidade, com o Inter construindo cedo o placar que se manteria até o final. Uma boa estréia num campeonato onde perder pontos em casa gera prejuízos quase irrecuperáveis. Um bom começo para uma longa jornada.
O jogo dos erros
O jogo Vasco 2 x 1 Grêmio, hoje, em São Januário, foi marcado por erros que acabaram definindo o seu resultado. O mais gritante deles foi a anulação de um gol legítimo do Grêmio, quando a partida estava empatada em 1 x 1. O árbitro Célio Amorim (SC), aspirante ao quadro da Fifa, marcou uma falta inexistente no lance, prejudicando terrivelmente o Grêmio. Mais tarde, quando o Vasco já desempatara o placar, marcou um pênalti inexistente em favor do Grêmio. Foi o segundo grande erro do jogo. O terceiro veio logo a seguir, com Marcelo Moreno errando a cobrança. Em termos de gols perdidos, aliás, o Grêmio não se limitaria ao pênalti cobrado por Marcelo Moreno. Miralles perdeu uma chance incrível, de frente para o gol, e ao longo do jogo, outras boas oportunidades deixaram de ser aproveitadas. Não serve de desculpa ao Grêmio nem mesmo o fato de ter poupado alguns jogadores, pois entrou em campo com sete titulares, enquanto o Vasco, à exceção do goleiro, começou o jogo só com reservas. O Vasco voltou para o segundo tempo com dois titulares para reforçar o time, Juninho Pernambucano e Alecsandro, que acabaram sendo decisivos pois foram os responsáveis pela jogada do segundo gol do clube carioca. Mesmo com esses reforços, contudo, o Vasco tinha em campo um time inferior ao do Grêmio que, assim, perdeu uma chance preciosa de ganhar fora de casa de um adversário cujo foco está inteiramente voltado para a Libertadores. O Grêmio, por sua vez, não tinha razão para poupar jogadores, pois sua classificação para a próxima fase da Copa do Brasil está virtualmente selada. Começar qualquer competição com derrota é ruim e, no caso do Grêmio, é ainda pior, pois deixou de ganhar um jogo que tinha tudo para vencer. Num campeonato de pontos corridos, desperdiçar pontos é, quase sempre, uma atitude que acaba custando muito caro.
sábado, 19 de maio de 2012
Pouco futebol e muita emoção
A decisão da Copa dos Campeões da Europa, hoje, entre Bayern de Munique e Chelsea, esteve longe de ser um grande jogo tecnicamente, mas teve fortes emoções, como convém a uma partida de tamanha importância. O jogo se arrastava num 0 x 0 de poucos lances interessantes, até que, aos 37 minutos do segundo tempo, Thomas Müller abriu o placar para o Bayern. Parecia, então, que a vitória do clube alemão era certa. Porém, aos 43 minutos, Drogba empatou o jogo. Veio a prorrogação, e o Chelsea parecia mais animado em campo, mas, aos 5 minutos do primeiro tempo, Drogba cometeu um pênalti infantil sobre Ribery. Em questão de minutos, Drogba passava de herói para vilão. No entanto, Robben errou a cobrança, que foi defendida por Cech. O Bayern sentiu o golpe, mas procurou, aos poucos, carregado pelo grito do seu torcedor, reagir e buscar a vitória. O Chelsea mantinha a sua segurança defensiva, ousando pouco ofensivamente, para não ser surpreendido num contra-ataque. A decisão foi para os tiros livres da marca do pênalti. O Bayern bateu primeiro e converteu. O Chelsea errou sua primeira cobrança. Mais uma vez, tudo indicava que o título ficaria com o Bayern. Uma nova reviravolta, contudo, aconteceria. Na sequência das cobranças, o Bayern errou duas. A última cobrança do Chelsea ficou para Drogba. Se ele acertasse, o Chelsea seria campeão. Drogba cobrou com incrível frieza e fez o gol do título. Um verdadeiro desastre para o Bayern que, graças a indicação prévia de Munique como sede do jogo, decidiu a competição em casa, o que não acontecia na Copa dos Campeões desde 1984, quando o Roma também desperdiçou a oportunidade e foi derrotado, igualmente nos tiros livres da marca do pênalti, pelo Liverpool. O Chelsea, finalmente, chegou ao título tão desejado por seu proprietário, o milionário russo Roman Abramovich. O clube recupera-se, assim, da frustração da perda do título da Copa dos Campeões de 2008, quando, numa decisão doméstica com o Manchester United, viu a conquista lhe fugir quando o capitão do time, o zagueiro John Terry, desperdiçou sua cobrança na disputa de tiros livres da marca do pênalti. Curiosamente, por ter sido expulso no segundo jogo das semifinais, John Terry ficou de fora da partida de hoje. O Bayern parece não dar sorte em decisões contra os ingleses. Em 1999, decidindo a Copa dos Campeões contra o Manchester United, ganhava o jogo até os 45 minutos do segundo tempo, mas permitiu a virada e ficou sem o título. O Bayern, grande como é, acabará por superar o trauma vivido hoje, e, em breve, estará novamente em busca do título mais importante do velho continente. O Chelsea, por sua vez, ao conquistar o título que tanto almejava, tem tudo para se afirmar, definitivamente, como o mais novo integrante do grupo das potências do futebol europeu.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O caos do ensino
O ensino no Brasil vive, há muitos anos, uma situação crítica. Isso já se sabia. Porém, a cada dia, novos dados vão se somando para formar um panorama desolador dessa área no país. Há poucos dias, soube-se do alto índice de repetência escolar verificado nos estados, tendo o Rio Grande do Sul apresentado os números mais elevados. Agora, um concurso para o Magistério, também no Rio Grande do Sul, teve apenas 8% dos candidatos aprovados. Fizeram as provas 63 mil pessoas, e só 5.224 foram aprovadas. O dado é estarrecedor. Como se pode explicar tamanho grau de reprovação? O Brasil tem um hoje um sistema educacional em que os professores fingem que ensinam e os alunos simulam que aprendem. Há milhões de estudantes e ex-alunos que, embora tecnicamente sejam alfabetizados, são considerados analfabetos funcionais, pois não conseguem compreender um texto nem se expressar adequadamente pela escrita. A União, estados e municípios não investem em educação o percentual previsto em lei. As escolas apresentam uma estrutura defasada, incompatível com a modernidade. A precariedade começa pelos prédios escolares, mal conservados, e se estende pela didática arcaica, excesso de conteúdos, falta de motivação dos professores, desinteresse dos alunos. São muitos os que pregam a necessidade de se encarar a educação como prioridade, caso o país queira, efetivamente, alcançar um alto grau de desenvolvimento. Chegou a hora de passar do discurso para a ação. O Brasil não pode continuar, a cada ano, a proporcionar manchetes sobre os vexames de seu sistema de ensino. Será preciso que todas as partes, isto é, governantes, professores, pais e alunos, se mobilizem para modificar essa situação desalentadora. O futuro do país está sendo seriamente ameaçado. O atual quadro positivo da economia brasileira não se sustentará em médio e longo prazo com uma formação tão precária dos jovens do país. O momento exige mudanças radicais na estrutura do sistema de ensino brasileiro. Não há mais tempo a perder.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Vitória animadora
A vitória do Grêmio por 2 x 1 sobre o Bahia, hoje à noite, no estádio de Pituaçu, em Salvador, traz novas perspectivas para o time. Se nas três fases anteriores da Copa do Brasil o Grêmio vencera sem convencer todos os seus jogos, dessa vez ganhou com uma atuação consistente. O Grêmio foi surpreendido por um gol do Bahia no primeiro tempo, numa falha de sua defesa, mas empatou ainda antes do intervalo. Os números do primeiro tempo não deixavam dúvidas sobre a superioridade gremista, com mais de 60% de posse de bola e dez finalizações contra apenas duas do adversário. O segundo tempo começou um pouco diferente, com o Bahia ousando mais e tentando o gol de desempate. Porém, o Grêmio soube conter o ímpeto do adversário, que via o tempo transcorrer sem que conseguisse seu objetivo. Aos 30 minutos do segundo tempo, veio o golpe fatal, com o Grêmio marcando o seu segundo gol. A partir daí, o Bahia partiu desesperadamente para a tentativa de um novo empate, mas a contenção defensiva do Grêmio foi exemplar, não permitindo nenhuma chance concreta de gol. Foi uma vitória afirmativa do Grêmio, que poderia ter sido obtido de modo mais fácil se Marco Antônio e Marcelo Moreno não tivessem perdido, ainda no primeiro tempo, duas oportunidades claras de gol. A vitória de hoje não foi alcançada contra clubes de divisões inferiores, casos do River Plate de Sergipe, Ipatinga e Fortaleza. Foi sobre um clube de primeira divisão que, no último domingo, conquistou o título do seu estado depois de 11 anos na fila. O Grêmio obteve sua sétima vitória em sete jogos, até aqui, pela Copa do Brasil, e está virtualmente classificado para a próxima fase. Com tal retrospecto, somado a sua tradição na competição, o Grêmio já permite ao seu torcedor, pelo menos, a esperança na conquista do título. Em comparação com o ceticismo que se verificava anteriormente, já é alguma coisa.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Reprovação escolar
Uma pesquisa apontou que o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro que tem os mais altos índices de reprovação escolar. Há algum tempo, o tema da repetência na escola tem dividido os especialistas em educação. Muitos defendem que a escola deve ser rigorosa na apuração do nível de aprendizagem alcançado pelo aluno, que não se pode promover alguém para a série seguinte sem que esteja devidamente capacitado. Outros sustentam que a repetência gera um custo material alto para o país e prejudica a autoestima do aluno reprovado. Particularmente, entendo que o ensino não pode se constituir numa simples gincana de conhecimentos. Um dos problemas do atual método de aferição da aprendizagem é a excessiva quantidade de conteúdos, que não leva em conta a preferência do aluno por um certo conjunto de matérias. Bem melhor acontecia no passado quando, após a conclusão do ensino fundamental, o aluno optava, conforme suas inclinações, por cursar o clássico ou o científico. Se é verdade que não se pode aprovar todos os alunos automaticamente, sendo necessário avaliar o grau de absorção dos ensinamentos que recebem, a repetência também não é uma boa solução. Não é justo, nem prático, que por ter sido reprovado em uma única matéria, o aluno tenha de repetir o ano. Bem mais lógico é ele alcançar a progressão de série, tendo de rever, apenas, os conteúdos da matéria em que foi reprovado. Isso gera economia para o país, pois o aluno continuará numa série correspondente a sua idade, o que permitirá que ele continue seus estudos sem ter sua autoestima ferida pelo trauma da repetência. Como tudo nesse mundo de mudanças alucinantes, o ensino também precisa alterar seus conceitos. Métodos arcaicos de avaliação do aprendizado já não condizem com as exigências e expectativas da sociedade. A escola ainda ostenta uma estrutura rígida vinda de muito tempo atrás e que é incompatível com a realidade que vivemos. O ensino tem de ser mais dinâmico e atraente, em consonância com a sociedade trepidante dos dias atuais. Tudo muda e a escola também precisa mudar. Restringir ao mínimo a reprovação, ou até deixar de praticá-la seria um bom começo.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Jogadores notívagos
Não há nada de errado no fato de pessoas jovens e saudáveis procurarem os prazeres e divertimentos da vida noturna. Em se tratando de jogadores de futebol contratados por grandes clubes, o fato é mais natural ainda, pois recebem altos salários e dispõem de muito dinheiro para gastar com o lazer. No entanto, nesse caso específico, estão ocorrendo exageros. Jogadores como Adriano, atualmente sem clube, e Ronaldinho, do Flamengo, praticamente abriram mão de jogar futebol para dedicarem-se inteiramente às "baladas", em festas animadíssimas que vão até o amanhecer. Milionários e mimados, os jogadores mostram-se indiferentes à repercussão negativa de tal tipo de comportamento junto aos torcedores e à imprensa. O fato envolvendo Jô e Jajá, ambos do Inter, é bastante ilustrativo a esse respeito. Os dois jogadores, logo após o Inter perder para o Fluminense e ser eliminado da Libertadores, maior objetivo do clube em 2012, saíram direto do Engenhão e entregaram-se às delícias da noite do Rio de Janeiro, sem sequer retornar com a delegação para o hotel, para onde só voltaram pela manhã. Jó já é reincidente, pois faltou a uma viagem para um jogo na Bolívia e promoveu uma ruidosa festa de aniversário na mansão onde mora em Porto Alegre, perturbando o sossego de seus vizinhos, que protestaram. Hoje, o volante Sandro Silva, grande destaque do Inter nos últimos jogos, apareceu com um corte no joelho que o deixará fora da estréia do clube no Campeonato Brasileiro, no domingo, contra o Coritiba, no Beira-Rio. O corte no joelho de Sandro Silva foi consequência de uma briga em que ele se envolveu ao comemorar o título de campeão gaúcho numa "balada" em Porto Alegre. O próprio jogador disse que excedeu-se na comemoração do título. Não estou entre os que adotam uma visão censória e moralista sobre o assunto, pois, como coloquei nesse mesmo texto, não há nada de errado em divertir-se na noite. Porém, um mínimo de postura é algo que se pode e deve exigir de profissionais tão bem remunerados. Sabe-se, há muito tempo, que os jogadores não tem mais nenhum amor à camiseta, estando atrás, apenas, do dinheiro. Ainda assim, é inaceitável, no caso de Jô e Jajá, que os dois jogadores tivessem ânimo para sair direto do estádio para as badalações noturnas, momentos após uma eliminação tão dolorosa para o clube e sua torcida. O futebol, com seus polpudos salários, criou uma casta de privilegiados que só olha para os próprios interesses, dando de ombros para tudo o mais que os cerca. Está mais do que na hora de se estabelecer uma relação de maior respeito dos jogadores para com os clubes que os pagam e os torcedores. Como se alcançará isso é algo ainda a se pensar, mas é uma providência que não pode mais ser adiada.
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