terça-feira, 10 de janeiro de 2012
As contratações de Pelaipe
O gerente de futebol do Grêmio, Paulo Pelaipe, tem se mostrado um homem dinâmico na busca de contratações para 2012. Durante o período de recesso do futebol, Pelaipe trabalhou incansavelmente e contratou muitos jogadores. O problema é que o Grêmio está trazendo jogadores em quantidade, mas a maioria são apostas. Indiscutíveis, mesmo, só Kléber e Marcelo Moreno. Mais um exemplo disso foi dado ontem. Com a nova lesão de Sorondo, que terá de fazer outra cirurgia no joelho operado em abril de 2011, o Grêmio rescindiu o contrato do jogador e contratou o zagueiro Naldo. Ocorre que o Naldo em questão não é o do Werder Bremen, de comprovada qualidade e que interessa ao Inter. Trata-se de um zagueiro que foi reserva do Cruzeiro em 2011, ano em que o clube mineiro só escapou do rebaixamento no Campeonato Brasileiro na última rodada. Obcecado em resolver o problema da fragilidade da defesa do Grêmio na bola áerea, Pelaipe já trouxe três zagueiros, Douglas Grolli, Pablo e Naldo, todos muito altos. Naldo, por exemplo, tem 1,88m. Porém, são jogadores de parca biografia, o que não autoriza maiores entusiasmos com relação a resposta que podem dar em campo. Muito melhor teria sido investir na qualidade trazendo Alex, que está de saída do Chelsea, um autêntico "zagueiraço". Alex é caro? Por certo que sim, mas vale cada centavo. O Grêmio corre o risco de ter muitos nomes para a zaga e, ainda assim, não conseguir uma dupla titular de bom nível.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Demagogia
A ocorrência de desastres naturais, como secas e enchentes, gera inúmeros prejuízos e impõe pesadas perdas a muitas pessoas. Uma consequência perversa dessas situações é sua exploração demagógica por parte de políticos. O deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), em função dos problemas enfrentados pelos agricultores gaúchos com a estiagem, aproveitou para tirar a sua "lasquinha". Goergen sabe que seu partido tem muita força junto aos agricultores, notadamente mais conservadores que outros segmentos da população, e resolveu fazer uma média com eles. O parlamentar criticou o fato do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) não ter interrompido suas férias em Cuba diante do drama vivido pela agricultura do Estado em consequência da estiagem. Goergen foi além e fez reparos, também, pelo mesmo motivo, à participação do governador em exercício, Beto Grill (PSB) em atividades como a visita a uma escola de samba. Demagogia barata! O fato do governador estar ou não presente no Estado em nada altera o quadro causado pela seca. O mesmo acontece em relação a ida do governador em exercício a uma escola de samba. Na verdade, conhecedor que é da índole dos gaúchos, Goergen tenta tirar proveito político da situação. Os gaúchos, infelizmente, cultuam ideias como a de que um governante não pode tirar férias ou mostrar-se em situações descontraídas se a sociedade como um todo, ou algum de seus segmentos, vive um grande drama. Ora, convenhamos, nada é mais previsível do que a seca no Sul e as enchentes no Sudeste. Elas ocorrem em todos os verões. Todos nos solidarizamos com os efeitos danosos que elas ocasionam na vida de muitas pessoas, mas isso não significa que a rotina dos governos e dos mandatários tenha de ser alterada. As providências a serem tomadas para resolver, ou ao menos minorar, tal quadro, são conhecidas. Consistem, basicamente, na liberação de recursos para as regiões e pessoas atingidas. Isso é uma ação administrativa que independe da presença ou não do governante. Também não há nenhum descaso ou desconsideração com os atingidos pela seca na visita do governador em exercício a uma entidade carnavalesca. O que está implícito nas críticas de Goergen é a ideia de que "enquanto eles descansam e se divertem, o povo sofre". Não passa de populismo barato e, para desencanto de Jerônimo Goergen, não terá nenhum efeito eleitoral prático. É só esperar para ver.
domingo, 8 de janeiro de 2012
O azar de Sorondo
O zagueiro Sorondo foi contratado pelo Grêmio sob grande desconfiança da torcida e da imprensa. Afinal, adquirido em 2007 pelo Inter, jogou poucas partidas, e sofreu uma série de lesões. O receio de todas essas pessoas acabou se confirmando. Em um de seus primeiros treinos no Grêmio, Sorondo lesionou novamente o joelho que havia operado em março de 2011. Em princípio, Sorondo sofreu uma entorse, mas a hipótese de uma nova ruptura existe, e pode levar a que ele tenha o seu contrato rescindido, antes mesmo de jogar pelo Grêmio. O fato é lamentável, para o jogador e para o clube. Em relação ao jogador, é possível cogitar que, talvez, aos 32 anos, e com tantas lesões que não lhe permitem manter uma continuidade de partidas, tenha de encaminhar o encerramento de sua carreira. O Grêmio que buscava com Sorondo resolver um problema na zaga com um jogador qualificado e experiente, terá de voltar ao mercado. O drama maior, no entanto, é mesmo de Sorondo. Um zagueiro qualificado, e profissional dedicado, Sorondo está sendo derrotado por seu próprio corpo. Poucas vezes se teve notícia de um jogador tão azarado. Uma pena, pois, embora já tendo passado dos 30 anos, Sorondo ainda teria muito o que mostrar. Sua fragilidade física, contudo, não está lhe permitindo levar adiante sua carreira. Tomara que as coisas ainda possam melhorar para Sorondo, profissionalmente, mas após esse novo revés, isso parece, cada vez mais, improvável.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Crueldade com os aposentados
Todos os governos possuem os seu apaniguados e as suas vítimas preferenciais. Com o governo da presidente Dilma Roussef não é diferente. Dando prosseguimento ao que fizeram os dois presidentes que lhe antecederam, Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, Dilma elegeu os aposentados como o seu alvo favorito. Em 2012, mais uma vez, os aposentados que ganham acima de um salário mínimo não terão aumento real, apenas a reposição da inflação. Com isso, cada vez mais, como já admitiu a própria Previdência Social, os ganhos de quem recebe mais vão se achatando, até se aproximarem daqueles que percebem apenas o salário mínimo. O aposentado, há muito tempo, foi escolhido pelos governos brasileiros como bode expiatório. A culpa de todos os males do país parece recair sobre eles. Fernando Henrique Cardoso criou o famigerado fator previdenciário, prorrogando o tempo necessário para a concessão da aposentadoria, sendo que ele já recebia uma desde os quarenta e poucos anos. Lula e Dilma mantiveram o nefasto dispositivo e prosseguiram, também, com o achatamento dos valores pagos aos aposentados. Pessoas que contribuíram durante uma vida inteira para a Previdência Social, visando ter um final de vida digno, são lançadas à uma existência de privações, justo quando mais necessitam de amparo, pela idade avançada e as limitações a ela associadas. Uma crueldade! Lula e Dilma somaram muitos méritos em seus governos, mas estão falhando com os aposentados. Considerá-los vilões das finanças públicas é algo típico da direita, incompatível com a trajetória dos dois governantes. Um bom governo administra para todos, não exclui segmentos da sociedade. O tratamento dado, até aqui, aos aposentados, é o calcanhar de Aquiles dos governos do PT.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Dramas que se repetem
O verão é a mais alegre das estações do ano, época de muito sol, calor, praias lotadas, férias. Por outro lado, também é a estação em que ocorrem grandes secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Todo ano é a mesma coisa. Chuvas torrenciais que desabam morros, invadem casas, destroem pontes e estradas, deixam muitas pessoas desabrigadas. Ao mesmo tempo, localidades onde não chove, ocasionando problemas de abastecimento de água e perdas na agricultura. No primeiro caso, por exemplo, encontra-se o estado do Rio de Janeiro. No segundo, o Rio Grande do Sul. Ainda está na retina de todos o que aconteceu, em função das fortes chuvas, na região serrana do Rio de Janeiro, no verão de 2011. Nesse ano, as chuvas jã começaram a castigar aquele estado, levando a interrupção de uma estrada, na região onde se localiza o município de Campos. No Rio Grande do Sul, como consequência da seca, 25% da safra de milho já foi perdida. O ser humano não pode domar a natureza, é verdade, mas, diante de acontecimentos que são cíclicos, é preciso desenvolver meios de minorar seus efeitos danosos. Todo ano vemos prefeituras e governos estaduais pedindo recursos do governo federal para fazer frente aos estragos causados por secas e enchentes. A engenhosidade humana tem de ser capaz de propor mais do que simples ações paliativas, que não resolvem os problemas. É claro que isso demanda um enorme volume de recursos, mas é necessário. Remoção de habitações em morros e encostas, novos métodos de absorção da água da chuva, meios de garantir a irrigação de lavouras em épocas de seca, são medidas que, embora de cara e difícil realização, podem ser praticadas. O que não pode mais continuar é a rotina de enchentes, destruições, secas, falta de água potável, perdas na lavoura. Mesmo que custem muito dinheiro e um grande esforço científico para sua concretização, soluções para esses problemas tem de ser buscadas. Não basta remediar, é preciso prevenir a ocorrência de tais desastres climáticos e diminuir drasticamente os danos que causam.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Campeões do mau humor
O fato de nos defrontarmos com uma determinada situação durante anos não faz com que, necessariamente, nos acostumemos com ela. Faço essa afirmação porque, embora nascido, criado e domiciliado no Rio Grande do Sul, não consigo me acostumar com a crônica vocação dos gaúchos para o mau humor e a infelicidade. Basta ler algumas coisas nos jornais de Porto Alegre, nesses primeiros dias do ano, para entender ao que me refiro. Na edição de ontem de um jornal, um cronista revela que, depois de alguns anos, resolveu passar o Revéillon em Porto Alegre e não no litoral. O texto faz uma louvação da decisão tomada, com seu autor referindo o fato de que a cidade estava tranquila, não havia filas nos supermercados nem nos cinemas, e sobravam lugares nos restaurantes. Hoje, na mesma publicação, outro cronista descreve uma Porto Alegre de ruas vazias, quase desabitada nesses dias de festas e início de veraneio. Apesar do cenário desolador da sua narrativa, o autor do texto não parece estar lamentando o fato, pelo contrário, dá a impressão de que tal quadro o agrada. Em outro jornal da capital gaúcha, hoje, na seção de cartas, um leitor mostra-se inconformado com a duração dos espetáculos pirotécnicos de Ano Novo nas principais capitais brasileiras e o grande número de fogos de artifício que são gastos em tais festividades. Conforme o leitor, por menor que seja o gasto com os fogos, esse dinheiro poderia ser melhor aplicado em creches, hospitais e escolas. Acrescenta o autor da carta que em Sidney, na Austrália, o espetáculo de fogos durou bem menos que nas cidades brasileiras, e que não entende o porquê de se comemorar tanto uma passagem de ano, como se fosse a última de nossas vidas. Na mesma seção outra carta questiona o rigor que fez com que a Usina do Gasômetro fosse fechada por falta de estrutura para combate a incêndios, enquanto bares e casas noturnas que expõem seus frequentadores a riscos e perturbam o sossego público são tratados com condescendência. Por trás de todas essas manifestações, tanto as dos cronistas como as dos leitores, está visível a vocação do gaúcho para a infelicidade. O maravilhoso e saudável jeito de ser de cariocas e baianos, com sua exaltação do viver, seu gosto pelas festas e celebrações, é classificado, por muitos gaúchos, como coisa de vagabundos e desocupados. Por aqui, os fogos de Ano Novo são vistos como uma crueldade para os ouvidos de cães e gatos, bem mais sensíveis que os dos seres humanos. Os bares e casas noturnas são tidos como antros de permissividade e desordem. Em vez de celebrar a vida, o gaúcho parece ter obsessão por defender o direito ao sossego. O argumento é o de que as casas de diversão são barulhentas, não permitindo que quem mora em seu entorno possa descansar após um dia árduo de trabalho. Ora, tanto quanto é direito de alguns buscar o sossego, o é de outros tantos de se divertir. Certos argumentos chegam a ser ridículos, pela pobreza de seu conteúdo. É o caso do leitor já citado acima que acha que os recursos gastos com fogos seriam melhor aplicados em creches, escolas e hospitais. Trata-se de um discurso demagógico e falso moralista. Primeiro porque os gastos com fogos são de valor irrisório diante do que necessitam esses estabelecimentos. Em segundo lugar porque, muito provavelmente, o leitor em questão, apesar da manifestação que faz, não deve ter por hábito contribuir do seu próprio bolso com tais instituições. Há alguns anos, algumas personalidades da capital gaúcha criaram a Sociedade dos Amigos de Porto Alegre (SAPA), uma instituição sem sede nem estatuto, que visava difundir a ídeia de que, no verão, bom mesmo é ficar em Porto Alegre e aproveitar seu trânsito calmo, seus cinemas sem filas, seus restaurantes com várias mesas á disposição. Isso numa cidade que não tem praia, nenhum ponto turístico, e que, nessa época do ano, apresenta um calor sufocante. O gaúcho, por não saber ser feliz, incomoda-se com a felicidade alheia. Vive mergulhado num estado de mau humor. Não é por acaso que, embora esses dados sejam pouco divulgados pela imprensa, Porto Alegre seja a capital brasileira que, percentualmente, tem o maior número de jovens que consomem drogas, e o Rio Grande do Sul é o estado do país onde mais ocorrem suicídios. A vida não combina com o silêncio, ela é, naturalmente, buliçosa, movimentada, trepidante, frenética. Se você acha isso um absurdo tente pensar no primeiro lugar que lhe vem a mente como sendo absolutamente silencioso. Muitos lembrarão, logo, de um cemitério. Afinal, lá todos estão mortos.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
A volta do futebol
O dia de hoje marca a volta de vários clubes do futebol brasileiro às atividades, incluindo Grêmio e Inter. A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011 aconteceu no dia 04/12, portanto, há exatamente um mês, período previsto para as ferias dos jogadores. Alguns clubes voltarão aos trabalhos nos próximo dias, e o Santos, cujo ano se prolongou com a disputa do Campeonato Mundial de Clubes, só retornará no dia 11. A bola no Brasil, na verdade, não para por muito tempo. No dia seguinte ao encerramento do Brasileirão começou o Campeonato Brasileiro Sub-20, que terminou quatro dias antes do Natal. Agora, antes que os jogos dos profissionais recomecem, está sendo disputada a tradicional Taça São Paulo de Futebol Júnior, que terminará dia 25, data do aniversário da cidade de São Paulo, quando os campeonatos estaduais e a pré-Libertadores já terão iniciado. Como se vê, o show não pode parar. Os grandes clubes não apresentam muitas novidades nesse retorno, com exceção do Grêmio, que contratou em qualidade e quantidade e ainda não encerrou a busca por reforços. O Palmeiras contratou um único jogador. Os reforços do São Paulo não empolgam. O Flamengo não adquiriu reforços de peso e ainda tenta manter Thiago Neves. O Fluminense, depois do Grêmiio, foi quem melhor contratou. O Inter trouxe apenas um reforço. Atlético Mineiro, Cruzeiro, Vasco e Botafogo não fizeram grandes movimentos em termos de contratações. O Santos também não. O Corinthians parece querer, apenas, preservar seu time campeão brasileiro de 2011, sem fazer maiores acréscimos. Não há, como se vê, grandes mudanças nos times brasileiros, mas, mesmo assim, os torcedores já estão se preparando para mais um ano. Em breve, a bola vai rolar novamente. Confesso que, apesar de amante do futebol, acho que poderíamos ter um período maior de recesso, para descansar da imensa carga de jogos com que lidamos a cada ano. Porém, a realidade é que, nos próximos dias, começa tudo de novo no futebol. Então, que sejamos brindados com um bom futebol. Bom 2012 futebolístico para todos.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
A injustiça como regra
O tema está longe de ser original, eu sei, mas é pertinente. No Brasil, de forma usual, o poder Judiciário age com rigor para com os despossuídos, e com leniência para os mais abastados. Isso se comprova, mais uma vez, com o caso referente a um acidente de trânsito, ocorrido no dia 1º de janeiro, numa rodovia do Rio Grande do Sul, no município de Xangri-lá. Um carro dirigido por uma modelo brasileira radicada em Portugal, que estava embriagada e sem carteira de habilitação, colidiu com dois outros carros, um deles um táxi, causando a morte de seus condutores, uma jovem de 27 anos, e o taxista, já sexagenário. O carro dirigido pela modelo pertence a um amigo da mesma, vereador num município do litoral gaúcho, que, como ela, tem 27 anos. Os dois foram autuados em flagrante e conduzidos a um hospital para cuidar de seus ferimentos. Após obterem alta médica deveriam ser recolhidos a um presídio, mas uma decisão judicial já lhes garantiu que respondam ao processo em liberdade. Assim é a Justiça brasileira. Pune com rigor os praticantes de pequenos furtos, ou outras ilicitudes de pouca monta. Já quando se trata de pessoas com alguma influência, capazes de contarem com bons advogados, a impunidade é o procedimento mais comum. Com base em argumentos do mais puro "juridiquês" ou em falsos conceitos de defesa dos direitos do cidadão, permite-se que pessoas que cometeram crimes por uma conduta temerária e irresponsável, como no caso da modelo embriagada e sem carteira de habilitação e seu amigo que lhe cedeu o volante, ceifem vidas sem que sejam privados de sua liberdade. Enquanto isso, uma mãe deixa órfão o seu filho de apenas 7 anos, e um pai de família humilde e trabalhador é arrancado do convívio dos seus. No Brasil, ontem e hoje, a justiça é uma exceção, a injustiça é uma regra. Tomara que, no futuro, mesmo que distante, isso venha a mudar. Sem isso, continuaremos a ser um país que cresce economicamente, mas que continua estagnado no seu processo civilizatório,
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Felicidade
O jornal "Zero Hora", em sua edição de ontem, publicou uma interessante matéria tendo como tema a felicidade. Trata-se de um assunto pertinente, nesse período em que um ano se encerrou e outro se inicia. Como bem colocou a matéria, felicidade é um conceito vago, variável em diferentes épocas e culturas. Porém, e o texto também aborda esse aspecto, vivemos, atualmente, uma tentativa de padronização da felicidade, estabelecendo determinados propósitos que devem ser atingidos para que ela seja alcançada. Essas metas pré-estabelecidas estão, invariavelmente, ligadas ao consumismo. Dessa forma, para ser feliz seria necessário ter um bom padrão de vida, morando numa bela casa, tendo um bom carro, viajando com assiduidade ao exterior, comprando artigos caros. O que se vê, no entanto, como resultado da busca por esse modelo de felicidade, é uma enorme frustração, ou, até mesmo, depressão. Os que alcançam todas essas conquistas, depois de obtê-las, percebem que seu vazio interior não foi preenchido. Sentem-se tão infelizes quanto antes. Os que não conseguiram atingir essa ascensão no plano material, sofrem por acreditar que essa é a razão de não serem felizes. Todos, portanto, ricos ou pobres, ainda que por motivos diferentes, sentem-se insatisfeitos, incompletos. Primeiro, porque a felicidade completa não existe, é uma ilusão. Em segundo lugar porque buscam a felicidade onde ela não está, na abastança material. A felicidade não é fácil de se conseguir, mas não é cara. Ela está presente em coisas simples. Amor, carinho, amizade, solidariedade, convivência familiar, uma vida menos estressante, atividades de lazer, são caminhos mais eficientes no rumo da felicidade do que várias sacolas cheias de compras. Falamos em felicidade mais do que em qualquer outro momento da história, e estamos, a cada dia, mais distanciados dela. Ao nos depararmos com uma realidade totalmente diversa da felicidade propalada pela publicidade, apelamos para o álcool, as drogas, os ansiolíticos, os antidepressivos. Também neles não encontraremos o que tanto buscamos. Ser feliz exige esforço, mas não é caro, nem possui uma fórmula química. Mais do que tudo, para ser feliz é preciso redimensionar os valores sobre os quais se assenta a sociedade. Enquanto estivermos tomados pela fúria consumista e pela ideia de que só uma vida trepidante pode nos fazer felizes, estaremos cada vez mais longe de alcançar esse objetivo. Vivemos os estertores de um processo civilizacional voltado para o consumo. Ele terá de, necessariamente, ser sucedido por um retorno a uma procura maior pela reflexão, pela interiorização, por uma visão mais humanista, da busca por valores sólidos e não descartáveis. Só quando esse dia chegar é que poderemos avistar, ao menos em perspectiva, essa tão almejada felicidade.
domingo, 1 de janeiro de 2012
A careta
Um fato, ocorrido já nos últimos dias de 2011, mostrou-se emblemático em relação ao país em que vivemos. A careta de Daniel Barbalho, de 9 anos, filho do senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), que tomava posse naquele momento, com autorização judicial, representa a consciência, mesmo por alguém de tão pouca idade, de que há dois Brasis convivendo paralelamente. Um deles é o Brasil dos que dão duro, dos que levantam cedo, estudam e trabalham, muitas vezes sem alcançar a recompensa para tal esforço. O outro é o país dos privilegiados, dos que são mais iguais do que os outros, dos que dão o "carteiraço" para assegurar suas vantagens e prerrogativas. A posse de Jáder Barbalho, em si, já é um escárnio, uma afronta aos brasileiros honestos. Porém, como em nosso país, algumas pessoas parecem estar acima das leis, Barbalho assumiu sua cadeira no Senado. Seu filho, mesmo ainda sendo uma criança, demonstrou saber que pertence a um grupo de brasileiros para quem a lei é algo que só se aplica aos outros. Sua careta é um tapa na cara do brasileiro médio, com suas dificuldades e privações. Com apenas 9 anos, Daniel Barbalho já ostenta sua condição de privilegiado com indisfarçável satisfação. Sabe que a vida lhe reserva dinheiro fácil, mordomias, vantagens, e toda uma série de condições que são negadas ao cidadão comum. Isso não lhe constrange, pois acostumou-se a encarar tais fatos como naturais. O menino, ainda tão pequeno, é o retrato de um país brutalmente injusto e desigual, e que, pelo que mostra a sua atitude, continuará assim por muito tempo.
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