quarta-feira, 2 de maio de 2012

Vitória em boa hora

A vitória convincente do Grêmio sobre o Fortaleza, por 2 x 0, hoje à noite, no estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, pela Copa do Brasil, não poderia ter vindo em melhor hora. Após a eliminação no Campeonato Gaúcho com uma derrota em um Gre-Nal, a vitória de hoje, que praticamente classifica o Grêmio para a próxima fase da Copa do Brasil, servirá, por certo, para desanuviar o ambiente e restituir a confiança do grupo. O Grêmio resolveu o jogo muito cedo. Foram dois golaços bem no início da partida, marcados por Marcelo Moreno e Marco Antônio, que não deram ao Fortaleza nenhuma possibilidade de reverter o resultado. Só no segundo tempo, depois da expulsão de Pará, o Grêmio sofreu uma pressão maior do adversário, mas soube resistir bem e trouxe uma enorme vantagem para o segundo jogo, em Porto Alegre. A volta de Léo Gago, que não jogou no Gre-Nal por estar suspenso, reequilibrou o meio de campo. A colocação de Edílson na lateral direita resolveu um problema que o time apresentava há vários jogos, com as más atuações de Gabriel. O que não se entende, aliás, é porque o técnico Vanderlei Luxemburgo não tomou essa providência anteriormente, já que Gabriel vinha mal há muito tempo, culminando com a péssima atuação contra o Inter, quando chegou a dar um passe para um gol do adversário na tentativa de afastar uma bola. A escalação de dois centroavantes, contudo, não chegou a aprovar. Se Marcelo Moreno, afora o golaço que fez,  teve uma boa e intensa atuação, comprovando sua grande qualidade, André Lima foi a nulidade de sempre, só sendo notado nos momentos em que reclamava da arbitragem. O saldo do jogo, todavia, foi mais que positivo. O Grêmio traz de Fortaleza uma vitória afirmativa, que lhe permitirá viver os próximos dias sem enfrentar turbulências.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Neymar

A vitória do Santos sobre o São Paulo por 3 x 1, ontem à tarde, no Morumbi, pelo Campeonato Paulista, tem um significado que extrapola o resultado. Ela foi a demonstração definitiva de que Neymar é um fora de série, e já pode ser apontado como um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Neymar fez todos os gols do Santos no jogo, quase marcou outros, levou o lateral direito Piris, do São Paulo, a cometer uma falta violenta sobre ele, depois de uma sequência humilhante de dribles. O Santos é franco favorito para ser tricampeão paulista, feito que só conseguiu antes na época de Pelé. O título de campeão da Libertadores, conquistado pelo clube em 2011, também só havia sido obtido no tempo de Pelé. Sem que se queira comparar os dois jogadores, até porque considero que ninguém, em tempo algum, superará Pelé, é muito significativo que o Santos esteja alcançando com Neymar feitos que realizara apenas quando contava com o "Rei do Futebol" em campo. Neymar é mais uma prova de que a fábrica de talentos do futebol brasileiro é inesgotável. Cada vez que surgem os arautos do pessimismo, decretando que o futebol brasileiro está em decadência, que não tem mais craques, eis que o país revela um novo talento fulgurante. Neymar é mais um desses casos. Para os que não buscam apenas o resultado, e apreciam, sobretudo, o futebol bem jogado, assistir ás atuações de Neymar é um deleite. Ele é a prova de que a técnica sempre será o fator preponderante no futebol, independentemente de questões táticas ou de preparação física. Será somente uma questão de tempo para que Neymar seja escolhido o melhor jogador do mundo. Mesmo sem ter jogado, ainda, uma Copa do Mundo, Neymar já é uma unanimidade nacional. A galeria de craques do futebol brasileiro ganhou mais um integrante para se juntar a Pelé, Garrincha, Didi, Nílton Santos, Tostão, Rivelino, Zico, Romário. Com Neymar, ao menos no futebol, os bons tempos estão de volta.

domingo, 29 de abril de 2012

Confirmação

Não houve qualquer surpresa no resultado do Gre-Nal de hoje à tarde, no Beira-Rio. A vitória do Inter por 2 x 1, confirmou o favoritismo do ganhador, cujo desempenho em campo foi superior. Com isso, o Inter conquistou o título da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho, e irá decidir a competição com o Caxias, campeão da Taça Piratini, nome dado ao primeiro turno. O Grêmio segue, assim, sua rotina de fracassos. Sem ganhar uma competição de alto nível desde 2001, quando foi campeão da Copa do Brasil, agora não consegue vencer, nem mesmo, o modesto Gauchão. Seu técnico, Vanderlei Luxemburgo, um dos melhores e mais caros do país, teve um dia infeliz e pouco inspirado. Começou escalando mal, colocando Bertoglio, Miralles e André Lima juntos no time, o que fragilizou o meio de campo. A consequência foi que, ao longo de todo o primeiro tempo, o Grêmio não deu nenhum chute ao gol. No segundo tempo, já com Marcelo Moreno no time, no lugar do inoperante André Lima, o Grêmio chegou ao empate. Luxemburgo, contudo, errou novamente, dessa vez ao protestar contra um gandula, o que ocasionou sua expulsão e desestabilizou o time, que, pouco depois, sofreria o gol que determinou a vitória do Inter. Luxemburgo estreou no Grêmio sendo eliminado do primeiro turno pelo Caxias, e, agora, foi, mais uma vez, desclassificado. Sua contribuição, até aqui, não tem sido condizente com sua fama e salário. Se é verdade que o time e o grupo do Grêmio exibem carências notórias, a produção apresentada até o momento, ainda assim, está abaixo do esperado. Estamos apenas no mês de abril, mas, para o Grêmio, 2012 talvez já tenha se encerrado. Nada dá certo pelos lados do clube. Ainda que existam erros administrativos, contratações equivocadas, lacunas no time que não foram preenchidas, e imprevidências de toda a ordem, a falta de sorte também tem prejudicado o Grêmio. A fratura sofrida por Kléber, maior contratação do clube esse ano, é um exemplo disso. Sem ter ganho ao menos  um turno do campeonato estadual, cuja decisão assistirá de fora, fica muito difícil acreditar em melhores dias para o Grêmio até o encerramento do ano. Será preciso contratar muito, e acertadamente. Seu técnico terá de ser bem mais efetivo no seu trabalho do que foi até agora.  Diante de um quadro tão frustrante, o futuro imediato do Grêmio parece pouco promissor.

sábado, 28 de abril de 2012

Pesos diferentes

Muito se tem dito sobre o Gre-Nal que decidirá, amanhã, a Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. Especula-se quem seria o favorito, qual time sentirá mais os desfalques, se o fator campo é ou não decisivo, quem está mais motivado, se o fato de que o Grêmio só treinou durante a semana e o Inter teve um jogo na quarta-feira poderá influir ou não no resultado. O que parece não estar sendo levado em conta  é a consequência de uma derrota em cada um dos clubes. Em caso de vitória, para qualquer um dos lados, os efeitos irão pouco além das gozações sobre o tradicional adversário. Afinal, o Campeonato Gaúcho, há muito tempo, deixou de ser uma competição prioritária para Grêmio e Inter. Em caso de derrota, contudo, a história muda de figura. O Inter ainda está na Libertadores e se tiver êxito nessa competição, anulará o impacto de um fracasso no Gauchão. Os exemplos concretos ocorreram em 2006 e 2010, quando o Grêmio foi campeão gaúcho e o Inter ganhou a Libertadores. Para o Grêmio, todavia, a derrota teria consequências maiores. Se ganhar o título estadual, em si, não significa grande coisa, perdê-lo, para o Grêmio, faria acrescentar mais um item no rol de fracassos que o clube acumula desde 2001. O discurso da diretoria, que no final do ano passado prometia um Grêmio diferente em 2012, com o clube voltando a formar um time forte e capaz de conquistar grandes títulos, cairia no descrédito. Sem ao menos se classificar para a decisão do Gauchão, como pretender que o Grêmio possa, ainda em 2012, ter condições para vôos mais altos? A derrota teria efeitos devastadores no Grêmio, praticamente condenando todo o trabalho feito no ano, até aqui, e forçando uma reformulação do projeto em meio às competições. O Grêmio precisa da vitória muito mais do que o Inter. Só ela poderá evitar que o clube mergulhe na crise e seja tomado pelo desalento. O Gre-Nal de amanhã será muito equilibrado, por diversas razões, o que dificulta um prognóstico, mas não me eximirei de opinar. Pelo fato de jogar em seu estádio, o Inter, ainda que levemente, é o favorito.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Código Florestal

O Novo Código Florestal, aprovado na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, deverá ter alguns itens vetados pela presidente Dilma Rousseff. A repercussão quanto ao texto aprovado foi muito negativa entre os ambientalistas. A tendência é que pontos polêmicos, como a anistia para desmatadores, recebam o veto da presidente. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que Dilma irá analisar os vetos com "serenidade" e "sangue frio", considerando compromissos sociais e ambientais. Desejo que tais previsões se confirmem. Seria muito triste que, às vésperas da Rio + 20, o Brasil aparecesse perante o mundo com um código florestal tão hostil à preservação do ambiente, e tão favorável aos agressores da natureza e aos defensores do chamado "agronegócio". Na verdade, Dilma Rousseff, e seu antecessor no cargo, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, nunca pareceram muito sensíveis às questões ambientais. Para os dois, e talvez para muitas outras pessoas, a luta pela preservação da natureza é vista, por vezes, como coisa de ecochatos. Nesse tipo de visão, pretensamente pragmática, tal postura seria apenas um entrave ao progresso. A necessidade de gerar mais energia, por exemplo, faz com que Dilma ignore os danos ambientais que serão causados pela construção de usinas hidrelétricas. Por isso, não pode ser descartada a hipótese de que a presidente sancione o texto sem qualquer modificação. Se assim ocorrer, contudo, o Novo Código Florestal deverá enfrentar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), movida pelo Ministério Público Federal. O embasamento da ação será um estudo que aponta redução significativa de áreas ambientalmente protegidas. Torço para que Dilma Rousseff imponha vetos ao texto aprovado na Câmara dos Deputados. O Brasil não pode caminhar na contramão da preocupação mundial com a preservação do ambiente. Em nome de mesquinhos interesses imediatos, não se pode comprometer o futuro das próximas gerações. O preço do progresso não há de ser a devastação ambiental.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cotas raciais

O Supremo Tribunal Federal decidiu, hoje, por unanimidade, pela constitucionalidade do sistema de cotas raciais, que visa proporcionar o acesso de negros e índios a instituições de ensino superior. Foi outra decisão elogiável da mais alta instância da magistratura brasileira, agindo em consonância com os interesses maiores da sociedade, sem ceder às pressões dos grupos conservadores. O julgamento de constitucionalidade se deu a partir de uma contestação ao sistema de cotas da Universidade de Brasília (UnB), apresentada pelo DEM. Os votos dos ministros ressaltaram a necessidade do país saldar a dívida histórica com etnias que foram marginalizadas do acesso ao ensino superior. Como toda medida que busca romper com desigualdades e injustiças, o sistema de cotas gerou furiosas reações dos adeptos do conservadorismo. Felizmente, os tempos são outros, e os magistrados brasileiros refletem, em suas decisões, a tendência modernizadora da maioria da sociedade, e não mais a postura de setores retrógrados. A baixa presença de negros e índios no ensino superior brasileiro é um retrato da discriminação histórica sofrida por essas etnias. O racismo sempre esteve presente na sociedade brasileira. Sua existência foi abafada, contudo, pela difusão da ideia de que o Brasil é um país sem preconceitos. Os argumentos contrários às cotas são pífios e inconsistentes, motivados apenas pela inconformidade dos detentores de privilégios de abrirem mão de suas vantagens. O ensino, em todos os níveis, tem de ser democratizado. A cor da pele e a condição econômica não podem servir de filtro para o acesso ao estudo. O sistema de cotas é uma iniciativa meritória, que deve ser incentivada, pois é um meio para que o país pague, ao menos em parte, a imensa dívida moral que tem com negros e índios.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Empate frustrante

O torcedor do Inter fez a sua parte. Foi em grande número ao estádio, vibrou o tempo inteiro. Porém, mais uma vez, o Inter não conseguiu vencer um adversário do seu porte. Apenas empatou com o Fluminense em 0 x 0, no Beira-Rio, pela Libertadores. Foi o quarto jogo importante do Inter, em 2012, contra grandes clubes, sendo três deles no Beira-Rio, com duas derrotas e dois empates. Sobrou vontade ao Inter, mas faltou futebol.  Sandro Silva, Guiñazu e Tinga desdobraram-se no meio de campo, com o argentino, como é de costume, abusando da violência. No entanto, Dátolo, o único homem de criação escalado no meio de campo, foi muito mal no jogo, e ainda errou um pênalti que poderia ter mudado a história da partida. Leandro Damião, como tem acontecido constantemente, esteve muito apagado. Dagoberto, até sair lesionado, nada havia feito em campo. Não fora a covardia do Fluminense, que se recolheu ao seu campo no segundo tempo, praticamente abdicando de atacar, e o clube do Rio de Janeiro poderia sair do Beira-Rio com uma vitória. Em termos de regulamento, a situação do Inter não é ruim, pelo contrário. Um novo empate em 0 x 0, no segundo jogo, no Engenhão, levará a decisão da classificação para os tiros livres da marca do pênalti. Caso haja empate com gols, o Inter se classificará. Para o Fluminense, portanto, só a vitória interessa. O problema é que o Inter não vem jogando um futebol que autorize a expectativa de um bom resultado. Se jogando em casa, com o apoio maciço do seu torcedor, não foi capaz de obter o que queria, é improvável que o consiga fora de seus domínios.

A decisão que ninguém esperava

A Liga dos Campeões será decidida, no dia 19 de maio, no Alianz Arena, em Munique, entre Bayern e Chelsea. Trata-se de um final de competição que contraria totalmente as expectativas. Havia uma quase certeza de que Real Madrid e Barcelona fariam a grande decisão. Os dois gigantes espanhóis tiveram a faca e o queijo na mão para confirmar os prognósticos. Perderam o primeiro jogo pelas semifinais, mas por resultados reversíveis, e decidiram a classificação jogando em casa. Ambos abriram uma vantagem de 2 x 0 no placar no segundo jogo, mas não souberam sustentá-la. Assim, o Chelsea, com uma vitória por 1 x 0 em casa, e um empate em 2 x 2 no Nou Camp, eliminou o Barcelona, ontem. Hoje, o Bayern, que havia ganho o primeiro jogo, em Munique, por 2 x 1, perdeu em Madri pelo mesmo placar, que se manteve inalterado na prorrogação. Nos tiros livres da marca do pênalti, venceu por 3 x 1, e alijou o Real Madri da competição. O destaque negativo desses jogos foi o desempenho dos supercraques Messi e Cristiano Ronaldo que, quando seus times mais precisavam deles, não deram a resposta esperada. Messi errou um pênalti no início do segundo tempo que teria selado a sorte do jogo em favor do Barcelona. Cristiano Ronaldo marcou os dois gols do Real Madri no tempo normal, um deles de pênalti, mas errou a cobrança nos tiros livres, abrindo caminho para a eliminação de seu clube. Agora, assistiremos a uma decisão inesperada e equilibrada. Um dado casual, contudo, poderá ser determinante para apontar o ganhador da Liga dos Campeões. O sorteio, feito antes do início da competição, apontou o Alianz Arena como o estádio da decisão. Para sorte do Bayern, justamente o seu estádio. Numa decisão em jogo único, é um trunfo considerável.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O fim de uma hegemonia

Enfim, a fase de time imbatível do Barcelona terminou. Nos seus últimos três jogos, teve duas derrotas e um empate, e duas dessas partidas foram no seu estádio, o Nou Camp. Com isso, o Barcelona ficou, praticamente, alijado do título do Campeonato Espanhol, e está eliminado da Liga dos Campeões. Era natural que isso acontecesse. A história do futebol mostra que os supertimes não conseguem manter seu predomínio por um tempo muito longo. A constante pressão por novas conquistas, a base de time e a comissão técnica mantidas por muito tempo, geram um desgaste que acaba por resultar no fim do ciclo de vitórias. A derrota para o Chelsea, em Londres, por 1 x 0, parecera circunstancial para o Barcelona, que chegou a colocar quatro bolas na trave. Tudo indicava que a reversão, no segundo jogo, em casa, seria fácil. Porém, entre esses dois jogos, o Barcelona enfrentou o Real Madrid. Mesmo jogando em seu estádio, não conseguiu evitar a derrota por 2 x 1, perdendo uma longa invencibilidade em seus domínios, e tornando quase impossível a conquista do título espanhol. No jogo de hoje, mais uma vez, tudo parecia favorável ao Barcelona. Abriu 2 x 0 no placar, viu o capitão do Chelsea ser expulso, e teve todas as condições para, quem sabe, alcançar uma goleada.. Não foi isso, contudo, o que aconteceu. O brasileiro Ramires marcou um golaço e, com a derrota por 2 x 1, o Chelsea estava se classificando para a decisão da competição. O Barcelona, então, começou o segundo tempo de forma avassaladora, na tentativa de desfazer o resultado desfavorável. Alugou o campo do Chelsea, buscando, de todas as formas, marcar um gol. Logo no início do segundo tempo, teve um pênalti a seu favor, que Messi cobrou no travessão. Era o indício do que viria. O Barcelona continuou pressionando, colocou uma bola na trave, num chute de Messi, mas não fez gol e ainda sofreu o empate, já no final do jogo. Classificação heróica do Chelsea. Para aqueles que acham que foi uma enorme zebra, cabe ressaltar que foi o sétimo jogo seguido entre os dois clubes sem vitória do Barcelona. O Chelsea chegou, assim, com méritos, à sua segunda decisão da Liga dos Campeões. O Barcelona, por sua vez, terá de partir para uma reformulação que lhe injete entusiasmo para iniciar um novo ciclo de conquistas. O início desse processo talvez se dê com a saída do técnico Josep Guardiola. Agora é esperar para ver quem será o adversário do Chelsea na grande decisão, Real Madrid ou Bayern de Munique. O Bayern ganhou o primeiro jogo, em Munique, mas o Real Madrid, embalado e jogando em casa, tem tudo para reverter a situação e se classificar.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Popularidade

Uma pesquisa do Instituto Datafolha, publicada no último domingo pelo jornal Folha de São Paulo, revelou que o governo da presidente Dilma Rousseff tem 64% de aprovação, após um ano e três meses decorridos da posse. Trata-se da mais alta aprovação de um presidente brasileiro com esse período de mandato. Com esse mesmo tempo no cargo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha 30% de aprovação, e Luís Inácio Lula da Silva, 38%. A pesquisa mostra, também, que, hoje, num eventual segundo turno da eleição presidencial de 2010, Dilma teria 69% da preferência dos entrevistados, contra 21% de José Serra, sendo que 26% dos que afirmaram ter votado nele, disseram que, agora, optariam pela atual presidente. Os números são muito expressivos, mas estão longe de serem incompreensíveis. O Brasil, como já vinha acontecendo no governo Lula, continua com a economia num estágio favorável. O país não foi contaminado pela crise internacional. O índice de emprego é bom e há mobilidade social, com pessoas de classes mais baixas ascendendo na escala de consumo. O que a pesquisa deixa evidente, mais uma vez, é que o eleitorado médio não se move por ideologias, mas, sim, de acordo com o próprio bolso. Enquanto a situação econômica do país permanecer favorável, será muito difícil a tarefa da oposição de tentar alcançar o poder. Como se percebe, os muitos escândalos envolvendo ministros e outras denúncias de malfeitos relacionados ao governo não influíram no humor do eleitorado. Os bons indicadores da economia servem para blindar o governo do efeito de qualquer deslize ético de seus integrantes, até porque a imagem da presidente não foi atingida por tais acontecimentos. Pelo contrário. Tendo demitido, até agora, sete ministros, Dilma construiu um conceito de quem não transige com a corrupção. Cada vez mais, as chances de a oposição retomar o poder nas eleições presidenciais de 2014 torna-se mais remota. O PT e seus aliados, tudo está a indicar, ainda terão uma longa hegemonia no governo federal. O mais significativo, contudo, é que essa não é uma situação imposta por uma ditadura, mas fruto da vontade popular.