sábado, 19 de janeiro de 2019
Campeonatos estaduais
Começam, hoje, em todo o Brasil, os campeonatos estaduais. Competições anacrônicas, que não despertam mais o interesse dos torcedores, os estaduais continuam existindo por razões políticas. Mesmo nos principais centros do futebol brasileiro, os estaduais só apresentam bom público nos clássicos. Os demais jogos, com a presença de clubes pequenos, recebem poucos torcedores. Se o jogo for entre dois clubes pequenos, o público tende a ser muito baixo. Há clubes que participarão da Libertadores que começarão os campeonatos estaduais jogando com times reservas ou mistos, numa demonstração da pouca relevância dessas competições, atualmente. Enfim, o que teremos, a partir de agora, será um aperitivo pouco atrativo para as disputas mais importantes do ano. Até que chegue o dia em que os estaduais saíam de cena ou ocupem menos tempo dos grandes clubes, e o Campeonato Brasileiro inicie antes, tendo nove meses de duração, como ocorre nos outros países onde a fórmula de pontos corridos com vinte participantes é adotada.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
Ainda não foi dessa vez
O Grêmio nunca conquistou o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a mais prestigiosa competição da categoria no pais, que em 2019 completa o cinquentenário de sua primeira edição. Ao contrário de seu maior rival, o Inter, que venceu a competição quatro vezes, o máximo que o Grêmio conseguiu foi um vice-campeonato, em 1991, num time que tinha, entre outros, Danrlei e Roger, os dois maiores colecionadores de títulos pelo clube como profissionais. Na decisão, o Grêmio foi goleado por 4 x 0 pela Portuguesa, cujo melhor jogador era Dener, que dois anos depois jogaria por empréstimo no próprio Grêmio. Na verdade, o Grêmio nunca priorizou a competição, escudado numa teoria imbecil, repetida exaustivamente ao longo dos anos no clube, que diz que nas categorias inferiores o importante é revelar jogadores para o grupo profissional em vez de ganhar títulos, como se um fato impedisse o outro. Na edição desse ano, o Grêmio fazia muito boa campanha, mesmo sem ter levado sua força máxima para a disputa. Foi o único clube do Rio Grande do Sul a atingir as oitavas de final, depois que Inter, Juventude e São José já haviam ficado pelo caminho. Hoje, no entanto, pelas quartas de final, o Grêmio perdeu por 2 x 1 para o Corinthians, e foi eliminado. O clube paulista é o maior vencedor da Copa São Paulo, com dez títulos. Afora não ter levado sua força máxima para a competição, o Grêmio ainda jogou desfalcado do artilheiro Da Silva, que estava suspenso, e perdeu o lateral esquerdo Kazu, outro de seus destaques, por lesão logo no início do jogo. Foi uma campanha digna, mas ficou a sensação de que o Grêmio poderia ter ido mais longe. Ao contrário do que pensam os que desprezam títulos nas categorias inferiores, essa é uma conquista que faz muita falta a um clube da grandeza do Grêmio. Lamentavelmente, ainda não foi dessa vez que o Grêmio a obteve.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Trocando seis por meia dúzia
Cumprindo com a tradição, os eleitores do Rio Grande do Sul, em 2018, mais uma vez, rejeitaram a hipótese de reeleger um governador. Dessa vez, com inteira razão, pois José Ivo Sartori (MDB) foi, sem dúvida, o pior governador do Estado em todos os tempos. Ocorre que, ao eleger Eduardo Leite (PSDB ) como novo governador, o eleitor só mudou a forma, mas manteve o conteúdo, trocando seis por meia dúzia. Sartori é um tipo rude, quase bronco. Leite é educado, cortês. Porém, na essência, são o que popularmente se define como farinha do mesmo saco. Ambos defendem o ideário neoliberal, que busca diminuir o tamanho do Estado, e escolhe como alvo permanente o funcionalismo público, que é apresentado como o grande vilão da corrosão das contas estaduais. Ao mesmo tempo que perseguem covardemente o funcionalismo, são coniventes com os grandes grupos econômicos sonegadores, eles sim responsáveis pela crise econômica estadual. Leite já sinalizou que terá o funcionalismo como o seu maior alvo, a exemplo de Sartori e, também como o ex-governador, tentará derrubar a exigência de plebiscito para vender estatais. Ao trocar Sartori por Leite, o eleitor apenas tirou de cena um lobo selvagem colocando em seu lugar outro disfarçado com uma pele de cordeiro. Na prática, os prejudicados serão os de sempre, e os beneficiados, também. A mudança de governo foi meramente cosmética. Serão mais quatro anos tortuosos para os mais pobres, e sob encomenda para o empresariado.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
A boba da corte
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, tornou-se a figura de maior visibilidade do governo Jair Bolsonaro. Damares ocupa espaços na mídia permanentemente, sempre com declarações estapafúrdias e absurdas, que geram polêmicas e muitas postagens nas redes sociais. Está mais do que evidente que isso não acontece por acaso. A ministra foi escolhida para a ser a boba da corte do governo. Enquanto as pessoas se ocupam com suas declarações, cada vez mais disparatadas, o governo impõe sua agenda de destruição das conquistas e direitos dos cidadãos. As falas da ministra, se levadas ao pé da letra, só poderiam ser feitas por uma pessoa mentalmente perturbada. Como levar a sério afirmações como a de que as pessoas se hospedam em hotéis fazenda para manter relações sexuais com animais, ou de que o movimento LGBT quer proibir a circulação da Bíblia? São afirmações tão acintosamente ridículas e despropositadas que só podem fazer parte de uma ação meticulosamente planejada. Claramente, Damares foi escolhida para entreter a plateia enquanto os membros de ministérios mais relevantes consumam a destruição do país. Seja como for, com suas falas, Damares Alves acaba sendo um retrato fiel de um governo marcado pela estupidez de suas proposições e a incompetência de seus integrantes.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Medievalismo
A Câmara Municipal de Porto Alegre tem na sua pauta de votações um projeto do vereador Wambert di Lorenzo (PROS) que propõe como obrigatória a autorização dos pais para a participação de estudantes em aulas sobre orientação sexual. Pelo projeto, a escola deve solicitar autorização expressa do responsável pela criança ou adolescente para ministrar o conteúdo planejado. Afora isso, a escola deverá apresentar previamente o conteúdo programático e, caso os pais não concordem com ele, terão o direito de cancelar a matrícula do filho. A proposta é mais uma manifestação do medievalismo que a extrema direita pretende implantar no ensino. Educação sexual é tarefa da escola, sim. Apresentar o conteúdo programático antecipadamente para a família é submeter-se a um processo de censura, inconcebível numa democracia. A ideia de que as escolas devem se limitar a transmissão de conteúdos de diversas disciplinas, sem atuar na formação dos alunos e no desenvolvimento do seu senso crítico, é uma aberração típica do obscurantismo que tomou conta do cenário político do país. A educação precisa ser valorizada no pais, e projetos como esse atuam na direção contrária. O ensino, no Brasil, tem de ser aprimorado, e não perseguido. A educação deve ser um processo libertador, não um meio de podar os alunos.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Confissão
As constantes postagens nas redes sociais de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro acusando os que torcem contra o seu governo são emblemáticas. Nesse caso, por trás da acusação há uma confissão. Movidos pelo ódio irracional ao PT, os eleitores de Bolsonaro lançaram o país no abismo. Ao perceberem que o governo que elegeram não tem a menor chance de dar certo, terceirizam a culpa pelo desastre, mais uma vez. A acusação é patética. Primeiro, por que não há nada de errado no fato de quem é oposição não desejar o sucesso de quem está no poder. Em segundo lugar, por que torcer, contra ou a favor, não tem nenhum efeito prático. Aquele que torce, seja por uma causa, por uma disputa esportiva ou de qualquer outra natureza, apenas expressa uma preferência, mas não tem nenhuma ingerência sobre o resultado final. O governo Bolsonaro vai fracassar, isso é inevitável. Porém, os responsáveis pelo desastre não serão os "maus brasileiros que torcem contra". A conta deverá ser paga por quem, movido pelo ódio e pela ignorância, jogou o país nas mãos de um presidente descerebrado e do seu séquito de imbecis. Simples assim. Não dá para transferir a culpa.
domingo, 13 de janeiro de 2019
Os 50 anos de Yellow Submarine
Na data de hoje, o disco "Yellow Submarine", dos Beatles, completa 50 anos de seu lançamento. O disco era a trilha sonora do desenho animado homônimo. Contém, no lado A, quatro músicas inéditas do grupo, e dois clássicos gravados anteriormente, a faixa-título e "All You Need Is Love". O lado B apresenta orquestrações feitas pelo produtor George Martin. Em relação às quatro faixas inéditas, só "Hey Bulldog" foi composta especialmente para o disco. As outras três eram músicas já gravadas e que haviam sido deixadas de lado. Por essas características, "Yellow Submarine" não está entre os principais discos do grupo, mas teve expressiva vendagem, chegando a se destacar nas paradas. Um tanto subestimadas no conjunto da obra dos Beatles, as quatro composições novas desse disco estão longe de ser desprezíveis. "Hey Bulldog" é um dos mais vigorosos rocks do grupo. "All Togheter Now" é leve e contagiante, "Only a Northern Song", composta para o disco "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", mas vetada por George Martin, é outra amostra da incisividade de George Harrison, já vista em "Taxman", por exemplo. "It's All Too Much", outra música de Harrison, tem mais de seis minutos de duração, mas é envolvente e nem um pouco enfadonha. "Yellow Submarine", é mais um disco dos Beatles a completar 50 anos, assim como "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", em 2017, e o "Álbum Branco", em 2018. Em setembro, será a vez de comemorar os 50 anos de "Abbey Road", o último disco gravado pelo grupo, e o penúltimo a ser lançado. "Let It Be", gravado antes, só foi lançado no mês seguinte ao da separação dos Beatles, e será o último a completar o seu cinquentenário, em maio de 2020.
sábado, 12 de janeiro de 2019
Um país armado até os dentes
A liberação do porte de armas pelos cidadãos, uma das bandeiras do descerebrado presidente Jair Bolsonaro quando candidato, vai mesmo ser posta em prática. Os arautos do direitismo argumentam que as "pessoas de bem", tem o direito de se proteger dos bandidos, e defendem ardorosamente o armamento da população. O Brasil se encaminha para ser um país armado até os dentes, e isso tem tudo para se transformar numa tragédia social. Pessoas comuns não estão habituadas a usarem armas. Mesmo que parte delas venha a fazer um curso de tiro, ainda assim estarão em desvantagem num confronto com quem usa armas permanentemente. Afora isso, a presença de uma arma dentro de casa é, sempre, potencialmente perigosa. Ela pode ser objeto da curiosidade de crianças, ou ser usada no calor de uma discussão doméstica e, em ambos os casos, redundar numa tragédia. A violência não irá diminuir com a liberação da posse de armas. Pelo contrário, essa medida favorece a expansão da violência, num confronto desigual entre os transgressores da lei e os cidadãos comuns. Só mesmo na mente estreita dos integrantes do novo governo essa seria uma solução para a violência. O país poderá, isso sim, mergulhar num banho de sangue.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
A higienização do futebol
O futebol não é uma ilha. Esporte mais popular dentre todos, ele vem refletindo, dentro e fora do Brasil, a guinada para a direita que se verifica em grande parte do mundo. O que antes era um esporte autenticamente popular, tornou-se, antes de tudo, um produto midiático. Realizou-se, no pior sentido da expressão, a higienização do futebol. Os antigos estádios, muitos enormes, com pouco conforto, mas de um calor humano contagiante, foram substituídos por outros mais "modernos", com lugares numerados, onde o valor dos ingressos exclui o torcedor de menor poder aquisitivo, justamente o mais espontâneo e apaixonado. O modelo "Premier League", nome pomposo dado desde os anos 90 ao Campeonato Inglês, tornou-se a bússola dos deslumbrados de plantão. Uma competição voltada prioritariamente para os torcedores de poltrona, ou seja, os que assistem aos jogos pela televisão. Os estádios, numa forma democraticida de conter a violência em seu interior, viraram um privilégio para quem pode pagar. O efeito disso tudo é um esporte que, a cada dia, fica mais frio, artificial, mercantilista, asséptico. A suspensão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios foi mais uma medida que veio na esteira desse processo de descaracterização do futebol. Em nome da "segurança", retirou-se do torcedor o direito de beber no interior dos estádios, rompendo com uma tradição secular. O futebol precisa recuperar sua autenticidade. A sofisticação do espetáculo só faz crescer, enquanto a qualidade do que se apresenta dentro de campo despenca a olhos vistos, com falsos craques inflados pela "mídia" tomando o lugar antes ocupado por gênios da bola. Chega de futebol "Nutella"! O futebol raiz precisa ser restituído.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Contraste
Sabe-se, já faz tempo, de que o Inter não tem uma boa situação financeira. Esse fato, é claro, limita a possibilidade de maiores investimentos em contratações. Porém, ainda assim, chama a atenção o contraste entre o nível dos reforços que vem sendo adquiridos pelo Inter em comparação com outros grandes clubes brasileiros. O maior rival do Inter, o Grêmio, por exemplo, não está ousando nas contratações, até por não ter o volume de recursos de clubes como Flamengo e Palmeiras, mas trouxe jogadores de destaque, como Montoya e Felipe Vizeu. O Inter, por sua vez, trouxe jogadores como Neilton e Guilherme Parede, e hoje anunciou a contratação do lateral direito Bruno, de 33 anos que estava sem clube após o final do seu contrato com o Bahia. Mateus Galdezani, volante que pertence ao Coritiba mas estava emprestado ao Atlético Mineiro, onde não se firmou, está em vias de ser contratado. Neilton veio do Vitória, clube que foi rebaixado para a Segunda Divisão, Guilherme Parede do Coritiba, que permaneceu na Série B, e Bruno, depois de jogar por Fluminense e São Paulo, estava no Bahia. Com reforços desse nível, o Inter dificilmente será mais do que um mero coadjuvante nas competições, com exceção do Campeonato Gaúcho. Afinal, seu grupo de jogadores já era modesto, e o clube não terá a facilidade de realizar um menor número de partidas que os seus principais adversários, fato que o beneficiou no Brasileirão de 2018. Em 2019, o Inter terá calendário cheio. Com a base de que dispõe e as contratações que está fazendo, o Inter terá que limitar suas aspirações nesse ano. Boas campanhas talvez sejam possíveis, mas grandes conquistas parecem, em princípio, inviáveis.
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