sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Sessenta anos de uma paixão brasileira
As telenovelas estão completando, em 2011, 60 anos de existência no Brasil. Portanto, já no ano seguinte à implantação da televisão no país, ocorrida em 1950, a primeira novela ia ao ar. Trata-se de um gênero de programa que caiu no gosto do público, consolidou-se ao longo dos anos, foi evoluindo tecnicamente na sua realização, e tornou-se um produto brasileiro de exportação. Para os observadores mais atentos, isso não deveria constituir surpresa. Os brasileiros já se mostravam grandes apreciadores das radionovelas, e é natural que aderissem com entusiasmo ao folhetim com imagens. O preconceito de setores da intelectualidade brasileira resultou, muitas vezes, em críticas ferozes às telenovelas. Como tudo que desperta intensa paixão popular, as novelas receberam rótulos depreciativos como, por exemplo, o de que seriam alienantes. Durante esse período de 60 anos, a decadência e o esgotamento do gênero foram várias vezes previstos pelos analistas de comunicação, algo que jamais se confirmou, muito antes pelo contrário. Ao longo de tantos anos, é óbvio, foram levadas ao ar novelas excelentes, boas, razoáveis, e ruins. Não é diferente em qualquer outro campo de atividade humano. Porém, não reconhecer o valor das telenovelas é uma triste manifestação de pedantismo daqueles que se julgam acima do gosto médio da população. As novelas são realizadas, hoje, com notável apuro técnico, envolvem gastos milionários e um enorme contingente de pessoas para a sua produção. Nada autoriza a que se imagine seu enfraquecimento, nem mesmo a médio ou longo prazo. O brasileiro costuma depreciar seu país e desfazer da capacidade de realização de seu povo. Pois as novelas são uma prova de que o brasileiro é capaz de produzir em alto nível, com reconhecimento internacional. Não somos só o país do futebol e do carnaval. Somos, também, o país das novelas. Um produto feito com altíssima qualidade por brasileiros, e que é exportado para diversos países, divulgando lá fora nossos hábitos e costumes. Os sessenta anos das telenovelas merecem ser saudados. Nada faz tanto sucesso, por tão largo espaço de tempo, se não for muito bom.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Um dia de luto para a música
Decididamente, o dia 8 de dezembro é uma data de luto para a música. Foi nesse dia que, em 1980, John Lennon foi assassinado. Também num 8 de dezembro, em 1994, morreu Tom Jobim. Dois grandes compositores, de estilos muito distintos, mas, ambos, de notável sucesso. Lennon foi integrante dos Beatles, o maior grupo de rock de todos os tempos, cujos discos atingiram vendagens estratosféricas. Afora os inúmeros clássicos que compôs para o grupo, sempre assinados em conjunto com Paul McCartney, mesmo que a autoria fosse só de um deles, Lennon emplacou sucessos também em sua carreira solo, como "Imagine", considerada uma das mais belas músicas já criadas. Tom Jobim, com a sensível desvantagem de compor em português e ser oriundo de um país de terceiro mundo, foi um dos criadores da Bossa Nova, movimento musical de grande repercussão no Brasil e muito apreciado no exterior. "Garota de Ipanema", música que compôs em parceria com Vinícius de Moraes, é um dos grandes standards da música mundial. Em termos de direitos autorais, ao que se sabe, "Garota de Ipanema" só perde para "Yesterday", composição de Paul McCartney assinada por ele e John Lennon. Tom Jobim, por sinal, no conjunto da obra, só perde em arrecadação de direitos para as músicas dos Beatles. Sobre isso, ele costumava dizer que "eles são quatro e eu um só, e, além disso, eles cantam em inglês". Deixando essas questões de lado, hoje é dia de reverenciar a memória desses dois grandes talentos. Felizmente, as gravações em áudio e vídeo estão aí para que possamos matar a saudade. Pena é que eles se foram cedo. Lennon com apenas 40 anos, completados 59 dias antes de sua morte. Tom com 67 anos. Ambos poderiam estar até hoje entre nós, criando novas e belas composições. Porém, o material que deixaram é vasto, e há de nos acompanhar e encantar ao longo de nossas vidas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A festa das gafes
A festa de entrega dos prêmios para os melhores do Campeonato Brasileiro de 2011, realizada anteontem no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, ficou marcada pelas gafes. Jogador que foi chamado ao palco e não estava no recinto, falta do envelope para anúncio de premiação, entre outros fatos, tornaram a festa ainda mais "bagunçada" do que em anos anteriores. Eis um fato que chama a atenção. Apesar dos ambientes nobres em que é realizada, nos anos anteriores a festa teve por local o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e da presença de astros da Rede Globo como apresentadores, a premiação aos melhores do Brasileirão tem sido, ano após ano, uma cerimônia confusa. Na edição desse ano, por exemplo, o zagueiro Dedé, do Vasco, teve seu nome anunciado para receber um prêmio. O jogador, no entanto, não estava no local. Onde estava Dedé? Participando do programa "Bem Amigos", do Sport TV, canal de esportes a cabo da própria Rede Globo, co-promotora do evento da CBF! O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, subiu ao palco para entregar um prêmio, mas o envelope com o nome do vencedor não havia sido levado aos apresentadores da cerimônia. A diretoria do Vasco, vice-campeão brasileiro e clube com mais jogadores premiados, não foi convidada para a festa, fato que a CBF imputou à empresa responsável pela organização do evento. Em edições anteriores, outras gafes foram cometidas. A partir do que se vê nessa e em tantas outras premiações no país, fica a impressão de que o gosto brasileiro pela informalidade é tão grande que nos impede de dar a devida solenidade a determinadas situações. Muitos criticam a festa do Oscar, considerando-a um espetáculo "kitsch" e aborrecido, mas ela é feita com rigor profissional. No Brasil, nas premiações do esporte, do cinema e da música, o que se vê são figurinos equivocados, quando não absolutamente desleixados, apresentadores atrapalhados, e uma série de outros deslizes incompatíveis com um evento que se pretenda grandioso. A descontração e a capacidade de improvisação dos brasileiros são atributos apreciáveis, mas há momentos em que eles são indesejáveis.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A morte no exílio
No dia de hoje, 6 de dezembro, completam-se 35 anos da morte do ex-presidente João Goulart. Uma morte prematura, aos 57 anos, de um homem amargurado pela condição de exilado, impedido, por um espúrio regime militar, de retornar ao seu país. O "crime" cometido por Goulart que o fez ser condenado ao exílio, foi ter tentado realizar reformas que tornassem o país mais justo e menos submetido aos interesses do capital internacional. Num país que, até hoje, é um dos mais desiguais do mundo, contrariar interesses dos grandes grupos econômicos em busca da justiça social foi considerado um desaforo por parte das forças retrógradas que, desde a descoberta do Brasil, são responsáveis pelo seu atraso. Não satisfeitos em impedi-lo de voltar ao Brasil, os golpistas que se apoderaram do país trataram de enxovalhar a memória de Goulart. A historiografia oficial o apresenta como um homem vacilante, de personalidade fraca. A exemplo de seu mentor político, Getúlio Vargas, João Goulart era um grande proprietário de terras. Porém, também como Getúlio, tinha sensibilidade social. Getúlio tirou o Brasil do atraso político e econômico. Recebeu a imensa gratidão do povo, mas despertou o ódio das elites, cujas pressões resultaram no seu suicídio. Goulart propôs reformas de base que mudariam a face do país. Foi tachado de comunista, perseguido, deposto e, por fim, exilado. Morreu, oficialmente, de um ataque cardíaco, mas há quem sustente que foi assassinado pelas forças da repressão. Ao contrário de tantos outros que foram remetidos para o exílio, não teve a chance de voltar. Morreu três anos antes da entrada em vigor da Lei da Anistia, que permitiu o retorno ao Brasil de Leonel Brizola e Miguel Arraes, entre outros. A data de hoje não deveria passar em branco. As novas gerações deveriam saber que o Brasil teve um presidente que quase foi impedido de assumir, aceitou tomar posse num regime parlamentarista que lhe retirava poderes, mais tarde teve as atribuições de seu cargo restituídas e, finalmente, foi deposto por um abjeto golpe de estado. Por ter aceitado, inicialmente, o arranjo parlamentarista que lhe permitiu tomar posse e, mais tarde, não ter resistido ao golpe que lhe apeou do poder, Goulart foi tido por muitos como um homem sem fibra. Na verdade, nas duas situações, parece ter prevalecido o sentimento, por parte do ex-presidente, de não atirar o país numa guerra fratricida. Goulart desejava mudar o Brasil para melhor, mas não ao custo de um banho de sangue. Passados 35 anos de sua morte, o Brasil ainda deve a João Goulart o devido reconhecimento pelo que fez e pelo que tentou realizar.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A chegada de Caio Júnior
Caio Júnior foi apresentado, no final da tarde de hoje, como o novo técnico do Grêmio. Particularmente, não o considero um bom técnico. Seu currículo não o recomenda, pois apesar de ter trabalhado em grandes clubes como Palmeiras, Flamengo e Botafogo, não possui títulos. Lembra nesse aspecto, vários técnicos, como Celso Roth, Cuca, Adílson Batista, entre outros, que pouco ou nada ganham, apesar de passarem por clubes de expressão. Sua tarefa será dificílima, pois terá de levar de volta às grandes conquistas um clube cujo time quase nada deixou de bom em 2011. Em seu último jogo do ano, o Gre-Nal de ontem, no Beira-Rio, o Grêmio foi um resumo de todo o seu fracasso nesse período. Foi mal escalado, apresentou um esquema de jogo inadequado, não teve poder ofensivo. Perdeu a partida por um pênalti cometido por um jogador, Fábio Rochemback, que era, desde o início, o pior homem em campo. Lento, pesado, voltando de lesão, Rochemback, mesmo assim, foi escalado por Celso Roth, que ainda lhe confiou a faixa de capitão. O resultado foi o que se viu. O Grêmio não mostrou poder ofensivo e, praticamente, não chutou a gol. Com exceção de Saimon e Fernando, os demais jogadores pareciam já estar em ritmo de férias. Caio Júnior terá muitas tarefas difíceis pela frente, e uma delas, essencial para que tenha êxito, é identificar os falsos brilhantes, como Rochemback, e afásta-los do time. O novo técnico do Grêmio é uma aposta, num momento em que o clube deveria buscar um nome mais afirmado. Porém, em outras ocasiões, o Grêmio fez apostas que se mostraram bem sucedidas, como nos casos de Felipão, em 1987, Tite, em 2001, e Mano Menezes, em 2005. Ao contrário desses citados, Caio Júnior chega ao Grêmio já tendo passado por outros grandes clubes. Pode ser uma vantagem. No momento, resta desejar boa sorte para Caio Júnior. Ele, certamente, irá precisar.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sócrates
A morte do ex-jogador Sócrates, na madrugada do dia em que aconteceu a última rodada do Campeonato Brasileiro, impactou o meio futebolístico. Sócrates era uma figura marcante do futebol, disputou duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, foi um dos maiores ídolos do Corinthians. Era, também, um homem de posições fortes e engajado politicamente. No ínício dos anos 80, liderou a chamada "democracia corintiana", que buscava estabelecer novos parâmetros nas relações entre clubes e jogadores com medidas, por exemplo, como o fim das concentrações antes dos jogos. Sócrates faleceu com 57 anos, uma morte que pode ser considerada prematura, dada a expectativa de vida cada vez mais larga nos dias de hoje. Porém, quem vinha acompanhando o que acontecia com Sócrates nos últimos tempos não foi pego de surpresa pela notícia. Essa era a terceira internação de Sócrates em quatro meses. O ex-jogador já havia revelado que sofria de cirrose hepática devido ao alcoolismo. Sua aparência física denotava a precariedade de seu estado de saúde. Sócrates tinha um rosto precocemente envelhecido, uma aparência cansada, apresentava-se desmazelado. Sua imagem era a de quem havia perdido o rumo. Mesmo sendo um homem esclarecido, formado em Medicina, e um ídolo de um grande clube como o Corinthians, a vida parecia pesar sobre os seus ombros. Aparentemente, era daquelas pessoas que apresentam um permanente desconforto existencial, uma sensação de inadequação ao meio que o cerca. Depois que parou de jogar, Sócrates parece ter se desencontrado definitivamente. Não se firmou como médico. Não abraçou a carreira de técnico, embora tenha tido experiências na função em pequenos clubes. O passado exitoso não o sustentou animicamente. Sócrates tinha uma visão de sociedade ideal muito distante da existente no Brasil. Admirava o modelo implantado em Cuba e deu a um de seus filhos o nome de Fidel Brasileiro. Como tantos visionários, Socrátes não suportou o peso da realidade. Morreu cedo, mas deixou sua marca. Será lembrado por suas jogadas de calcanhar, sua participação na grande Seleção Brasileira de 1982, por tomar parte na campanha das eleições diretas para presidente da República. Vai-se o homem, fica o personagem histórico.
Um final sem surpresas
A última rodada do Campeonato Brasileiro acabou determinando que a competição tivesse um final sem surpresas. Como se esperava, o Corinthians ficou com o título, o que é bastante justo para quem liderou 25 das 38 rodadas. O Vasco fez uma campanha elogiável, mas não conseguiu superar o Corinthians, ficando com um digno vice-campeonato. O Fluminense, que há algumas rodadas tinha tudo para ser o campeão, obteve a última das vagas diretas para a Libertadores. Flamengo e Inter disputarão a pré-Libertadores. Os resultados dos jogos que estabeleceram essa definição de posições foram bastante lógicos. Corinthians e Vasco não foram além de empates, o que é normal, pois enfrentaram seus maiores rivais, Palmeiras e Flamengo, respectivamente. O Fluminense também empatou, com o Botafogo, outro resultado normal em se tratando de um clássico. O Inter ganhou do Grêmio, o que já era esperado por todos, e ainda contou com a incrível bobeada do Coritiba, que se deixou derrotar pelo já rebaixado Atlético Paranaense, entregando de bandeja a vaga na pré-Libertadores para o clube gaúcho. Como se tratava de mais um confronto entre grandes rivais, no entanto, a derrota do Coritiba não chega a ser uma "zebra". O único jogo "estranho" foi Cruzeiro x Atlético Mineiro. O Cruzeiro ganhou por 6 x 1, goleada que é a maior da história do clube sobre o Atlético Mineiro. Como pode um time que fazia uma campanha tão ruim, e que jogou desfalcado, ganhar uma partida contra o seu maior rival por um placar tão elástico? Nem mesmo o fato de que o Cruzeiro estava mobilizadíssimo na busca de fugir do rebaixamento e o Atlético apenas cumpria tabela podem explicar um resultado como esse. De qualquer forma, dos dois outros clubes interessados no jogo, só o Atlético Paranaense poderá chiar, pois ganhou sua partida contra o Coritiba e, no caso de uma derrota do Cruzeiro escaparia do rebaixamento. O Ceará não terá como reclamar, pois não fez a sua parte e perdeu para o Bahia por 2 x 1. Outra goleada da rodada foi Atlético Goianiense 5 x 1 América Mineiro , que classificou o clube goiano para a Copa Sul-Americana. O São Paulo também ganhou de goleada, 4 x 1 sobre o Santos, mas de nada adiantou, pois a vitória do Inter o deixou fora da fase prévia da Libertadores. Terminado o Brasileirão, o balanço que se pode fazer é de que foi um campeonato emocionante, decidido, mais uma vez, na última rodada, mas que foi fraco tecnicamente. O campeão Corinthians, apesar dos méritos inegáveis de sua conquista, está longe de ser um grande time. O Vasco, embora a ótima campanha, também não é um time de exceção. Os grandes clubes brasileiros possuem times que se equivalem nas virtudes e nos defeitos. Para 2012, seria desejável que a competição permanecesse emocionante, mas que o nível técnico melhorasse substancialmente.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Chegou a hora da definição
Dentro de poucas horas, o Campeonato Brasileiro terá a sua definição. Teremos, na última rodada, a revelação de quem será o campeão, de mais dois classificados para a Taça Libertadores da América, de quem mais irá para a Copa Sul-Americana, e de mais dois clubes a serem rebaixados. Com isso, nenhum dos dez jogos da rodada é isento de interesse. Em todos os jogos, pelo menos um clube está em busca de um objetivo. Ora, se ainda havia alguma dúvida sobre o quanto é boa a fórmula de campeonato com pontos corridos, aí está a prova. Mais uma vez, o campeão só será conhecido na última rodada. Mesmo os clubes que estão alijados da possibilidade de alcançar o título, tem metas a atingir. Até mesmo clubes que já estão há várias rodadas sem um interesse maior pela competição, casos de Grêmio e Palmeiras, por exemplo, terão, nessa última rodada, fatores de estímulo para os jogos que irão realizar. O Grêmio tentará impedir que o Inter, seu maior rival, se classifique para a Libertadores. O Palmeiras buscará atrapalhar a conquista do título pelo seu maior adversário, o Corinthians. O Avaí, já rebaixado, tentará eliminar qualquer chance do Figueirense participar da Libertadores. O Atlético Mineiro vai se esforçar para rebaixar o Cruzeiro. Como se vê, por todos esses exemplos, será uma rodada empolgante, demonstrando que não é só o "mata-mata" que proporciona partidas eletrizantes. Agora é esperar e acompanhar, nos estádios ou pela televisão, todas as definições pendentes do Brasileirão. Emoção não irá faltar.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
As mudanças no calendário
A CBF anunciou mudanças no calendário do futebol brasileiro, a partir de 2013. A Copa do Brasil será mais extensa, sendo disputada de março a novembro, e não mais de fevereiro a junho ou julho. A competição terá um total de 86 concorrentes, e os clubes que estiverem na Libertadores do mesmo ano poderão participar, o que hoje não ocorre, mas entrando apenas a partir da quarta fase. Também haverá modificações em relação à participação dos clubes brasileiros na Copa Sul-Americana. Não ocorrerá mais uma primeira fase com enfrentamento dos clubes brasileiros entre si, o que, aliás, nunca deveria ter acontecido. O número de participantes do país na competição diminuirá, passando para quatro, em vez dos atuais oito, tornando o processo de classificação mais exigente e interessante. No geral, as modificações foram boas, porém, não concordo com a extensão da Copa do Brasil até novembro. Com isso, ela iniciará antes mas terminará quase junto com o Campeonato Brasileiro, num paralelismo que não me parece saudável. Isso será feito para que os clubes que estiverem na Libertadores possam integrar a Copa do Brasil, mas não de modo simultâneo, só ingressando na competição após o término de sua participação na disputa sul-americana. O que a CBF deveria fazer, em benefício do futebol brasileiro, seria diminuir os anacrônicos campeonatos estaduais, ou, simplesmente, retirar os grandes clubes dessas competições. Não faz sentido os grandes clubes brasileiros, durante quase um semestre inteiro, de janeiro a maio, se envolverem em competições sem atrativo técnico e cuja importância ficou no passado. Sem os campeonatos estaduais, seria possível os clubes disputarem paralelamente a Libertadores e a Copa do Brasil, sem que a competição nacional tivesse de ser extendida em sua duração, gerando uma simultaneidade com o Campeonato Brasileiro que é absolutamente indesejável. Os campeonatos estaduais tem em torno de si os interesses das federações e da rede de televisão que detém os seus direitos de transmissão. Isso tem lhes dado uma sobrevida, mas chegará o dia em que, inevitavelmente, para o bem do futebol brasileiro, terão de ser extintos, ou, pelo menos, deixarem de contar com a participação dos grandes clubes.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A expansão do consumo
Faltando menos de um mês para o Natal, o governo federal anunciou, hoje, medidas de incentivo ao consumo, com a redução de impostos sobre produtos da chamada "!linha branca" (máquinas de lavar, refrigeradores, fogões) e estímulos à concessão de crédito. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, ao justificar as medidas adotadas, de que o brasileiro pode e deve continuar consumindo. Mantega rejeitou, também, qualquer semelhança entre as condições ecônomicas do Brasil e a dos países da Europa, onde o consumo está em queda e há alto índice de desemprego. A perspectiva, portanto, é de que tenhamos um Natal com grande volume de vendas no comércio. As palavras de Guido Mantega injetam confiança no futuro do país. Será, no entanto, que o panorama da economia brasileira é tão róseo assim? Na chamada "globalização econômica" é possível um país permanecer infenso à crise que se abate sobre o primeiro mundo? Não há dúvida de que, nos últimos anos, a economia brasileira fortaleceu-se e um grande número de pessoas ascendeu à classe média. Também é verdade que a criação de empregos no país vem ocorrendo em níveis muito bons. Tais fatos se refletem nas pesquisas que demonstram a satisfação dos brasileiros com o momento atual do país, sua confiança no futuro, e o grande índice de popularidade da presidente Dilma Roussef. Um quadro, portanto, bastante alentador, e muito diferente dos tempos de inflação galopante, consumo reprimido e desemprego em alta. Resta saber por quanto tempo o Brasil poderá ser uma ilha de prosperidade em meio à crise econômica da Europa que já resulta, no momento, num contingente de 16 milhões de desempregados. Tomara que as afirmações de Mantega estejam calcadas em fatores econômicos sólidos, que permitam a manutenção dessa situação favorável não só nos próximos meses, mas, de modo estável, por muitos anos.
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