sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vitória convincente

O Grêmio venceu e convenceu na vitória por 2 x 0 sobre o Atlético Junior de Barranquilla, no estádio Olímpico. Como há algum tempo já não acontecia, quase todo o time jogou bem, pois, à exceção de Escudero, todos tiveram boas atuações. Vítor recuperou-se de suas últimas más jornadas e fez defesas importantes. A defesa, como um todo, se mostrou segura. Lúcio fez sua melhor partida no ano e, no meu entender, foi o melhor jogador em campo. Douglas mostrou sua grande categoria em vários lances. Borges, mais uma vez, mostrou seu faro de goleador. Foi uma vitória afirmativa, por ter sido obtida sobre o único clube que ainda estava invicto na Taça Libertadores da América.  Afora isso, o Grêmio classificou-se para a próxima fase da competição. O torcedor, que estava um tanto desconfiado com o desempenho do time, deve ter saído do estádio bem mais esperançoso. Foi uma vitória consistente, de um time que manteve o controle do jogo durante, praticamente, toda a partida. O Grêmio vai para seus próximos jogos bem mais confiante. Vitórias como essa deixam o grupo de jogadores mais seguro e afastam inquietações dos torcedores. A torcida, aliás, mais uma vez foi um componente importante. Mais de 31 mil torcedores estiveram no Olímpico, contagiando o time com seu entusiasmo. Pela primeira vez em 2011 o Grêmio teve um desempenho semelhante ao do final de 2010. Agora, é esperar para ver se esse rendimento se mantém.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tragédia importada

A chacina cometida por Wellington Menezes de Oliveira, numa escola do subúrbio de Realengo, no Rio de Janeiro, é a importação de um modelo de tragédia típico dos Estados Unidos. Lá, tornou-se tristemente comum um indivíduo com sérias perturbações psicológicas, abrir fogo em escolas e outros locais de grande concentração de pessoas, atirando a esmo e espalhando o terror e a morte. Muitos viram, em tais acontecimentos, reflexos do processo civilizatório americano e de seu apreço pelas armas de fogo. Agora, tal tipo de crime ocorreu no Brasil e não praticado por um integrante dos estamentos médios da sociedade, como em geral ocorre nos Estados Unidos, mas por um morador pobre do subúrbio carioca. Por certo, a divulgação de certas modalidades de crime, serve de estímulo para mentes perturbadas, no sentido de reproduzi-las. Porém, o fato é que, até hoje, são poucos os casos semelhantes ocorridos no Brasil. Longe de indicar uma tendência, os assassinatos praticados por Wellington são resultado de uma mente extremamente confusa e perturbada, de um homem infeliz e solitário. Mergulhados em seus rancores e frustrações, indivíduos como Wellington decidem dar cabo da própria vida, mas antes resolvem levar consigo as vidas de vítimas inocentes, buscando ferir os sentimentos de uma sociedade na qual nunca se sentiram integrados. O duro é explicar para os parentes e amigos das vítimas, nesse caso quase todas crianças, como pode alguém praticar um ato tão vil. O sofrimento de quem perde uma pessoa nessas circunstâncias é indizível. Sua dor é a dor de todos nós.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Acumulando frustrações

Nenhum outro país possui tantos clubes grandes no futebol como o Brasil. São 12 no total, numa prova inequívoca do poderio do futebol brasileiro. Esses 12 clubes são de um valor imensurável, pois são movidos pela paixão de milhões de torcedores. Sendo assim, constituem um patrimônio esportivo e afetivo a ser preservado. Como amante que sou do futebol, quando um desses clubes entra numa fase prolongadamente ruim, fico entristecido, pois isso empobrece o panorama do futebol brasileiro. O Atlético Mineiro, um dos grandes clubes brasileiros, há muito tempo faz com que a sua torcida só acumule frustrações. Depois de ter tido a honra de conquistar o título do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, ganhou apenas, duas Copas Conmebol, uma competição sul-americana de segunda linha que já foi extinta, e campeonatos estaduais. Nesse período, viu seu maior rival, o Cruzeiro, ganhar, entre outras competições, duas Libertadores, duas Supercopas dos Campeões da Libertadores e quatro Copas do Brasil. Sua torcida, que décadas atrás era bem maior que a do clube rival, hoje, segundo pesquisas, já é menor. Na noite dessa quarta-feira, o Atlético Mineiro, novamente, frustrou os seus torcedores. Foi eliminado da Copa do Brasil, jogando em casa, pelo Grêmio Prudente, clube que caiu para a segunda divisão brasileira em 2010 e que se encontra na zona de rebaixamento do Campeonato Paulista. Apontado como um dos favoritos para a conquista do título da Copa do Brasil, o Atlético Mineiro já está, precocemente eliminado da competição por um clube sem expressão e sem torcida. Seu técnico, o renomado Dorival Júnior, é um dos mais bem pagos do país. Seu centro de treinamento, dizem muitos, é, atualmente, o melhor do Brasil. Então, por que os resultados não aparecem e as frustrações se acumulam? Não sei, mas algo precisa ser feito para reverter esse quadro. Para o bem de uma torcida apaixonada que não merece sofrer tanto, e, também, para o engrandecimento do futebol brasileiro, que não pode ter um de seus maiores clubes numa rotina de fracassos tão longa.

Mais um resultado decepcionante

O Inter tinha tudo para voltar do México já classificado para a próxima fase da Taça Libertadores da América. Jogou com seu time completo, contra o lanterna do Campeonato Mexicano, ao qual já  havia goleado no Beira-Rio. Essa era a previsão lógica. Porém, mais uma vez, o Inter frustrou as expectativas em torno do seu futebol e voltou com uma derrota de 1 x 0 para o Jaguares. O Inter deverá se classificar mesmo assim, dada a fragilidade técnica dos seus adversários no grupo, mas terá de vencer seu último jogo, contra o Emelec no Beira-Rio, para garantir o primeiro lugar. Já não dá para disfarçar a crescente insatisfação da torcida com o técnico Celso Roth, mais uma vez manifestada após o jogo. Insatisfação que, ao que parece, já não é só dos torcedores, pois, apesar de cuidadoso com as palavras, o vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Siegmann, em entrevista após a partida, deixou transparecer sua impaciência e irritação com os constantes maus desempenhos do time. O Inter é tido e havido como um time forte e um grupo qualificado, mas, na prática, não demonstra isso. Seja no Campeonato Gaúcho ou na Libertadores tem empatado ou perdido para times nitidamente inferiores ao seu, como Novo Hamburgo, São Luiz, Lajeadense, Emelec e Jaguares. Está claro que o técnico Celso Roth não está conseguindo tirar dos jogadores tudo o que eles podem dar. Por enquanto, o Inter ainda está com chances nas competições que disputa, mas o futebol que vem apresentando não indica um futuro promissor. A hora é de mudança e a entrevista de Siegmann, que disse que não é homem de se entregar à inércia, sinaliza que ela, talvez, já esteja a caminho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma piada sem graça

A eleição do humorista Tiririca para o cargo de deputado federal pelo PR-SP, revela-se, a cada dia que passa, como uma piada, porém, sem graça. Antes de assumir o cargo, Tiririca teve de se submeter a um teste para provar que não era analfabeto. Foi aprovado, mas ao que se sabe, demonstrou grande dificuldade com as tarefas propostas, o que permitiria que seja considerado um analfabeto funcional. Apesar disso, depois de empossado, pediu para integrar a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, no que foi atendido. Mais tarde, contratou dois humoristas de televisão como assessores, cada um ganhando um salário de 8 mil reais, sem comparecer ao trabalho. Agora, foi revelado que Tiririca pediu para a Câmara dos Deputados o reembolso de uma nota fiscal no valor de R$ 660,00 de hospedagem no Porto d' Aldeia Resort, em Fortaleza. Tiririca solicitou, ainda, o ressarcimento de R$ 311,00 gastos em alimentação, no mesmo hotel. O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS) disse que Tiririca precisa ser informado sobre o direito de reembolso por gastos feitos no exercício do mandato, de quais são possíveis de serem realizados e em que atividades. Maia declarou, também que Tiririca poderia estar em alguma atividade no Ceará, mas que se houver alguma irregularidade, pedirá que os recursos sejam devolvidos. Ora, é óbvio que a atividade de Tiririca no local em questão era, simplesmente, de lazer. Claro que os valores devem ser devolvidos para a Cãmara, pois são recursos públicos. Há quem diga que ao votar em candidatos como Tiririca, o eleitor pratica um ato de protesto. Nada mais enganoso. Ao escolher candidatos desse tipo, o eleitor reserva para si o papel de falso malandro. Como quem corre por gosto não cansa, quem elegeu Tiririca não tem o direito de se queixar.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lucrando com a saúde

Poucas coisas podem ser mais ignóbeis do que transformar a saúde, um direito universal, em vil fonte de lucro. Infelizmente, nem todos pensam assim. A última edição da revista "Veja" traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com o americano Robert Fogel, Prêmio Nobel de Economia em 1993. Fogel acha que o setor de saúde será o grande propulsor da economia do século 21. O economista diz que a cadeia produtiva nessa área é das mais extensas e que, com os "estímulos adequados", calcula que o impacto da saúde no PIB dos Estados Unidos poderá chegar a algo como 2,5% a 3% ao ano. Fogel considera que isso representa um "enorme impulso para a economia". Em valores de hoje, esse percentual significaria uma adição anual à riqueza americana de 438 bilhões de dólares, o equivalente ao PIB da Suécia. Perguntado sobre como os mais pobres podem se beneficiar dos avanços na saúde, Fogel diz que "infelizmente" nunca haverá igualdade absoluta entre ricos e pobres nesse campo. Segundo o economista, a única forma de prover acesso à saúde aos mais pobres é construindo hospitais para os muito ricos, pois, mesmo que os mais aquinhoados não precisem deles, já que podem se tratar em outros países, se suas instalações estiverem disponíveis, poderão "em algum momento" atender também os menos abastados, por meio dos planos de saúde. Em algum momento? Aleatoriamente? Pois é, tais idéias são de um ganhador do Prêmio Nobel! Um antiácido, por favor!

Previdência complementar

O governo do Rio Grande do Sul está preparando um projeto de lei para modificar as regras da previdência como forma de equilibrar as contas do Estado. O projeto ainda não está inteiramente definido, mas entre as possibilidades estão a fixação de um teto salarial para os aposentados e pensionistas e a criação de uma previdência complementar, que receberia contribuições de servidores interessados em elevar os seus ganhos futuros. Já vimos esse filme. A alegação é sempre a mesma, isto é, de que a situação previdenciária está "insustentável". A novidade é que, dessa vez, quem planeja tal medida é um governo do PT, comandado por um dos maiores pensadores da esquerda brasileira, Tarso Genro. Vira e mexe e os vilões dos supostos déficits financeiros dos governos, estaduais e federal, são sempre os aposentados e pensionistas. No entender dos governantes, é preciso atirá-los à miséria para poder salvar os combalidos cofres públicos. Como disse, com muita propriedade, o diretor de previdência da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Cláudio Luís Martinewsky, a intenção do governo significa um enfraquecimento do Estado. Martinewsky lembra que todas as experiências de previdência complementar que foram feitas até hoje, como na Argentina e no Chile, foram totalmente desastrosas, pois isso é um projeto do mercado financeiro, que visa ao lucro. O diretor da Ajuris tem inteira razão. Ao abrir mão de uma obrigação que é inteiramente sua, o governo lava as mãos e entrega os aposentados e pensionistas nas mãos dos tubarões do mercado. Ao longo dos anos, muitas vezes se ouviu a defesa da necessidade de implantat tais medidas. Porém, quem o fazia eram os governantes de centro e de direita. Ouvir o mesmo discurso vindo de um governo liderado por um partido que leva em seu nome a palavra "trabalhadores", é absolutamente chocante.

domingo, 3 de abril de 2011

Desempenho burocrático

Um time burocrático. Assim foi o Grêmio na tarde de domingo, no jogo em que venceu o Veranópolis por 2 x 1. O primeiro tempo foi se arrastando com a incapacidade do time em furar a retranca do adversário, e, por isso mesmo, terminou em 0 x 0. No segundo tempo, o Grêmio custou um pouco mas achou o seu gol, praticamente garantindo a vitória, já que, defensivamente, não era exigido pelo Veranópolis. O segundo gol, no rebote de um pênalti mal batido por Borges, apenas consolidou o resultado. O Veranópolis ainda marcaria um gol de falta, no final, numa falha lamentável de Victor. Aliás, as atuações individuais do Grêmio, mais uma vez, deixaram bastante a desejar. A começar por Victor. A falha no gol do Veranópólis vem se somar a várias outras no ano, incompatíveis com um goleiro de Seleção Brasileira. Bruno Collaço foi apenas razoável, mostrando que o Grêmio não encontrará a solução para a sua lateral esquerda com o que tem em casa. William Magrão esteve muito mal, Lúcio foi regular, Douglas apático, e Borges não conseguiu superar a marcação adversária, só fazendo um gol no rebote de um pênalti que ele mesmo cobrou. A única atuação de alto nível foi de Fábio Rockembach. Gabriel, Rafael Marques, Rodolfo e Leandro, mesmo tendo marcado um gol, tiveram atuações médias. O Grêmio já garantiu a maior pontuação em todo o Campeonato Gaúcho e, caso venha a decidir a competição contra outro clube, levará o  segundo jogo para o seu estádio. O resultado e suas consequências, portanto, foram bons, mas a atuação, novamente, não convenceu.

sábado, 2 de abril de 2011

Árbitro contestado

O que mais se ouviu, de parte do Inter, após o empate em 1 x 1 com o Lajeadense, no Estádio Florestal, em Lajeado, no final da tarde de sábado, foram contestações ao árbitro Fabrício Neves Corrêa. As reclamações tem fundamento, pois Fabrício teve uma arbitragem ruim e insegura, não coibiu a violência, deixou de assinalar faltas evidentes e de marcar um pênalti em favor do Inter. Não é a primeira vez, aliás, que Fabrício Neves Corrêa demonstra não ser um árbitro de primeira linha. Porém, em que pesem as justificadas queixas do Inter, isso não serve como explicação única para o resultado. Já nos primeiros minutos de jogo, numa falha incrível da defesa, o Inter viu Paulo Rangel, do Lajeadense, perder um gol feito. Logo depois, o Inter abriu o placar com um gol do sempre eficiente Leandro Damião, mas, próximo do final do primeiro tempo, cedeu o empate. Além das falhas evidentes da defesa, o Inter mostrou, mais uma vez, um baixo aproveitamento das chances de gol que cria. São muitas as oportunidades criadas, poucas as que se transformam em gols. Debitar o resultado ao árbitro seria tapar o sol com a peneira. Foi o terceiro sábado consecutivo que o Inter empatou com um clube do Interior, sendo que os outros dois jogos foram no Beira-Rio. Como agravante, o Inter teve, contra o Lajeadense, a presença de seus principais titulares, com exceção de Kléber e Guiñazu. Com o resultado, o Inter corre o risco de perder a liderança de seu grupo para o Canoas, ainda nessa rodada e, caso o Grêmio ganhe do Veranópolis, não poderá mais alcançar o seu maior rival na pontuação geral do Campeonato Gaúcho. Decididamente, o Inter no Gauchão de 2011, tem tido uma pálida participação. Por fim, cabe ainda dizer que as críticas quanto as condições do Estádio Florestal também são procedentes. Já estive no Florestal por mais de uma vez e suas instalações são muito precárias, a começar pela iluminação que é péssima. Ainda que se saiba que o Lajeadense irá inaugurar, já nos próximos dias, o seu novo estádio, que não ficou pronto a tempo de realizar o jogo desse sábado, nada justifica que um campeonato que conta com um bom aporte de dinheiro da televisão e é patrocinado por uma multinacional de refrigerantes, efetue partidas no decadente Florestal..

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Monstruosidade

Chega uma época na vida em que julgamos já ter visto de tudo, qua nada mais é capaz de nos surpreender ou chocar. Eis que de repente, nos deparamos com acontecimentos que se mostram muito piores do que qualquer coisa que pudéssemos imaginar. O fato ocorrido no Paraná em que um pai de trigêmeas disse, no hospital, que só levaria duas crianças para casa, pois não desejava uma terceira, só pode ser classificado como uma monstruosidade. As crianças em questão foram resultado de uma fertilização artificial, devido a problemas de fertilidade do casal. Sabe-se que é muito comum que tratamentos desse tipo resultem numa gravidez múltipla. O médico que realizou o procedimento disse que o casal era ciente de que estavam sendo gestadas três crianças. Pois, ainda assim, quando do nascimento, o pai das meninas declarou que sempre quis ter apenas dois filhos e, portanto, não levaria uma das crianças para casa. O hospital, é claro, não aceitou tal decisão, acionou o Ministério Público e as meninas foram entregues ao Conselho Tutelar. O fato ocorreu no dia 24 de janeiro e o caso corre em segredo de Justiça, com a família, através de seu advogado de defesa, comunicando que não pretende se manifestar. Uma coisa que chama a atenção é que se fala na decisão do pai, mas nada é referido sobre a mãe das crianças. Ela concorda com a postura do marido? Agora, mais do que tudo, o difícil é entender como podem pessoas que desejavam tanto um filho, a ponto de se submeter a um tratamento sabidamente caro, uma vez alcançado o seu objetivo, reagirem dessa maneira. Melhor nem tentar entender, pois se trata, cabe repetir, de uma monstruosidade, de algo que prova que o ser humano consegue ser ainda pior do que se possa pensar..