quarta-feira, 28 de março de 2012
Perdas
Os últimos dias não tem sido fáceis para o país, em termos de perda de grandes personalidades. Depois da morte de Chico Anysio, talvez seu maior humorista, o Brasil ficou também sem o talento múltiplo de Millôr Fernandes, jornalista, teatrólogo, cartunista e desenhista. Millôr morreu com idade incerta, pois, de acordo com alguns documentos, teria 87 anos e, conforme outros, estaria com 89. De uma forma ou de outra, foi uma longa e profícua existência, de um homem que marcou presença pela inteligência e independência intelectual. Luís Fernando Veríssimo foi muito feliz quando disse, a respeito do falecimento de Millôr, de que hoje o Brasil ficou um pouco mais burro. Em sua extensa trajetória, Millôr trabalhou nas revistas "O Cruzeiro" e "Veja" e fez parte do notável grupo do mítico e irreverente jornal "O Pasquim", junto com Ziraldo, Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Paulo Francis, entre outros. Millôr é representante de uma época em que a imprensa era muito mais crítica e combativa do que hoje. Trabalhou, durante muitos anos, tendo de enfrentar a censura aos meios de comunicação imposta pelo regime militar. Nunca se dobrou. Com suas charges e textos recheados de um humor incisivo soube enfrentar as agruras da ditadura. Jamais bajulou os poderosos de plantão. Foi uma referência de como deve ser o autêntico jornalismo, crítico e independente. Talvez tenha sido o último representante de uma linhagem de homens de imprensa para os quais, infelizmente, não se vislumbra sucessores.
terça-feira, 27 de março de 2012
Falso moralista
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é mais um exemplar de uma espécie prolífica no Congresso Nacional, a dos falsos moralistas. Como líder de seu partido no Senado, Demóstenes mostrou-se um obstinado oposicionista dos governos dos presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef. Constantemente, o senador goiano vinha a público com denúncias contra o governo, farejava escândalos, posava de paladino em defesa da ética. Eis que o tempo passou e Demóstenes e seu personagem de homem impoluto foram desmascarados. Descobriu-se que Demóstenes tem uma sólida amizade com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o qual já lhe deu presentes caros, e a quem recorreu para o pagamento de algumas despesas, como, por exemplo, os gastos com um táxi aéreo. O envolvimento do senador com o bicheiro, descoberto em gravações de conversas telefônicas, repercutiu amplamente entre seus pares e já levou Demóstenes a renunciar ao cargo de líder do DEM no Senado. Demóstenes Torres terá, é claro, ampla possibilidade de se defender das acusações que lhe são imputadas, mas, se não conseguir provar sua inocência, poderá, até mesmo, ser expulso de seu partido. O DEM é um partido que, nos últimos anos, tem frequentado o noticiário com escândalos envolvendo seus integrantes. José Roberto Arruda, por exemplo, perdeu o cargo de governador do Distrito Federal pela comprovação de práticas de corrupção. Com escassez crescente de eleitores, o DEM, que nada é mais é do que o antigo PFL com outro nome, caminha a passos largos para sair de cena. O partido, um dos sucedâneos, junto com o atual PP, da antiga Arena, legenda de sustentação da ditadura militar, caso venha a desaparecer do cenário político, não deixará saudades.
domingo, 25 de março de 2012
Vitórias diferentes
Grêmio e Inter venceram seus jogos na tarde de hoje, e mantiveram a liderança de seus grupos, no segundo turno do Campeonato Gaúcho, com 100% de aproveitamento. As semelhanças acabam aí. Enquanto o Inter goleou o São José por 3 x 0, sem fazer maior esforço, o Grêmio jogou uma má partida e, mesmo saindo na frente no placar logo no início do jogo, penou para ganhar do Cruzeiro por 2 x 1, com um gol de pênalti nos acréscimos. Não bastasse mais uma atuação ruim do time, o Grêmio ainda teve a terrível perda de Kléber, principal jogador contratado pelo clube em 2012, que sofreu uma fratura na fíbula da perna direita, tendo que realizar uma cirurgia, e ficando afastado por três meses do futebol. Uma péssima notícia, pois o time ainda não está consolidado, e Kléber é um dos seus pilares. O fato ocorrido com Kléber enseja que se aborde a questão da arbitragem. O Grêmio jogou mal, é verdade, mas a atuação do árbitro Leandro Vuaden não foi nem um pouco melhor. Vuaden permitiu que o Cruzeiro abusasse das faltas, não expulsou jogadores que reincidiram em faltas violentas e que já tinham o cartão amarelo, deixou de marcar um pênalti claríssimo num toque de mão de Léo Carioca ainda no primeiro tempo, e não teria marcado o que deu a vitória para o Grêmio se não tivesse havido a intervenção do bandeirinha. O desempenho de Vuaden confirmou que ele está em muito má fase e comprovou, mais uma vez, o nível deficiente da arbitragem no Rio Grande do Sul. Com a lesão de Kléber, caçado pelos adversários com a conivência dos árbitros, o Grêmio sofre um prejuízo irrecuperável, que poderá lhe alijar da conquista dos títulos das competições que está disputando, o Gauchão e a Copa do Brasil. Enquanto isso, tudo é tranquilidade no Inter, que goleou o São José, viu Leandro Damião marcar mais dois gols, e teve outra boa atuação de Dátolo, que também mandou uma bola para as redes. Se o Grêmio vence, mas não convence, o Inter vai bem tanto no campeonato estadual quanto na Libertadores. Até aqui, 2012 tem sido mais um ano vermelho.
sábado, 24 de março de 2012
Capitalismo predatório
A revista "Veja" é incansável na sua pregação do capitalismo sem restrições, de uma sociedade totalmente regulada pelo mercado. Em sua última edição, a revista traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com o economista Edward Glaeser, professor da Universidade de Harvard. Como a imensa maioria dos entrevistados dessa seção de "Veja", Glaeser é americano, já que a revista nutre uma verdadeira idolatria pelos Estados Unidos. O mote da entrevista é a afirmação de Glaeser de que os melhores lugares para se viver são as metrópoles e os grandes aglomerados urbanos, e não no campo, pois é neles que está a chave da "prosperidade". Glaeser diz que não há lugar melhor para se viver do que em uma grande cidade, pois é em ambientes de enormes aglomerações que os mais variados talentos podem conviver e aprender entre si, potencializando ao máximo sua capacidade criativa e inovadora. O economista sustenta, também, que só lugares com alta concentração de gente justificam investimentos em grandes museus, teatros, hospitais, escolas e universidades. Até aí, nada demais, Glaeser passeia pelo senso comum. No entanto, mais adiante, vem o que está por trás das ideias que defende. Glaeser, como não poderia deixar de ser dentro de uma visão neoliberal, entende que os problemas existentes nas grandes cidades são culpa dos governos. Segundo afirma, sempre que as autoridades decidem interferir com "mão pesada" no livre mercado, o cenário piora, e não é pouco. Glaeser argumenta que medidas intervencionistas dos governos acabam desequilibrando a lei da oferta e da procura no mercado imobiliário, causando a disparada dos preços. Isso acontece, diz, quando o estado impõe uma série de entraves à construção de prédios mais altos ou a demolição de outros ditos históricos. Em resumo, o economista declara que a oferta de imóveis escasseia por um misto de excesso de burocracia e "miopia ideológica". Porém, Glaeser não para por aí, e vai mais longe em suas colocações, questionando, por exemplo, se absolutamente tudo deve ficar de pé na paisagem urbana de Paris. "Cidades não podem se comportar como museus. Ainda que preservem seus tesouros, precisam também saber abrir mão do que é menos importante e se renovar", postula o economista. Glaeser acrescenta que, ao estabelecerem barreiras para a construção de arranha-céus os políticos encarecem o mercado e reduzem as chances de as pessoas viverem bem. Ora, a fala de Glaeser não passa de uma apologia descarada ao capitalismo mais selvagem e predatório. Derrubar prédios históricos para construir arranha-céus é uma absoluta insanidade! Ao contrário do que diz o economista, ninguém vive bem em arranha-céus, que servem apenas para a obtenção de lucro para os seus construtores, ao custo de degradar a vida nas cidades. Discurso idêntico ao de Glaeser pode ser ouvido nos mais variados lugares. Em Porto Alegre, por exemplo, o setor da construção civil mostra-se inconformado com restrições para a construção de prédios altos em determinadas regiões da cidade. Os argumentos são sempre pretensamente bem intencionados, em nome de uma necessária "renovação" da paisagem urbana, mas não passam de disfarce para uma sede desmesurada de lucro. Ao contrário do que diz Glaeser, as grandes cidades se mostram cada vez mais inóspitas, e isso não se deve aos governos, mas, pelo contrário, é ocasionado pela omissão dos políticos à ação predatória dos apologistas da sociedade de mercado.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Chico Anysio
O Brasil perdeu, hoje, um de seus maiores artistas: Chico Anysio. Em 80 anos de vida, foram 60 de carreira, dedicados à nobre tarefa de fazer rir. Não há nenhum exagero em dizer que Chico Anysio foi o maior humorista brasileiro. O Brasil é uma terra de grandes humoristas, mas nenhum outro foi tão longevo na atividade, nem criou tantos personagens quanto ele. Jô Soares, por exemplo, outro excelente comediante e exímio criador de tipos, há mais de 20 anos abandonou o humorismo e tornou-se um entrevistador. Chico Anysio deixa imensa saudade, em várias gerações. Muitas pessoas atravessaram a vida acompanhando o seu trabalho, rindo com os seus personagens. Chico fez tudo em matéria de humor, atuando no rádio, televisão, stand-up no teatro, escrevendo livros. Ajudou a lançar novos talentos cômicos e amparou veteranos quando esses eram esquecidos. Em sua celébre "Escolinha do Professor Raimundo" deu emprego a comediantes que, pela idade, iam sendo relegados ao ostracismo. A maioria deles já se foi, e agora, morre o próprio Chico, encerrando um ciclo no humor brasileiro. Um humor simples, direto, despretensioso, de grande alcance popular. Um humor sem grosserias, nem apelações de qualquer ordem. Foram 209 personagens criados por esse gênio da comédia. Muitos deles inesquecíveis como o já citado Professor Raimundo, Coalhada, Nazareno, Painho, Azambuja, Véio Zuza, Alberto Roberto, Roberval Taylor, Pantaleão, Justo Veríssimo, Tim Tones, Haroldo, o hétero, Tavares, Seu Popó. Chico Anysio fez rir tanto crianças quanto adultos. Seu humor não fazia distinções de público, estava ao alcance de todos. Permanecerão, em nossa memória, bordões e expressões como "calada","sou, mas quem não é", "eu quero que o pobre se exploda", "Alberto Roberto, o resto é figuração", entre outros. Pessoal e profissionalmente, Chico Anysio teve uma vida plena. Foram vários casamentos, muitos filhos e netos. Ao encerrar-se a sua trajetória, longa e exitosa, há de se constatar que Chico Anysio soube usufruir intensamente as possibilidades que a vida oferece. Por isso, sua morte não deve ser recebida com lamúrias, mas sim com imensa admiração por tudo que fez.
Soberania
O Brasil é um país que se empenha em colocar-se em situações constrangedoras e, até mesmo, ridículas. Nossos parlamentares, que estão longe de serem exemplos de virtude, resolveram fazer uma média com a opinião pública, cujo único resultado é expor negativamente a imagem do país no exterior. Refiro-me aos sucessivos adiamentos na votação da Lei Geral da Copa. A propensão da classe política para a demagogia, somada à uma visão distorcida de soberania por parte de integrantes da imprensa, estão fazendo com que, nesse caso, a razão seja atropelada. Alguém precisa lembrar aos nossos nacionalistas enfurecidos que a Fifa não obriga nenhum país a sediar uma Copa do Mundo. São os países que se apresentam como candidatos a realizar a competição. Ora, quem se dispõe a sediar uma Copa sabe que terá de atender a uma série de exigências da Fifa. Se não estiver de acordo com elas, cabe ao país não se candidatar, ou, caso o tenha feito de maneira inadvertida, desistir. O que não se pode admitir é essa manifestação rasteira de uma falsa noção de soberania. Dizer que a Fifa não pode se sobrepor às leis do país, para, por exemplo, tentar proibir a comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa, é algo que beira o surrealismo. A Fifa possui entre seus apoiadores uma fabricante de cervejas, e isso é de conhecimento público. Em todas as Copas do Mundo há consumo de bebidas de álcool nos estádios. Porque só no Brasil seria diferente? Aliás, a proibição do consumo desse tipo tipo de produto nos estádios brasileiros é um dos tantos equívocos praticados por nossos legisladores. A medida é inócua, pois proíbe a venda no interior dos estádios, mas não pode impedir a comercialização nas cercanias dos mesmos. O Brasil parece esforçar-se, cada vez mais, para fazer da Copa do Mundo de 2014 um grande fracasso. A postura de grande parte da imprensa, que faltando pouco mais de dois anos para a competição, insiste em sua posição mal humorada contra a sua realização, só agrava a situação. Está na hora de deixar de lado essa versão capenga de soberania, aprovar, de uma vez por todas, a Lei Geral da Copa, e tentar evitar, enquanto ainda é possível, um enorme fiasco perante o mundo.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Sorte
O Inter teve mais sorte que juízo na noite de hoje. Jogando na altitude de La Paz, saiu perdendo para o The Strongest com um gol aos 30 segundos do segundo tempo, mas empatou aos 43 minutos, encaminhando sua classificação para a próxima fase, já que foi o único integrante do seu grupo que não perdeu para o clube boliviano jogando fora de casa. O Inter teve no goleiro Muriel o seu destaque, pois, com grandes defesas, impediu que o The Strongest ampliasse o placar. Para obter bons resultados é preciso, afora o futebol, contar com um pouco de sorte, e ela não faltou para o Inter. Em 2012, dentro e fora de campo, o Inter tem conseguido superar os obstáculos que lhe aparecem pela frente, mesmo quando surgem ameaças de crise, como ocorreu após a derrota para o Santos. O Inter prossegue o seu caminho com tranquilidade. Como única "pulga atrás da orelha" está o fato de que, nos dois únicos jogos que fez contra clubes do seu porte, Grêmio e Santos, o Inter perdeu ambos e de forma inapelável, levando um passeio dos adversários. Por enquanto, até que aconteça outro jogo de peso para se testar a potencialidade do time, o Inter realiza uma trajetória sem maiores percalços. Resta esperar para ver o que o futuro reserva, já que o presente se mostra bastante favorável.
Desempenho preocupante
O Grêmio venceu o River Plate de Sergipe por 3 x 1, hoje à noite, no Olímpico, mas seu desempenho esteve longe de ser satisfatório. O Grêmio saiu perdendo, logo no começo do jogo, e custou a conseguir empatar. O primeiro tempo terminou com o placar parcial de 1 x 1, ainda que o River Plate tivesse ficado com um jogador a menos desde os 36 minutos, devido à expulsão de Lelê, que havia sido o autor do gol do clube sergipano. O segundo gol do Grêmio demorou a sair, e o terceiro foi fruto de um desvio na barreira na cobrança de uma falta. Mesmo tendo avançado na Copa do Brasil, o Grêmio preocupa. Se repetir o futebol jogado nas partidas contra o modesto clube de Sergipe, o Grêmio terá dificuldades até mesmo contra o Ipatinga, seu próximo adversário na competição. As recentes goleadas no Campeonato Gaúcho, apenas comprovam que o Gauchão não serve como parâmetro de avaliação do estágio técnico de um time, pois seu nível de qualidade é muito baixo. As atuações individuais foram muito discretas, praticamente ninguém se destacou. O Grêmio ainda está longe de ser um time confiável.
terça-feira, 20 de março de 2012
Inspeção veicular
Os governos, sejam eles de esquerda ou de direita, estão sempre dispostos a criar novas formas de arrecadação, ou seja, de tungar o bolso do cidadão e contribuinte. Isso fica evidente, mais uma vez, com o projeto de inspeção veicular que o governo do Rio Grande do Sul pretende implantar. A proposta, de tão polêmica que é, não conseguiu sequer o apoio unânime da base do governo na Assembléia Legislativa. O líder da bancada do PSB, partido da base aliada, deputado Heitor Schuch, por exemplo, declarou o seguinte: "Sou contra a inspeção veicular. Viramos reféns de coisas criadas em Brasília". Schuch lembrou que há uma lei em vigor que isenta veículos com mais de 20 anos de fabricação do pagamento de IPVA. "Estes carros não vão passar na inspeção. E irá prejudicar muitos moradores do interior que usam seu carro para trabalhar. Como essas pessoas vão continuar sua atividade profissional?", questionou Schuch. O deputado tem razão. Encoberto pelo manto demagógico e politicamente correto de retirar de circulação carros velhos, que, alegadamente, poluem o ambiente e causam mais acidentes, cria-se uma nova forma de arrecadação compulsória. A adequação às exigências da inspeção veicular, por implicar em altos custos, será inviável para muitas pessoas, determinando que as mesmas fiquem impossibilitadas de manter seu meio de condução ou, até mesmo, como disse o deputado Heitor Schuch, seu instrumento de trabalho. O líder da bancada do PDT, deputado Gérson Burmann, fez uma manifestação que resume bem a situação. Disse Burmann: "Expressamos para o governador que, do jeito que está o projeto, nós votaremos contra. Já temos o IPVA e uma série de estradas pedagiadas, não necessitamos de mais um custo para a população". A colocação de Burmann é irretorquível. Chega de assaltar o bolso do cidadão. Esperemos que os deputados mantenham suas posições, apesar das óbvias pressões que serão feitas pelo governo, e rejeitem a inspeção veicular.
segunda-feira, 19 de março de 2012
O fim de uma novela patética
Com a assinatura de contrato entre o Inter e a construtora Andrade Gutierrez, na manhã de hoje, chegou ao final a patética novela da reforma do estádio Beira-Rio para a Copa do Mundo de 2014. Um enredo grotesco, marcado por um erro inicial que teimou-se em não corrigir. Esse erro, que acarretou toda a ópera bufa que se seguiu, foi a indicação do Beira-Rio para ser o estádio de Porto Alegre na Copa. Um tremendo equívoco! Indicou-se um estádio velho, que necessita de várias adaptações para se enquadrar nas exigências da Copa, em detrimento de um novíssimo, do Grêmio, inteiramente projetado dentro dos padrões da Fifa, que será inaugurado em novembro de 2012. Um estádio maior, moderno, mais confortável, foi deixado de lado em favor de outro que, à época da realização da Copa, terá completado 45 anos de sua inauguração! Como costuma acontecer no Brasil, o que menos se levou em conta em tal escolha foi o bom senso. Aspectos clubísticos, políticos, rivalidades provincianas, se sobrepuseram aos interesses maiores da cidade, do país, e, principalmente, da Copa. Em função da opção equivocada, Porto Alegre já perdeu a oportunidade de ser uma das sedes da Copa das Confederações, que se realizará em 2013. Se tudo der certo, a reforma do Beira-Rio será concluída até 31 de dezembro de 2013, apenas seis meses antes da Copa. O novo estádio do Grêmio, que será inaugurado em novembro desse ano, permitiria, caso escolhido, que até mesmo a Copa das Confederações tivesse jogos em Porto Alegre. Os argumentos em favor da escolha do Beira-Rio são todos inconsistentes e inconvincentes, variando do pífio ao ridículo. Com o desfecho de hoje, Porto Alegre e a Copa, certamente, foram lesadas. No episódio, como costuma acontecer no Brasil, alguns poucos ganharam, e quase todos perderam.
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