quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Corinthians eliminado

O Corinthans foi eliminado na Pré-Libertadores ao perder para o Deportes Tolima, da Colômbia, por 2x0, em Ibagué. Na verdade, o desfecho já era esperado, pois, no primeiro jogo, em São Paulo, o empate em 0x0 só ocorreu porque o Tolima teve um gol legítimo anulado. A demissão do técnico Tite é bastante provável, mas ele não é o único culpado. O clube não trouxe os reforços necessários. Com a aposentadoria do zagueiro William, o Corinthians simplesmente tornou Leandro Castan titular, sem contratar um reforço de maior expressão. O excelente Elias, que foi jogar na Europa, também ainda não tem um substituto de nível semelhante. Ronaldo é, cada vez mais, a imagem de um ex-jogador, tendo já anunciado, inclusive, que irá parar no final do ano. Falta ao Corinthians, ainda, um goleiro mais afirmado. Com tudo isso, a eliminação do Corinthians não pode ser considerada uma surpresa. O pior é que,afora a derrota em si, o Corinthians ostenta duas condições que constrangem o seu torcedor. Continua sendo o único clube grande paulista a não ter ganho a Libertadores e, agora, é o primeiro clube brasileiro a ter sido eliminado na fase prévia da competição. Não vai ser fácil para os corintianos aturar as provocações dos torcedores dos outros três grandes clubes paulistas.

Grêmio classificado

O Grêmio está classificado para a fase de grupos da Taça Libertadores da América, após ganhar de 3x1 do Liverpool do Uruguai no estádio Olímpico. Porém, apesar do resultado positivo, a atuação do Grêmio durante o jogo dá motivo para muitas preocupações. Afora Vinícius Pacheco, que resolveu a partida com os seus dois gols, não houve nenhuma atuação individual destacada. Gabriel continuou sem mostrar o mesmo futebol de 2010. Paulão esteve muito abaixo do que costuma render e falhou no gol do Liverpool. Rafael Marques e Bruno Collaço foram apenas razoáveis. Adílson foi calamitoso, merecendo ter sido substituído ainda no primeiro tempo. Fábio Rochemback também esteve muito mal. Lúcio e Douglas foram apenas discretos. Júnior Viçosa é somente esforçado, não tem futebol para ser titular do Grêmio. André Lima marcou um gol mas perdeu outro de maneira inaceitável. O Grêmio precisa contratar um lateral-esquerdo, um volante para o lugar do fraquíssimo Adílson e um companheiro de ataque para Borges que, fatalmente, voltará a ser titular. A dupla de zaga deveria ser Mário Fernandes e Rodolfo. Com essas mudanças, o Grêmio poderá postular o título da Libertadores. Sem elas, será uma missão quase impossível.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sarney e Itamar

O dia de hoje marcou a posse de deputados federais e senadores para o início de mais uma legislatura. Foi também o dia de eleger os presidentes e as mesas diretoras das duas casas. Pois, para revolta de muitos, José Sarney foi reeleito presidente do Senado, a despeito de seu tortuoso histórico político. Sarney desconhece o que é ser oposição. Em mais de 50 anos de atividade política, foi amigo de todos os presidentes da República, de João Goulart a Lula, passando pelos generais do regime militar. Não será diferente com  Dilma Roussef. O próprio Sarney exerceu o mais alto cargo do país, mas, findo o seu mandato, em nenhum momento deixou a cena política, demonstrando sua avidez pelo poder. Por outro lado, também tomou posse hoje, como senador por Minas Gerais, Itamar Franco. Suas semelhanças com Sarney são as condições de ex-presidentes da República e octogenários. Somente isso, pois Itamar é vinho de outra pipa. Ao contrário de Sarney, que a esmagadora maioria das pessoas gostaria de ver afastado em definitivo do meio político, a volta de Itamar ao Senado é uma boa notícia para o país. No curto período em que foi presidente, de apenas dois anos, completando o mandato de Fernando Collor de Mello, que foi  cassado, Itamar teve um bom desempenho. Em seu governo foi gestado o Plano Real, até hoje tão elogiado por tantos. A grande imprensa, manipulando a verdade, como de hábito, creditou os louros do plano exclusivamente ao ministro da Fazenda de Itamar, Fernando Henrique Cardoso, que, na esteira do sucesso do mesmo, elegeu-se presidente logo a seguir. A mesma imprensa procurou caracterizar Itamar Franco como um sujeito provinciano, parvo, de idéias curtas, criador de uma tal "república do pão de queijo", aludindo a sua ligação com Minas Gerais. Tudo isso porque, entre outras qualidades, Itamar mostrou ser um nacionalista, um defensor da soberania nacional, coisa que a grande imprensa, adepta permanente do imperialismo e da globalização, não tolera. Itamar, que em 1974, ao se eleger senador junto com outros nomes do então MDB, começou a aplainar o caminho que levaria ao fim do regime militar, volta ao mesmo cargo para, certamente, dar novas contribuições ao país. Seu retorno, já em idade avançada, servirá para o digno encerramento de uma trajetória política. Itamar não tem a astúcia de Sarney, o gosto pelos factóides de Collor, o charme pessoal de Fernando Henrique, nem o carisma de Lula, para ficarmos apenas nas comparações com os outros presidentes pós-ditadura militar. Tem porém o mérito, de sempre ter estado na defesa dos interesses maiores do país. Ainda que o termo esteja desgastado, Itamar é um patriota, o que, no atual quadro político do Brasil, é uma qualidade rara e apreciável.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Conflito

Entre as várias consequências geradas pelo fim da bipolarização entre comunismo e capitalismo, com a queda dos regimes de esquerda entre o final dos anos 80 e início dos 90, uma das mais absurdas foi a tentativa de disseminar o conceito de que as ideologias tinham acabado. Como se fosse possível que, de uma hora para outra, todos os bilhões de seres humanos que habitam a Terra passassem a se moldar por um pensamento único. Ora, a própria definição de ideologia diz tratar-se de "maneira de pensar própria de um indivíduo ou grupo de pessoas". Decretar o fim das ideologias só seria possível se as pessoas deixassem de ser racionais, sendo movidas unicamente pelo instinto, semelhantemente a outros seres vivos. Assim não entendeu a grande imprensa, que, desde o fim da chamada "Cortina de Ferro" apregoou o fim do conflito ideológico e a prevalência, sem contestações, de idéias como o estado mínimo, as privatizações, a flexibilização das leis trabalhistas e tantas outras medidas tão ao gosto dos que se guiam pelos preceitos de direita. Pois eis que, em meio a aridez desse tipo de discurso, surge uma voz discordante e corajosa. O novo presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Adão Villaverde (PT) diz que incentivará o embate firme de ideías entre deputados de situação  e oposição . Villaverde declarou que uma coisa que o incomoda muito na política gaúcha atual é a ideia de eliminar o conflito. O deputado afirma não temer o conflito e considera o fim dos embates políticos um ataque à democracia. Villaverde vai mais além e diz que uma sociedade sem conflito é amorfa e subordinada. Há muito tempo não se tinha conhecimenmto de declarações tão lúcidas e pertinentes feitas por um político. Adão Villaverde tem inteira razão. Não passa de mais um artifício das forças reacionárias da sociedade a ideia de que, em nome de pretensos interesses maiores da coletividade, se deva perseguir uma postura única. O próprio termo "parlamento", já demonstra que as casas legislativas não são meras proponentes e fazedoras de leis, mas também um local onde devem ser debatidas as questões mais importantes que envolvem o poder público e os cidadãos. No passado, inclusive, tivemos grandes tribunos que empolgavam as galerias com suas manifestações em plenãrio acerca das grandes questões políticas e sociais do país, estados e municípios. O desaparecimento de tais figuras é mais uma evidência do empobrecimento cada vez maior do nível da política praticada no país. Chega de buscar um só discurso. Passemos ao debate acalorado e produtivo, pois como disse, também, Villaverde," as opiniões opostas são as melhores coisas da democracia". Estou de pleno acordo.

Um bom Gre-Nal

Acima de tudo, o Gre-Nal realizado em Rivera foi um jogo bom de ser assistido. Os jogadores de Grêmio e Inter se mostraram aplicados o tempo inteiro, buscando o resultado, ou seja, mesmo quando pudesse faltar uma melhor técnica, sobrava vontade. Apesar de ter perdido duas boas chances de gol, o Grêmio não esteve bem no primeiro tempo, o que ocasionou que o Inter saísse na frente, fazendo 1x0 no placar. Porém, as substituições feitas pelo técnico Roger Machado, durante o segundo tempo, tirando Vílson e Mithyuê, colocando William Magrão e Lins, respectivamente, mudaram a face do jogo. O Grêmio passou a mandar na partida inteiramente e só não fez mais gols devido a grande atuação do goleiro Muriel. O futebol também é feito de detalhes e eles, novamente foram decisivos. Numa falha grotesca da defesa do Grêmio, quando o clássico ainda estava empatado em 1x1, Ricardo Goulart perdeu um gol feito para o Inter. Já quando a falha foi do Inter, numa vergonhosa rosca de Natan, Lins não perdoou e fez 2x1 para o Grêmio. O jogo teve como grandes destaques individuais os dois goleiros, Marcelo Grohe e Muriel, que fizeram várias defesas espetaculares. Bruno Collaço talvez tenha feito sua melhor atuação com a camisa do Grêmio. Lins se mostrou um atacante ágil e arisco. No Inter, Guto comprovou seu faro de goleador. O destaque negativo fica, de novo, com Diego Clementino. Em mais uma atuação confusa, conseguiu perder três chances claras de gol. O incrível é que houve até uma emissora de rádio de Porto Alegre que o escolheu como melhor jogador em campo! A se lamentar, por fim, a ausência do público, o que só fez confirmar o que já se sabia, isto é, o Gre-Nal de Rivera, fora de campo, foi mal planejado e pior executado, a começar pela data. As dependências quase vazias do estádio Atílio Paiva foram a nota destoante de um bom Gre-Nal.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desamparado

Os políticos seguem a nos fornecer, a cada dia, mais motivos para seu descrédito perante a sociedade. Deixam claro que, para eles, a chamada "vida pública", nada mais é do que um balcão de negócios ou um cabide de empregos, ou ambas as coisas. Agora, mais um exemplo disso ocorre em Porto Alegre. O prefeito José Fortunati decidiu substituir o secretário municipal do Meio Ambiente. Até aí, nada demais, afinal, é uma prerrogativa do chefe do poder executivo. Ocorre que o atual secretário, Carlos Alberto Garcia, é também vereador e, quando deixar o cargo, reassumirá sua cadeira na Câmara Municipal. Dessa forma, o suplente Paulo Marques, que atualmente exerce a condição de vereador, perderá a cadeira. Preocupado com o fato, o PMDB já prometeu a Paulo Marques que não o deixará desamparado. Como assim? Um suplente é alguém que não conseguiu votos suficientes para se eleger e, como tal, tem de saber que, sempre que vier a assumir uma cadeira, será de forma transitória. O que significa não deixar desamparado? Arrumar uma "boquinha", um cargo bem remunerado de "assessor para assuntos especiais" em alguma empresa pública? O noticiário nos mostra, quase todos os dias, casos semelhantes. Os partidos tratam de socorrer aqueles que perdem seus mandatos ou não obtem reeleições. Como se o exercício de um mandato eletivo, uma vez alcançado, se tornasse num direito vitalício a ser remunerado pelos cofres públicos e não, como verdadeiramente tem de ser, uma condição revogável a partir da vontade dos eleitores. A política, desse modo, transforma-se numa ação entre amigos, com troca de favores e concessões de privilégios, onde o único desamparado é o cidadão comum.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A crise do Vasco

O Vasco, um dos grandes clubes brasileiros, detentor de uma das cinco maiores torcidas do país, vive, já há algum tempo, uma grande crise. Ao contrário de outros clubes de expressão do futebol brasileiro que, ao serem rebaixados, voltaram fortalecidos para a primeira divisão, o Vasco teve um pífio desempenho no Campeonato Brasileiro de 2010. Agora, a situação parece ter chegado ao ápice. O Vasco perdeu seus três primeiros jogos no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, todos para clubes pequenos. Os problemas do clube começam, é óbvio, pela fragilidade do time. Apesar da insuficiência técnica do time em 2010, o Vasco pouco se reforçou em 2011. Porém,  a explicação para a crise vascaína não se resume a isso. Roberto Dinamite, um dos maiores ídolos da história do clube, senão o maior, está, claramente, fracassando como presidente.  O presidente anterior, Eurico Miranda, tão odiado por tantos, conquistou muitos títulos para o Vasco. O que só prova que, no futebol como na vida, não bastam boas intenções. O fato de ter sido um grande nome do Vasco como jogador não habilita Roberto Dinamite para ser um bom presidente. O futebol fora das quatro linhas é muito diferente daquele que é jogado dentro do campo. Para ser um presidente vencedor é preciso mais do que caráter e boa vontade. É preciso competência específica para administrar e isso não se aprende dentro do gramado. Urge que se faça algo para reverter a situação do Vasco, pois a crise de um grande clube não afeta só a sua torcida. Como patrimônios que são do futebol mais vitorioso do mundo, os grandes clubes brasileiros, quando em crise, atingem a estrutura do futebol do país como organização e negócio. O Vasco precisa se recuperar, pelo bem não só dos seus torcedores, mas de todo o futebol brasileiro.

Ronaldo

Não bastasse a forma física incompatível com um jogador profissional, a ausência de gols, o grande número de jogos do Corinthians dos quais não participa, as constantes lesões, agora Ronaldo resolveu trocar farpas via Twitter com profissionais da imprensa, mais especificamente, da Rede Bandeirantes, o que nada poderá lhe trazer de benéfico. Ronaldo teve uma brilhante trajetória como jogador, bastando dizer que é o maior goleador da história das Copas do Mundo, mas não está sabendo encaminhar o final da sua carreira, a exemplo de tantos outros astros do futebol. A continuar assim, talvez não devesse esperar nem o final do ano, ocasião em que prometeu parar de jogar. Como as manchetes que tem gerado, ultimamente, não dizem mais respeito ao futebol jogado em campo, mas sim a fofocas ou polêmicas, Ronaldo poderia parar já. Assim, se preservaria de situações constrangedoras como a declaração de um jogador do Tolima de que não trocou a camiseta com ele para que Ronaldo não tivesse de expor em público o seu ventre avantajado.

Rodolfo

O Grêmio contratou o seu primeiro reforço de expressão em 2011, o zagueiro Rodolfo. Depois de trazer Lins, um típico jogador de grupo, e Vinícius Pacheco, que fez uma péssima estréia contra o Liverpool do Uruguai, o clube traz um reforço de peso. Aliás, pelo que se viu da zaga do Grêmio contra o Liverpool, é um reforço que chega em muito boa hora. Depois de tantas decepções no início de ano, a torcida gremista, finalmente, ganha algum alento.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Perspectivas sombrias

Em que pese, em termos de regulamento, o resultado ter sido bom, o empate do Grêmio com o Liverpool do Uruguai em 2x2, no estádio Centenário em Montevidéu, deve ter deixado a torcida gremista com muitas preocupações. Depois de um primeiro tempo razoável, em que esteve duas vezes com a vitória parcial, o Grêmio realizou um segundo tempo deprimente, no qual foi totalmente dominado por um adversário tecnicamente modestíssimo. Afora a boa presença de área de André Lima e alguns lampejos de Douglas, quase nada se viu no Grêmio. Na defesa, Gabriel não jogou nada, Paulão se limitou a dar chutões, Rafael Marques também não teve boa atuação e Gílson foi lamentável. No meio de campo, Fábio Rockembach esteve apagado, Vílson mostrou, novamente, que não é do lugar e Lúcio ainda está totalmente fora de forma. No ataque, Júnior Viçosa foi inexpressivo, como já está se tornando rotina. Os três jogadores que entraram no segundo tempo nada fizeram. Vinícius Pacheco foi horroroso e, mesmo que seja apenas seu primeiro jogo, seu futuro não parece promissor. Diego Clementino nada fez e Lins praticamente não tocou na bola. Deixei por último o goleiro Vítor. O primeiro gol que ele sofreu é inaceitável para um goleiro da sua qualidade. Mais uma vez, Vítor comprova que é um jogador sem estrela, que falha quando não poderia fazê-lo, isto é, nos jogos mais importantes e decisivos. O contrário  acontecia com Danrlei, seu companheiro de posição, e com seu atual técnico, Renato,  como atacante, que cresciam de produção justamente nos grandes jogos e, por isso tornaram-se ídolos do Grêmio. Em resumo, só o resultado foi bom. O futebol apresentado pelo Grêmio só serviu para assustar o seu torcedor.