segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A despedida de Ronaldo
Conforme já havia sido anunciado ontem, Ronaldo, chamado de "fenômeno", o maior goleador da história das Copas do Mundo, confirmou, hoje, que parou de jogar futebol. Ronaldo tinha afirmado, no ano passado, de que iria jogar até o final de 2011. Porém, a eliminação do Corinthians na "Pré-Libertadores", as cobranças da torcida, revoltada com o fato, e as constantes lesões, o fizeram antecipar a aposentadoria. Ronaldo revelou, também, que sofre de hipotireoidismo, o que, segundo ele, o impedia de perder peso, já que os remédios que combatem a doença não podem ser utilizados por atletas profissionais, e disse que muitos que o criticavam por seu sobrepeso certamente estariam arrependidos ao tomarem conhecimento dessa informação. Ronaldo, agora, já não brilhará nos gramados, mas quem teve o privilégio de assistí-lo não o esquecerá. Desde que saiu do modesto São Cristovão, do Rio de Janeiro, clube no qual surgiu, Ronaldo só jogou em grandes clubes, do Brasil e do exterior. Foi escolhido por três vezes como o melhor jogador do mundo. Além disso, foi convocado para quatro edições da Copa do Mundo, competição que, como já foi referido, tem nele o seu maior goleador. Trata-se de um currículo que fala por si mesmo. Não há nenhuma controvérsia ou pretenso deslize na vida pessoal que possa deslustrá-lo. Para os amantes do futebol só resta uma coisa a dizer para Ronaldo: "Muito Obrigado"! Por fim, também cabe a todos nós, desejar que, mesmo fora dos campos, ele tenha muito sucesso e sorte, pois é o que Ronaldo merece, por tudo que realizou.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Goleada e banho de bola
O desempenho da Seleção Brasileira Sub-20 no jogo contra o Uruguai, que lhe deu o título do Campeonato Sul-Americano Sub-20 e a classificação para as Olimpíadas de 2012, em Londres, excedeu qualquer expectativa. Contra um adversário de grande tradição e que liderava o hexagonal decisivo da competição, a equipe brasileira foi impiedosa e se impôs com uma goleada de 6 x 0. O primeiro gol, é verdade, só aconteceu aos 40 minutos do primeiro tempo e, até então, o Uruguai continha bem o ímpeto brasileiro, procurando garantir ao menos o empate, o que já lhe daria o título. Porém, como expressa o dito popular, "porteira onde passa um boi, passa uma boiada" e, um minuto e meio depois do primeiro gol, o Brasil já fazia o segundo. Por sinal, dois golaços, ambos marcados por Lucas. Aliás, os destaques individuais da equipe brasileira é outro item a ser ressaltado. Além de Neymar, que foi o goleador do Campeonato Sul-Americano Sub-20, com 9 gols, e do próprio Lucas, de atuações exuberantes durante a disputa, outros jogadores surgiram como grandes afirmações. São os casos de Fernando, volante do Grêmio, e Casemiro, volante que, a exemplo de Lucas, joga no São Paulo. Fernando provou, mais uma vez, que é possível jogar como primeiro volante, como fez contra o Uruguai, tendo boa saída de bola e sem distribuir pancadas, isto é, sem ser, como muitos acham necessário naquela posição, um "brucutu". Resta saber qual o aproveitamento que os técnicos de seus clubes darão a tais talentos emergentes. Neymar é, há muito tempo, titular absoluto do Santos e até já esteve na Seleção Brasileira principal. Lucas e Casemiro já vinham sendo aproveitados no São Paulo e, por certo, se tornarão, daqui para a frente, titulares indiscutíveis. Porém, e quanto a Fernando? Com o futebol que demonstrou ele não é inferior a qualquer outro volante que o Grêmio possua em seu grupo. Fernando terá o aproveitamento adequado ou será colocado de lado enquanto jogadores técnicamente sofríveis são escalados, tal e qual aconteceu com Douglas Costa? Isso só o tempo dirá. Numa outra perspectiva, cabe saudar a classificação obtida para as Olimpíadas, até porque existe a tendência de que, em 2012, o futebol faça parte do programa olímpico pela última vez. Assim, poderá ser, também, a última chance do futebol brasileiro obter a única glória que ainda lhe falta, a medalha de ouro olímpica.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O renascimento de uma grandeza
Rio Grande, minha terra natal, sempre teve muito do que se orgulhar. Com 274 anos de fundação, a serem completados no dia 19 de fevereiro, é o mais antigo município do Estado, que herdou seu nome. Fica também em Rio Grande a mais antiga igreja do Estado, a catedral de São Pedro. O clube de futebol mais antigo do Brasil é o Sport Club Rio Grande, fundado em 1900, fato reconhecido pela CBF que instituiu a data de aniversário do clube, 19 de julho, como Dia Nacional do Futebol. A rodovia Rio Grande-Cassino, que está sendo duplicada, foi a primeira do Rio Grande do Sul a receber pavimentação. Muitos vultos históricos nasceram em Rio Grande, como o Almirante Tamandaré, Rafael Pinto Bandeira, Marcílio Dias, General Neto. O municípío possui a maior praia do mundo em extensão, a do Cassino, com mais de 200 quilômetros. Também é seu o único porto marítimo do Rio Grande do Sul. Como se vê, motivos para Rio Grande se orgulhar de si própria não faltam. Porém, nos últimos cinquenta anos, num processo que engolfou toda a zona do sul do Estado, Rio Grande passou por um período de empobrecimento, distanciando-se de seu antigo brilho. A sabedoria popular diz, no entanto, que "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe" e Rio Grande está voltando ao seu lugar de destaque. Devido aos investimentos no chamado Pólo Naval, Rio Grande está expandindo a oferta de empregos, atraindo pessoas de todas as partes do país, impulsionando seu comércio, ampliando sua rede hoteleira. A construção civil, é claro, se beneficia desse momento, com a construção de novas casas e prédios, gerando mais empregos. A previsão é de que, num espaço de dez anos, o município salte dos 200 mil habitantes atuais para 450 mil e que sua economia passe a ser a segunda do Estado, só abaixo da Capital. Tudo isso é mais do que merecido. Rio Grande, além dos pioneirismos e personalidades históricas, é marcante por sua cultura de forte influência portuguesa, principalmente na culinária e na arquitetura, e pela beleza de sua geografia, cercada que é pelas águas da Laguna dos Patos e do Oceano Atlântico. O que está acontecendo em Rio Grande não é algo novo, mas, sim, a retomada de uma grandeza que andava adormecida.
A volta da inflação
Entre as notícias desse início de ano, uma das mais surpreendentes e indesejadas é a que aponta para o aumento dos índices de inflação. Desde a implantação do Plano Real, em 1994, no governo Itamar Franco, o processo inflacionário, que durante décadas infernizou a vida dos brasileiros, parecia ter sido contido. Pois eis que 2011 começa com uma elevação preocupante dos indíces de inflação, o que já levou o governo federal a fazer cortes no orçamento e a tomar medidas como a suspensão da realização de concursos, por exemplo. Trata-se de uma perigosa ameaça no horizonte do povo brasileiro. O país vinha, nos últimos anos obtendo êxitos econômicos como o aumento do poder aquisitivo da população, com a consequente expansão do consumo, e a ampliação das ofertas de emprego. A volta da inflação, num cenário assim, teria efeitos desastrosos, seria um retrocesso. A equipe econômica do governo tem de ser ágil e competente para cortar o mal pela raiz, não permitindo que a tendência inflacionária permaneça e se expanda. Os ganhos de quase 20 anos de estabilidade econômica, não podem, de uma hora para outra, ir por água abaixo, levando consigo os sonhos de uma vida melhor de milhões de brasileiros.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Vai começar a verdadeira Libertadores
Começará hoje a noite a Taça Libertadores da América propriamente dita. Até aqui, tivemos apenas a chamada "Pré-Libertadores", que só chamou a atenção pela eliminação do Corinthians pelo Deportes Tolima, da Colômbia. Agora todos os clubes começarão a tomar parte na competição. O primeiro brasileiro a estrear será o atual campeão do país, o Fluminense, que jogará contra o Argentinos Juniors, campeão da Libertadores de 1985, no Engenhão, no Rio de Janeiro. O jogo não deverá ser fácil para o Fluminense, não só pela tradição do futebol argentino, como pela ausência de seu principal atacante, Fred. Por outro lado, urge que o regulamento da Libertadores seja modificado, pois não premia os clubes conforme o desempenho nos campeonatos dos seus países. O próprio Fluminense, campeão brasileiro, por exemplo, caiu num grupo difícil, que tem, além do Argentinos Juniors, o Nacional do Uruguai e o América do México. Já o Grêmio, vindo da "Pré-Libertadores", pegou, possivelmente, o grupo mais fácil da primeira fase, no qual estão Atlético Junior de Barranquila (COL), Oriente Petrolero (BOL) e León de Huánaco (PERU). Além disso, para estabelecer a vantagem do segundo jogo em casa nas partidas de mata-mata é levado em conta o maior número de pontos na primeira fase, desconsiderando o desnível técnico entre os grupos. Isso sem contar o item do regulamento que proíbe que dois clubes do mesmo país decidam a competição. A Libertadores é muito importante e, a partir de hoje, começará a empolgar os torcedores. Porém, é preciso mudar o regulamento para que seja privilegiada a qualidade técnica, o que é essencial em qualquer disputa esportiva séria. Os regulamentos devem permitir que os melhores sobressaiam, sem criar armadilhas que façam as competições se nivelarem por baixo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
As singularidades do futebol
O futebol é uma atividade que, decididamente, obedece a parâmetros muito próprios. Em que outro meio profissional há tantos ganhos astrônomicos, disparatados, com cifras elevadas encaradas com naturalidade, como se fossem alguns tostões? O mais curioso é que tais ganhos, muitas vezes, não são correspondentes ao nível de qualificação e preparo de quem os obtém, ao menos no Brasil. A maioria dos técnicos do futebol brasileiro não tem nenhuma formação acadêmica para exercer a função. A quase totalidade dos treinadores brasileiros é formada por ex-jogadores que param de atuar num dia e começam na nova função, praticamente, no outro. Por incrível que pareça, trata-se de um perfil valorizado, principalmente, pelos jogadores, que preferem técnicos que falem a chamada "língua dos boleiros", enquanto desdenham de quem tenha uma sólida formação acadêmica mas nunca tenha chutado uma bola. Um exemplo nessa direção acaba de ser dado por um dos maiores clubes brasileiros, o Corinthians. O clube anunciou como seu novo gerente de futebol o ex-jogador William que, até o final do ano passado, ainda atuava pelo próprio Corinthians. William, é verdade, possui um nível instrucional e uma capacidade de expressão acima da média dos jogadores brasileiros, mas, ainda assim, que qualificação específica o ex-jogador possui para assumir tal cargo que, certamente, é muito bem remunerado? Num período tão breve de tempo como o que separou sua despedida dos gramados e sua estréia nos gabinetes, William, certamente, não fez nenhum curso preparatório para a nova atividade. Por certo, tal situação seria impensável no tão profissional futebol europeu, por exemplo. Uma das razões pelas quais nossos técnicos não conseguem, com raras exceções, abrir mercado na Europa é, justamente, a sua condição de "práticos licenciados", sem o devido conhecimento acadêmico. Um gerente de futebol na mesma condição deve ser então, provavelmente, um exotismo típico do Brasil. Nada contra William. Tomara que ele tenha êxito na nova função, mas nossos clubes precisam ser mais exigentes quanto a qualificação de quem ocupa cargos tão importantes num esporte que desperta tanto interesse.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Tristeza no reino da alegria
O incêndio que atingiu os barracões da Grande Rio, Portela, União da Ilha do Governador e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na Cidade do Samba, no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, é um duro golpe faltando um mês para o carnaval. Um golpe duro não só para as comunidades diretamente envolvidas com a preparação para o desfile, mas para todos quantos reconheçam no carnaval do Rio de Janeiro a condição de um espetáculo belíssimo e suntuoso. Aqueles que, como é o meu caso, já tiveram a oportunidade de assistir o desfile ao vivo no sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí, sabem o quanto é visualmente extasiante e emocionalmente contagiante. O carnaval de 2011 já está, em parte prejudicado. A Liesa já decidiu que não haverá escolas rebaixadas e que as três prejudicadas pelo incêndio não serão submetidas a julgamento. Isso tira um pouco do brilho do evento, mas, trata-se de uma medida justa. No entanto, de uma forma ou de outra, quando o carnaval chegar, lá estarão milhares de pessoas no sambódromo e milhões pela tv, deixando-se enlevar por um espetáculo encantador. O carnaval do Rio de Janeiro sofreu um abalo, sem dúvida, mas vai passar por cima disso.
A mudança que faltou
Só os mais desavisados podem ter se surpreendido com a derrota do time principal do Inter por 2 x 1 para o Veranópolis, de virada, pelo Campeonato Gaúcho. O Inter tratou de afastar Renan e Alecsandro, tidos como os principais culpados pelo fracasso no Campeonato Mundial de Clubes, mas, incrivelmente, manteve o técnico Celso Roth, cujo esdrúxulo esquema com apenas um atacante já havia mostrado sua total ineficiência em 2010. O técnico, conhecido por sua teimosia, não abdicou de suas idéias e escalou, para um jogo contra um clube do interior um meio de campo com dois e, mais tarde, três volantes, e apenas um atacante. Só podia dar no que deu, ainda que o adversário fosse modesto. Nem mesmo Ademir de Menezes, Coutinho, Eusébio, Van Basten, Romário ou Ronaldo Fenômeno, todos centroavantes goleadores, conseguiriam jogar sem parceria. Leandro Damião até fez um gol, mas não podia ir muito além disso. O pior, para o Inter, é que sequer pode se queixar da sorte. Ao renovar com Roth, já devia saber o que lhe esperava e, como expressa o ditado popular, "quem corre por gosto não cansa".
Paixão pelo futebol
O brasileiro, como se sabe, adora futebol, mas, até hoje, não se chegou a um consenso sobre em que unidade da federação essa paixão seria maior. Depois do que aconteceu ontem, Pernambuco parece reivindicar para si a condição de estado brasileiro mais apaixonado pelo futebol. Refiro-me ao público do clássico Santa Cruz 2 x 0 Sport Recife, que superou a marca de 45 mil pessoas. Com isso, é, até o momento, o maior público do ano no futebol brasileiro. O mais incrível é que o jogo nada decidia, era válido pelo Campeonato Pernambucano e não por uma competição de maior porte, e os dois adversários não integram a primeira divisão do país. O Sport pertence à segunda divisão e o Santa Cruz ainda tem de buscar, via campeonato estadual, o direito de participar do campeonato brasileiro da quarta divisão! O futebol reflete, infelizmente, a realidade econômica do país. Onde há mais riqueza e desenvolvimento, há futebol mais forte, o que explica o fato de os 12 maiores clubes do Brasil pertencerem somente a duas regiões, Sul e Sudeste. O que é uma pena, pois, enquanto o jogo em Pernambuco recebia um grande público, no Engenhão, no Rio de Janeiro, o clássico Botafogo 3 x Fluminense 2, teve pouco mais de 13 mil assistentes. O público do jogo de Recife, caso fosse colocado no Engenhão, lotaria o estádio, cuja capacidade é exatamente de 45 mil pessoas. Os torcedores pernambucanos, diante de tamnaha demonstração de gosto pelo futebol, merecem ser brindados pela formação de times mais fortes e qualificados. O Brasil é um país de dimensões continentais e o melhor do seu futebol não pode ficar concentrado, permanentemente, nos quatro estados mais ricos da federação.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O assunto do momento
Não é preciso pensar muito para perceber o tema que mais ocupou espaços na chamada "mídia" nesses primeiros dias de 2011. Os gays estão por toda a parte. No reality show "Big Brother Brasil", afora um transsexual que já foi eliminado do programa, vários outros participantes definem-se como homossexuais ou bissexuais. A atual novela das sete da Rede Globo, "Tititi", tem, entre seus personagens três homossexuais masculinos e uma feminina. A nova novela das oito da mesma Globo, "Insensato Coração", que estreou há poucos dias, promete um total de seis personagens gays durante o seu desenrolar. O programa "Amor e Sexo", em sua segunda temporada, estreou um novo quadro, o "Gayme", ou seja, um game entre gays. Ah, dirá o leitor dessas linhas, todos esses programas são popularescos, não refletem a posição da sociedade como um todo. Ah, é? Então o que dizer da nada popularesca revista "Veja" que, na edição da semana passada, ocupou o seu espaço mais nobre, as páginas amarelas, com uma entrevista com o cantor Ricky Martin falando de porque decidiu "sair do armário"? Ou da revista americana que estampou em sua capa o cantor e compositor Elton John e seu companheiro David Furnish carregando nos braços o filho do casal, concebido com o auxílio de uma barriga de aluguel? A verdade é que, depois de séculos de repressão e perseguição, sendo tachados de doentes ou de pervertidos, os homossexuais ganham cada vez mais espaço na sociedade. A Organização Mundial de Saúde já afirmou que a homossexualidade não é uma doença e o conceito de perversão também não é correto, sendo fruto apenas do obscurantismo intelectual e principalmente religioso. A história, ao contrário dos carros, não possui ré e não anda para trás, só para frente. Daí o porquê de a expansão do movimento de inserção dos gays na sociedade ser irreversível, independente do desconforto que isso cause em alguns. Ninguém precisa violentar os seus princípios ou revisar os seus conceitos, basta que entenda que a vida em sociedade caracteriza-se pela pluralidade de idéias, opções e comportamentos e, como tal, nela não há lugar para o radicalismo, mas, sim, para a tolerância mútua. Afinal, o sol nasce para todos.
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