sábado, 14 de maio de 2011

Decisões

Os campeonatos estaduais estão chegando ao seu final. Já não era sem tempo. São competições de baixo nível técnico e, portanto, pouco atrativas para o público, que não comparece em grande número aos seus jogos. Porém, após uma série de partidas desinteressantes contra adversários de pouca expressão, chega a decisão. Nessa hora, tudo muda de figura, pois há uma taça em jogo contra, geralmente, um tradicional rival. Será assim, no domingo, nas decisões dos campeonatos gaúcho, paulista e mineiro. Grêmio x Inter, Santos x Corinthians e Cruzeiro x Atlético Mineiro são jogos de grande rivalidade, que lotarão, por certo, o Olímpico, a Vila Belmiro e a Arena do Jacaré, em clima de grande tensão. Grêmio e Atlético Mineiro, por terem ganho a primeira partida, e o Santos, por decidir em casa, aparecem como os favoritos para obter os títulos de seus estados. Porém, nada está ganho ainda, pois em disputas entre grandes clubes, tudo pode acontecer. Os resultados de domingo certamente irão influir no ânimo de vencedores e de derrotados para  enfrentar o Campeonato Brasileiro, que começará uma semana depois. Aliás, a proximidade do início do Brasileirão é a boa notícia da vez. Finalmente, teremos jogos de melhor qualidade e no mais justo sistema de disputa, o de pontos corridos, com todos jogando contra todos, em turno e returno. Saímos das competições de formulismos e passamos para um campeonato de verdade. Depois de quase um semestre de campeonatos estaduais, é uma perspectiva alentadora.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os grandes continuam a se dar mal

Continua o calvário dos grandes clubes brasileiros. Agora foi o São Paulo que, ao perder por 3 x 1 na quinta-feira para o Avaí, foi eliminado da Copa do Brasil, competição em que era considerado, por muitos, o maior favorito. Na verdade, quem se dispusesse a olhar o confronto mais detidamente veria que não houve nenhuma grande surpresa. O sistema de mata-mata iguala os disputantes, pois tudo se resolve em um enfrentamento direto em dois jogos, sem que haja influência de rodadas anteriores. Como o São Paulo ganhou por apenas 1 x 0 o primeiro jogo, realizado no Morumbi, era de se prever que tivesse muitas dificuldades na segunda partida, realizada no estádio da Ressacada. O São Paulo até saiu na frente, mas tomou a virada ao natural. Em partidas de mata-mata, mais uma vez ficou provado, tradição não ganha jogo. Dessa forma, só restou, entre os semifinalistas da Copa do Brasil, um único clube grande, o Vasco, que também se classiificou na quinta-feira, com o empate em 1 x 1 com o Atlético Paranaense, no estádio de São Januário. No entanto, não se deve considerar o Vasco favorito para ganhar o título da competição. Sua classiificação para as semiifinais foi obtida com dois empates e, no segundo e decisivo jogo, não apresentou um bom futebol, tendo, inclusive, saído atrás no placar. Como já foi dito, no sistema de mata-mata todos se equivalem. Sendo assim, é bastante provável que o campeão da Copa do Brasil, a exemplo do que já aconteceu com Criciúma, Juventude, Santo André e Paulista de Jundiaí, seja um clube de menor expressão do futebol brasileiro.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A estação do metrô

Desde que Pedro Álvares Cabral chegou por aqui, o Brasil sempre se mostrou um país marcado pela desigualdade. No nosso amado solo pátrio, a sociedade sempre se viu dividida entre os muitos que quase nada tem e os poucos que quase tudo possuem. Assim, ao longo da história do país, vicejou a idéia do "quem pode mais chora menos". Trata-se de algo tão arraigado no jeito de ser do Brasil que, apesar de todas as transformações sociais ditadas pela passagem do tempo, permanece imutável. Mesmo nos maiores centros, onde, teoricamente, a sociedade deveria ter uma mentalidade mais arejada, a lei do mais forte segue prevalecendo. Um exemplo disso é o que está ocorrendo em São Paulo, a maior cidade do Brasil. Uma estação do metrô prevista para o bairro de Higienópolis, reduto de pessoas de bom poder aquisitivo, não deverá mais ser construída, por pressão de moradores do local. Alegam os moradores de Higienópolis que uma estação do metrô no bairro traria consigo uma série de inconvenientes como, por exemplo, o aumento no fluxo de pessoas que circulariam pelo local, quebrando sua tranquilidade, e o aparecimento, considerado indesejável, de vendedores ambulantes. Anteriormente, moradores do Pacaembu, outro bairro de pessoas bem aquinhoadas de São Paulo, também manifestaram contrariedade com a idéia da construção, ali, de uma estação do metrô. O que ocorre em São Paulo não é um fato isolado. Em Porto Alegre, num passado recente, aconteceram situações semelhantes. Na década de 90, quando decidiu-se que a cidade deveria ter um local permanente para os desfiles do Carnaval, onde seria construído um sambódromo, a primeira área sugerida foi junto ao Parque Marinha do Brasil, no bairro Menino Deus. A chiadeira foi enorme. Os moradores do bairro alegaram uma série de inconveniências para impedir a construção do sambódromo, entre elas, a presença, nas proximidades, de uma clínica geriátrica. O curioso é que a referida clínica fica próxima, também, ao estádio Beira-Rio e ao ginásio Gigantinho que, com seus jogos e shows, quebram constantemente a tranquilidade dos velhinhos, enquanto o Carnaval, como se sabe, dura apenas quatro dias a cada ano. Na verdade, o que movia a contrariedade com a construção de um sambódromo no local era, simplesmente o preconceito contra os pobres e os negros, sabidamente majoritários entre os apreciadores dos desfiles carnavalescos. A pressão foi tão forte que, mesmo que o prefeito de Porto Alegre, na ocasião, fosse um homem de esquerda, o atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, a idéia foi deixada de lado e o sambódromo, para satisfação plena dos que querem distância das camadas populares, foi construído no Porto Seco, uma área afastada do centro da cidade, longe das zonas tradicionais do Carnaval e do samba e, principalmente, de difícil acesso. A argumentação de que a construção erguida no Porto Seco seria não apenas para os desfiles carnavalescos, mas sim, uma pista de eventos, onde ocorreriam outras apresentações, era puro engodo. Acontecimentos como os desfiles do Sete de Setembro e da Revolução Farroupilha continuaram a ser realizados na área central da cidade, já que os mesmos não ferem a sensibilidade dos bem nascidos. Tempos mais tarde, já nos anos 2000, o traçado do chamado Conduto Forçado Álvaro Chaves-Goethe, obra subterrânea que visava combater o crônico problema dos alagamentos em determinadas regiões de Porto Alegre, teve de ser parcialmente alterado porque moradores de uma rua do Moinhos de Vento, bairro de classe alta da cidade, não aceitaram que árvores ali existentes fossem removidas. Este é o país em que vivemos. Enquanto milhões de pessoas são ignoradas em seus direitos mais básicos sem que seus protestos sejam ouvidos, os mais bem postos na escala social fazem de tudo para manter seus privilégios e, em geral, tem seus pedidos acolhidos pelos que exercem o poder. O Brasil vem evoluindo em muitos setores, mas continua tendo uma sociedade elitista e autoritária. Enquanto isso não mudar, a idéia de um país próspero e desenvolvido continuará sendo, apenas, uma intenção.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A saída de Aod Cunha

No início do ano, o economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul no governo Yeda Crusius, assumiu como executivo remunerado do Inter. O fato foi efusivamente saudado por setores da imprensa esportiva que viam na contratação de Aod, economista de sólida formação e brilhante currículo, o caminho para que o Inter se consolidasse como um clube moderno, altamente profissionalizado, de grande eficiência gerencial. Seria o tão sonhado, para alguns, caminho para o fim do amadorismo e da improvisação administrativa dos grandes clubes. Previa-se um longo e árduo trabalho para Aod Cunha que culminaria, no entanto, num Inter administrado com a eficiência das grandes empresas. Tudo muito bonito, sem dúvida. No papel. Menos de seis meses depois de assumir o cargo, Aod Cunha deixou o Inter. Os mesmos que vibraram com sua contratação, por certo, lamentarão profundamente sua saída, e dirão que ela é a expressão de uma estrutura administrativa amadora e desorganizada, que resiste a evoluir e adotar padrões de eficiência empresarial. Na verdade, a saída de Aod em nada deslustra o Inter, afinal foi o clube que teve a idéia de contratá-lo, exatamente por entender que, com seu trabalho, poderia atingir um novo patamar administrativo. Se, num período tão curto, já optou-se por interromper o projeto, é muito provável que o responsável maior por tal desfecho seja o próprio Aod Cunha. Não é difícil imaginar que o economista, do alto do prestígio profissional de que desfruta e de sua excelente formação acadêmica, não deve ter aceitado qualquer reparo ou resistência de setores do clube às suas idéias e proposições. Dessa forma, em pouco tempo, sentiu-se desestimulado a prosseguir seu trabalho. Aí é que reside o equívoco de Aod e dos defensores entusiasmados de sua contratação. Conhecimentos acadêmicos, por mais sólidos e qualificados que sejam, precisam ser adaptados à realidade prática, ou constituirão mero acúmulo de informações sem aplicabilidade. Não passa de deslumbramento simplório imaginar que o futebol só possa avançar na sua estrutura administrativa com a entrada em cena de profissionais com o perfil de Aod. Foram os tão criticados dirigentes passionais e amadores que construíram a grandeza do futebol gaúcho e brasileiro. Grêmio e Inter não precisaram de nenhum brilhante economista remunerado para conquistarem, conjuntamente, cinco Campeonatos Brasileiros, cinco Copas do Brasil, quatro Taças Libertadores da América, duas Recopas Sul-Americanas e dois Campeonatos Mundiais. Aod Cunha pode ser muito bom no seu ramo de atividade, mas também não esqueçamos que um dos pretensos méritos da área econômica do governo Yeda Crusius, no qual atuou, o chamado "déficit zero", não passou de mera ficção. Ao contrário dos tantos que lamentam o fato, entendo que a sáida de Aod Cunha não trará nenhum prejuízo ao Inter. Como todo economista com o seu perfil, Aod tem muitas idéias que são brilhantes quando expostas num quadro negro ou em um tratado acadêmico, mas de pouca ou nenhuma aplicação fora da sala de aula. O Inter não perde nada com a saída de Aod e, de quebra, ainda deixa de arcar com o pagamento de um salário que, certamente, era bem polpudo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

As razões da crise

Fala-se muito, nos últimos dias, da existência de uma grave crise técnica no futebol brasileiro. Por certo, há algum exagero nessa apreciação, motivada que foi pela eliminação de quatro brasileiros da Taça Libertadores da América numa mesma noite e por maus resultados de grandes clubes na Copa do Brasil.. Porém, se formos analisar com mais atenção veremos que existe uma caracterísitica comum presente em quase todos os grandes clubes que fracassaram na semana passada. Esse fator em comum é a aposta nos chamados "medalhões", jogadores que, em geral  já não brilham tão intensamente quanto no passado, mas, por força da fama adquirida, são contratados como soluções e, alguns, ganhando salários bastante altos. Por vezes a contratação é simplesmente o retorno a um clube de um velho ídolo de conquistas passadas. Ocorre que, no futebol, o tempo passa muito depressa e, assim, o ídolo de meia dúzia de anos atrás pode ser, hoje, apenas um espectro do que foi em seus melhores dias. O Flamengo talvez seja o exemplo mais eloquente. Repatriou Ronaldinho por uma fortuna, mas o jogador, tal e qual já vinha fazendo há pelo menos cinco anos, mostra-se mais interessado na sua movimentada vida fora do campo. No gramado, seu futebol continua pífio, e a torcida, já sem o encantamento demonstrado quando de sua chegada, começa a vaiá-lo. No Fluminense, veteranos como Deco e Souza, apesar dos polpudos salários, praticamente não jogam, seja por constantes lesões ou por baixo rendimento. O Palmeiras achou que resolveria sua crônica falta de qualidade simplesmente trazendo de volta seu último grande ídolo, Valdívia, que não é veterano, mas, extremamente genioso, logo entrou em rota de colisão com o não menos temperamental técnico do clube, Luiz Felipe. O Cruzeiro também apelou para jogadores rodados como Gilberto e Roger. Este último, no jogo que decidia a classificação do clube para as quartas de final da Libertadores, foi expulso, fato que contribuiu para a eliminação do Cruzeiro. No Inter, a insistência com jogadores das campanhas vitoriosas de 2006 também cobrou seu preço. Índio, ao que parece, já foi barrado, mas Bolívar e Tinga continuam a ser prestigiados, ainda que mostrem estar se encaminhando aceleradamente para a aposentadoria. Por sinal, outros jogadores do Inter de 2006 estão indo pelo mesmo caminho. Fernandão deverá rescindir seu contrato com o São Paulo e Fabiano Eller, que chegou a retornar para o Inter e teve péssimo desempenho, está sem clube. O Grêmio talvez seja o único que não se encaixe exatamente nesse perfil. Sua desclassificação da Libertadores se deveu muito mais ao acúmulo incrível de lesões que mutilou seu grupo de jogadores. Ainda assim, já no primeiro jogo após a desclassificação, obteve uma vitória expressiva apostando num ataque de jovens. Não é coincidência. O Santos, único brasileiro que restou na Libertadores assenta a força do seu time em jovens revelações, não em veteranos renomados. O fato é que, quer por já estarem milionários e desinteressados, quer por já não ostentarem uma boa condição física, ou ainda por que sejam "marrentos", os velhos ídolos repatriados ou recontratados não dão um bom retorno. Os jovens é que seguram a barra. É assim no São Paulo, onde Fernandão e Rivaldo fracassaram e brilham Lucas e Casemiro.  No Grêmio,dos emergentes Leandro e Júnior Viçosa. No Santos, dos já celebres Paulo Henrique Ganso e Neymar. No Inter de Leandro Damião e Oscar. No Flamengo do ainda jovem, embora experiente, Tiago Neves. Jogadores vitoriosos de glórias passadas proporcionam agradáveis recordações, mas não resolvem no presente, nem garantem o futuro.

domingo, 8 de maio de 2011

O título está quase ganho

Depois de assistir ao Gre-Nal de hoje à tarde, no Beira-Rio, a conclusão a que se pode chegar é que o Grêmio já está com o título de campeão gaúcho praticamente ganho. O Grêmio derrotou o Inter no estádio do adversário, marcou três gols fora de casa numa decisão que tem saldo qualificado e mostrou uma condição anímica superior. Mesmo que se saiba que o Inter tem tradição, que se trata de um clássico e que, em futebol, não se ganha de véspera, a possibilidade de uma reversão é bem pequena. O Grêmio jogou duas vezes seguidas contra o Inter fora de casa. Em ambas as partidas, saiu perdendo. Empatou a primeira e venceu a segunda, tendo contra si um estádio ocupado por uma maioria de torcedores do adversário. Agora, no Olímpico, com maioria de torcedores e ampla vantagem no regulamento, é muito improvável que deixe de conquistar o título. A defesa do Grêmio, novamente, cometeu erros, principalmente no segundo gol que sofreu, porém a do Inter falhou ainda mais. O técnico do Grêmio, Renato, dessa vez, foi muito bem na escalação do time. Barrou Rafael Marques, que vinha de más atuações, promoveu a entrada de Escudero no meio, ao lado de Douglas, e montou um ataque jovem e veloz, com Leandro e Júnior Viçosa. Pelo volume de jogo apresentado no segundo tempo, o Grêmio poderia ter vencido, até, por um placar mais amplo. Ainda assim, vai para o próximo Gre-Nal com grande vantagem, pois qualquer empate lhe serve e até com derrotas por 1 x 0 ou 2 x 1 conquistará o título do Campeonato Gaúcho.  No caso de sofrer uma derrota pelo mesmo placar de hoje, a decisão do campeonato iria para os tiros livres da marca do pênalti. O Inter terá de ganhar o jogo por dois gols de diferença ou por um gol a partir de 4 x 3, para obter o título. Como se vê, uma tarefa que, embora não seja impossível de ser cumprida, é muito difícil. Os problemas do Inter parecem muito grandes para serem superados com apenas uma semana de treinos. Vários jogadores dão indícios de estarem encaminhando um final de carreira, ou pelo menos de sua passagem pelo clube. Os resquícios da base vitoriosa de 2006 parecem estar, definitivamente, se apagando. O Inter teve duas partidas seguidas em casa contra o Grêmio para demonstrar sua propalada superioridade, jogando praticamente completo contra um adversário desfalcado. Não conseguiu. Agora é o Grêmio quem está com a faca e o queijo na mão, ou como dizem os gaúchos, com o cavalo passando encilhado. Nada indica que irá perder essa chance. O Gauchão ainda não acabou, mas já surge no horizonte o seu campeão.

sábado, 7 de maio de 2011

A direita sem discurso

Os meios de comunicação tem batido na tecla de que a oposição está em crise no Brasil. Não consegue formular uma linha de conduta, está dividida e desorientada. O que se passa com o DEM, partido que é um dos sucedâneos da antiga Arena, é exemplar. Pelo andar da carruagem, o partido caminha para a extinção. Tal crise, porém, é explicável. As forças de direita, no Brasil, ficaram sem discurso. Todos os fantasmas com que tentaram atemorizar os eleitores para que não votassem em Lula para presidente da República não fizeram efeito. Lula foi eleito, mais tarde reeleito, e fez a sua sucessora, Dilma Roussef. A hipótese de que o ex-presidente modificaria a legislação para obter um terceiro mandato foi aventada pela imprensa, mas Lula a rechaçou de pronto, mostrando respeito às normas legais, ainda que se saiba que, se o desejasse, a aprovação da alteração seria líquida e certa. A grande imprensa tentou relacionar os êxitos obtidos no governo Lula ao fato de terem sido mantidos, em sua administração, os fundamentos econômicos implantados por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Sim, é verdade que Lula não subverteu o ordenamento econômico até então existente, mas seu governo avançou muito mais na direção da expansão dos empregos e da diminuição das desigualdades. Fala-se em educação de baixa qualidade e falta de mão-de-obra qualificada para preencher vagas nas empresas. Ora, o que não se diz é que houve uma notável expansão no número de empregos gerados, depois de anos de estagnação do mercado, sendo natural que faltem, num primeiro momento, pessoas que possam preencher todas as vagas. Longe de ser um problema grave, é um sinal inequívoco, de um país em estágio de crescimento econômico, com redução de desigualdades e maciça inserção no mercado de segmentos antes excluídos do consumo. Não é à toa que Lula deixou o governo com o mais alto índice de popularidade de um presidente brasileiro em todos os tempos. O eleitor não vota movido por preconceitos ideológicos, pensa no seu bolso e no seu estômago. Dessa forma, foi capaz de eleger para presidente um ex-operário e, agora, a primeira mulher a ocupar o cargo, por sinal uma ex-ativista de esquerda. As primeiras medições de popularidade de Dilma Roussef mostram que a maioria do eleitorado continua satisfeita. O governo anterior, e o atual, possuem muitos defeitos, alguns bastante graves. Não se trata, aqui, de fazer um texto laudatório a quem está no poder. Trata-se, apenas, de reconhecer os grandes avanços sociais e econômicos alcançados a partir do governo Lula. Em resumo, a direita ficou sem discurso porque o Brasil está dando certo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estupidez

Por mais que sejamos bombardeados diariamente por toda a sorte de informações e já se tenha vivido muito, certas notícias ainda tem a capacidade de nos gerar estupefação. Foi o que ocorreu comigo ao saber da história que envolve a menina americana Bree Evans, de apenas 7 anos, e sua mãe, Sheron Evans, de 33 anos, que vivem em San Diego, na Califórnia. Com o objetivo de transformar a filha numa estrela tão famosa quanto Willow Smith, filha do ator Will Smith, Sharon faz aplicações de toxina botulínica no rosto de Bree a cada dois meses, e preenchimento labial a cada três meses. A menina já fez, também, maquiagem definitiva nas sobrancelhas com técnicas de tatuagem. A própria Sharon é quem realiza os procedimentos pois, é óbvio, todos os médicos que procurou se negaram a fazê-los. Sharon diz que Bree chora de dor, mas, depois, fica feliz com o resultado. Dificilmente devo ter me deparado, ao longo da minha vida, com tamanha demonstração de estupidez e estultice. O excessivo culto às celebridades, marca do tempo atual, acabou por gerar tamanha deformação de conceitos que chegamos a um caso estarrecedor como esse. Sharon justifica sua atitude dizendo que "ela é minha menina e tenho que garantir que seja uma estrela". Acrescenta, ainda que "eu sou a mãe dela, a empresária dela, a motivadora dela, a amiga dela". Empresária e motivadora pode até ser, mas mãe e amiga Sharon não é. Como pode uma mãe submeter uma filha de apenas sete anos a intervenções dolorosas e, principalmente, desnecessárias para a sua idade, em nome da busca do estrelato? A sociedade atual e seus apelos estão levando algumas pessoas a um processo de idiotização, a perderem a noção do que seja razoável. Ao tomar conhecimento de fatos como esse, recordo-me da letra de uma antiga música que dizia "pare o mundo que eu quero descer". Pois é, às vezes, dá mesmo vontade de fazer isso, se possível fosse.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Enfrentando tabus

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal considerou, nessa quinta-feira, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. A decisão chega, até, com atraso. A atuação de grupos religiosos e forças sociais conservadoras vinham conseguindo retardar o reconhecimento legal das chamadas uniões homoafetivas. Os casais formados por pessoas do mesmo sexo constituem uma realidade cada vez mais presente na sociedade. A partir da decisão do STF, cria-se um precedente a ser seguido pelas instituições de administração pública. Herança, pensão alimentícia e previdenciária passam a ser assegurados para os casais homoafetivos. O relator da matéria, ministro Ayres Britto, ao defender a união de pessoas homossexuais como entidade familiar, disse que o sexo não pode ser usado como motivo para tornar pessoas desiguais perante o Estado. Ayres Britto acrescentou que, com a decisão, ganham os homoafetivos e ninguém perde. Tem razão o ministro. Só mesmo a visão turvada pelo preconceito ou pelo fanatismo religioso pode levar alguém  a ser contra tal medida. A decisão, inclusive, não institui o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Entendem os ministros que o casamento civil se restringe aos casais formados por um homem e uma mulher. Assim, não há motivos para alguém se opor a uma decisão que, reitere-se, foi tomada por unanimidade. Ainda que de forma mais lenta do que seria desejável, o Brasil vai avançando nas questões de cidadania. A decisão do STF foi mais um passo nessa direção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O fiasco brasileiro na Libertadores

Não há outra palavra para definir o que aconteceu com os clubes brasileiros, na quarta-feira, pelas oitavas de final da Taça Libertadores da América. Foi, mesmo, um fiasco. Se da primeira para a segunda fase todos os clubes brasileiros passaram, dessa vez só o Santos classificou-se para as quartas de final! O Cruzeiro, clube de melhor campanha na primeira fase, e o Inter, sempre cotadíssimo por sua suposta grande qualidade, foram os responsáveis pelos maiores fracassos, pois obtiveram bons resultados fora de casa e foram eliminados diante de suas torcidas. Se, no entanto, fizermos uma análise de cada um dos brasileiros que saíram da Libertadores, veremos que nada é tão absurdo assim. Comecemos pelo Cruzeiro, o permanente quase campeão. Nas últimas edições da Libertadores, o Cruzeiro sempre fez belas campanhas, passando a ser apontado como um dos favoritos, e acabou soçobrando na competição. Falta-lhe, na hora decisiva, o ímpeto dos vencedores. Além disso, em que pese sua excelente campanha na primeira fase, seu grupo de jogadores está longe de ser brilhante. Conta, entre outros, com Leandro Guerreiro, aquele mesmo limitadíssimo ex-jogador de Inter e Botafogo, e com o paraguaio Ortigoza, que não deu certo no Palmeiras. Passemos ao Fluminense. O clube fracassou no campeonato estadual, conseguiu uma classificação quase milagrosa para as oitavas de final da Libertadores, e vem sendo treinado por um  técnico interino que apenas guarda lugar para Abel Braga, que chegará em junho. Chegamos, então, na dupla Gre-Nal. O Inter, mais uma vez, foi tido por muitos como um dos favoritos para o título da Libertadores por, presumivelemte, possuir um grande time e um bom grupo. O futebol apresentado em campo jamais confirmou tal condição e, dessa vez, a sorte que permitiu a classificação diante do Estudiantes em 2010, quando estava sendo eliminado e marcou um gol aos 43 minutos do segundo tempo, não se fez presente. O Grêmio teve a eliminação mais previsível. Perdeu a primeira partida, tinha de reverter na casa do adversário, e jogou com um time absolutamente desmontado pelas lesões. Ainda assim, há que se fazer dois reparos. O primeiro é que, para quem precisava ganhar, o Grêmio adotou uma postura muito defensiva, com três volantes e, a exemplo do que ocorrera no Gre-Nal, Leandro ficou no banco,  hoje entrando somente no segundo tempo, o que é incompreensível. O segundo é que o Once Caldas, tal e qual o Grêmio, perdeu o primeiro jogo em casa, contra o Cruzeiro, por 2 x 1, e, ainda assim, foi capaz de reverter a desvantagem, ganhando a segunda partida, fora de casa, por 2 x 0. Por fim, cabe dizer que, também em relação ao único clube brasileiro que restou na Libertadores, o Santos, não há nenhuma surpresa. Afinal, possui os dois melhores jogadores em atividade no Brasil, Paulo Henrique Ganso e Neymar. Como já ficou provado tantas vezes, o que faz a diferença, no futebol, é o talento.