domingo, 13 de março de 2011
Mais um sinal de alerta
Se não bastasse a quase perda do primeiro turno para o Caxias, o Grêmio teve, na sua estréia no segundo turno do Campeonato Gaúcho, mais um sinal de alerta. O Grêmio jogou contra o Cruzeiro, de Porto Alegre, com um time quase inteiramente reserva, formado, na sua maioria, por garotos. Além de algumas atuações individuais desastrosas, o Grêmio não mostrou o mínimo entendimento em campo e, como seu próprio técnico, Renato, disse ápós o jogo, não correu. Renato declarou que podia aceitar tudo, menos que um time com tantos jovens corresse menos que um adversário que jogara 48 horas antes. Isso é verdade, mas Renato também tem de revisar algumas de suas idéias. A insistência com Carlos Alberto já está passando do limite. Nem mesmo jogando, teoricamente, na sua posição, Carlos Alberto conseguiu atuar bem. Para piorar, entrou em campo como capitão do time, e acabou expulso. Afora o goleiro Mateus, de grande atuação, a maioria dos jogadores decepcionou. Maylson esteve péssimo, assim como Neuton, Fernando não mostrou o seu grande futebol, Vinícius Pacheco se manteve alheio ao jogo e Wesley comprovou, mais uma vez, que é um mau jogador. Talvez quem melhor tenha resumido o que se viu no dia de ontem no Olímpico tenha sido um torcedor ouvido pela Rádio Gaúcha. Disse ele: "O Grêmio cometeu o mesmo do erro do Inter contra o Cruzeiro e, por isso, também perdeu. Colocou guris para jogar contra adultos. Guri tem de jogar contra guri, adulto contra adulto". Uma explicação simples, talvez, mas que faz algum sentido.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Os contrastes do verão
O verão é a mais alegre das estações. O calor, o sol intenso, o colorido próprio dessa época do ano, as praias repletas, pessoas em férias, descontraídas, uma atmosfera que convida ao lazer, a desfrutar os prazeres da vida, brincar, se divertir, tudo isso caracteriza o verão. Há também o Carnaval, com toda a sua animação. Porém, o verão é, também uma época de chuvas intensas e é aí que se revela o seu lado triste. Dois meses depois da tragédia que se abateu sobre a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, com seus milhares de mortos, eis que a chuva, nas últimas horas, atingiu com intensidade a região sul do Rio Grande do Sul, levando o município mais afetado, São Lourenço do Sul, a decretar estado de calamidade pública. Já são oito mortos confirmados e milhares de desabrigados. Há falta parcial de energia elétrica e total desabastecimento de água no município. Novamente, estamos diante de uma situação dramática que ensejará uma corrente de solidariedade não só dos gaúchos, mas de várias partes do Brasil. Nessas situações as pessoas são tocadas pela compaixão em relação à dor alheia e tratam de colaborar na medida das suas possibilidades. O homem avançou muito ao longo do tempo, mas ainda é incapaz de domar a natureza. Tragédias como essa, parecem ocorrer, de tempos em tempos, para lembrar ao ser humano que ele não pode tudo, que diante da força das manifestações da natureza ele ainda se queda impotente. Em meio aos tantos prazeres e fruições do verão, é uma lembrança de que também ele tem o seu lado amargo. Na dualidade que caracteriza a vida, já expressa o ditado popular, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Mais uma conquista épica
Existem resultados que falam por si só. Sim, é verdade que o Grêmio jogou muito mal, que Carlos Alberto é uma insistência injustificável do técnico Renato, que Gílson não tem condições de jogar no Grêmio, que VÍtor, mais uma vez, falhou em jogos decisivos. Também é verdade que o Grêmio, pela sua grandeza, não poderia sofrer tanto para ser campeão do primeiro turno do Campeonato Gaúcho jogando em casa contra o Caxias. Porém, quem conhece o Grêmio sabe que conquistas sofridas são constantes em sua história. Nessas horas, o nível do adversário importa pouco e é por isso que a "Batalha dos Aflitos" é o jogo mais épico da história do futebol gaúcho, independentemente de o adversário do Grêmio ter sido o Náutico. Não é a maior ou menor expressão do adversário que tornam um jogo épico, são as circunstâncias do seu desenrolar. No jogo Grêmio x Caxias houve dramaticidade, empenho, garra, superação. Vítor, depois de falhar durante o jogo, foi heróico na cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Sobrou capacidade de indignação para o Grêmio e, assim, o que seria uma conquista previsível tornou-se mais um feito digno de registro na história do clube. O Caxias teve uma grande atuação e foi melhor na maior parte do jogo. Caso conquistasse o título, o faria com todos os méritos. Porém, não se desafia um clube da grandeza do Grêmio impunemente. O Caxias já estava com a mão na taça quando o Grêmio empatou o jogo e iniciou a reversão do resultado do primeiro turno. Novamente, de forma épica. Porque, afinal, o hino do clube, composto pelo notável Lupicínio Rodrigues, já afirmava o que hoje todos sabem, ou seja, o Grêmio é imortal.
terça-feira, 8 de março de 2011
Estímulos incessantes
A impressão de que os anos passam cada vez mais rápido é generalizada. Por incrível que pareça, já estamos no terceiro mês do ano! Muitas são as explicações de porquê temos tal sensação, mas uma delas talvez seja a de que, mal passado um período ou data, nossa atenção já se volta para outro, num processo estressante mas muito conveniente para os que visam estimular o consumo. Dessa forma, o ano começa com as pessoas planejando suas férias, para aproveitar os meses de verão. Isso resulta em gastos com viagens, diárias de hotéis, passeios, restaurantes. Ainda em meio ao verão, já surge a preocupação com a volta às aulas e a consequente compra de material escolar, já que, em alguns estados brasileiros, o ano letivo começa no início de fevereiro. Logo depois, vem o Carnaval. Como se trata de um feriadão, implica em novos gastos com viagens, seja para os locais onde a festa é mais forte, seja para fugir dela, descansando em praias e outros locais turísticos. Passado tudo isso, já se aproxima a Páscoa, outro feriadão e período de grande venda de chocolates. Um pouco mais adiante e já se apresenta o Dia das Mães, uma data em que o comércio fatura muito com a venda de presentes e a ida a restaurantes. Logo a seguir, vem o Dia dos Namorados, mais uma data para incentivar o gasto com presentes, jantares românticos e coisas afins. Chegam, então, as férias de meio do ano, mais curtas que as de verão, mas, ainda assim, propícias para as viagens e passeios. Passadas as férias, é a vez do Dia dos Pais e mais gastos com presentes. Após uma breve parada na sucessão de datas comemorativas, de pouco mais de um mês, vem o Dia da Criança, outra ocasião para fazer a alegria do comércio. Apenas um mês e meio depois já estamos novamente diante de Natal, Ano Novo e férias de verão. Assim, submetidos, de modo quase permanente, ao estímulo de datas comemorativas e incentivo ao consumo, é natural que nos sintamos estressados e tenhamos a impressão de que o tempo passa cada vez mais rápido.
segunda-feira, 7 de março de 2011
O bloco dos Beatles
O Carnaval do Rio de Janeiro, além dos desfiles das escolas de samba, tem nos blocos de rua uma forte tradição. Pois eis que, em 2011, além de blocos tradicionalíssimos como o "Cordão do Bola Preta" e o "Simpatia é quase amor", surgiu um inusitado, o "Sargento Pimenta", que só toca música dos Beatles! Para os puristas do samba, isso deve soar como uma heresia. Porém, é preciso lembrar que os blocos carnavalescos caracterizam-se, justamente, pela irreverência. Afora isso, um bloco como esse apenas confirma o que muitos, entre eles eu, sempres souberam, isto é, que, no campo da música popular, não há nada, aqui ou em qualquer outro lugar, que seja superior a obra dos Beatles. São músicas de tamanha beleza e qualidade que soam bem mesmo que fora de suas formas originais. Seja em ritmo de samba, tango, rumba, valsa, bolero, funk, axé, forró ou numa versão para orquestra ou piano, as músicas dos Beatles permanecem sempre insuperáveis.
O autêntico e o midiático
A primeira noite de desfiles do Carnaval de 2011 no Sambódromo do Rio de Janeiro trouxe à tona, mais uma vez, uma divisão que se estabeleceu desde que o espetáculo se transformou num grande evento, de enorme repercussão em todo o país e até no exterior. De um lado está o carnaval de raiz, cultivado nos bairros onde as escolas de samba tiveram sua origem, com seus compositores e personagens históricos. De outro, o carnaval midiático, feito para causar impacto visual tanto para os julgadores do desfile quanto para o público da televisão, lançando mão de muito luxo e efeitos especiais cada vez mais criativos. Dessa forma, há escolas que fazem um carnaval de resultados, buscando apenas atender tecnicamente às exigências do regulamento. Outras, no entanto, ainda dão preferência a levantar o povo nas arquibancadas e a reverenciar suas origens e feitos. No primeiro caso, entre as escolas que desfilaram na noite de domingo, estão a Imperatriz Leopoldinense e a Unidos da Tijuca. Mesmo trocando o seu carnavalesco, que agora é Max Lopes, a Imperatriz segue a sua tradição de desfiles que buscam muito mais a perfeição técnica e a exuberância da exibição do que despertar a emoção do público. A Unidos da Tijuca, atual campeã, aposta nos efeitos especiais cada vez mais ousados e criativos de seu carnavalesco, Paulo Barros, sem dúvida a figura de maior destaque no carnaval carioca na última década. No segundo caso, está a Mangueira. A mais mítica das escolas de samba do Rio de Janeiro, encerrou a primeira noite de desfiles com uma apresentação marcada pela homenagem, no enredo, a um dos seu grandes vultos, Nélson Cavaquinho, e reverenciando vários de seus integrantes históricos. Antes mesmo do início da apresentação, componentes da escola não conseguiam conter suas lágrimas. Aliás, ao final do desfile da Mangueira, a sambista Tereza Cristina, uma das comentaristas da transmissão de Carnaval da Rede Globo, também chorou, ainda que sua escola seja a Portela. Tereza disse que para quem é do samba, como é o seu caso, não é possível não se emocionar com uma apresentação como a da Mangueira. Hoje, na segunda noite, irá desfilar a Beija-Flor, pioneira do carnaval de resultados e permanente candidata ao título. Resta saber, quando da proclamação da escola campeã, o que irá pesar mais para os jurados, se o apuro técnico, ainda que, por vezes, um tanto frio, ou a emoção que a todos contagia.
domingo, 6 de março de 2011
A pregação neoliberal
A maneira como os adeptos do neoliberalismo enxergam a realidade é muito interessante e singular. Para eles, o mercado tudo resolve e o segredo da prosperidade é a desregulamentação da economia, a diminuição da carga tributária e, é claro, a flexibilização das leis trabalhistas. O curioso é que aquilo que, quando concedido para a classe trabalhadora é taxado de "privilégio", quando obtido pelos detentores do capital são "garantias indispensáveis". Assim sendo, os mesmos que querem "flexibilizar" os direitos trabalhistas, alegando que eles dificultam contratações pois oneram os custos das empresas, são os mesmos que defendem que os países tenham um sistema judiciário "autônomo, independente e garantidor dos contratos". Isto é, ao mesmo tempo que querem suprimir as proteções legais aos trabalhadores, desejam o máximo de garantias para os chamados "investidores" que, de outra forma, não se sentiriam estimulados a aplicar seus recursos na economia. Tamanha desfaçatez é algo para fazer corar um frade de pedra. A flexibilização das leis trabalhistas não busca gerar mais empregos, como alegam seus defensores. Visa, ao contrário, facilitar as demissões, que se tornam menos onerosas para as empresas com a dimnuição dos direitos previstos em lei. No mesmo sentido, as garantias pedidas para os "investidores" nada mais são do que a tentativa de assegurar que contratos firmados por governos com a iniciativa privada não venham a ser rompidos quando da troca de administrações ou pela orientação ideológica de quem assuma o poder. Nessa original maneira de encarar a realidade, um governante que acabe de assumir um mandato, é obrigado a cumprir os contratos firmados por seu antecessor, mesmo que eles sejam lesivos ao interesse público ou firam a sua orientação ideológica. Sem dúvida, uma ótima maneira de proteger os interesses do capital. No Brasil, a publicação que melhor encarna os ideais do neoliberalismo é a revista "Veja". Em sua última edição, ela volta a carga com toda a força entrevistando, nas páginas amarelas, o economista americano Walter Williams que, apesar de negro, é contra as cotas raciais e sustenta que "o mercado vence o racismo". Também, na mesma edição, há a coluna de Maílson da Nóbrega, aquele mesmo que foi ministro da Fazenda quando da maior inflação da história do Brasil mas é tratado como gênio da economia pela revista. Maílson escreve, em sua coluna que o Brasil precisa ter um aumento da sua produtividade. Para isso, entende ser necessário fazer a reforma tributária (olha ela aí de novo), melhorar a qualidade da educação e "desviar a Previdência da rota do desastre", ou seja, obrigar os aposentados a morrerem de fome para não travarem a economia do país. O ex-ministro defende, também, que, para obter "enormes ganhos de produtividade" basta adotar uma agressiva política de concessão de rodovias, privatizar aeroportos, licitar terminais portuários e novos projetos de ferrovias e hidrovias. Sobre quanto custariam para os usuários as tarifas de tais serviços concedidos para a iniciativa privada, Maílson não escreve uma linha sequer. Por essas e por outras, vale citar uma frase que ouvi, hoje, em um programa de rádio, ainda que se referindo a outros fatos, proferida pelo jornalista Nando Gross: "O capitalismo é o sistema em que os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres". Desnecessário fazer qualquer acréscimo.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Carnaval
Mais uma vez, é Carnaval. Um Carnaval em março, o que, sempre que acontece, parece um tanto estranho, pois no seu megasucesso "País Tropical", Jorge Benjor já dizia que "em fevereiro tem Carnaval". Porém, independentemente do período de realização da chamada "festa de momo", ela nos leva a algumas reflexões. Há quem adore o Carnaval, há quem deteste. Eu não me situo em nenhum dos dois grupos. Gosto, simplesmente, sem adorar. O problema que envolve os dias de folia é que, a exemplo do Natal e do Ano Novo, há como que uma imposição para que todos sejam felizes. A mensagem nesse sentido é tão forte que quem não está integrado ao sentimento de euforia geral, sente-se um peixe fora d'água, agravado pelo fato de que, diferentemente das outras duas datas citadas, o Carnaval implica num superferiadão de quatro dias de duração. Dessa forma, quem não participar dos festejos, por não poder ou não gostar, e, também, não puder viajar, sente-se um desvalido, entregue ao tédio e a melancolia. Entre tantos problemas que apresenta a sociedade, sempre tão doente e confusa, está o de tentar estabelecer uma felicidade geral, por decreto, vinculada a datas ou festividades. Ninguém pode ser feliz porque lhe ordenam que assim seja, em um determinado período. A felicidade é uma conquista, não pode surgir a um apertar de botão. A vida é um processo contínuo e não obedece a um controle remoto em que se possa determinar quando e onde iremos alcançar a felicidade. Por nos negarmos a reconhecer tal evidência é que, a cada nova data festiva, a cada novo feriadão, o que mais se encontra é, simplesmente, muita frustração.
quinta-feira, 3 de março de 2011
O aniversário de Zico
Hoje, dia 3 de março, Zico completa 58 anos. Craque como poucos, Zico jogou três Copas do Mundo, participou de quatro do seis títulos de campeão brasileiro do Flamengo, marcou mais de 800 gols em sua carreira. Era a maior expressão técnica do melhor time de futebol que a minha geração, pessoas em torno dos 50 anos, viu jogar, ou seja, o Flamengo de 1981. O time tinha Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Uma máquina! No Rio Grande do Sul, o bairrismo exacerbado faz com que muitos, até hoje, desdenhem de Zico, dizendo que era "jogador de Maracanã" ou que "não ganhou Copa do Mundo". Pura inveja e despeito. Ganhar ou não uma Copa do Mundo não pode ser o medidor da excelência do futebol de um jogador. Zizinho, outro dos grandes craques do futebol brasileiro, fez parte da Seleção Brasileira que perdeu a Copa de 50. Isso em nada diminui a sua qualidade. Zico é, sem dúvida, um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Além disso, fora de campo, também apresenta um comportamento exemplar. Só a má vontade de alguns pode impedir que Zico seja o que merece, isto é, uma unanimidade nacional. Além de contaminado pelo preconceito ou por uma injustificada e estúpida rivalidade entre estados, quem ousa contestar Zico só demonstra não entender nada de futebol. Eu, particularmente, estou entre os milhões que, sem torcerem pelo Flamengo, nem morarem no Rio de Janeiro, me extasiei com os lances de sua carreira, que acompanhei por inteiro. Por que o que os bairristas e invejosos em geral precisam entender, de uma vez por todas, é que o talento não tem fronteiras, merece ser reverenciado onde quer que se encontre. Por isso, tenho certeza de que, hoje, milhões de brasileiros, como eu, estão dando parabéns para Zico. Trata-se, apenas, de uma singela retribuição a quem nos presenteou com jogadas e gols maravilhosos durante toda a sua trajetória nos campos de futebol.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Provincianismo
A discussão em torno das reformas no estádio Beira-Rio, visando sua utilização na Copa do Mundo de 2014, está tomada pelo mais patético e absurdo provincianismo. Pessoas identificadas com o Internacional, proprietário do estádio, defendem que o clube deveria desistir de sediar jogos da Copa, para não comprometer seu futuro. Num acesso enlouquecido do bairrismo mais retrógrado, tais pessoas vociferam contra a FIFA, tida como uma entidade maligna que quer prejudicar o clube. Tudo porque a instituição que rege o futebol mundial quer que o Inter apresente garantias bancárias para a realização das obras ou, em caso contrário, associe-se a uma construtora para levá-las a efeito. O Inter não conseguiu as garantias bancárias, mas também não quer se associar a uma construtora, pois isso implicaria numa cessão de direitos sobre o estádio por cerca de dezoito anos, o que o clube não deseja. Ora, na vida, a banca paga e recebe. O Inter quer ter o privilégio de seu estádio ser utilizado para a Copa, sem que isso implique em nenhum ônus. Na verdade, a FIFA, ao menos nessa história, nada tem de vilã. Foi o Brasil que se candidatou a sediar a Copa de 2014 e que arrolou o Beira-Rio como um dos estádios para a competição. Todos sabem que os países, uma vez escolhidos para sediar uma Copa do Mundo, tem de obedecer a um caderno de encargos estabelecido pela FIFA com normas muito rígidas. É o preço que se paga pelo privilégio de sediar uma competição de tal magnitude. Acreditar que seja possível preparar um estádio para a Copa unicamente com recursos próprios, sem apresentar garantias e sem se associar a uma construtora é algo da mais rematada estupidez. O discurso de que o clube deve mandar a FIFA às favas, realizando obras apenas para o conforto do seu torcedor e abrindo mão da Copa, é de estarrecer pelo que contém de mediocridade, primitivismo, estreiteza mental e xenofobia. É mais uma daquelas lamentáveis pregações de um Rio Grande do Sul que se basta, que vê o resto do mundo com desprezo, que se fecha no culto a si próprio, voltado para o próprio umbigo, revelando-se, com tal postura, atrasado e tacanho. Em todos os lugares do mundo, os novos estádios surgem em associações com as construtoras ou grandes empresas de outros ramos. É o caso do Alianz Arena, na Alemanha, e do Emirates Stadium, na Inglaterra. Clube algum do mundo consegue, hoje em dia, erguer um estádio às próprias expensas. O tempo dos estádios erguidos com tijolos doados pelos torcedores foi bonito, mas já passou e não volta mais. O discurso da soberania colorada apenas expõe o clube e o Rio Grande do Sul, por extensão, ao ridículo. As exigências da FIFA são adequadas ao porte de uma competição como a Copa do Mundo. Não são para serem discutidas. São para serem cumpridas e ponto final.
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