quarta-feira, 11 de abril de 2012
Goleada
A goleada de 3 x 0 do Grêmio sobre o Ipatinga, hoje à noite, no Olímpico, não diz, exatamente, o que foi o jogo. Bertoglio fez um gol logo no início da partida, mas o resultado parcial de 1 x 0 permaneceu até o final do primeiro tempo e boa parte do segundo, até que Miralles e Léo Gago estabelecessem o placar definitivo. A defesa permitiu algumas conclusões perigosas do Ipatinga, o que traz preocupação para jogos contra adversários mais exigentes. Não foi uma partida de grandes atuações individuais, mas alguns jogadores merecem um destaque. Werley, cuja contratação foi cercada de desconfiança em relação ao seu futebol, vem jogando bem e se firmando. Seu desempenho tem sido simples, sem brilho, mas eficiente. Fernando continua a ser o mais regular dos titulares do Grêmio. Léo Gago vem crescendo de produção aos poucos e tornando-se um dos goleadores do time. Miralles fez seu segundo gol em dois jogos, ambos belíssimos, comprovando a insensatez que era deixar de aproveitá-lo no grupo. O Grêmio classsificou-se para a próxima fase da Copa do Brasil, como era esperado, e, agora, irá enfrentar o vencedor do confronto entre Náutico e Fortaleza. São adversários mais fortes do que os que o Grêmio enfrentou, até aqui, na competição, o que deverá garantir a classificação para mais uma fase. O problema, contudo, está mais adiante. O futebol que o Grêmio vem apresentando não parece sólido o suficiente para enfrentamentos contra times mais qualificados, o que pode comprometer o sonho da conquista do título.
terça-feira, 10 de abril de 2012
A CPI do Ronaldinho
Depois da ideia ter sido inicialmente rejeitada, a proposta de realização da chamada "CPI do Ronaldinho" foi votada e aprovada na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A CPI irá investigar contratos de convênios firmados entre a prefeitura de Porto Alegre e o Instituto Ronaldinho Gaúcho. Em boa hora, o prefeito José Fortunati, anteriormente contrário à realização da CPI, liberou os vereadores da base aliada para votarem a favor de sua instalação. Não havia razão para não permitir a CPI. A transparência no trato do dinheiro público é um dado imperativo de qualquer administração. O Instituto Ronaldinho Gaúcho beneficiou-se de verbas públicas para desenvolver seus programas assistenciais, mas acabou por fechar as portas. A população tem todo o direito de saber o que estabeleciam os contratos firmados entre o instituto e a prefeitura, se houve prejuízo aos cofres públicos, se há possibilidade de buscar ressarcimento pelas metas não cumpridas e pelo dinheiro investido. Não é só dentro de campo que Ronaldinho vai mal. Fora dele, também. Afora o instituto, também o clube de futebol fundado por ele e por seu irmão Assis, o Porto Alegre, fracassou e, ao que se saiba, encerrou suas atividades. O clube, no entanto, é um investimento privado, e ninguém tem nada a ver com isso. Porém, quando se trata de convênios envolvendo o dinheiro do contribuinte, a situação muda de figura. Esperemos, então, que a CPI não se torne, como tantas outras, apenas um espetáculo de promoção política para seus integrantes, sem resultados práticos, mas que, ao contrário, busque apurar, com rigor, possíveis irregularidades, e cobrar a reparação das mesmas.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Tudo conforme o esperado
As vitórias de Grêmio e Inter na tarde de ontem apenas confirmaram as expectativas. O Grêmio venceu o Caxias, no Olímpico, por 3 x 1. Chegou a estar vencendo por 3 x 0, mas, como de costume, arrefeceu seu ritmo de jogo, permitindo ao Caxias levar mais perigo à sua defesa e, até, marcar um gol. O Inter, mesmo jogando com um time misto, goleou o São Luiz por 3 x 0, em Ijuí, numa confirmação da fragilidade do time adversário. Agora, pelas quartas de final da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho, o Grêmio enfrentará o Ypiranga, de Erechim, e o Inter irá encarar o Cerâmica, de Gravataí. A tendência é que ambos se classifiquem para as semifinais com facilidade. O Inter tem mais pontos que o Grêmio na classificação geral, mas, dependendo do que acontecer nas quartas de final e semifinais, é que se saberá se o hipotético Gre-Nal decisivo da Taça Farroupilha será no Olímpico ou no Beira-Rio. Essa decisão, caso venha, efetivamente, a acontecer, poderá ser a do próprio campeonato, já que o Caxias, campeão da Taça Piratini, o primeiro turno do Gauchão, não parece em condições de derrotar o Grêmio ou o Inter. Resta esperar para ver.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Ares litorâneos
Depois de quatorze anos, retorno a Vitória, a bonita capital do Espírito Santo. Nosso país tem um belo e extenso litoral, e poder usufruir de seus encantos é sempre uma experiência gratificante. Vitória une os atrativos de uma cidade litorânea com a calma típica de algumas localidades interioranas. O que mais me fascina nas cidades situadas junto ao mar, é a sua luminosidade. Nelas, o sol brilha com uma intensidade que não se vê em nenhum outro lugar. Não são propícias para a melancolia ou para profundas reflexões, tudo nelas remete ao ritmo pulsante da vida, à alegria, à celebração. Os gaúchos, talvez por não terem sido brindados com um litoral tão belo quanto os dos demais estados, mostram-se, por vezes, refratários aos seus apelos. Gaúcho litorâneo que sou, nascido em Rio Grande, município que abriga a maior praia do mundo, a do Cassino, sempre fui fascinado pelo mar. Nem mesmo a aparente condição inóspita do litoral gaúcho fez diminuir meu encantamento. Por isso, cada oportunidade, ainda que breve, de estar junto ao mar, é, para mim, extremamente recompensadora. Serão poucos dias na capital capixaba, mas pretendo aproveitá-los o melhor possível. Ela não é tão badalada quanto outros locais do litoral brasileiro, mas, se você ainda não a conhece, tenha a certeza de que vale a pena visitá-la.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Classificados
Com a derrota do The Strongest para o Juan Aurich por 1 x 0, hoje à noite, em Chiclayo, no Peru, os classificados do Grupo 1 da Libertadores estão virtualmente definidos: Santos e Inter. O The Strongest ainda tem chances matemáticas, mas isso implicaria numa vitória sobre o Santos na Vila Belmiro e em uma derrota do Inter para o Juan Aurich, em Chiclayo, ou seja, algo que, na prática, beira o surrealismo. Na verdade, o grupo apresentava um desequilíbrio de forças evidente, o que facilitou a vida dos dois clubes brasileiros. O The Strongest permaneceu invicto nos jogos em casa, valendo-se da altitude de La Paz, mas perdeu os dois jogos que fez, até agora, como visitante. O Juan Aurich não tinha ganho um ponto sequer, mas valendo-se da fragilidade do The Strongest fora de seus domínios, conseguiu sua primeira vitória. Com adversários tão fracos, era natural que Santos e Inter se classificassem. O Inter, contudo, deve ficar atento, pois seu desempenho, até aqui, deixou a desejar, já que não ganhou nenhum dos jogos contra o Santos e, nas fases seguintes, certamente não enfrentará adversários tão modestos como The Strongest e Juan Aurich.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Um jogo de muitos destaques
O jogo entre Inter e Santos, hoje à noite, no Beira-Rio, esteve á altura do que dele se esperava. A partida teve estádio cheio, emoção, bom futebol e grandes destaques individuais. O placar de 1 x 1 foi econômico, diante do que se viu em campo. O Inter começou o jogo pressionando fortemente o Santos, e fez seu gol cedo, numa magnífica cobrança de falta de Nei. Afora esse lance, contudo, o Inter levou pouco perigo para o goleiro Rafael, do Santos. Já o goleiro do Inter, Muriel, teve notável atuação, impedindo que o Santos chegasse à vitória. A impressão que ficou é que, se o Inter não tivesse feito um gol cedo, valendo-se de uma falta, o Santos teria imposto o seu futebol e vencido o jogo. Como referido acima, a partida teve atuações individuais muito destacadas. Pelo lado do Inter, afora o já citado Muriel, Tinga jogou uma enormidade, e Nei teve uma atuação como há muito tempo não realizava. No Santos, Neymar, Arouca, Jean e Íbson tiveram belo desempenho. Como nota destoante, as atuações dos centroavantes titulares de Inter e Santos. Leandro Damião e Borges tiveram péssimo desempenho. O resultado, embora frustrante para os seus torcedores, não chegou a ser de todo ruim para o Inter, que deverá se classificar para a próxima fase da Libertadores. Ainda que tenha jogado em casa, estava muito desfalcado, e o Santos veio completo. Porém, para a sequência da competição, o Inter terá de mostrar mais futebol. Afinal, foi o terceiro jogo contra um adversário de alto nível que o Inter fez em 2012, sendo dois deles no Beira-Rio. Nesses jogos, foram duas derrotas e um empate. O sinal de alerta está mais do que evidente.
Desperdício
O Grêmio poderia ter voltado de Ipatinga já classificado, sem a necessidade da realização do segundo jogo. Dominou completamente o Ipatinga, que quase não lhe ameaçou. O Grêmio custou a fazer seu gol, pela mesma razão que não lhe permitiu ampliar o placar, isto é, o desperdício de chances claras. O Ipatinga se revelou muito mais frágil do que se poderia esperar e escapou de ser eliminado aos 44 minutos do segundo tempo, quando foi salvo pela trave. Tal como aconteceu na primeira fase, contra o River Plate de Sergipe, o segundo jogo contra o Ipatinga será, apenas, o cumprimento de uma formalidade, pois o Grêmio já está virtualmente classificado. Porém, terá de melhorar muito o seu futebol para ir adiante na Copa do Brasil. Um desperdício tamanho de oportunidades de gol, como aconteceu hoje, não passará impune diante de adversários mais categorizados. O Grêmio ganhou mas, novamente, não empolgou o seu torcedor.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Os 70 anos de um craque injustiçado
No dia de hoje, Ademir da Guia completa 70 anos. Os mais jovens talvez não tenham a exata dimensão de quem ele foi. Filho de um dos maiores zagueiros brasileiros da história, Domingos da Guia, Ademir também foi um grande craque. Armador de muita habilidade, veio do Bangu para o Palmeiras em 1961, e lá permaneceu até 1977, quando encerrou sua carreira. Se no Palmeiras era um ídolo incontestável, Ademir da Guia não teve o mesmo reconhecimento na Seleção Brasileira. O Brasil, na época, contava com outros notáveis jogadores em sua posição, e Ademir acabava sendo preterido. Na Copa do Mundo de 74, foi convocado pelo técnico Zagallo, mas só jogou contra a Polônia, na decisão do 3º lugar, e foi substituído no intervalo. Pesava contra Ademir a pecha de ser lento. Nada mais equivocado. Ademir da Guia não era veloz, mas tinha passadas largas. Foi um craque numa época de ouro do futebol brasileiro, em que desfilavam pelos campos nomes como Pelé, o melhor jogador de todos os tempos, Tostão, Gérson, Rivelino, Dirceu Lopes, este último outro injustiçado, como ele, em termos de Seleção. Por tudo que fez, cabe-nos dar os parabéns a Ademir da Guia pela data de hoje, e lhe agradecer em nome do futebol.
Aírton
O futebol do Rio Grande do Sul perdeu, hoje, o seu maior zagueiro de todos os tempos, Airton Ferreira da Silva, o "Pavilhão", que assim ficou conhecido quando o Força e Luz, clube pelo qual jogava, negociou-o com o Grêmio em troca do pavilhão social do antigo estádio da Baixada. Aírton atingiu o estrelato no Grêmio dos anos 50 e 60, que ganhou 12 campeonatos gaúchos em 13 disputados. Chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira e teve uma passagem pelo Santos de Pelé. Com uma notável técnica, Aírton, mesmo sendo zagueiro, não costumava cometer faltas. Aírton, contudo, jogou numa época em que a televisão ainda estava em seus primórdios no Rio Grande do Sul, e, por isso, suas atuações magníficas ficaram restritas às páginas dos jornais da época e à memória de quem as assistiu, não lhe dando uma fama, após o encerramento da carreira, do tamanho que merecia. Sua ligação com o Grêmio era tão forte que morava a poucos metros de distância do Estádio Olímpico. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e de conversarmos algumas vezes. Afora o craque que foi, Aírton também era um ser humano simples e afável. Sua morte deixa de luto não apenas o Grêmio, do qual foi uma das maiores expressões, mas o futebol gaúcho como um todo. Esperemos que ele receba homenagens na medida da sua importância. Aírton merece que seu nome seja dado a competições, troféus, avenidas, estádios. Seria o justo reconhecimento a um dos maiores nomes da história do futebol gaúcho.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Enfrentando um tabu histórico
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já teria garantido o seu lugar na história pelo simples fato de ser o primeiro negro a comandar um país que durante anos viveu numa condição de racismo explícito, mas está, afora isso, ousando enfrentar uma questão que ainda é tabu entre os americanos. Obama quer aumentar os impostos para os americanos mais ricos. Em seu discurso semanal por rádio e internet, realizado no último sábado, Obama destacou que são injustas as vantagens concedidas pelo atual sistema de impostos para os que têm rendimentos mais elevados. Obama citou multimilionários como o investidor Warren Buffet e o fundador da Microsoft, Bill Gates, que, sob o atual sistema de impostos, estão pagando taxas mais baixas que os secretários de seu governo. O presidente americano chegou a perguntar: "Queremos seguir concedendo taxas baixas a americanos como eu, ou Buffet, ou Gates, pessoas que não precisam disso e que nunca pediram isso? Ou queremos continuar investindo dinheiro para fazer nossa economia crescer e nos mantermos seguros?" Barack Obama está comprando uma briga indigesta. O conservadorismo americano sempre recusou a ideia de impostos altos paras os mais ricos. Impedir a elevação de impostos, ou a criação de novas taxações, é uma bandeira permanente do Partido Republicano. A evidente injustiça social de tal situação não comove os republicanos, defensores intransigentes que são dos privilégios dos mais ricos. Não é fácil bater de frente com algo tão arraigado na cultura americana. Obama, contudo, deu o primeiro passo. A sabedoria popular ensina que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. A fala de Obama pode ser o início de um processo que culmine numa revisão de conceitos nos Estados Unidos, cujos reflexos se fariam notar em vários outros países, inclusive o Brasil, onde a mesma injustiça tributária é praticada. Uma mudança que, ainda, parece distante, mas, a partir do pronunciamento de Obama, tornou-se mais factível.
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