domingo, 27 de março de 2011
Realidades distintas
No que diz respeito ao Campeonato Gaúcho, Grêmio e Inter, como ficou claro na rodada do final de semana, vivem realidades distintas. Enquanto o Inter, no sábado, empatou em casa, por 0 x 0, com o modesto São Luiz, de Ijuí, o Grêmio, fora de casa, venceu o Pelotas por 3 x 1. O resultado do Inter ainda tem o agravante do adversário ter jogado, desde os 40 minutos do primeiro tempo, com um homem a menos, devido a uma expulsão. O Grêmio, além de ter ganho o primeiro turno, já obteve a maior soma na contagem geral de pontos na competição, o que lhe garantiria fazer em casa o segundo jogo de uma hipotética decisão de campeonato. Além disso, com a campanha que vem realizando, é possível, ainda, que o Grêmio também vença o segundo turno, o que lhe daria o título do Gauchão sem a necessidade de uma decisão. Em relação ao Inter, parece claro que o técnico Celso Roth e os jogadores não conseguem se motivar para as partidas do Campeonato Gaúcho. Por mais equívocos de escalações e de esquemas que o técnico possa cometer, com o grupo de jogadores de que dispõe, o Inter teria de vencer o São Luiz no Beira-Rio. Os contínuos insucessos no Gauchão demonstram claramente que o problema maior do Inter é anímico. O técnico e os jogadores não esperavam ter de assumir a disputa do Gauchão, que estava reservada para o extinto time B, e, agora, não conseguem encontrar a mobilização necessária para jogar a competição. Resta saber se a torcida e a diretoria terão paciência para lidar com essa situação. Afinal, futebol é resultado, seja qual for a competição em disputa.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Ideologias pré-concebidas
O título desse comentário é uma alusão à justificativa dada pelo empresário Anton Karl Biedermann para o seu desligamento do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo do Rio Grande do Sul. Biedermann mostrou-se insatisfeito com documentos que atacavam o neoliberalismo. "Recebi materiais com ideologias pré-concebidas", disse o empresário. Curiosa a maneira de pensar dos integrantes das forças de direita. Como não conseguem vencer as eleições com os seus candidatos, nutrem a esperança de que os governantes eleitos reneguem inteiramente suas idéias de esquerda e passem a rezar pela sua cartilha. Ora, um conselho de um governo comandado por Tarso Genro, um dos mais sólidos e brilhantes intelectuais de esquerda do país, pode até ter um discurso abrangente e aglutinador, visando abarcar os diferente grupos sociais, mas daí a deixar de condenar o neoliberalismo vai uma distância muito grande. Neoliberalismo, para os mais desavisados, é aquele pensamento econômico que defende com unhas e dentes o direito de propriedade e de lucro e o "respeito aos contratos". Seus defensores são adeptos ferrenhos do que chamam de "livre iniciativa" e propugnam a existência de um "Estado mínimo", que não interfira na economia e dê plena liberdade para os "empreendedores". Já quanto ao direito à vida, justa distribuição de renda, garantias trabalhistas, salários dignos, não passam, para tais indivíduos, de propostas demagógicas e populistas. Um conselho que se propõe a promover o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul nada a tem a perder com a saída de pessoas de idéias tão predatórias e elitistas. Muito pelo contrário. Só tem a ganhar.
Resultado previsível
Nada mais previsível do que a vitória do Grêmio sobre o Inter de Santa Maria, na noite de hoje. Nem o mesmo o placar, um elástico 6 x 0, causou surpresa. O Inter de Santa Maria é um time muito fraco, está praticamente rebaixado para a Segunda Divisão e teve dois jogadores expulsos na partida. O Grêmio tentou até o fim ampliar o placar, já que, se fizesse mais um gol, teria a melhor campanha do Gauchão pelos critérios, mesmo com um jogo a menos que o Inter. Embora se deva descontar a fragilidade do adversário, o Grêmio jogou muito bem, com vários destaques individuais. Só a dupla de zaga, Rafael Marques e Rodolfo,, esteve com um rendimento abaixo da média do time, o que explica os vários escanteios concedidos para o Inter de Santa Maria, algumas chances de gol do adversário e importantes defesas de Marcelo Grohe, inclusive numa cobrança de pênalti. Jogadores como Escudero, Douglas e Leandro, que entrou no segundo tempo e marcou dois gols, tiveram muito boa atuação. Gílson fez boa partida, sendo muito aplaudido quando foi substituído. Para coroar a noite com mais uma boa notícia, o Oriente Petrolero derrotou o León de Huánaco por 2 x 0, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, resultado que praticamente classificou o Grêmio para a próxima fase da Taça Libertadores da América. Enfim, apesar da noite chuvosa, tudo esteve azul no horizonte gremista.
quarta-feira, 23 de março de 2011
A hora da verdade
Entre os tantos entraves para que se torne um país mais justo, o Brasil apresenta uma permanente tendência para varrer assuntos incômodos para baixo do tapete, adiando o esclarecimento de fatos da sua história. A idéia, defendida pelas forças retrógradas do país e por setores da grande imprensa, de que a anistia de 1979 pôs fim as questões envolvendo o asqueroso golpe militar de 1964, é um insulto à memória dos homens e mulheres que tombaram nos porões da ditadura, e também às suas famílias que, até hoje, em grande parte, não conseguiram localizar seus corpos. Não é possível que um governo chefiado por uma ex-militante, que sentiu na própria pele a violência e a torpeza dos monstros da ditadura, ainda tema a reação das Forças Armadas e de grupos conservadores do país. Uruguai e Argentina, países vizinhos que também sofreram com a iniquidade de uma ditadura militar, souberam encarar o passado de frente, punindo os artífices de tais movimentos. O Brasil precisa fazer o mesmo. Anistia não é sinônimo de impunidade. Não basta, apenas, localizar as ossadas das vítimas de uma ditadura bárbara e ignóbil. Mais do que isso, é preciso abrir os arquivos da época para todos os brasileiros e, acima de tudo, punir exemplarmente os golpistas e torturadores. Só assim, o país poderá dar esse episódio por encerrado e seguir em frente com sua história.
Caso contrário, o peso de uma injustiça inominável se abaterá sobre o Brasil indefinidamente.
Caso contrário, o peso de uma injustiça inominável se abaterá sobre o Brasil indefinidamente.
Uma atriz mítica
A morte de Elizabeth Taylor não é apenas o falecimento de uma atriz famosa. Mais que famosa, Elizabeth Taylor era uma figura mítica. Ganhadora de dois Oscars era, na juventude, de uma proverbial beleza. Seus olhos, de uma inacreditável cor violeta, eram motivo de fascínio e admiração. Teve uma vida pessoal movimentada e tumultuada, o que só ajudou a reforçar o mito. Seu relacionamento com o ator Richard Burton, com quem chegou a se casar por duas vezes, ocupou o noticiário de jornais e revistas durante muito tempo. Burton foi o quinto marido da atriz, de um total de sete. A partir da meia-idade, Elizabeth Taylor enfrentou inúmeros problemas de saúde como excesso de peso e depressão. Mesmo afastada do cinema, sempre esteve presente no noticiário. Foi ativista da busca de recursos para pesquisas em prol da cura da AIDS, doença que vitimou um grande amigo seu, o ator Rock Hudson. Como mito que era, não experimentou o ostracismo. Por isso, mesmo com sua morte, continuará sendo lembrada. Afinal, os mitos desafiam o tempo.
terça-feira, 22 de março de 2011
O novo partido
O Brasil ganhou um novo partido político, o PSD, Partido Social Democrático. Na verdade, nem tão novo assim, pois sua sigla é a mesma do antigo partido do ex-presidente Juscelino Kubistchek, extinto quando da implantação, pelo regime militar de 64, do bipartidarismo. Não se trata de coincidência e sim de uma homenagem explícita a Juscelino pela marca desenvolvimentista de seu governo, uma das bandeiras do novo partido. O curioso é a forma como nasceu a nova agremiação política. Mais uma vez, não se trata de um movimento nascido nas bases, mas sim, um ato de caciquismo político. O fundador do novo partido é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Até então filiado ao Dem, Kassab queria deixar o partido por não concordar com sua oposição sistemática ao governo da presidente Dilma Roussef, do PT, que o prefeito pretende apoiar. Além do "desenvolvimentismo", outra das idéias de Kassab é a de que não existem mais posições de esquerda e direita, apenas a busca dos interesses maiores do país. O interessante nisso tudo é que, até poucos anos, Gilberto Kassab era uma figura sem relevância no meio político. Sua aparição para o grande público se deu quando tornou-se vice-prefeito de São Paulo, na gestão de José Serra. O partido de Serra, o PSDB, coligou-se com o então PFL, atual DEM, que indicou Kassab para candidadto a vice-prefeito. Serra venceu a eleição para prefeito de São Paulo e, mais tarde, deixou o cargo para concorrer a governador do Estado. Com isso, Kassab, até então um ilustre desconhecido, passou ao primeiro plano da política, tornando-se prefeito da maior cidade do Brasil. Logo depois, nas urnas, foi reeleito para o cargo. Pois agora, culminando sua fulgurante e meteórica ascensão, Kassab funda um novo partido. Ascensão e trajetória bastante semelhantes a do atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que de discreto vice-governador na administração de Mário Covas, assumiu o cargo quando do falecimento do titular, reelegeu-se, concorreu a presidente da República e, no ano passado, tornou a se eleger governador. São ascensões estranhas, feitas na esteira de vacâncias de cargos por renúncia ou falecimento, não por uma sólida atuação no campo político e junto as bases do eleitorado. Típico de um país que ainda não se livrou das práticas caciquistas e elitistas. A propósito, o PSD foi fundado sem que o partido tenha, ainda, um programa definido! Nada mais brasileiro, em se tratando de política.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Precipitação
A convocação para a Seleção Brasileira do atacante Leandro Damião, do Inter, parece ser uma precipitação. Ainda que seja o jogador do momento no futebol brasileiro, pelos gols que tem marcado, Leandro Damião até o início do ano sequer era titular do time. Sua convocação, de forma tão meteórica, pode até brecar seu processo de evolução como jogador. Por ser jovem, Leandro Damião, certamente, ainda tem muito a aprender e corrigir para aprimorar seu futebol. Com a condição de integrante da Seleção Brasileira, talvez deixe de ser tão aplicado na busca da superação de suas limitações, por entender já ser um jogador de primeiro nível. Na mesma linha está a convocação, feita também para o próximo amistoso da Seleção Brasileira, do meio-campista Lucas do São Paulo. O jogador teve extraordinária atuação pela Seleção Brasileira Sub-20, no campeonato sul-americano da categoria, no mês de janeiro, e já foi convocado para a seleção principal. Claro que o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, deseja experimentar vários jogadores até achar a equipe que disputará a Copa do Mundo de 2014. Porém, devido ao tempo ainda longo que há até lá, seria melhor que permitisse a jogadores emergentes, como Lucas e Leandro Damião, que completassem, em seus clubes, a maturação do seu futebol, sem pular etapas. Antes de ir para a Seleção Brasileira, um jogador precisa consolidar-se no próprio clube, afirmar-se, tornar-se um referencial. Só aí estará pronto para integrar a seleção número um do mundo. Situação diferente era a que envolvia Paulo Henrique Ganso e Neymar, que tiveram uma ascensão rápida mas sólida, levando o Santos a conquistar dois títulos em 2010. Os dois jogadores, até pela escassez de talentos da Seleção Brasileira treinada por Dunga, deveriam ter sido convocados para a Copa do Mundo de 2010. Já quanto a Lucas e Leandro Damião, antes de se pensar em convocá-los, deveria ser permitido que também construíssem uma trajetória mais afirmativa em seus clubes.
domingo, 20 de março de 2011
Obrigação cumprida
O Grêmio, ao golear o Porto Alegre por 3 x 0 na tarde de hoje, apenas cumpriu com sua obrigação. Vindo de dois maus resultados, a derrota para o Cruzeiro pelo Gauchão e o empate com o León pela Libertadores, era imperativo que o Grêmio vencesse para afastar as nuvens carregadas que se aproximavam de seu ambiente. Além disso, seu adversário de hoje é o lanterna do Campeonato Gaúcho. Mesmo jogando com dez reservas e apenas o goleiro Vítor de titular, o Grêmio se impôs desde o início do jogo, marcando o seu primeiro gol logo aos 4 minutos. Melhor do que o resultado, no entanto, foi o desempenho do time, individual e coletivamente. Ao contrário da atuação desastrosa e desanimada contra o Cruzeiro, desta vez o time reserva do Grêmio destacou-se pelo empenho e pelo brilho de algumas atuações individuais. Os homens escalados no ataque, Escudero e Júnior Viçosa, autores dos dois primeiros gols, tiveram muito bom desempenho. Escudero, pelo que jogou, se credencia a ser o companheiro de Borges no ataque, durante a ausência de André Lima que, lesionado, só deverá voltar dentro de dois meses. Vinìcius Pacheco, que jogando no meio de campo contra o Cruzeiro fez uma péssima partida, hoje, entrando no segundo tempo como atacante, atuou bem e fez um belo gol, que completou os 3 x 0. A goleada já deixou o Grêmio com o mesmo número de pontos que o Inter na classificação geral e com um jogo a menos. Cabe lembrar que, quem fizer mais pontos ao longo do campeonato, no caso de ocorrer uma decisão entre dois clubes, levará o segundo jogo para o seu estádio. Foi uma tarde tranquila e de bons presságios para a torcida do Grêmio. Resta saber se essa tendência se confirmará nos próximos jogos.
sábado, 19 de março de 2011
Empate insosso
A impressão que se tinha, ao assistir a Inter 0 x 0 Novo Hamburgo, na tarde de sábado, no Beira-Rio, é de que os dois times poderiam jogar por dias a fio sem que marcassem nenhum gol. O Inter, com um misto quente que incluía titulares como Lauro, Rodrigo e Guiñazu, um convalescente Rafael Sóbis, e um dos reforços de 2011, Cavenagh, além do "xodò" da torcida, Andrézinho, pouco fez durante todo o jogo, mostrando pouco ímpeto para romper a retranca proposta pelo Novo Hamburgo. Ficou, inclusive, a impressão de que se o Novo Hamburgo não se mostrasse tão satisfeito com o empate e ousasse um pouco mais, poderia obter a vitória. A consequência de tudo isso não poderia ser outra. Durante o jogo, a cada passe errado, a torcida do Inter demonstrava sua impaciência, com vaias. Com o término da partida, as vaias tornaram-se mais intensas. No decorrer do jogo, a torcida expressou, também, sua insatisfação com o técnico Celso Roth, dirigindo-lhe o tradicional coro de "burro, burro". A verdade é que o Inter só tem ido bem, nos últimos jogos, quando enfrenta adversários fraquíssimos, como o Ypiranga de Erechim e o Jorge Wilstermann, ocasiões em que aplicou goleadas. Porém, quando enfrenta adversários modestos, mas bem organizados e com alguma qualidade, patina. Foi assim com o Caxias no domingo passado, em Caxias do Sul, quando só não perdeu por ter sido auxiliado por erros de arbitragem e, agora, contra o Novo Hamburgo. A soma de pífias atuações do time com a insatisfação crescente da torcida em relação ao técnico apenas reforçam a previsão que já fiz em meus comentários na Rádio 1300 AM, isto é, que Celso Roth não ficará no cargo além do mês de abril.
O pré-sal é nosso
Se nos anos 50, foi preciso lançar a campanha "O petróleo é nosso", para defender os interesses do país em relação às suas reservas petrolíferas, fato que culminou com a criação da Petrobrás, estamos, agora, diante de fato semelhante. As mesmas forças que se opunham a criação da Petrobrás no passado, voltam com seu discurso entreguista e americanófilo para defender a participação dos Estados Unidos na exploração do petróleo brasileiro situado na camada do pré-sal. Consumidores ávidos de petróleo, os americanos já voltam seus olhos para o pré-sal brasileiro com indisfarçável interesse. O pré-sal é um patrimônio dos brasileiros. Sua descoberta, num período em que já se avista o esgotamento das reservas mundiais de petróleo num futuro não muito distante, é extremamente estratégica para o país. Assim sendo, todo o processo de sua exploração tem de ser comandado e coordenado pelo Brasil. Já vai longe o tempo em que o país dependia do conhecimento e da tecnologia de outros países para levar adiante tarefas como essa. Ainda que os entreguistas de plantão digam o contrário, possuímos recursos materiais e humanos para dar conta da empreitada, sem recorrer a auxílios que visam apenas apropriar-se de nossas riquezas naturais. O pré-sal irá gerar uma formidável massa de recursos, que devem ser aplicados em benefício do povo brasileiro. Afinal, o pré-sal é nosso.
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