sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A volta da inflação

Entre as notícias desse início de ano, uma das mais surpreendentes e indesejadas é a que aponta para o aumento dos índices de inflação. Desde a implantação do Plano Real, em 1994, no governo Itamar Franco, o processo inflacionário, que durante décadas infernizou a vida dos brasileiros, parecia ter sido contido. Pois eis que 2011 começa com uma elevação preocupante dos indíces de inflação, o que já levou o governo federal a fazer cortes no orçamento e a tomar medidas como a suspensão da realização  de concursos, por exemplo. Trata-se de uma perigosa ameaça no horizonte do povo brasileiro. O país vinha, nos últimos anos obtendo êxitos econômicos como o aumento do poder aquisitivo da população, com a consequente expansão do consumo, e a ampliação das ofertas de emprego. A volta da inflação, num cenário assim, teria efeitos desastrosos, seria um retrocesso. A equipe econômica do governo tem de ser ágil e competente para cortar o mal pela raiz, não permitindo que a tendência inflacionária permaneça e se expanda. Os ganhos de quase 20 anos de estabilidade econômica, não podem, de uma hora para outra, ir por água abaixo, levando consigo os sonhos de uma vida melhor de milhões de brasileiros.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vai começar a verdadeira Libertadores

Começará hoje a noite a Taça Libertadores da América propriamente dita. Até aqui, tivemos apenas a chamada "Pré-Libertadores", que só chamou a atenção pela eliminação do Corinthians pelo Deportes Tolima, da Colômbia. Agora todos os clubes começarão a tomar parte na competição. O primeiro brasileiro a estrear será o atual campeão do país, o Fluminense, que jogará contra o Argentinos Juniors, campeão da Libertadores de 1985, no Engenhão, no Rio de Janeiro. O jogo não deverá ser fácil para o Fluminense, não só pela tradição do futebol argentino, como pela ausência de seu principal atacante, Fred. Por outro lado, urge que o regulamento da Libertadores seja modificado, pois não premia os clubes conforme o desempenho nos campeonatos dos seus países. O próprio Fluminense, campeão brasileiro, por exemplo, caiu num grupo difícil, que tem, além do Argentinos Juniors, o Nacional do Uruguai e o América do México. Já o Grêmio, vindo da "Pré-Libertadores", pegou, possivelmente, o grupo mais fácil da primeira fase, no qual estão Atlético Junior de Barranquila (COL), Oriente Petrolero (BOL) e León de Huánaco (PERU). Além disso, para estabelecer a vantagem do segundo jogo em casa nas partidas de mata-mata é levado em conta o maior número de pontos na primeira fase, desconsiderando o desnível técnico entre os grupos. Isso sem contar o item do regulamento que proíbe que dois clubes do mesmo país decidam a competição. A Libertadores é muito importante e, a partir de hoje, começará a empolgar os torcedores. Porém, é preciso mudar o regulamento para que seja privilegiada a qualidade técnica, o que é essencial em qualquer disputa esportiva séria. Os regulamentos devem permitir que os melhores sobressaiam, sem criar armadilhas que façam as competições se nivelarem por baixo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As singularidades do futebol

O futebol é uma atividade que, decididamente, obedece a parâmetros muito próprios. Em que outro meio profissional há tantos ganhos astrônomicos, disparatados, com cifras elevadas encaradas com naturalidade, como se fossem alguns tostões? O mais curioso é que tais ganhos, muitas vezes, não são correspondentes ao nível de qualificação e preparo de quem os obtém, ao menos no Brasil. A maioria dos técnicos do futebol brasileiro não tem nenhuma formação acadêmica para exercer a função. A quase totalidade dos treinadores brasileiros é formada por ex-jogadores que param de atuar num dia e começam na nova função, praticamente, no outro. Por incrível que pareça, trata-se de um perfil valorizado, principalmente, pelos jogadores, que preferem técnicos que falem a chamada "língua dos boleiros", enquanto desdenham de quem tenha uma sólida formação acadêmica mas nunca tenha chutado uma bola. Um exemplo nessa direção acaba de ser dado por um dos maiores clubes brasileiros, o Corinthians. O clube anunciou como seu novo gerente de futebol o  ex-jogador William que, até o final do ano passado, ainda atuava pelo próprio Corinthians. William, é verdade, possui um nível instrucional e uma capacidade de expressão acima da média dos jogadores brasileiros, mas, ainda assim, que qualificação específica o ex-jogador possui para assumir tal cargo que, certamente, é muito bem remunerado? Num período tão breve de tempo como o que separou sua despedida dos gramados e sua estréia nos gabinetes, William, certamente, não fez nenhum curso preparatório para a nova atividade. Por certo, tal situação seria impensável no tão profissional futebol europeu, por exemplo. Uma das razões pelas quais nossos técnicos não conseguem, com raras exceções, abrir mercado na Europa é, justamente, a sua condição de "práticos licenciados", sem o devido conhecimento acadêmico. Um gerente de futebol na mesma condição deve ser então, provavelmente, um exotismo típico do Brasil. Nada contra William. Tomara que ele tenha êxito na nova função, mas nossos clubes precisam ser mais exigentes quanto a qualificação de quem ocupa cargos tão importantes num esporte que desperta tanto interesse.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tristeza no reino da alegria

O incêndio que atingiu os barracões da Grande Rio, Portela, União da Ilha do Governador e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na Cidade do Samba, no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, é um duro golpe faltando um mês para o carnaval. Um golpe duro não só para as comunidades diretamente envolvidas com a preparação para o desfile, mas para todos quantos reconheçam no carnaval do Rio de Janeiro a condição de um espetáculo belíssimo e suntuoso. Aqueles que, como é o meu caso, já tiveram a oportunidade de assistir o desfile ao vivo no sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí, sabem o quanto é visualmente extasiante e emocionalmente contagiante. O carnaval de 2011 já está, em parte prejudicado. A Liesa já decidiu que não haverá escolas rebaixadas e que as três prejudicadas pelo incêndio não serão submetidas a julgamento. Isso tira um pouco do brilho do evento, mas, trata-se de uma medida justa. No entanto, de uma forma ou de outra, quando o carnaval chegar, lá estarão milhares de pessoas no sambódromo e milhões pela tv, deixando-se enlevar por um espetáculo encantador. O carnaval do Rio de Janeiro sofreu um abalo, sem dúvida, mas vai passar por cima disso.

A mudança que faltou

Só os mais desavisados podem ter se surpreendido com a derrota do time principal do Inter por 2 x 1 para o Veranópolis, de virada, pelo Campeonato Gaúcho. O Inter tratou de afastar Renan e Alecsandro, tidos como os principais culpados pelo fracasso no Campeonato Mundial de Clubes, mas, incrivelmente, manteve o técnico Celso Roth, cujo esdrúxulo esquema com apenas um atacante já havia mostrado sua total ineficiência em 2010. O técnico, conhecido por sua teimosia, não abdicou de suas idéias e escalou, para um jogo contra um clube do interior um meio de campo com dois e, mais tarde, três volantes, e apenas um atacante. Só podia dar no que deu, ainda que o adversário fosse modesto. Nem mesmo Ademir de Menezes, Coutinho,  Eusébio, Van Basten, Romário ou Ronaldo Fenômeno, todos centroavantes goleadores, conseguiriam jogar sem parceria. Leandro Damião até fez um gol, mas não podia ir muito além disso. O pior, para o Inter, é que sequer pode se queixar da sorte. Ao renovar com Roth, já devia saber o que lhe esperava e, como expressa o ditado popular, "quem corre por gosto não cansa".

Paixão pelo futebol

O brasileiro, como se sabe, adora futebol, mas, até hoje, não se chegou a um consenso sobre em que unidade da federação essa paixão seria maior. Depois do que aconteceu ontem, Pernambuco parece reivindicar para si a condição de estado brasileiro mais apaixonado pelo futebol. Refiro-me ao público do clássico Santa Cruz 2 x 0 Sport Recife, que superou a marca de 45 mil pessoas. Com isso, é, até o momento, o maior público do ano no futebol brasileiro. O mais incrível é que o jogo nada decidia, era válido pelo Campeonato Pernambucano e não por uma competição de maior porte, e os dois adversários não integram a primeira divisão do país.  O Sport pertence à segunda divisão e o Santa Cruz ainda tem de buscar, via campeonato estadual, o direito de participar do campeonato brasileiro da quarta divisão! O futebol reflete, infelizmente, a realidade econômica do país. Onde há mais riqueza e desenvolvimento, há futebol mais forte, o que explica o fato de os 12 maiores clubes do Brasil pertencerem somente a duas regiões, Sul e Sudeste. O que é uma pena, pois, enquanto o jogo em Pernambuco recebia um grande público, no Engenhão, no Rio de Janeiro, o clássico Botafogo 3 x Fluminense 2, teve pouco mais de 13 mil assistentes. O público do jogo de Recife, caso fosse colocado no Engenhão, lotaria o estádio, cuja capacidade é exatamente de 45 mil pessoas. Os torcedores pernambucanos, diante de tamnaha demonstração de gosto pelo futebol, merecem ser brindados pela formação de times mais fortes e qualificados. O Brasil é um país de dimensões continentais e o melhor do seu futebol não pode ficar concentrado, permanentemente, nos quatro estados mais ricos da federação.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O assunto do momento

Não é preciso pensar muito para perceber o tema que mais ocupou espaços na chamada "mídia" nesses primeiros dias de 2011. Os gays estão por toda a parte. No reality show "Big Brother Brasil", afora um transsexual que já foi eliminado do programa, vários outros participantes definem-se como homossexuais ou bissexuais. A atual novela das sete da Rede Globo, "Tititi", tem, entre seus personagens três homossexuais masculinos e uma feminina. A nova novela das oito da mesma Globo, "Insensato Coração", que estreou há poucos dias, promete um total de seis personagens gays durante o seu desenrolar. O programa "Amor e Sexo", em sua segunda temporada, estreou um novo quadro, o "Gayme", ou seja, um game entre gays. Ah, dirá o leitor dessas linhas, todos esses programas são popularescos, não refletem a posição da sociedade como um todo. Ah, é? Então o que dizer da nada popularesca revista "Veja" que, na edição da semana passada, ocupou o seu espaço mais nobre, as páginas amarelas, com uma entrevista com o cantor Ricky Martin falando de porque decidiu "sair do armário"? Ou da revista americana que estampou em sua capa o cantor e compositor Elton John e seu companheiro David Furnish carregando nos braços o filho do casal, concebido com o auxílio de uma barriga de aluguel? A verdade é que, depois de séculos de repressão e perseguição, sendo tachados de doentes ou de pervertidos, os homossexuais ganham cada vez mais espaço na sociedade. A Organização Mundial de Saúde já afirmou que a homossexualidade não é uma doença e o conceito de perversão também não é correto, sendo fruto apenas do obscurantismo intelectual  e  principalmente religioso. A história, ao contrário dos carros, não possui ré e não anda para trás, só para frente. Daí o porquê de a expansão do movimento de inserção dos gays na sociedade ser irreversível, independente do desconforto que isso cause em alguns. Ninguém precisa violentar os seus princípios ou revisar os seus conceitos, basta que entenda que a vida em sociedade caracteriza-se pela pluralidade de idéias, opções e comportamentos e, como tal, nela não há lugar para o radicalismo, mas, sim, para a tolerância mútua. Afinal, o sol nasce para todos.

A crise na música

A música, uma das mais ricas expressões artísticas, passa, já há alguns anos por uma crise de criatividade. Os novos nomes que vão surgindo chamam muito mais a atenção por seus comportamentos bizarros, excêntricos e escandalosos do que pela qualidade do seu trabalho. Belchior já dizia, em sua antológica composição dos anos 70 "Como nossos pais", que "nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não". Na falta de nomes consistentes na nova safra de cantores e compositores, apela-se para o que é bom, conhecido e garantido. Não é sem motivo que, ultimamente, discos clássicos da música brasileira e internacional venham sendo lançados em CDs remasterizados. Trata-se de algo muito bom, tanto para os velhos fãs de tais obras, quanto para possibilitar que as novas gerações as conheçam, mas evidencia, por outro lado, a pobreza da produção musical atual. Senão, vejamos. Afora a excelente Maria Gadú, que outro nome surgiu, nos últimos anos, na música brasileira, que tenha vindo para ficar? A crise é tão séria, que até Djavan, um dos melhores e mais prolíficos compositores do Brasil, resolveu, em seu mais recente lançamento, fazer um "disco de intérprete", gravando apenas criações clássicas de outros autores. No que diz respeito a onda de remasterizações, aqui e lá fora, já foram lançadas, recentemente, a obra completa dos Beatles, com grande vendagem, todos os discos da carreira solo de John Lennon, o mais bem sucedido disco solo de Paul McCartney, "Band on the Run", e coleções especiais da Editora Abril com 20 discos da carreira de Chico Buarque e 15 da de Tim Maia. No Rio Grande do Sul, o jornal Zero Hora lançou uma coleção com 25 discos que marcaram época na música brasileira, gravados nos anos 60,70 e 80. São obras de grande qualidade que todos devem conhecer, mas, paralelamente, é preciso que uma nova leva de cantores e compositores de alto nível surja, tanto no Brasil, como no exterior. Há um tempo atrás tivemos, no Brasil, o aparecimento de nomes de qualidade, hoje já passados dos 40 anos, que acabaram se tornando artistas de um público fiel, mas reduzido, como Zélia Duncan, Lenine, Zeca Baleiro, entre outros, que não alcançaram a condição estelar  da geração dos anos 60 de Gal, Bethânia, Roberto, Erasmo, Caetano, Gil, Chico Buarque e Mílton Nascimento. No exterior, nomes como Amy Winehouse, por exemplo, destacam-se muito mais pelo que aprontam fora dos estúdios e palcos, alimentando a imprensa sensacionalista, do que por gravar algo que agrade aos ouvidos. Nossos velhos ídolos da música são muito bons e sua obra é imortal, mas o show não pode parar e é preciso que surjam, logo, novos nomes capazes de nos encantar.

Carlos Alberto no Grêmio

A contratação, pelo Grêmio, do meia Carlos Alberto, que estava no Vasco, é elogiável por ter o clube trazido um jogador de grande capacidade técnica, o que pode acrescentar muito ao potencial do time. Carlos Alberto, porém, tem, nos clubes por onde passa, um comportamento conflitivo, caracterizado pelo enfrentamento com técnicos e por uma atitude, por vezes, displicente. Parece que o Grêmio está apostando que o técnico Renato seja capaz de, mais uma vez, controlar o lado mais rebelde do jogador, fazendo com que as virtudes do seu futebol fiquem em primeiro plano, tal como aconteceu com Douglas que, a exemplo de Carlos Alberto, tem muito futebol mas apresenta um temperamento difícil. Como toda a aposta, a contratação feita pelo Grêmio envolve riscos, mas o clube resolveu corrê-los tendo em vista a qualidade do jogador. Para o bem do Grêmio e de Carlos Alberto, tomara que dê certo.

Coerência e credibilidade

A revista Placar, com 41 anos de tradição na cobertura dos acontecimentos esportivos, revelou, em sua edição de fevereiro, que o seu ranking de clubes, constantemente atualizado, não levará em conta a equiparação dos títulos da Taça Brasil e do Robertão com o Campeonato Brasileiro, realizada pela CBF em dezembro de 2010. Para a revista, bem como para qualquer pessoa de bom senso, o Santos, por exemplo, continua a ter apenas dois títulos do Campeonato Brasileiro, os de 2002 e 2004, e não os oito agora atribuídos pela CBF. A publicação considera que o Flamengo possui, sim, seis títulos de campeão brasileiro, mesmo que a CBF não tenha oficializado o de 1987, mas não deixa de reconhecer, também, como campeão, o Sport, detentor do título oficial. Enfim, é uma postura coerente e equilibrada, em tudo diferente da patética entrega de medalhas a granel feita em dezembro. Como diz a própria revista em sua matéria sobre o assunto, sem falsa modéstia, Placar está na frente da CBF em qualquer ranking de credibilidade.