quarta-feira, 1 de junho de 2011
Vasco larga em vantagem
Foi uma vitória escassa, de apenas 1 x 0, mas o Vasco largou em vantagem contra o Coritiba na decisão da Copa do Brasil. O resultado permitirá ao Vasco jogar pelo empate na segunda partida, em Curitiba. Afora isso, o fato de não ter sofrido gols, garante ao Vasco a possibilidade de ser campeão mesmo perdendo o jogo, desde que seja pela diferença de um gol, à exceção do 0 x 1, resultado que levaria a decisão para a cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Para o Coritiba ser campeão no tempo normal de partida, portanto, será preciso uma vitória por diferença de dois gols, o que não é uma tarefa fácil, mesmo jogando em casa, num estádio lotado e com a torcida a seu favor. O Coritiba pode reverter a situação, é claro, mas o Vasco, pela maior tradição e por ter largado na frente, aparece como favorito para a conquista do título da Copa do Brasil.
Santos já está na decisão
Como já era esperado, o Santos classificou-se para a decisão da Taça Libertadores da América. Será a quarta vez que o clube irá decidir a competição. Nas três vezes anteriores, foi bicampeão em 1962 e 1963 e vice-campeão em 2003. A magra vitória por 1 x 0 sobre o Cerro Porteño no primeiro jogo, no Pacaembu, fez com que alguns temessem a possibilidade de uma reversão em Assunção. Temor infundado. O Santos é muito melhor que o Cerro Porteño, um dos clubes com maior número de participações na Libertadores, mas que, até hoje, não foi além das semifinais da competição. O Santos chegou a fazer 2 x 0, sofreu um gol, conseguiu o 3 x 1 e, equivocadamente, recuou em campo, permitindo uma grande pressão do Cerro, que, com isso, obteve o empate em 3 x 3. O jogo teve os ingredientes típicos de partidas da Libertadores, com estádio lotado, torcida jogando objetos no gramado e até uma pedra contra o técnico do Santos e a tradiconal bravura de nossos vizinhos de fala espanhola que, quer sejam argentinos, uruguaios ou, como hoje, paraguaios, jamais esmorecem antes de o jogo acabar, mesmo que o placar lhes seja desfavorável. O Santos já está na decisão e, agora, apenas espera para saber quem será seu adversário, Vélez Sarsfield ou Penãrol, que jogarão na quinta-feira. Seja quem for, o Santos aparece, desde já, como favorito para conquistar o título da Libertadores.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Falando demais
Entre tantos desacertos de sua segunda passagem pelo Inter como técnico, Falcão está tendo o de falar demais e fazer de menos. Falcão assumiu o cargo dizendo gostar de um futebol alegre e bonito, sem excesso de defensivismo. Ultimamente, vem pregando a "verticalização" do time, isto é, um futebol objetivo, em direção ao gol adversário, sem abusar de toques laterais. O problema é que, no campo, o futebol jogado pelo Inter não é alegre, muito menos bonito, e o time pratica um jogo de muitos passes para o lado e de poucos chutes a gol. Não houve nenhum progresso tático ou técnico em relação à era Celso Roth. Com os maus resultados se sucedendo, Falcão partiu para as explicações, e se enredou ainda mais. Ao conceder uma entrevista para uma emissora de rádio, no último domingo, Falcão detonou uma bomba em termos de repercussão. Tudo porque, entre outras coisas, o técnico afirmou que o Inter não tem um grupo de jogadores capaz de ganhar o Campeonato Brasileiro, necessitando, por isso, de contratar reforços.. A declaração foi duplamente equivocada. Em primeiro lugar, porque expôs os jogadores publicamente, situação que eles não costumam aceitar. O outro equívoco é que a assertiva não é verdadeira. O Inter não é o grande time que muitos imaginam, a ponto de ser tido permanentemente como um dos favoritos de todas as competições que disputa. Isso é, evidentemente, um erro de apreciação que tem se prolongado. Porém, dado o nivelamento atualmente existente no futebol nacional, o Inter tem possibilidades de ser campeão brasileiro, tanto quanto outros vários times. Como consequência do que disse, Falcão foi desautorizado por uma entrevista do vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Siegmann, que declarou que o técnico teria de se explicar ao grupo e que está convicto de que, com os jogadores de que dispõe, o clube tem plenas condições de ser campeão brasileiro. Na tarde de hoje, Falcão, em nova entrevista, disse que reafirmava tudo o que manifestara anteriormente e declarou-se espantado com a polêmica em torno do fato. Falcão, durante quinze anos, ganhou a vida como comentarista, ou seja, falando. Agora, como técnico, a fala tem sido o seu calcanhar de Aquiles.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
A antecipação da janela
A Fifa já autorizou e a CBF irá antecipar a chamada "janela" de transferências de jogadores do exterior para o Brasil. Prevista para ser aberta em 1º de agosto, a janela deverá ser iniciada, provavelmente, em 15 de junho, permitindo a utilização de jogadores contratados do exterior 46 dias antes do prazo inicialmente estabelecido. Em 2010, o Inter obteve uma antecipação da janela que lhe permitiu inscrever Renan, Tinga e Rafael Sóbis a tempo de reforçá-lo na Taça Libertadores da América. Com a nova antecipação, clubes como Grêmio, Corinthians, Vasco e Botafogo, que contrataram jogadores fora do país, serão beneficiados, mas, certamente, o futebol brasileiro como um todo é que sairá ganhando. Urge, aliás, que a CBF se empenhe para mudar definitivamente a data da tal janela. Ela é estabelecida pela FIFA de acordo com o calendário europeu e, portanto, não serve aos interesses do nosso futebol. Chega de, a cada ano, os clubes terem de recorrer à CBF pedindo a antecipação. O futebol brasileiro já sofre com o maior poderio econômico dos clubes da Europa, que levam seus principais jogadores. Não é justo que as contratações do exterior para o Brasil sejam condicionadas pelo calendário futebolístico daquele continente. Até para a subalternidade há limites.
domingo, 29 de maio de 2011
Melhor do que a encomenda
Depois de tantas desventuras nos últimos dias, o Grêmio obteve, no domingo, um resultado que foi melhor que a encomenda. Jogando fora de casa, ainda muito desfalcado, e escalando um ataque modestíssimo, o Grêmio venceu o Atlético Paranaense por 1 x 0, com um desastrado gol contra de Rafael Santos. O time não jogou bem, pouco atacou, sofreu uma pressão terrível no segundo tempo, mas, depois de um longo período, finalmente saiu de campo sem levar gol. Tivesse o Grêmio, no Gre-Nal decisivo do Campeonato Gaúcho, demonstrado tamanho empenho na preservação de uma vitória, provavelmente obteria o título. Claro que a atuação, principalmente no segundo tempo, não foi nada boa tecnicamente, mas diante das circunstâncias, o resultado era o que mais importava. Com os três pontos obtidos, o Grêmio já saltou para a parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro. Nos próximos dias, jogadores que se encontram lesionados estarão em condições de voltar ao time. Caso se confirme a antecipação da janela de transferências, os reforços que foram contratados do exterior poderão estrear bem antes do que estava inicialmente previsto. Uma vitória, por magra que seja, e com um gol contra, sempre tem um efeito muito benéfico. Se combinada com seguidos tropeços do maior rival, como vem acontecendo nesse início de Brasileirão, melhor ainda. Afinal, foram jogadas somente duas rodadas e o Grêmio já está dois pontos na frente do Inter. Passadas apenas duas semanas da conquista do Gauchão pelo Inter, os bons ventos parecem estar mudando de lado.
sábado, 28 de maio de 2011
O real e o imaginário
Já faz algum tempo que o Inter vive um conflito entre o real e o imaginário. Na visão de grande parte da imprensa e da quase totalidade de sua torcida, o Inter possui um grande time e um grupo de muito boa qualidade. A realidade, no entanto, teima em desmentir tais conceitos. Em 2010, o Inter, depois de ganhar a Libertadores, sem conseguir jogar bem, numa das mais fracas edições da competição em todos os tempos, fracassou no Brasileirão e foi eliminado ridiculamente do Mundial de Clubes pelo Mazembe. Até agora, em 2011, já foi desclassificado precocemente da Libertadores, dentro de casa, e ganhou o Campeonato Gaúcho nos tiros livres da marca do pênalti, após três jogos contra o Grêmio que, somados, resultaram num empate em 6 x 6. Começado o Campeonato Brasileiro, empatou fora de casa em 1 x 1 com um time inteiramente reserva do Santos e perdeu, em pleno Beira-Rio, para o Ceará, por 1 x 0. Foi a terceira derrota consecutiva do Inter no Beira-Rio. Até agora, não foi possível, perceber nenhuma contribuição positiva de Falcão como técnico. O título do Gauchão, da forma como foi obtido, não serve como atestado da capacidade do time. O Inter é um time lento, que troca passes em excesso, chuta pouco a gol e tem jogadores superados. Um desses jogadores, Bolívar, zagueiro lento e pesado, cometeu um pênalti que, mais uma vez, não foi marcado. Segue sendo um mistério, para mim, a razão pela qual os árbitros não marcam os pênaltis cometidos por Bolìvar. O fato é que, novamente, o Inter do gramado desmente as manchetes e as previsões. No papel,é um grande time. No campo, passa muito longe disso.
O melhor time do mundo
Não há mais qualquer dúvida: o Barcelona é o melhor time do mundo. No jogo de sábado, pela decisão da Liga dos Campeões da Europa, contra o Manchester United, o Barcelona sobrou em campo. Durante o jogo, teve 67% de posse de bola! Mesmo tendo sofrido o empate parcial por 1 x 1, sua vitória nunca esteve ameaçada. O bom time do Manchester United se viu impotente diante do poderio do adversário. Dá gosto ver o Barcelona jogar, Seu futebol é técnico, envolvente, encanta e seduz. Messi, mais uma vez, jogou uma enormidade e não podem existir mais quaisquer restrições ao seu futebol. Dizer que ele ainda precisa jogar bem pela Argentina ou, até mesmo, ganhar uma Copa do Mundo para provar sua qualidade, é manifestação de puro despeito. Messi jé merece ser inscrito na galeria dos grandes mitos do futebol mundial, como Pelé, Maradona, Garrincha, Di Stéfano, Cruyff, Puskas, Beckenbauer, Yashin. O time atual do Barcelona, por sua vez, também deve ser colocado entre os grandes de todos os tempos, numa relação que inclui o Santos de Pelé, o Real Madrid de Di Stéfano, o Ajax de Cruyff. Para quem queria assistir uma partida extremamente equilibrada e disputada, o jogo entre Manchester United x Barcelona foi frustrante. Para quem desejava se deliciar com um belo espetáculo, foi extremamente recompensador. O Barcelona está se encaminhando para uma longa hegemonia. Não parece provável que, num curto prazo, possa ser superado em qualidade por outro time. Foi campeão de forma incontestável.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Lesões musculares
Muitas são as razões que explicam o mau ano que o Grêmio vem tendo até aqui. Contratações equivocadas, carências em determinadas posições do time titular, insistência com jogadores deficientes, falta de peças de reposição no grupo, são algumas delas. Porém, é evidente que há algo de errado com a preparação física. O número de lesões musculares que vem ocorrendo no Grêmio é, simplesmente, assombroso. Com isso, um grupo que já possui limitações evidentes fica ainda mais prejudicado. O preparador físico do clube, Flávio de Oliveira, já veio a público dizer que não tinha passado por nada parecido em toda a sua carreira. Oliveira saiu em sua própria defesa dizendo que tem um currículo extenso de participação com êxito em grandes competições, o que atestaria a qualidade do seu trabalho. O fato, porém, é que os jogadores do Grêmio são acometidos de lesões musculares até em treinos, como ocorreu ainda ontem com Adílson. O argumento de que o calendário é muito rigoroso e que não foi feita uma pré-temporada adequada não convence, pois os outros clubes também passaram pela mesma situação sem apresentarem tantas lesões. O fato de que a pré-temporada do Grêmio foi ainda mais curta do que a dos demais clubes, tendo em vista que disputou a pré-Libertadores já no mês de janeiro, também não serve como explicação, pois o Corinthians passou pela mesma situação e não teve grande ocorrência de lesões musculares. O Grêmio optou por dispensar os serviços de Paulo Paixão e seu filho Ânderson Paixão, para contratar Flávio de Oliveira. Dada a competência indiscutível de Paulo Paixão, as razões devem ter sido mais de natureza econômica do que por qualquer outro motivo. Se for assim, mais uma vez se terá comprovado que o barato sai caro.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O veto ao kit anti-homofobia
Por envolver preconceitos, conceitos, princípios, dogmas religiosos e opiniões as mais diversas, o chamado "kit anti-homofobia", material elaborado pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas, no ensino médio, foi cercado, desde o anúncio de sua existência, por intensa polêmica. O grande barulho em torno do assunto começou a partir de declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), conhecido por suas posições homofóbicas. Depois de muito se discutir o tema em todo o país, a presidente Dilma Roussef (PT) decidiu vetar o kit, atendendo a apelos de parlamentares evangélicos. O curioso é que tal decisão se dá simultaneamente à eclosão do escândalo envolvendo o súbito enriquecimento do ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Antônio Palocci Filho. Como se sabe, o governo federal pretende, a todo custo, impedir que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para tratar do assunto. Com isso, o veto do kit veio bem a calhar, pois em agradecimento ao afago presidencial, os parlamentares evangélicos negariam suas assinaturas para a instalação da CPI. A medida tomada pela presidente, é claro, vem ao encontro de obscurantistas de todos os matizes, permanentemente prontos para tentar impor suas crenças e visão de mundo para a toda a sociedade. Não foram poucos os artigos escritos em jornais e as declarações prestadas à imprensa por parte de tais figuras, defendendo os princípios éticos e cristãos da sociedade brasileira que, no seu entender, estariam ameaçados pelo kit. O episódio diz muito da maneira como a sociedade brasileira encara certas situações. Toda vez que um assunto envolve sexo ou aspectos comportamentais da vida dos indivíduos, logo surgem os arautos da moral e dos "bons costumes" para cobrar ações censórias por parte dos governos. Certos grupos religiosos aferram-se à idéia de que possuem o direito de estabelecer o que é certo e o que é errado, de impor seus conceitos e práticas de vida, escorados em revelações pretensamente "divinas". Num país marcado pela longa convivência com ditaduras e com uma população constituída, em sua maioria, de pessoas de baixo nível cultural e instrucional, não espanta que tais posturas ganhem adeptos. Porém, os obscurantistas e obtusos alcançaram uma vitória enganosa. A história não anda para trás, com ou sem kit. Há quarenta ou cinquenta anos, por exemplo, uma mulher solteira que engravidasse era colocada para fora de casa pelo próprio pai, com o intuito de lavar a honra, pretensamente ultrajada, da família. Atualmente, meninas ainda na adolescência dormem com seus namorados em casa, com o consentimento dos próprios pais. Se alguém perdeu no atual episódio, não foram os homossexuais, que continuarão ampliando seus espaços de cidadania. O Brasil é que desperdiçou uma chance de se mostrar um país livre da influência dos defensores do atraso e do medievalismo de corte religioso. No entanto, no futuro, os avanços das chamadas minorias, estarão plenamente consolidados. Já Dilma Roussef, Jair Bolsonaro e todos os que incentivaram e apoiaram o veto ao kit estarão condenados ao limbo da história, que é o lugar adequado para os que se vergam diante de interesses menores e mesquinhos.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Decisão de bom nível
Os jogos da noite de quarta-feira definiram os finalistas da Copa do Brasil. A decisão da competição será entre Vasco e Coritiba, o que já determina que haverá um campeão inédito, pois nenhum dos dois clubes alcançou esse título. Dentre as combinações possíveis para estabelecer os finalistas, prevaleceu a melhor. O Vasco é um dos 12 grandes clubes do país, já ganhou quatro vezes o Campeonato Brasileiro e possui um título da Taça Libertadores da América. O Coritiba é um clube médio, mas que já conquistou um título do Brasileirão. Os outros semifinalistas, Avaí e Ceará, são clubes de uma estatura bem inferior. Por isso, a decisão da Copa do Brasil será de alto nível. De um lado, o Vasco, tentando voltar aos seus momentos de grandeza, depois de anos de más campanhas e, até, de um rebaixamento para a Segunda Divisão. De outro, o Coritiba, sensação de 2011 no futebol brasileiro, depois de ficar 29 jogos invicto, com 24 vitórias consecutivas, e de ter goleado o Palmeiras, impiedosamente, por 6 x 0. São times que tem seu forte no conjunto, mais do que nas individualidades. Ainda assim, há jogadores a conferir, como Diego Souza, do Vasco, que parece estar voltando aos seus melhores dias, e Marcos Aurélio, do Coritiba, um baixinho de boa técnica e goleador. Camiseta costuma pesar nessa hora e, dessa forma, o Vasco tem um leve favoritismo para a decisão. Porém, não se ganha nada de véspera e, em outras oportunidades, grandes clubes perderam a Copa do Brasil para adversários menores, como foi o caso de Grêmio, Flamengo e Fluminense, derrotados, respectivamente, por Criciúma, Santo André e Paulista de Jundiaí. Independentemente do vencedor, será, certamente uma grande decisão que, é bom lembrar, já classificará o primeiro clube brasileiro para a Libertadores de 2012.
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